Terça-feira, 30 de setembro de 2008
São Jerônimo, Presbítero e Doutor, Oficio De Memória, 2ª do Saltério (Livro III), cor Branca
Que as palavras da Escritura estejam sempre em teus lábios, para que, meditando-as dia e
noite, te esforces para realizar tudo aquilo que ensinam, e terá sentido e valor a tua vida. (Js 1,8)
Hoje: Dia da Secretária (homenagem ao nascimento de Liliam Sholes, a 1ª mulher a datilografar em público, 1872); Dia da Navegação e dia Mundial do Tradutor (homenagem a São Jerônimo, tradutor da Bíblia para o latim)
Santos: Jerônimo (419, doutor da Igreja), Simão de Crépu, Gregório (o iluminador, 300, Armênia), Leopoldo (Roma), Victor e Urso (Suíça) Antonino (Piacenza), Honório (653), Simão (1080), Francisco de Bórgia (1572), Francisco de Calderola (confessor franciscano, 1ª ordem)
Oração: Ó Deus, que destes ao presbítero São Jerônimo profundo amor pela Sagrada Escritura, concedei ao vosso povo alimentar-se cada vez mais da vossa palavra e nela encontrar a fonte da vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura: Jó (Jó 3,
1-3.11-17.20-23)
A lamentação de Jó revela a fragilidade da vida sem
esperança
1Jó abriu a boca e amaldiçoou o seu dia, 2dizendo: 3"Maldito o dia em que nasci e a noite em que fui concebido. 11Por que não morri desde o ventre materno, ou não expirei ao sair das entranhas? 12Por que me acolheu um regaço e uns seios me amamentaram? 13Estaria agora deitado e poderia descansar, dormiria e teria repouso, 14com os reis e ministros do país, que construíram para si sepulcros grandiosos; 15ou com os nobres, que amontoaram ouro e prata em seus palácios. 16Ou, então, enterrado como aborto, eu agora não existiria, como crianças que nem chegaram a ver a luz.
17Ali acaba o tumulto dos ímpios, ali repousam os que esgotaram as forças. 20Por que foi dado à luz um infeliz e vida àqueles que têm a alma amargurada? 21EIes desejam a morte que não vem e a buscam mais que um tesouro; 22eles se alegrariam por um túmulo e gozariam ao receberem sepultura.
23Por que, então, foi dado à luz o homem a quem seu próprio caminho está oculto, a quem Deus cercou de todos os lados?" Palavra do Senhor!
Comentando a Leitura[1]
Por que foi dado à luz um infeliz?
O Antigo Testamento tem o grande mérito de reconhecer a dor humana em toda a sua carga trágica; não a diminui, não a adoça. Embora obscuramente, Jó percebe que a justiça e a sabedoria divina devem encontrar-se em um espaço que está fora da experiência humana; contudo, não vendo na terra solução plausível, só sabe suspirar pela morte. No fundo, em tais imprecações se oculta uma prece, nesse desespero há uma esperança, e o livro, ao terminar, abrirá respiradouros de luz. Só em Cristo a dor terá a maior luz e esperança que é dada na terra; a dor não é a última palavra.
Salmo
Responsorial: 87(88), 2-3.4-5.6.7-8 (R/.3a)
Chegue a minha oração até vossa presença
A vós clamo, Senhor, sem cessar, todo o dia, e de noite se eleva até vós meu gemido. Chegue a minha oração até a vossa presença, inclinai vosso ouvido a meu triste clamor!
Saturada de males se encontra a minh'alma, minha vida chegou junto às portas da morte. Sou contado entre aqueles que descem à cova, toda gente me vê como um caso perdido!
O meu leito já tenho no reino dos mortos, como um homem caído que jaz no sepulcro, de quem mesmo o Senhor se esqueceu para sempre e excluiu por completo de sua atenção.,
O Senhor, me pusestes na cova mais funda, nos locais tenebrosos da sombra da morte. Sobre mim cai o peso do vosso furor, vossas ondas enormes me cobrem, me afogam.
Evangelho:
Lucas (Lc 9, 51-56)
Jesus
tomou a firme decisão de partir para Jerusalém
51Estava chegando o tempo de Jesus ser levado para o céu. Então ele tomou a firme decisão de partir para Jerusalém 52e enviou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram num povoado de samaritanos, a fim de preparar hospedagem para Jesus. 53Mas os samaritanos não o receberam, pois Jesus dava a impressão de que ia a Jerusalém. 54Vendo isso, os discípulos Tiago e João disseram: "Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para destruí-los?" 55Jesus, porém, voltou-se e repreendeu-os. 56E partiram para outro povoado. Palavra da Salvação!
Comentando o Evangelho do Dia[2]
O fanatismo condenado
As divergências entre judeus e samaritanos eram bem conhecidas, no tempo de Jesus. Por razões históricas, eles se tinham na conta de inimigos, recusando-se a se reconciliar. Atravessar a Samaria, rumo a Jerusalém, era sempre perigoso. Podia-se contar, com certeza, com a hostilidade dos samaritanos.
Mesmo assim, Jesus tomou a decisão de atravessar a Samaria,
rumo a Jerusalém. E, mais, seus discípulos entraram num povoado samaritano,
pedindo hospedagem para o Mestre. A rejeição foi imediata. Os samaritanos
recusaram-se a dar-lhes acolhida, pois souberam que estavam a caminho de
Jerusalém.
Tiago e João, apelidados de “filhos do Trovão”, desafogam seu
fanatismo, pedindo que o Mestre destrua os inóspitos samaritanos, com fogo
enviado do céu. A intolerância desses dois discípulos era sintoma de seus
ideais messiânicos, feitos de gestos espetaculares, nos moldes dos antigos
profetas. O profeta Elias, por exemplo, havia destruído com o fogo do céu os
emissários do rei, enviados para prendê-lo. Coisa semelhante desejavam ver
Tiago e João!
O
pedido dos discípulos foi rechaçado por parte Jesus. Antes, eles foram
severamente repreendidos, por sua dureza de coração. Seu fanatismo era fruto da
incompreensão do projeto do Mestre. A rejeição dos samaritanos era
insignificante diante da que ele haveria de padecer em Jerusalém
São Jerônimo é contado entre os maiores Doutores da Igreja dos primeiros séculos. De cultura enciclopédica, foi escritor, filósofo, teólogo, retórico, gramático, dialético, historiador, exegeta e doutor como ninguém, nas Sagradas Escrituras. Jerônimo nasceu na Dalmácia, hoje Croácia, por volta do ano 340.
Tendo herdado dos pais pequena fortuna, aproveitou para realizar sua vocação de amante dos estudos. Para este fim, viajou para Roma, onde procurou os melhores mestres de retórica e onde passou a juventude um tanto livre.
Recebeu o batismo do papa Libério, já com 25 anos de idade. Viajando pela Gália, entrou em contato com o monacato ocidental e retirou-se com alguns amigos para Aquiléia, formando uma pequena comunidade religiosa, cuja principal atividade era o estudo da Bíblia e das obras de Teologia.
Jerônimo tinha um caráter indômito e gostava de opções radicais; desejou, portanto, conhecer e praticar o rigor da vida monacal que se vivia no Oriente, pátria do monaquismo. Esteve vários anos no deserto da Síria, entregando-se a jejuns e penitências tão rigorosas, que o levaram aos limites da morte.
Abandonando o meio monacal, dirigiu-se a Constantinopla, atraído pela fama oratória de São Gregório de Nazianzo, que lhe abriu o espírito ao amor pela exegese da Sagrada Escritura. Estando em Antioquia da Síria, prestou serviços relevantes ao bispo Paulino, que o quis ordenar sacerdote. No entanto, Jerônimo não sentia vocação à atividade pastoral e quase nunca exerceu o ministério sacerdotal. Tendo que optar entre sua vocação inata de escritor e o chamamento à ascese monacal, encontrou uma conciliação entre estes extremos que marcaria o caminho de sua vida: seria um monge mas um monge para quem o retiro era ocasião para uma dedicação total ao estudo, à reflexão, à férrea disciplina necessária à produção de sua obra, que queria dedicar toda à difusão do cristianismo.
Dentro desta vocação e severa disciplina, estudou o hebraico
com um esforço sobre humano e aperfeiçoou seus conhecimentos do grego para
poder compreender melhor as Escrituras nas línguas originais.
Chamado a Roma pelo Papa Damaso, que o escolheu como secretário particular, recebeu do mesmo a incumbência de verter a Bíblia para o latim, graças ao conhecimento que tinha desta língua, do grego e do hebraico. O papa, de fato, desejava uma tradução da Bíblia mais fiel em tudo aos textos originais, traduzida e apresentada em latim mais correto, que pudesse servir de texto único e uniforme na liturgia. Pois até aquele tempo existiam traduções populares muito imperfeitas e diversificadas, que criavam confusão.
O trabalho de São Jerônimo começado em Roma durou praticamente toda sua vida. O conjunto de sua tradução da Bíblia em latim chamou-se "Vulgata" e foi o texto usado largamente nos séculos posteriores, tornando-se oficial com o Concílio de Trento e só cedeu o lugar ultimamente às novas traduções, pelo surto de estudos lingüístico-exegéticos dos nossos dias. Na tradução, Jerônimo revela agudo senso crítico, amor incontido à Palavra de Deus e riqueza de informações sobre os tempos e lugares relativos à Bíblia.
Em Roma, criou-se em torno de Jerônimo amplo círculo de amizades, sobretudo de maratonas da alta sociedade que o ajudavam com seus recursos para custear seus trabalhos e que lhe orientava nos ásperos caminhos da santidade de cunho monástico.
Desgostado por certas intrigas do meio romano, retirou-se para Belém, onde, vivendo como monge rigidamente penitente, continuou até a morte, seus estudos e trabalhos bíblicos. Faleceu em 420, aos 30 de setembro, já quase octogenário.
São Jerônimo foi uma personalidade vigorosa, de inteligência extraordinária, de temperamento indomável. Teve uma correspondência literária muito vasta, de grande interesse histórico; ele se sentia presente e engajado como escritor em todos os problemas doutrinários do seu tempo.
Foi
declarado padroeiro dos estudos bíblicos e o "Dia da Bíblia" foi
colocado exatamente no último domingo de setembro, coincidindo com a data de
sua morte. Ele deixou escrito: "Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de
Deus, e quem ignora as Escrituras ignora o poder e a sabedoria de Deus;
portanto ignorar as Escrituras Sagradas é ignorar a Cristo".
Desafio pessoal (Mês da Bíblia): doe exemplares de Bíblia a um amigo ou amiga; evangelize através da Palavra!
O rosto é o espelho da alma; os olhos descobrem-lhe o segredo. (São Jerônimo)