Terça-feira, 30 de agosto de 2011

22ª Semana do Tempo Comum, Ano Impar,  2ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica verde

 

Santos: Adauto, Ágilo (abade, 650 aC), Bonifácio (mártir), Bonônio de Locedio (abade, 1026), Bronislava da Polônia (bem-aventurada, virgem), Eduardo Shelley (bem-aventurado, mártir), Fantino da Calábria (abade), Félix e Adauto (mártires), Fiacro de Brie (eremita, séc VIII), Gaudência e Companheiras (virgens, mártires), João Roche (mártir, bem-aventurado), João Juvenal Ancina (bispo), Margarida Ward (mártir), Pamáquio (410), Pelágio, Arsênio e Silvano (mártires), Pedro de Trevi (presbítero),  Rosa de Santa Maria, Ricardo Leigh e Ricardo Martin (bem-aventurados, mártires), Tecla (mártir).

 

Antífona: Tende compaixão de mim, Senhor, clamo por vós o dia inteiro; Senhor, sois bom e clemente, cheio de misericórdia para aqueles que vos invocam. (Sl 85, 3.5)

 

Oração: Deus do universo, fonte de todo bem, derramai em nossos corações o vosso amor e estreitai os laços que nos unem convosco para alimentar em nós o que é bom e guardar com solicitude o que nos destes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura:Tessalonicenses (1Ts 5, 1-6.9-11)

Jesus Cristo morreu por nós

 

1Quanto ao tempo e à hora, meus irmãos, não há por que vos escrever. 2Vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como ladrão, de noite. 3Ouando as pessoas disserem:"Paz e segurança!", então de repente sobrevirá a destruição, como as dores de parto sobre a mulher grávida. E não poderão escapar. 4Mas vós, meus irmãos, não estais nas trevas, de modo que esse dia vos surpreenda como um ladrão. 5Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite, nem das trevas. 6Portanto, não durmamos, como os outros, mas sejamos vigilantes e sóbrios. 9Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. 10Ele morreu por nós, para que, quer vigiando nesta vida, quer adormecidos na morte, alcancemos a vida junto dele. 11Por isso, exortai-­vos e edificai-vos uns aos outros como já costumais fazer. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Jesus Cristo morreu por nós

 

Cristão não é aquele que perde tempo em discutir sobre dia e hora, porém aquele que, instruído pelas palavras de Jesus, vive em vigília. Esta "espera vigilante", para ser autêntica, deve ser operosa. Paulo insiste com os tessalonicenses para que sejam ativos no bem, no bem concreto, de cada dia, para com todos. Serão salvos e filhos da luz, não das trevas, aqueles que forem vigilantes e sóbrios, não os que dormirem; aqueles que vestirem a armadura espiritual de defesa, que os torna invencíveis. Uma certeza orienta a vida do cristão e lhe determina a conduta: o Senhor virá. Sua vinda não deve ser imaginada fora do tempo e da história (o dia de Javé). Ele vem agora, no cotidiano da existência. É, pois, melhor viver com Deus na fé e no amor cada dia que nos for dado. [Missal Cotidiano, © Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 26(27), 1.4.13-14  (R/.13)

Sei que a bondade do Senhor eu hei

de ver, na terra dos viventes

 

O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei?

 

Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isto que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu templo.

 

Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!

Evangelho: Lucas (Lc 4, 31-37)
Eu sei quem tu és, o santo de Deus!

 

Naquele tempo, 31Jesus desceu a Cafarnaum, cidade da Galiléia, e aí ensinava-os aos sábados. 32As pessoas ficavam admiradas com o seu ensinamento, porque Jesus falava com autoridade. 33Na sinagoga, havia um homem possuído pelo espírito de um demônio impuro, que gritou em alta voz: 34“O que queres de nós, Jesus nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o santo de Deus!” 35Jesus o ameaçou, dizendo: “Cala-te e sai dele!” Então o demônio lançou o homem no chão, saiu dele e não lhe fez mal nenhum. 36O espanto se apossou de todos e eles comentavam entre si: “Que palavra é essa? Ele manda nos espíritos impuros, com autoridade e poder, e eles saem”. 37E a fama de Jesus se espalhava em todos os lugares da redondeza. Palavra da Salvação!

 

 

Leituras paralelas: Mc 1, 21-28; Mt 7, 28-29.

 

 

Comentando o Evangelho

O abalo do reino do mal

 

A primeira maneira que Jesus encontrou para implementar seu Reino de libertação foi a de resgatar o ser humano das forças malignas que o oprimiam. Por estas forças, a pessoa torna-se escrava e é reduzida a condições sub-humanas. O resgate da dignidade humana exigia uma imediata atuação de Jesus. Alguns elementos da cena evangélica chamam a atenção.


O homem possuído por um espírito impuro encontrava-se num espaço sagrado - a sinagoga. A sacralidade e a santidade do local não foram suficientes para libertá-lo. Foi preciso que alguém interviesse num nível mais elevado.


Por outro lado, o demônio, falando pela boca do possesso, reconheceu que Jesus viera arruiná-lo. Chegava ao fim a tirania que Satanás impunha às pessoas. O reino do mal estava irremediavelmente abalado.

 
Outro detalhe: o possesso confessa a identidade messiânica de Jesus, de maneira correta, coisa que não acontecera em sua cidade natal. "Eu sei quem tu és: o Santo de Deus!" - proclama o demônio. Exclamação que deveria estar na boca de cada pessoa de fé. O demônio reconhecia a identidade de Jesus, mas recusava-se a submeter-se a Ele.


O Mestre curou o possesso pelo poder de sua palavra. Dispensou as palavras mágicas ou os ritos cabalísticos. Bastou uma única ordem dele para que o demônio deixasse o homem em paz. Desta forma, o Reino de Deus irrompia na história humana pela ação de Jesus. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano B, ©Paulinas, 1996]

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

 

Para que a Igreja seja fiel anunciadora do evangelho de Jesus, rezemos. Senhor, escutai a nossa prece.

Para que os cristãos sejam consciência crítica no meio do povo, rezemos.

Para que não nos cansemos de dar testemunho da nossa experiência de Jesus, rezemos.

Para que sempre nos empenhemos em promover a cidadania de todos, rezemos.

Para que as pessoas atormentadas e aflitas sejam libertas de seu sofrimento.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, o sacrifício que vamos oferecer nos traga sempre a graça da salvação, e vosso poder leve à plenitude o que realizamos nesta liturgia Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Como é grande, ó Senhor, vossa bondade, que reservastes para aqueles que vos temem! (Sl 30,20)

 

Oração Depois da Comunhão:

Restaurados à vossa mesa pelo pão da vida, nós vos pedimos, ó Deus, que este alimento da caridade fortifique os nossos corações e nos leve a vos servir em nossos irmãos e irmãs. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

São Félix e Santo Adauto

 

São Felix era padre, um presbítero romano e vivia tranquilamente até a perseguição de Diocleciano, no início do século IV, por volta de 304. Foi condenado à morte no caminho para Óstia, e um grupo de soldados o conduziu ao local do suplício. Ao longo do percurso alguém se aproximou e também se declarou publicamente cristão, sem temer a morte: era o chamado Adauctus, que significa adjunto, daí o nome Adauto. Ambos foram decapitados. Seus túmulos foram encontrados em 1720 e sobre ele se erigiu uma basílica a mando do Papa Siricio.

 

 

 

Uma esmolinha, por amor de Deus!

Dom Murilo S.R. Krieger, scj, Arcebispo de São Salvador da Bahia - BA

 

Seu rosto era um espelho diferente, já que refletia todos os tempos: o passado tinha gravado nele sulcos profundos, denunciadores de dias difíceis e de sofrimento intenso; o futuro era antecipado pela insegurança e pelo medo, estampados em seu olhar; o presente estava sintetizado no movimento de seus lábios, a pedir: “Uma esmolinha, por amor de Deus!”

 

Uma esmolinha! Qual seria a história desta mulher, quase só pele e ossos, envelhecida tão precocemente? Seria possível reconstituir sua infância? Que sonhos teriam povoado sua juventude? Que histórias teria para nos contar? Depois de tudo o que passou, enfrentou e viveu, o que pensa da vida? O que espera da sociedade?

 

Não seria possível, agora, fazer-lhe muitas perguntas. O problema que enfrentava era marcado pela urgência, melhor, pela sobrevivência. Não tinha tempo nem condições para considerações sociológicas, filosóficas ou metafísicas. O máximo que poderia fazer seria recordar as repostas que seu pedido tivera ao longo do dia. Não conseguiria, contudo, adivinhar o que não lhe foi dito, mas apenas expresso nos olhares de piedade, indiferença ou repulsa.

 

Diante de sua pobreza, cada qual se definiu, mesmo que só em pensamento: “Eu não ajudo quem pede esmola”; “Aí está o resultado de uma sociedade estruturada sobre a injustiça”; “Onde está o dinheiro de nossos impostos?”; “Por que o Governo não faz nada por pessoas assim?”; “Meu Deus, que rosto de sofrimento!”; “O que será que posso fazer?” etc.

 

Conseguimos resgatar espaçonaves perdidas no espaço, obter progressos consideráveis na pesquisas do câncer e desenvolver tipos de sementes adaptadas às condições climáticas de cada região. Novos Lázaros continuam, porém, percorrendo nossas estradas, estendendo suas mãos para matar a fome com o que cai de nossas mesas (cf. Lc 16,19-31).

 

O que fazemos pelos pobres? Houve épocas que foram dominadas por obras assistenciais. Tratava-se de “dar o peixe” aos necessitados, mesmo porque a fome exige respostas rápidas. Depois, nasceram iniciativas visando a promoção humana; o importante, dizia-se, é “ensinar a pescar”, para evitar a eterna dependência. Descobrimos, porém, que isso já não basta. É toda uma renovação das estruturas de nossa sociedade que se torna necessária, para que o processo de empobrecimento deixe de fabricar novos miseráveis. Enquanto isso, conforme o caso concreto que nos desafia, esta ou aquela atitude poderá ser a mais oportuna.

 

São muitos os pobres e necessitados que nos cercam. Há pobres no campo econômico: famintos, sem casa ou sem saúde, desempregados, sem meios para viver com dignidade. Há pobres no campo social: marginalizados por inúmeras razões, migrantes, analfabetos. Há pobres na consistência física ou moral: deficientes, alcoólatras, drogados, prostitutas, debilitados psiquicamente. Há pobres de amor: idosos desprezados, crianças abandonadas, prisioneiros, famílias desfeitas ou desagregadas. Há pobres de valores autênticos: escravos do prazer, do dinheiro, do poder.

 

A mão que se estende em nossa direção é um grito de alerta: alguém, em algum lugar, precisa de nossa ajuda material e de nosso tempo, de nossa dedicação e de nosso amor. Poderemos nos omitir, refugiando-nos em desculpas; ou, então, poderemos nos unir a todos os que se inquietam com os olhares que atravessam o tempo e as distâncias para nos pedir: “Uma esmolinha, por amor de Deus!”

 

Em nossa cidade, região e Estado, há inúmeras iniciativas em favor de crianças pobres; de mães grávidas abandonadas pelos maridos; de adolescentes que muito cedo são motivo de preocupação; ou de idosos sem família e sem amor. Interessar-se por essas iniciativas ou, inclusive, oferecer-se como voluntário, poderá ser o primeiro passo para a descoberta de novas respostas para os problemas sociais que nos desafiam.

 

Descobriremos, então, que somos ricos de esperança porque alguém, um dia, estendeu sua mão em nossa direção, levantou-nos e nos acolheu como irmãos, dando-nos dignidade e razões para viver. Não será esta uma indicação para fazermos o mesmo? [Fonte: CNBB]

 

Facilmente se começa a guerra e com dificuldade se acaba (Salústio)

 

Contato: edd@mundocatolico.com.br