Terça-feira, 30 de março de 2010

Semana Santa - 2ª Semana do Saltério (Livro III) - cor Litúrgica Roxa

 

 

Santos: Clímaco (abade), Zósimo (bispo), Osburga (virgem), Dodão (beato), Amadeu IX da Sabóia (beato), Donino (Tessalônica), Pedro Regalado (confessor franciscano da 1ª ordem)

 

Antífona: Não me deixeis, Senhor, à mercê de meus adversários, pois contra mim se levantaram testemunhas falsas, mas volta-se contra eles a sua iniquidade. (Sl 26, 12)

 

Oração do Dia: Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos celebrar de tal modo os mistérios da paixão do Senhor, que possamos alcançar vosso perdão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Isaias (Is 49, 1-6)

Eu te farei luz das nações

 

1Nações marinhas, ouvi-me, povos distantes, prestai atenção: o Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome; 2fez de minha palavra uma espada afiada, protegeu-me à sombra de sua mão e fez de mim uma flecha aguçada, escondida em sua aljava, 3e disse-me: "Tu és o meu servo, Israel, em quem serei glorificado". 4E eu disse: "Trabalhei em vão, gastei minhas forças sem fruto, inutilmente; entretanto o Senhor me fará justiça e o meu Deus me dará recompensa".

 

5E agora diz-me o Senhor - ele que me preparou desde o nascimento para ser seu servo - que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória. 6Disse ele: "Não basta seres meu servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra".Palavra do Senhor.

 

Comentando a I Leitura

Eu te farei luz das nações

 

Há na obra de salvação realizada por Jesus um paradoxo, cuja explicação nos devolve necessariamente ao irrepreensível poder de Deus. Sob o aspecto humano, a vida de Jesus se encerra com um xeque radical. Ninguém como ele pôde dizer: "Esforcei-me em vão, em vão e por nada consumi minhas energias" (versículo 4). Ninguém jamais falara como ele, ninguém jamais praticara em favor dos pobres obras como as suas. Entretanto, ao pé da cruz havia apenas um grupo exíguo de pessoas fiéis. Contudo, exatamente por causa deste seu aniquilamento, tornou-se a luz dos povos e levou a salvação até às extremidades da terra (versículo 6).

 

Sinal do Cristo, a Igreja deve dispor-se a repetir visivelmente o mistério, rejeitando toda lógica de força, poder e prestígio. A salvação não chega aos homens em proporção da eficiência e do saber estratégico do povo de Deus; vem de uma decisão do Pai, e manifesta-se ao mundo, sobretudo onde é capaz de entrar o amor, para vantagem dos outros, na treva do fracasso e na humilhação da derrota. [MISSAL COTIDIANO. ©Paulus, 1997]

 

Salmo: 70 (71), 1-2. 3-4a. 5-6ab. 15 e 17 (+ cf. 15)

Minha boca anunciará vossa justiça

 

1Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor, que eu não seja envergonhado para sempre! 2Porque sois justo, defendei-me e libertai-me! Escutai a minha voz, vinde salvar-me!

 

3Sede uma rocha protetora para mim, um abrigo bem seguro que me salve! Porque sois a minha força e meu amparo, o meu refúgio, proteção e segurança! 4aLibertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio.

 

5Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, em vós confio desde a minha juventude! 6aSois meu apoio desde antes que eu nascesse, 6bdesde o seio maternal, o meu amparo.

 

15Minha boca anunciará todos os dias vossa justiça e vossas graças incontáveis. 17Vós me ensinastes desde a minha juventude, e até hoje canto as vossas maravilhas.

 

Evangelho: João (Jo 13, 21-33.36-38)

O galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes

 

Naquele tempo, estando à mesa com seus discípulos, 21Jesus ficou profundamente comovido e testemunhou: "Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará". 22Desconcertados, os discípulos olhavam uns para os outros, pois não sabiam de quem Jesus estava falando.

 

23Um deles, a quem Jesus amava, estava recostado ao lado de Jesus. 24Simão Pedro fez-lhe um sinal para que ele procurasse saber de quem Jesus estava falando. 25Então, o discípulo, reclinando-se sobre o peito de Jesus, perguntou-lhe: "Senhor, quem é?" 26Jesus respondeu: "É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho". Então Jesus molhou um pedaço de pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes.

 

27Depois do pedaço de pão, satanás entrou em Judas. Então Jesus lhe disse: "O que tens a fazer, executa-o depressa". 28Nenhum dos presentes compreendeu por que Jesus lhe disse isso. 29Como Judas guardava a bolsa, alguns pensavam que Jesus lhe queria dizer: "Compra o que precisamos para a festa", ou que desse alguma coisa aos pobres. 30Depois de receber o pedaço de pão, Judas saiu imediatamente. Era noite. 31Depois que Judas saiu, disse Jesus: "Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. 32Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo. 33Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. Vós me procurareis, e agora vos digo, como eu disse também aos judeus: 'Para onde eu vou, vós não podeis ir’".

 

36Simão Pedro perguntou: "Senhor, para onde vais?" Jesus respondeu-lhe: "Para onde eu vou, tu não me podes seguir agora, mas me seguirás mais tarde". 37Pedro disse: "Senhor, por que não posso seguir-te agora? Eu darei a minha vida por ti!" 38Respondeu Jesus: "Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: o galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 26, 20-25; Mc 14, 17-21; Lc 22, 21-23: Anuncia a traição

 

 

Comentário do Evangelho

O traidor identificado

 

O anúncio da traição foi desconcertante para o grupo de discípulos. Independentemente de qualquer cultura, a traição é sempre um ato abominável. De modo especial, entre pessoas cujas vidas foram postas em comum, e nas quais se deposita toda confiança. Isto explica a surpresa dos discípulos quando Jesus anunciou que um deles haveria de traí-lo. E essa surpresa foi maior, quando o traidor foi identificado com Judas, filho de Simão Iscariotes.


O evangelista João dirá várias vezes que se tratava de um ladrão. Logo, alguém de caráter duvidoso, de quem se pode esperar tudo. A traição seria apenas mais uma manifestação da personalidade malsã deste discípulo. Os evangelhos, em geral, referem-se a Judas como alguém que vendeu sua própria consciência ao aceitar entregar o Mestre por um punhado de dinheiro.


Entretanto, é possível suspeitar de outras razões desta atitude tresloucada. Será que Judas entendeu, de fato, o projeto de Jesus? Terá sido capaz de abrir mão de seus esquemas messiânicos para aceitar Jesus tal qual se apresentava? Estava disposto a seguir um Messias pobre, manso, amigo dos excluídos e marginalizados, anunciador de um Reino incompatível com a violência e a injustiça? Judas esperava tirar partido do Reino a ser instaurado por Jesus. Vendo frustrado o seu intento, não teria tido escrúpulo de traí-lo?


Uma coisa é certa: Judas estava longe de sintonizar com Jesus. Algo parecido acontecia com Pedro, que haveria de negá-lo. Só que este recuou e se converteu à misericórdia do Senhor. [Evangelho nosso de cada dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Um discípulo não está puro. Ele nega sua parte com Jesus, recusa-se a crer no EU SOU. Ele também passa, mas para o poder de satanás. Judas Iscariotes, companheiro de mesa do Senhor, abandona agora a luz do mundo. A partida de Judas dá início aos acontecimentos da paixão. Jesus será glorificado. Deus será glorificado, pois a presença de Deus como amor infinito está prestes a se manifestar em Jesus. Ele partirá e essa ausência (ou presença?) é o problema fundamental de toda a passagem. Ao partir, deixa seu mandamento essencial: “Amai-vos uns aos outros”. É um novo mandamento porque esse amor mútuo deve ter como modelo algo novo – o amor que Jesus demonstra pelos discípulos.

 

 

Aqueles que pretendem ter parte com Jesus glorificado, devem

ter primeiro parte com Jesus crucificado. (Bv. Filippo Smaldone)

 

 

 

"Nenhum homem merece uma confiança ilimitada - na melhor das hipóteses,

a sua traição espera uma tentação suficiente." (H. L. Mencken)