Terça-feira, 29 de janeiro de 2008

III Semana do Tempo Comum, Ano Par, 3ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Cantai ao Senhor um canto novo, cantai ao Senhor, ó terra inteira; esplendor, majestade e beleza brilham no seu templo santo. (Sl 95, 1.6)

 

 

Santos: Aquilino de Milão (mártir), Báculo de Sorrento (bispo), Cesário de Angoulême (diácono), Constâncio (primeiro bispo de Perúgia) e Companheiros (mártires), Flora de Kildare (virgem), Papias e Mauro (soldados, mártires de Roma), Sabiniano de Troyes (mártir), Sharbel e Bebaia (casal de irmãos, mártires de Edessa), Sulpício Severo (bispo de Bourges), Trifina da Bretanha (viúva), Valério de Trèves (bispo).

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosos Filho, frutificar em boas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: II Samuel (2Sm 6, 12b-15.17-19)
Davi leva a arca da aliança para Jerusalém

 

Naqueles dias, 12bDavi pôs-se a caminho e transportou festivamente a arca de Deus da casa de Obed­-Edom para a cidade de Davi. 13A cada seis passos que davam, os que transportavam a arca do Senhor sacrificavam um boi e um carneiro. 14Davi, cingido apenas com um efod de linho, dançava com todas as suas forças diante do Senhor. 15Davi e toda a casa de Israel conduziram a arca do Senhor, soltando gritos de júbilo e tocando trombetas.

 

17Introduziram a arca do Senhor e depuseram-na em seu lugar, no centro da tenda que Davi tinha armado para ela.. Em seguida, ele ofereceu holocaustos e sacrifícios pacíficos na presença do Senhor. 18Assim que terminou de oferecer os holocaustos e os sacrifícios pacíficos, Davi abençoou o povo em nome do Senhor: todo-poderoso. 19E distribuiu a toda a multidão de Israel, a cada um dos homens e das mulheres, um pão de forno, um bolo de tâmaras e uma torta de uvas. Depois todo o povo foi para casa. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Davi e toda a casa de Israel conduziram

a arca do Senhor com júbilo

 

A procissão e a assembléia festiva em torno da arca dão-nos a perceber - em um momento único da história da salvação - a unidade religiosa e política da nação, a união entre o reino e o sacerdócio, a religiosidade sincera e humilde do rei, a alegria e fraternidade, o espírito de louvor e de eucaristia. Tudo isto se perderá com o passar dos anos, com a clericalização do culto e ingerência recíproca entre o trono e o altar.

 

A entrada da arca em Jerusalém permanece um sinal e uma advertência para nós, povo real e sacerdotal, chamado a anunciar as maravilhas de Deus (cf. 1Pd 2,9), pela qualidade "espiritual" do nosso culto e sacrifício, realizado primeiro em nossa vida de consagrados e depois nas ações litúrgicas com toda a assembléia. Poderia também recordar-nos o caráter de festa simples e consciente, interior e exterior ao mesmo tempo, da celebração cristã: a poesia, a fantasia, a expressão do corpo no canto e na dança, as procissões, o uso dos instrumentos e da aclamação, como sinais eloqüentes da presença inefável.

 

 

Salmo: 23(24), 7.8.9.10 (+8a)

Dizei-nos: “quem é este Rei da glória?”

“É o Senhor, o valoroso, o grandioso!” (+ 8ª)

 

7”Ó portas, levantai vossos frontões! Elevai-vos bem mais alto, antigas portas, a fim de que o rei da glória possa entrar!"

8Dizei-nos: "Quem é este rei da glória?" "É o Senhor, o valoroso, o onipotente, o Senhor, o poderoso nas batalhas!"

 

9”Ó Portas, levantai vossos frontões! Elevai-vos bem mais alto, antigas portas, a fim de que o rei da glória possa entrar!"

 

10Dizei-nos: "Quem é este rei da glória?" "O rei da glória é o Senhor onipotente, o rei da glória é o Senhor Deus do universo!"

 

 

 

Evangelho: Marcos  (Mc 3, 31-35)

Quem faz a vontade de Deus, esse é

meu irmão, minha irmã e minha mãe

 

Naquele tempo, 31chegaram a mãe de Jesus e seus irmãos. Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. 32Havia uma multidão sentada ao redor dele. Então lhe disseram: "Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura". 33Ele respondeu: "Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?" 34E olhando para os que estavam sentados ao seu redor, disse: "Aqui estão minha mãe e meus irmãos. 35Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe". Palavra da Salvação!

 

 

 

Comentário o Evangelho

Os parentes de Jesus

 

A presença de sua mãe e de seus familiares, num momento de intensa atividade, permitiu a Jesus explicitar um aspecto importante do Reino instaurado por ele: o ponto de contato entre ele e quem se tornou seu discípulo. Seria uma questão de amizade pessoal, ou tudo dependeria das preferências de Jesus? Seus parentes teriam alguma precedência em relação aos demais?

 

Nada disso tinha importância, já que o critério seria a submissão à vontade do Pai. Portanto, o ponto de contato estaria no nível interno, existencial. Por pautarem suas vidas em idêntico projeto, cujo referencial era o Pai, Jesus e seus discípulos formariam uma grande família.

 

Este critério de familiaridade com Jesus supera toda limitação espaço-temporal. Entre nós e Jesus se estabelecem estreitos laços de relacionamento, quando nos deixamos guiar pela mesma vontade divina. A identificação dar-se-á na semelhança de atitudes, uma vez que seremos levados a agir como ele. Por outro lado, o espírito de família impor-se-á entre nós, cristãos, quando nos encontrarmos unidos numa ação comum, fundada no amor e na justiça. Só então saberemos que somos irmãos e irmãs de Jesus. Este é o parentesco espiritual gerado pela opção pelo Reino, da qual nasce a verdadeira família de Jesus, que engloba todas as raças e culturas. (O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1997)

 

Para sua reflexão pessoal[2]

De todos os que se aglomeram junto a Jesus, no grande ciclo de pessoas presentes naquela ocasião, o único que pode realmente ser considerado parente de Jesus é “aquele que faz a vontade de Deus” (vv. 32-34). Jesus espera que seus seguidores tenham o mesmo respeito sincero em relação à vontade de Deus que ele tem. Os laços naturais de família perdem seu sentido para os que “nasceram não do sangue nem da carne... mas de Deus” (Jo 1, 13). É claro que os vínculos de família são muito importantes, mas Jesus, que tem um Pai no céu (Lc 2l, 41-52), está criando uma nova família de Deus; Maria por exemplo acatou a autoridade do Pai. Não se trata, para Jesus, de uma rebeldia que despreze as próprias raízes culturais; pelo contrário, é obediência a um princípio superior, adesão livre a um projeto maior. Fé e razão (lógica humana) nem sempre andam de braços dados; a fé transcende!

 

 

São Suplício Severo[3]

Pertencente à nobreza da Aquitânia, ocupava elevada posição na corte do rei Gontrano, quando veio a falecer o bispo de Bourges. A cidade estava em uma situação calamitosa devido aos incêndios ocorridos e Gontrano elegeu a São Sulpício por admirar suas qualidades. Logo foi ordenado padre e abandou os altos cargos civis. Feito bispo, dedicou-se totalmente à Igreja. Seu episcopado teve início no ano 584 até sua morte em 591. Firme, prudente e vigoroso, também fazia negócios temporais e defendia o povo das leis injustas dos reis. Bom orador, poeta, seu maior apologista foi São Gregório de Tours, seu contemporâneo no episcopado e interlocutor epistolar.

 

 

 

 



[1] MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997

[2] Everaldo Souto Salvador, ofs, Mundo Católico

[3] Extraído de O SANTO DO DIA de Dom Servilio Conti, páginas 50 e 51, Ó Editora Vozes, 1997