Terça-feira, 28 de setembro de 2010

26º do Tempo Comum (Ano “C”), 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Hoje: Dia do Hidrógrafo

 

Santos: Venceslau, Eustóquia (418), Lourenço Ruiz (mártir em Nagasaki), Venceslau (929, mártir em Praga), Exupério (415), Salônio, Líoba (782), João de Dula (confessor franciscano, 1ª ordem)

 

Antífona: Senhor, tudo o que fizestes conosco, com razão o fizestes, pois pecamos contra vós e não obedecemos aos vossos mandamentos. Mas honrai o vosso nome, tratando-nos segundo vossa misericórdia. (Dn 3, 31.29-30.43.42)

 

Oração: Ó Deus, que mostrais vosso poder sobretudo no perdão e na misericórdia, derramai sempre em nós a vossa graça, para que, caminhando ao encontro das vossas promessas, alcancemos os bens que nos reservais. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Leitura: Jó (Jó 3, 1-3.11-17.20-23)
A lamentação de Jó revela a fragilidade da vida sem esperança

 

1Jó abriu a boca e amaldiçoou o seu dia, 2dizendo: 3"Maldito o dia em que nasci e a noite em que fui concebido. 11Por que não morri desde o ventre materno, ou não expirei ao sair das entranhas? 12Por que me acolheu um regaço e uns seios me amamentaram? 13Estaria agora deitado e poderia descansar, dormiria e teria repouso, 14com os reis e ministros do país, que construíram para si sepulcros grandiosos; 15ou com os nobres, que amontoaram ouro e prata em seus palácios. 16Ou, então, enterrado como aborto, eu agora não existiria, como crianças que nem chegaram a ver a luz.

 

17Ali acaba o tumulto dos ímpios, ali repousam os que esgotaram as forças. 20Por que foi dado à luz um infeliz e vida àqueles que têm a alma amargurada? 21EIes desejam a morte que não vem e a buscam mais que um tesouro; 22eles se alegrariam por um túmulo e gozariam ao receberem sepultura. 23Por que, então, foi dado à luz o homem a quem seu próprio caminho está oculto, a quem Deus cercou de todos os lados?" Palavra do Senhor!

 

Comentando a Leitura

Por que foi dado à luz um infeliz?

 

O Antigo Testamento tem o grande mérito de reconhecer a dor humana em toda a sua carga trágica; não a diminui, não a adoça. Embora obscuramente, Jó percebe que a justiça e a sabedoria divina devem encontrar-se em um espaço que está fora da experiência humana; contudo, não vendo na terra solução plausível, só sabe suspirar pela morte. No fundo, em tais imprecações se oculta uma prece, nesse desespero há uma esperança, e o livro, ao terminar, abrirá respiradouros de luz. Só em Cristo a dor terá a maior luz e esperança que é dada na terra; a dor não é a última palavra. [Trechos do COMENTÁRIO BÍBLICO, ©Edições Loyola, 1999 e BÍBLIA DE JERUSALÉM, ©Paulinas, 1991]

 

Salmo Responsorial: 87(88), 2-3.4-5.6.7-8 (R/.3a)  
Chegue a minha oração até vossa presença

 

A vós clamo, Senhor, sem cessar, todo o dia, e de noite se eleva até vós meu gemido. Chegue a minha oração até a vossa presença, inclinai vosso ouvido a meu triste clamor!

 

Saturada de males se encontra a minh'alma, minha vida chegou junto às portas da morte. Sou contado entre aqueles que descem à cova, toda gente me vê como um caso perdido!

 

O meu leito já tenho no reino dos mortos, como um homem caído que jaz no sepulcro, de quem mesmo o Senhor se esqueceu para sempre e excluiu por completo de sua atenção.,

 

O Senhor, me pusestes na cova mais funda, nos locais tenebrosos da sombra da morte. Sobre mim cai o peso do vosso furor, vossas ondas enormes me cobrem, me afogam.

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 9, 51-56)
Jesus tomou a firme decisão de partir para Jerusalém

 

51Estava chegando o tempo de Jesus ser levado para o céu. Então ele tomou a firme decisão de partir para Jerusalém 52e enviou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram num povoado de samaritanos, a fim de preparar hospedagem para Jesus. 53Mas os samaritanos não o receberam, pois Jesus dava a impressão de que ia a Jerusalém. 54Vendo isso, os discípulos Tiago e João disseram: "Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para destruí-los?" 55Jesus, porém, voltou-se e repreendeu-os. 56E partiram para outro povoado. Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho do Dia

O fanatismo condenado

 

As divergências entre judeus e samaritanos eram bem conhecidas, no tempo de Jesus. Por razões históricas, eles se tinham na conta de inimigos, recusando-se a se reconciliar. Atravessar a Samaria, rumo a Jerusalém, era sempre perigoso. Podia-se contar, com certeza, com a hostilidade dos samaritanos.


Mesmo assim, Jesus tomou a decisão de atravessar a Samaria, rumo a Jerusalém. E, mais, seus discípulos entraram num povoado samaritano, pedindo hospedagem para o Mestre. A rejeição foi imediata. Os samaritanos recusaram-se a dar-lhes acolhida, pois souberam que estavam a caminho de Jerusalém.


Tiago e João, apelidados de “filhos do Trovão”, desafogam seu fanatismo, pedindo que o Mestre destrua os inóspitos samaritanos, com fogo enviado do céu. A intolerância desses dois discípulos era sintoma de seus ideais messiânicos, feitos de gestos espetaculares, nos moldes dos antigos profetas. O profeta Elias, por exemplo, havia destruído com o fogo do céu os emissários do rei, enviados para prendê-lo. Coisa semelhante desejavam ver Tiago e João!


O pedido dos discípulos foi rechaçado por parte Jesus. Antes, eles foram severamente repreendidos, por sua dureza de coração. Seu fanatismo era fruto da incompreensão do projeto do Mestre. A rejeição dos samaritanos era insignificante diante da que ele haveria de padecer em Jerusalém. [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Até então toda a atividade de Jesus se tinha desenvolvido na Galiléia, a  partir deste momento tudo vai se assinalar no tema do caminho que fisicamente o aproximará da Cidade Santa, e espiritualmente o fará amadurecer mais em seu processo  de assumir com radicalidade sua tarefa de Messias, de Enviando e Salvador. Humanamente falando, o caminho que começa aqui se poderia ver como o declive paulatino de Jesus. Pouco a pouco vai ficando mais sozinho, menos rodeado de multidões, até lhe negam a entrada em uma aldeia samaritana. Herodes procura-o para matá-lo e nos momentos definitivos de sua vida, até seus próprios discípulos, aqueles que havia escolhido para si, deixam-nos completamente sozinho e até o negam. Jesus havia decidido que sua tarefa messiânica seria realizada, não segundo os critérios do triunfalismo nem da espetacularidade, mas de acordo com o critério do serviço, da entrega, da renúncia, do aniquilamento, e isto implica a perseguição e a rejeição; não é que Jesus fosse um masoquista que buscava a dor e o sofrimento para si mesmos; a dor, o sofrimento, a morte violenta eram o resultado da atitude obstinada com que o povo da promessa recebia o anúncio de seu cumprimento.  (Bíblia Ave-Maria, Novo Testamento, Edição de Estudos)

 

 

São Venceslau

 

Aos 13 anos de idade herdou o Ducado da Boêmia, pela morte de seu pai Vratislau. Na Corte, duas influências opostas defrontavam-se: de um lado, a piedosa Ludmila, mãe de Vratislau, que era católica fervorosa e educou no catolicismo o neto Venceslau. De outro, a duquesa Draomira, viúva de Vratislau, regente na menoridade de Venceslau, que era uma fanática pagã. Draomira, não conseguindo ter influência sobre o jovem duque, manifestava clara preferência pelo filho mais jovem, Boleslau, que também era pagão. Draomira mandou estrangular a sogra cristã e passou a perseguir os católicos sem ousar, no entanto, tocar em Venceslau. Venceslau, ao completar 18 anos de idade, deu um golpe de força e destituiu Draomira, tomando posse do seu ducado e modificando radicalmente a situação. Favoreceu o catolicismo, chamou de volta os missionários, mandou edificar igrejas, submeteu-se como vassalo do Sacro Império. Muito piedoso, fazia questão de preparar pessoalmente, com trigo de suas plantações e uvas de suas videiras, as hóstias e o vinho destinados ao Sacrifício da Missa. Fez um breve mas memorável governo e morreu aos 23 anos, assassinado por Boleslau, que, em continuação de Draomira, o atraiu para uma cilada.

 

Quando você está imune às opiniões e ações dos outros, não é vitima de sofrimento desnecessário. (Don Miguel Ruiz)