Terça-feira, 27 de julho de 2010

Décima Sétima Semana do Tempo Comum, 1ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho e dia do Motociclista.

 

Santos: Celestino I (papa), N.Srª do Perpétuo Socorro, Pantaleão (médico venerado no Oriente como "anárgiro", isto é, que exerce a profissão por amor a Deus), Natália, Aurélio de Córdova, Celestino I (papa romano que proclamou a divina maternidade da Virgem Maria), Bem-Aventurado Antusa (virgem, Birtânia), Jorge (monge); Félix, Aurélia, Natália e Liliosa (martirizados em Córdova, na Espanha) e Bem-aventurada Maria Madalena Martinengo (virgem franciscana da segunda ordem).

 

Antífona: Deus habita em seu templo santo, reúne seus filhos em sua casa; é ele que dá força e poder a seu povo. (Sl 67, 6-7.36)

 

Oração do Dia: Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e, sem vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo; redobrai de amor para conosco, para que, conduzidos por vós, usemos de tal modo os bens que passam, que possamos abraçar os que não passam. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Jeremias (Jr 14, 17-22)

A misericórdia do Senhor, única esperança do povo

 

17"Derramem lágrimas meus olhos, noite e dia, sem parar, porque um grande desastre feriu a cidade, a jovem filha de meu povo, um golpe terrível e violento.

 

18Se eu sair ao campo, veio cadáveres abatidos à espada; se entrar na cidade, deparo com gente consumida de fome; até os profetas e sacerdotes andam à toa pelo país". 19Acaso terás rejeitado Judá inteiramente, ou te desgostaste deveras de Sião? Por que, então, nos feriste tanto, que não há meio de nos curarmos? Esperávamos a paz, e não veio a felicidade; contávamos com o tempo de cura, e não nos restou senão consternação.

 

20Reconhecemos, Senhor, a nossa impiedade, os pecados de nossos pais, porque todos pecamos contra ti. 21Mas, por teu nome, não nos faças sofrer a vergonha suprema de levar a desonra ao trono de tua glória; lembra-te, não quebres a tua aliança conosco. 22Acaso existem entre os ídolos dos povos os que podem fazer chover? Acaso podem os céus mandar-nos as águas? Não és tu o Senhor, nosso Deus, que estamos esperando? Tu realizas todas essas coisas.” Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

Lembra-te, Senhor, não quebres a tua aliança conosco

 

A seca tremenda que se abateu sobre o povo de Deus (Jr 14, 1-9) faz pensar na seca que atormenta o Nordeste brasileiro. Em casos de calamidade, que atitude toma o povo? Há quem fique quase indiferente (cf. Jr 5, 20-25), quem se agarre com Deus, quem duvide de sua existência, ou de que ele nos ame, caso exista; outros chegam a se perguntar se Deus não se compraz em nos ver sofrer. Há também quem suplique a Deus, mas não de modo sincero; só por interesse material (cf Jr 15, 1-4). Há depois os que reconhecem haver pecado e pertencer a uma humanidade pecadora, e entreveem na prova não castigo, mas purificação. O capítulo 14 de Jeremias parece uma “celebração penitencial”; a provação faz voltar a Deus, confiar em sua aliança e suas promessas; faz pedir perdão e esperar em sua providência. Aprendamos a desconhecer nossos pecados, a confessá-los a Deus, que é Pai. Se o nosso coração nos reprovar, “Deus é maior do que o nosso coração” (1Jo 3, 19-20) [Comentário Bíblico, Vol 3, Edições Loyola]]

 

 

Salmo: 78(79), 8.9.11 e 13 (R/.9bc)
Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos!

 

Não lembreis as nossas culpas do passado, mas venha logo sobre nós vossa bondade, pois estamos humilhados em extremo.

 

Ajudai-nos, nosso Deus e Salvador! Por vosso nome e vossa glória, libertai-nos! Por vosso nome, perdoai nossos pecados!

 

Até vós chegue o gemido dos cativos: libertai com vosso braço poderoso os que foram condenados a morrer! Quanto a nós, vosso rebanho e vosso povo, celebraremos vosso nome para sempre, de geração em geração vos louvaremos.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 13, 36-43)
Os justos brilharão como o sol no reino de seu pai

 

Naquele tempo, 36Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: "Explica-nos a parábola do joio!" 37Jesus respondeu: "Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. 38O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. 39O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os ceifadores são os anjos.

 

40Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: 41o Filho do Homem enviará os seus anjos e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; 42e depois os lançarão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. 43Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça". Palavra da Salvação

 

 

 

Comentando o Evangelho

Explicação necessária

Os discípulos não compreenderam a parábola do joio e do trigo. Sendo assim, como acontecera com a parábola do semeador, Jesus percebeu ser necessário dar-lhes uma explicação. E o fez, identificando cada elemento da parábola, a partir do horizonte religioso dos discípulos.

 

A perspectiva escatológica é patente na interpretação de Jesus. Ou seja, decifra-se o sentido da parábola, a partir do fim do mundo. Só então não haverá dúvida de quem, ao longo da vida, comportou-se como filho do Reino, identificado com o trigo, e quem se comportou como filho do Maligno, identificado com o joio. A diversidade de filiação depende do direcionamento do coração humano. Quem dirigiu seu coração para Jesus e permitiu que a semente plantada por ele produzisse frutos de amor e justiça, haverá de brilhar como Sol, junto do Pai. Quem, pelo contrário, optou por abrir o coração ao demônio e deixá-lo plantar aí sua semente e, por conseguinte, entregou-se a uma vida de escândalos e iniquidades, pode contar com a condenação.

 

A parábola visava alertar os discípulos. Nada impedia que o demônio lançasse sua semente também em seus corações, desviando-os do caminho do amor e lançando-os nas sendas da injustiça. Se fossem suficientemente inteligentes, não teriam dificuldade em reconhecer para onde estavam caminhando.  [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: É, em primeiro lugar, uma exortação à tolerância, diante do risco constante de todo o grupo ou instituição religiosa acreditar e autoproclamar-se grupo escolhido perante os outros, facilmente identificados como “erva má”. A Igreja caiu muitas vezes ao longo de sua história neste complexo de superioridade e de condenação perante as outras religiões, diante das outras denominações cristãs, diante dos próprios católicos e católicos que divergem do que foi estabelecido como institucional ou teologicamente correto. A ênfase da explicação da parábola está no juízo escatológico no qual, no fim dos tempos, será o juiz supremo aquele que fará a separação entre os verdadeiros “cidadãos do Reino” e o joio ou “súditos do Maligno”. O critério da separação, como se dirá mais adiante no julgamento das nações, será a opção pelo pobre e pelo necessitado. Quem tenha feito esta opção em sua vida terá sido boa semente no seu reinado, embora não tenha pertencido explicitamente à Igreja; quem agir de maneira contrária será joio. Entretanto, estamos no tempo da paciência história de Deus, no âmbito de sua misericórdia no qual sempre é possível a conversão e a mudança. (Noto Testamento, Ed. de Estudos, Ave-Maria)

 

Beata Maria Madalena Martinengo

 

 

 

Filha do Conde de Martinengo de Barco e Margarida, da família dos condes Secchi de Aragão, ficou órfã de mãe com um ano de idade e foi educada por sua madrinha e por uma humilde empregada que teve grande influência sobre ela, em especial, sobre sua vocação religiosa.

 

Com apenas 10 anos de idade recitava o breviário, pois era muito inclinada à devoção e à mortificação, mostrando um grande desejo de "imitar tudo o que haviam feito os santos". Completou seus estudos nos melhores colégio de Bréscia e com 13 anos de idade fez votos de virgindade. Após esse voto padeceu terríveis tentações que somente superou aos 22 anos de idade.

 

Aos 18 anos, ingressou na convento capuchinho de Santa Maria das Neves de sua cidade natal. Em 1706 fez sua profissão. Mudando o nome de batismo que era Margarida para Maria Madalena. Três vezes foi mestra de noviças e, durante alguns períodos desempenhou o humilde cargo de porteira. Em 1732 e em 1736, foi escolhida como superiora. Deus premiou seu desinteressado amor com experiências místicas extraordinárias e com o dom de milagres. Viveu 32 anos em clausura. Sofreu fortes perseguições de outras freiras pelos fenômenos que a assistiam, como estigmas, êxtases, aparições, ciência infusa, telepatia, profecia, milagres, etc.

 

A beata professava particular devoção à coroação de espinhos e, após sua morte, descobriu-se que levava sob o véu, ao redor da cabeça, uma coroa de pontas espinhosas. Maria Madalena soube unir as mortificações ao cumprimento de seus deveres de mestra e superiora, no amor ao silêncio e em uma grande mansidão em seus diálogos. Deixou uma autobiografia que é uma obra-prima de espiritualidade e de vida mística. Assim que faleceu, foi tida como santa pelas freiras e pela população da cidade. Foi beatificada por Leão XIII, em 1900.

 

A esperança é o sonho do homem acordado. (Sócrates)