Terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Terceira Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 3ª Semana do Saltério (Livro III), cor Verde
Cantai ao Senhor um canto novo, cantai ao Senhor, ó terra inteira; esplendor, majestade e beleza brilham no seu templo santo. (Sl 95, 1.6)
Santos do Dia: Avito (mártir da África), Cândida de Bañoles (viúva), Dácio, Juliano, Vicente e 27 companheiros (mártires da África), Dácio, Reátrio e Companheiros (mártires da África), Devota de Córsega (virgem, mártir), Emério de Bañoles (abade), Gamelberto de Michaelsbuch (peregrino), Juliano de Sora (mártir), Juliano de Le Mans (bispo, mártir), Lobo de Châlons (bispo), Mário de Bodon (abade), Teodorico II de Orléans (monge, bispo), Vitaliano (papa), João deWarneton (bispo, bem-aventurado), João Maria Mzec (mártir, bem-aventurado), Marcelino de Forti (presbítero, bem-aventurado), Miguel Pini (eremita, bem-aventurado)
Oração: Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosso Filho, frutificar em boas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura: Hebreus (Hb 10, 1-10)
Jesus cumpre a palavra do Pai com palavras e ação
Irmãos, 1a Lei possui apenas o esboço dos bens futuros e não o modelo real das coisas. Também, com os seus sacrifícios sempre iguais e sem desistência repetidos cada ano, ela é totalmente incapaz de levar à perfeição aqueles que se aproximam para oferecê-los. 2Se não fosse assim, não se teria deixado de oferecê-los, se os que prestam culto, uma vez purificados, já não tivessem nenhuma consciência dos pecados? 3Mas, ao contrário, é por meio desses sacrifícios que, anualmente, se renova a memória dos pecados, 4pois é impossível eliminar os pecados com o sangue de touros e bodes.
5Por isso, ao entrar no mundo, Cristo afirma: “Tu não quiseste
vítima nem oferenda, mas formaste-me um corpo. 6Não foram do teu
agrado holocaustos nem sacrifícios pelo pecado. 7Por isso eu disse:
Eis que eu venho. No livro está escrito a meu respeito: Eu vim, ó Deus, para
fazer a tua vontade”. 8Depois de dizer: “Tu não quiseste nem te
agradaram vítimas, oferendas, holocaustos, sacrifícios pelo pecado” – coisas
oferecidas segundo a Lei –, 9ele acrescenta: “Eu vim para fazer a
tua vontade”. Com isso, suprime o primeiro sacrifício, para estabelecer o
segundo. 10É graças a esta vontade que somos santificados pela
oferenda do corpo de Jesus Cristo, realizada uma vez por todas. Palavra
do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Eis que eu venho, ó Deus, par fazer a tua vontade
“A vontade do Pai jamais foi a morte do seu Filho. Tal atitude seria própria de um Deus sanguinário, que só se aplacaria com o sangue de um ente querido. Nem se trata de obediência à lei, porque esta já caducou (vv. 1-4). Na verdade, o desígnio de Deus foi tornar seu próprio Filho participante da condição humana, com todo aquele amor necessário para que tal condição fosse transfigurada. Ora, a existência humana supõe a morte, e o Pai não a excluiu da sorte de seu Filho, a fim de que sua fidelidade à condição de homem só tivesse como limite sua fidelidade ao amor do Pai. Com algumas variantes introduzidas no salmo (“um corpo me preparastes” – diz Jesus – “ao entrar no mundo” com a encarnação), o autor insere nas relações trinitárias e preexistentes à encarnação a intenção sacrifical de Cristo... que a cruz fez apenas selar” (Maertens). Em Jesus não há dissociação entre rito e vida; sua morte é sacrifício espiritual, porque dom total de si na liberdade e no amor.
Salmo: 39 (40), 7-8ª.8b-9.10.11 (+ cf. 8a e 9a)
Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor!
Esperando, esperei no Senhor, e inclinando-se, ouviu meu clamor. Canto novo ele pôs em meus lábios, um poema em louvor ao Senhor.
Sacrifício e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor, meus ouvidos; não
pedistes ofertas nem vítimas, holocaustos por nossos pecados. E então eu vos
disse: “Eis que venho!”
Boas novas de vossa justiça anunciei numa grande assembléia; vós sabeis não
fechei os meus lábios.
Proclamei toda a vossa justiça, sem retê-la no meu coração; vosso auxílio e
lealdade narraram. Não calei vossa graça e verdade na presença da grande
assembléia.
Evangelho do Dia: Marcos (Mc 3, 31-35)
Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão
Naquele tempo, 31chegaram a mãe de Jesus e seus irmãos. Eles ficaram do lado de fora e mandaram chamá-lo. 32Havia uma multidão sentada ao redor dele. Então lhe disseram: “Tua mãe e teus irmãos estão lá fora à tua procura”. 33Ele respondeu: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” 34E olhando para que os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. 35Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. Palavra da Salvação!
Comentário do Evangelho[2]
Os parentes de Jesus
A presença de sua mãe e de seus familiares, num momento de intensa atividade, permitiu a Jesus explicitar um aspecto importante do Reino instaurado por ele: o ponto de contato entre ele e quem se tornou seu discípulo. Seria uma questão de amizade pessoal, ou tudo dependeria das preferências de Jesus? Seus parentes teriam alguma precedência em relação aos demais?
Nada disso tinha importância, já que o critério seria a submissão à vontade do Pai. Portanto, o ponto de contato estaria no nível interno, existencial. Por pautarem suas vidas em idêntico projeto, cujo referencial era o Pai, Jesus e seus discípulos formariam uma grande família.
Este critério de familiaridade com Jesus supera toda limitação espaço-temporal. Entre nós e Jesus se estabelecem estreitos laços de relacionamento, quando nos deixamos guiar pela mesma vontade divina. A identificação dar-se-á na semelhança de atitudes, uma vez que seremos levados a agir como ele.
Por outro lado, o espírito de família impor-se-á entre nós, cristãos, quando nos encontrarmos unidos numa ação comum, fundada no amor e na justiça. Só então saberemos que somos irmãos e irmãs de Jesus. Este é o parentesco espiritual gerado pela opção pelo Reino, da qual nasce a verdadeira família de Jesus, que engloba todas as raças e culturas.
Santa Ângela de Merici[3]
Santa Ângela de Meríci nasceu em 1470 na Itália. Certa vez, ao observar como viviam as jovens mais pobres da sua comunidade e arredores, percebeu também que não participavam do catecismo ou iam à escola. As únicas pessoas que tinham acesso à escola, ou eram nobres ou freiras. Reuniu amigas que pertenciam a Ordem Terceira de São Francisco e formou um mutirão para construir uma escola. Tal iniciativa foi tão bem sucedida que outras cidades vizinhas passaram a fazer o mesmo, enviando-lhe convites para orientações. E de forma simples, informal surgiu um grupo de professoras que tinha como único objetivo servir a Deus no próximo. Cerca de dez anos após, em 1535, Ângela convocou novamente sua companheiras decidida a formar um grupo onde todos os integrantes dedicassem suas vidas à educação e ao compromisso cristã, na Bréscia. Elas se chamariam Ursulinas, numa homenagem à Santa Úrsula, padroeira da ordem com o objetivo de formação cristãs das futuras mães de família. As consagradas de sua ordem eram virgens e permaneciam em parte com a família, não faziam votos especiais mas obrigavam-se a seguir as regras da fundadora. Visitavam a enfermos e faziam outros tipos de caridade. Este foi o primeiro grupo de mulheres religiosas a trabalhar fora de um convento e a se dedicar ao ensino! Sua sucessora introduziu uma modificação restritiva, adotando um hábito especial e Paulo VI finalmente concedeu os votos solenes. Ela morreu na Bréscia, Itália em 27 de Janeiro de 1540, aos 70 anos de idade. Santa Ângela foi a fundadora das Irmãs Ursulinas.
As forças murcham, os palácios caem, os impérios desintegram-se. Só as palavras sábias permanecem. (Edward Thornlike)