Terça-feira, 25 de outubro de 2011

30º do Tempo Comum (Ano “C”), 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Frei Galvão, Religioso Franciscano, dia do Cirurgião Dentista, Dia da Saúde Dentária, Dia dos Profissionais da Construção Civil, Dia do Sapateiro, Dia da Democracia e Dia Mundial do Macarrão

 

Santos: Bem-Aventurado Frei Antônio de Sant´Ana Galvão (1822, São Paulo, Brasil, presbítero franciscano da primeira ordem), Baltazar de Chiavari, Crispim, Crispiniano, Crisanto, Daria, Martírios, Marciano (Constantinopla, 351), Tabita.

 

Antífona: Eu vos darei pastores segundo o meu coração, que vos conduzam com inteligência e sabedoria. (Jr 3, 15)

 

Oração: Ó Deus, Pai de misericórdia, que fizestes do santo Antônio de Santa Galvão um instrumento de caridade e de paz no meio dos irmãos, concedei-nos, por sua intercessão, favorecer sempre a verdadeira concórdia.  Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: Romanos (Rm 8,18-25)
Estamos aguardando mediante a perseverança

 

Irmãos: 18Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a glória que deve ser revelada em nós. 19De fato, toda a criação está esperando ansiosamente o momento de se revelarem os filhos de Deus. 20Pois a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua livre vontade, mas por sua dependência daquele que a sujeitou; 21também ela espera ser libertada da escravidão da corrupção e, assim, participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus. 22Com efeito, sabemos que toda a criação, até ao tempo presente, está gemendo como que em dores de parto. 23E não somente ela, mas nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo. 24Pois já fomos salvos, mas na esperança. Ora, o objeto da esperança não é aquilo que a gente está vendo; como pode alguém esperar o que já vê? 25Mas se esperamos o que não vemos, é porque o estamos aguardando mediante a perseverança. Palavra do Senhor!

 

 

 

Salmo: 125 (126),1-2ab.2cd-3. 4-5. 6 (R. 3a)
Maravilhas fez conosco o Senhor!

 

1Quando o Senhor reconduziu nossos cativos, parecíamos sonhar; 2aencheu-se de sorriso nossa boca, 2bnossos lábios, de canções.

 

2cEntre os gentios se dizia: 'Maravilhas 2dfez com eles o Senhor!' 3SSim, maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!

 

4Mudai a nossa sorte, ó Senhor, como torrentes no deserto. 5Os que lançam as sementes entre lágrimas, ceifarão com alegria.

 

6Chorando de tristeza sairão, espalhando suas sementes; cantando de alegria voltarão, carregando os seus feixes!

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 13, 18-21)
A semente cresce e torna-se uma grande árvore

 

Naquele tempo, 18Jesus dizia: "A que é semelhante o Reino de Deus, e com que poderei compará-lo? 19Ele é como a semente de mostarda, que um homem pega e atira no seu jardim. A semente cresce, toma-se uma grande árvore, e as aves do céu fazem ninhos nos seus ramos".

 

20Jesus disse ainda: "Com que poderei ainda comparar o Reino de Deus? 21Ele é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 13, 31-32; Mc 4, 30-32; Mt 13,33

 

Comentando o Evangelho

O contraste entre o início e o fim

 

A caminho de Jerusalém, Jesus conta duas pequenas parábolas, para dispor os discípulos para a experiência que haveriam de fazer. Nelas se estabelece o contraste entre o início do Reino, na humildade e na perda, e seu fim grandioso. Só quem foi alertado para esta dinâmica divina será capaz de superar o desânimo e a decepção do momento.

 

A semente de mostarda era símbolo de pequenez. Todavia, esse grão minúsculo, lançado na terra, germina e se torna um arbusto de até três metros, permitindo às aves pousar em seus ramos.


Também a pitadinha de fermento, ao ser colocada numa quantidade excepcional de farinha (três medidas) ou seja, cerca de 50 quilos, era suficiente para fermentá-la e torná-la apta para a fabricação do pão.


Com o Reino dá-se algo semelhante. É preciso esperar com confiança. Seu projeto iniciado com um punhado de pessoas sem projeção social, tidas como estranhas para os esquemas religiosos da época, e sem muitas perspectivas, era como o grão de mostarda e o fermento. Pequenos e frágeis, mas destinados a um fim grandioso. Por trás desta dinâmica, estava o dedo de Deus. Ele é que capacitaria este grupo inexpressivo para se tornar mediação de propagação do Reino, de modo a fermentar toda a história humana. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano C,  ©Paulinas, 1996]

 

A palavra se faz oração (Liturgia Diária)

Pelas pessoas e grupos que atuam em defesa da natureza, rezemos ao Senhor. Atendei, Senhor, a nossa prece.

Pelos que buscam um pedaço de terra para plantar e produzir, rezemos ao Senhor.

Pelos trabalhadores do campo que produzem alimento para o sustento da sociedade, rezemos ao Senhor.

Pelas mulheres que muito se esforçam para sustentar a família, rezemos ao Senhor.

Pelas organizações que distribuem alimentos para os pobres, rezemos ao Senhor.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Aceitai, Ó Deus, as oferendas do vosso povo em honra de santo Antônio de Santana Galvão; e possamos receber a salvação pelo sacrifício que oferecemos em vossa honra. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

O Filho do homem veio não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para a salvação de todos. (Mt 20, 28)

 

Oração Depois da Comunhão:

Recebemos, ó Deus, o vosso sacramento em memória do vosso santo Antônio de Santana Galvão; concedei que esta eucaristia se transforme para nós em alegria eterna. Que vive e reina para sempre.

 

Para sua reflexão: Duas parábolas concisas, comparações sem armação narrativa, ilustram o dinamismo do reinado de Deus e do seu anúncio na boa notícia. A primeira se exalta com uma alusão hiperbólica ao “cedro magnífico no qual, à sombra de sua ramagem, aninharão as aves” (Ez 17, 23). A segunda é doméstica. Não conta a quantidade de matéria, mas a energia. Nas duas parábolas intervêm um homem e uma mulher, ao sabor de Lucas. As duas parábolas oferecem uma mensagem de paciência e esperança. (Bíblia do Peregrino)

 

 

Santos missionários e missionários santos

Card. Odilo P. Scherer, Arcebispo de São Paulo - SP

 

No Dia Mundial das Missões, celebrado no domingo passado, dia 23 de outubro, o papa Bento XVI proclamou “santos” dois grandes missionários modernos, que também foram fundadores de Institutos Missionários de Vida Consagrada: o bispo italiano Dom (São) Guido Maria Conforti, fundador dos Missionários/as Xaverianos/as, que se dedicam muito especialmente às missões “ad gentes”; e o padre italiano (São) Luiz Guanella, fundador das Congregações dos Servos da Caridade (Religiosos) e das Irmãs Filhas de Santa Maria da Providência, dedicados especialmente às pessoas com deficiência.

 

Na Arquidiocese de São Paulo, estão presentes e atuam tanto os Missionários Xaverianos, como os “Guanellianos”. Seu carisma enriquece a nossa Igreja Particular, ajudando-a a ter sempre diante dos olhos o vasto horizonte missionário, com suas múltiplas necessidades e desafios. E agora compartilhamos a alegria profunda dessas Congregações Religiosas Missionárias, louvando e agradecendo a Deus pela vida santa de seus Fundadores, elevados à glória dos altares, e pelo serviço missionário que seus “filhos” e “filhas” prestam na Igreja. Deus seja louvado!

 

Santos são aqueles que estão em comunhão com Deus, vivem intensamente e expressam nas ações a consciência de serem filhos e filhas de Deus, deixando-se conduzir na vida pelo Espírito de Deus, que é o Espírito “de santidade”. O povo entende bem, quando diz que “o santo está mais perto de Deus”... Em vida, ou após a morte, os verdadeiros santos atraem para Deus. Eles compreenderam bem aquilo que significa a altíssima vocação e dignidade humana, ou seja, ser e viver como filhos e filhas de Deus.

 

A santidade tem uma clara e inseparável conotação missionária: quer se dediquem a obras de caridade, nas suas formas mais variadas, quer sejam pregadores do Evangelho, proclamando as maravilhas de Deus, sua sabedoria e seus caminhos para a humanidade, quer sejam contemplativos e vivam mergulhados no Mistério Santo, levando irmãos consigo para fazerem o mesmo, quer sejam pastores do Povo de Deus, ou pessoas que vivem “no mundo”, ocupados com as tarefas do dia-a-dia, na família ou nas responsabilidades sociais, quer, ainda, sejam mártires heroicos do Evangelho de Cristo: todos os santos verdadeiros são pessoas de Deus e atraem para Deus. São missionários.

 

Portanto, não é por acaso, nem por mera coincidência que o Papa proclamou a santidade de dois grandes missionários justamente no Domingo das Missões. Diante da inegável urgência missionária em nossos tempos, poderíamos ser levados a ações superficiais de propaganda, que conseguiriam, talvez, atrair muitas pessoas em torno de nós mesmos e de nossas ações espetaculares... Mas por pouco tempo. No entanto, a Igreja missionária é chamada, antes de tudo, a colocar-se em profunda sintonia com Deus e com Jesus Cristo, seu divino Fundador. E isto requer a “conversão pastoral e pessoal”; requer “partir novamente de Jesus Cristo e de seu Evangelho”, como nos indicam as Diretrizes da CNBB. A missão da Igreja tem a finalidade de “atrair para Deus” e de proporcionar o encontro pessoal e uma profunda experiência de vida com Deus, conforme o Evangelho.

 

Nos momentos de maior crise da história da Igreja, sempre nasceram iniciativas missionárias renovadoras; e seus fundadores eram santos. Também em nossos tempos, a Igreja precisa espelhar-se e inspirar-se nos missionários santos. A ação missionária não consiste num projeto de propaganda consumista, nem numa ação proselitista, para  conquistar adeptos a qualquer custo. Bem lembrou o papa Bento XVI na Missa de abertura da Conferência de Aparecida: “a Igreja não faz proselitismo. Ela cresce muito mais por ‘atração’: como Cristo atrai todos a si com a força do seu amor, que culminou no sacrifício da cruz, assim a Igreja cumpre a sua missão na medida em que, associada a Cristo, cumpre a sua obra conformando-se em espírito e concretamente com a caridade do seu Senhor”.

 

Depois da Conferência de Aparecida (2007), passamos a ter uma consciência mais clara de que precisamos fazer uma profunda “conversão pastoral e missionária”, para sermos uma Igreja “em estado permanente de missão”. Mas isso não acontece sem a conversão a Deus e ao Evangelho de Cristo. Ser cristãos, chamados à santidade, e ser missionários, são coisas inseparáveis. Que os santos missionários nos inspirem e ajudem! [CNBB]

 

Não se deve julgar a pessoa alguma, porque julgar pertence só a Deus. (Santo Frei Galvão)