Terça-feira, 24 de agosto de 2010

São Bartolomeu (Apóstolo), Ofício de Festa, 1ª do Saltério, cor Litúrgica Vermelha

 

Santos: Bartolomeu (apóstolo, originário de Caná), Emília de Vialar (1856, Marselha, França), Maria Micaela (1856, Valência, Espanha), Patrício (séc. VI), Audoeno (685, bispo), Jorge Mimniota (770, monge), Joana Antídia Thouret

 

Antífona: Anunciai todos os dias a salvação de Deus, proclamai a sua glória às nações (Sl 95, 2-3)

 

Oração: Ó Deus, fortalecei em nós aquela fé que levou São Bartolomeu a seguir de coração o vosso Filho, e fazei que, pelas preces do Apóstolo, a vossa Igreja se torne sacramento da salvação para todos os povos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Apocalipse (Ap 21, 9b-14)
A nova humanidade, fiel a Deus

 

9bUm anjo falou comigo e disse: "Vem! Vou mostrar-te a noiva, a esposa do Cordeiro". 10Então me levou em espírito a uma montanha grande e alta. Mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, 11brilhando com a glória de Deus. Seu brilho era como o de uma pedra preciosíssima, como o brilho de jaspe cristalino.

 

12Estava cercada por uma muralha maciça e alta, com doze portas. Sobre as portas estavam doze anjos, e nas portas estavam escritos os nomes das doze tribos de Israel. 13Havia três portas do lado do oriente, três portas do lado norte, três portas do lado sul e três portas do lado do ocidente. 14A muralha da cidade tinha doze alicerces, e sobre eles estavam escritos os nome dos doze apóstolos do Cordeiro. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

A esposa do Cordeiro

 

A introdução à visão da esposa recorda deliberadamente a introdução à visão da prostituta da Babilônia. As duas cidades são antítipos uma da outra. Grande parte das metáforas da cidade também derivam de Ezequiel: a cidade no monte, de Ez 40,2; a cidade cheia da Glória de Deus, de Ez 43, 2-4. A descrição das muralhas recorre primordialmente a Ez 40,5; 48,31-35, embora outras descrições proféticas das muralhas de Jerusalém também possam estar por trás dessa passagem. Guardas angelicais aparecem em Is 62,6.10. As portas de Ezequiel representam as 12 tribos (Ez 48,31-34). Para o Apocalipse, os Doze são os apóstolos. O uso de metáforas de Ezequiel mudou da descrição da mulher como noiva para as características arquitetônicas que definem a cidade. [COMENTÁRIO BÍBLICO, ©Edições Loyola, 1999]

 

 

Salmo: 144(145), 10-11.12-13ab.17-18 (R/.cf.12a)  
Ó Senhor, vossos amigos anunciem vosso reino glorioso!

 

Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar o vosso poder!

 

Para espalhar vossos prodígios entre os homens e o fulgor de vosso reino esplendoroso. O vosso reino é um reino para sempre, vosso poder, de geração em geração.

 

É justo o Senhor em seus caminhos, é santo em toda obra que ele faz. Ele está perto da pessoa que o invoca, de todo aquele que o invoca lealmente.

 

Evangelho: João (Jo 1, 45-51)
Felipe convida Natanael para seguir a Jesus

 

45Filipe encontrou-se com Natanael e lhe disse: "Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré, o filho de José". 46Natanael disse: "De Nazaré pode sair coisa boa?" Filipe respondeu: "Vem ver!" 47Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: "Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade". 48Natanael perguntou: "De onde me conheces?" Jesus respondeu: "Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi". 49Natanael respondeu: "Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel". 50Jesus disse: "Tu crês porque te disse: Eu te vi debaixo da figueira? Coisas maiores que esta verás!" 51E Jesus continuou: "Em verdade, em verdade, eu vos digo, vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem". Palavra da Salvação!

 

Contexto: Primeiros discípulos cf.: Mt 4, 18-22; Mc 1, 16-20; 3, 13-19; Lc 5, 1-11; 6, 12-16; At 1, 13

 

 

Comentário o Evangelho

O Messias encontrado

 

A experiência vocacional de Filipe é fonte de inspiração para o discipulado cristão. Tudo começa com um encontro pessoal com Jesus, seguido de uma ordem: "Segue-me!" O caminho do Mestre e do novo discípulo cruzam-se, fazendo a vida de Filipe passar por uma radical transformação. Seu caminho, doravante, será o mesmo de Jesus. Sua vida estará associada à do Mestre.


Filipe é atraído por Jesus por tratar-se daquele "de quem escreveram Moisés na Lei, e os profetas". O seguimento concretizou-se por um motivo verdadeiro. Ele não se deixou encantar apenas pela simpatia ou pela bondade de Jesus, nem pelo seu espírito de liderança e capacidade de expressar-se com autoridade, nem por vantagens que poderia tirar desta amizade. No Jesus de Nazaré Filipe reconheceu a manifestação da fidelidade de Deus à sua Palavra. Embora, no futuro, o novo discípulo devesse dar um novo enfoque a seu conceito acerca do messianismo, já era suficiente sua consciência inicial a respeito de Jesus.


O passo seguinte consistiu em comunicar a Natanael sua experiência, quando procurou convencê-lo da veracidade messiânica de Jesus de Nazaré, o filho de José. Seu esforço visou conduzir Natanael até o Mestre ("ir e ver") para que fizesse uma experiência pessoal, e, só depois, poder decidir-se a segui-lo. A preocupação de levar outras pessoas a Jesus prova a autenticidade do "sim" de Filipe. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

Para sua reflexão: Natanael deveria pertencer ao grupo dos doze Apóstolos; por isso de costuma identificar com Bartolomeu, que é referido nas listas dos Sinóticos, sempre a seguir a Filipe. A pergunta de Natanael pode expressar o desprezo de um habitante às margens do lago e pode abranger mais: como será o Messias natural de Nazaré? Segundo Lucas, os habitantes de Nazaré não aceitaram Jesus como Messias. A alusão à figueira, perfeitamente clara para Natanael, continua sendo enigmática para nós. Uns pensam na figueira como imagem de Israel; outros na vida tranquila e cotidiana sob a parreira e a figueira. O céu se abriu para Jesus; Jesus o abrirá e tornará acessível. (Bíblia do Peregrino)

 

São Bartolomeu, Apóstolo

 

Bartolomeu, filho de Tolomeu, é um dos doze apóstolos, cujo nome está fielmente incluído na lista oficial do colégio apostólico.

 

E assim um do grupo dos doze, os íntimos de Jesus que o acompanharam durante toda sua vida pública. Foram testemunhas de sua paixão e de sua ressurreição e postos por Cristo como fundamentos da Igreja.

 

O evangelista São João não menciona o nome de Bartolomeu, fala porém duas vezes de Natanael, amigo do apóstolo Filipe, como participante do grupo oficial dos apóstolos. Todos os exegetas antigos e modernos identificam este Natanael com Bartolomeu, que, provavelmente, tinha dois nomes. Ficamos assim conhecendo o primeiro encontro de Jesus com Bartolomeu, num episódio do Evangelho de São João, de beleza e atração toda especial.

Tendo Jesus convidado Filipe a segui-lo, este, diz o Evangelho: "Encontra-se com Natanael e lhe diz: 'Encontramos aquele de quem escreveram Moisés na Lei e os Profetas: Jesus, filho de José, de Nazaré'”.

 

Diz Natanael: 'De Nazaré pode sair algo de bom?' 'Vem e vê', acrescenta Filipe. Jesus, vendo Natanael que se aproximava, disse dele: 'Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento'. 'De onde me conheces?' diz-lhe Natanael. 'Antes que Filipe te chamasse, respondeu Jesus, eu te vi, quando estavas sob a figueira'. Respondeu-lhe Natanael: 'Rabi. Tu és o Filho de Deus, és o Rei de Israel'. Respondeu Jesus: 'Crês só porque te disse: Eu te vi sob a figueira? Verás coisas maiores do que estas'. E lhe diz: 'Em verdade em verdade vos digo: Vereis o céu aberto e os Anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem´“ (Jo 1, 45-51).

 

Este diálogo de Jesus com Bartolomeu mostra a retidão e a franqueza como notas distintivas de seu caráter. Bartolomeu era de Caná da Galiléia pequena aldeia a uns 10 km de Nazaré. Ainda hoje existe esta aldeia, que pode contar de quatro a cinco mil habitantes. Tornou-se famosa pelo milagre da transformação da água em vinho, que Jesus operou como convidado numas bodas. Fato que contribuiu para importância turística desta pequena cidade. Pouco se sabe de sua vida apostólica depois da dispersão dos Apóstolos.

 

A Bíblia nada diz e as antigas tradições parecem um tanto contraditórias. Um missionário do século II, fundador da escola de iniciação cristã em Alexandria, Panteno, percorreu o Oriente até à Índia e atesta que lá encontrou vestígios de Cristianismo e uma cópia hebraica do Evangelho de São Mateus, que pertencera a São Bartolomeu. O certo é que o nosso apóstolo viajou para o Oriente, provavelmente Armênia e Pérsia. A tradição diz que ele foi esfolado vivo, barbaridade esta cuja aplicação era conhecida e praticada na Pérsia e no Egito. Quem visita a grandiosa catedral de Milão na Itália, pode contemplar uma obra-prima de escultura representando São Bartolomeu esfolado, segurando nas mãos sua própria pele. Contudo, ele guardou no coração a fé e o amor a Cristo, que força alguma pode arrancar.

 

A oração da missa deste apóstolo nos manda pedir: "Ó Deus, fortalecei em nós aquela fé que levou São Bartolomeu a seguir de coração o vosso Filho e fazei que, pelas preces do apóstolo, a vossa Igreja se torne sacramento da salvação para todos os povos". 

 

São Bartolomeu é o protetor dos Açougueiros e Curtidores de Couro. [O SANTO DO DIA, Dom Servilio Conti, 6ª Edição, paginas 369/70]

 

Ler o Evangelho com espírito de fé e humildade é beber em sua fonte

a força onipotente de Deus. (D. Duarte Leopoldo e Silva)