Terça-feira, 24 de março de 2009
Quarta Semana do Tempo da Quaresma, IV Semana do Saltério (Livro III), cor Roxa
Vós, que tendes sede, vinde às águas; vós que não tendes com que pagar, vinde e bebei com alegria. (Is 55, 1)
Santos: Bento (abade), Serapião de Têmuis (bispo, Bem-aventurado), Endeu (abade), Fanquéia (virgem), Santúcia (matrona, beata), Vários Cristãos Egípcios (massacrados pelos arianos e pelos pagãos no dia da comemoração da Páscoa do Senhor), Marcos de Montegallo (Bem-aventurado franciscano, confessor, 1ª ordem), Lupicínio e Berilo.
Oração do Dia: Ó Deus, que a fiel observância dos exercícios quaresmais prepare o coração dos vossos filhos e filhas para acolher com amor o mistério pascal e anunciar ao mundo a salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.
I Leitura: Ezequiel (Ez 47, 1-9.12)
O manancial do templo
Naqueles dias, 1o anjo fez-me voltar até a entrada do templo e eis que sala água da sua parte subterrânea na direção leste, porque o templo estava voltado para o oriente; a água corria do lado direito do templo, a sul do altar. 2Ele fez-me sair pela porta que dá para o norte, e fez-me dar uma volta por fora, até à porta que dá para o leste, onde eu vi a água jorrando do lado direito. 3Quando o homem saiu na direção leste, tendo uma corda de medir na mão, mediu quinhentos metros e fez-me atravessar a água: ela chegava-me aos tornozelos. 4Mediu outros quinhentos metros e fez-me atravessar a água: ela chegava-me aos joelhos. 5Mediu mais quinhentos metros e me fez atravessar a água: ela chegava-me à cintura. Mediu mais quinhentos metros, e era um rio que eu não podia atravessar. Porque as águas haviam crescido tanto, que se tornaram um rio impossível de atravessar, a não ser a nado. 6Ele me disse: "viste, filho do homem?"
Depois fez-me caminhar de volta pela margem do rio. 7Voltando, eu vi junto à margem muitas árvores, de um e de outro lado do rio. 8Então ele me disse: "Estas águas correm para a região oriental, descem para o vale do Jordão, desembocam nas águas salgadas do mar, e elas se tornarão saudáveis. 9Onde o rio chegar, todos os animais que ali se movem poderão viver. Haverá peixes em quantidade, pois ali desembocam as águas que trazem saúde; e haverá vida onde chegar o rio. 12Nas margens junto ao rio, de ambos os lados, crescerá toda espécie de árvores frutíferas; suas folhas não murcharão e seus frutos jamais se acabarão: cada mês darão novos frutos, pois as águas que banham as árvores saem do santuário. Seus frutos servirão de alimento e suas folhas serão remédio". Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Vi sair água do lado direito do templo
O futuro radioso que espera o povo eleito tem sua raiz na renovação espiritual, em sua santidade, da qual o templo (e o culto) será a fonte inexaurível: a água que corre do lado direito do templo torna-se um rio. Na mente de Ezequiel esta imagem se cobre de várias realidades. É uma recordação: o paraíso terrestre de Gn 2; é uma realidade geográfica: o curso do Cedron e as várias fontes que trarão maior fertilidade a toda a região; é um projeto real: o de Ezequias com instalações hidráulicas, semelhantes às obras de irrigação de Babilônia; é utopia: o sonho nunca se realizará na realidade geográfica. Mas a visão é sobretudo simbólica: uma prosperidade de ordem espiritual dada à terra por favor de Javé a seu povo. Essa graça será dada na pessoa de Cristo, encarnado para nossa salvação: "Se alguém tem sede, venha a mim e beba; rios de água viva jorrarão do seio daquele que crê em mim" (Jo 7,37-38). A Eucaristia é a fonte que assegura à Igreja a exuberância de vida. Não foi sem motivo que o Vaticano II colocou na base da renovação da Igreja a renovação da liturgia, que tem na Eucaristia sua fonte.
Salmo: 45 (46), 2-3.5-6.8-9 (R/.8)
Conosco está o Senhor do universo! O nosso refúgio é o Deus de Jacó.
O Senhor para nós é refúgio e vigor, sempre pronto, mostrou-se um socorro na angústia; assim não tememos, se a terra estremece, se os montes desabam, caindo nos mares.
Os braços de um rio vêm trazer alegria à cidade de Deus, à morada do altíssimo. Quem a pode abalar? Deus está no seu meio! Já bem antes da aurora, ele vem ajudá-la.
Conosco está o Senhor do universo! O nosso refúgio é o Deus de Jacó! vinde ver, contemplai os prodígios de Deus e a obra estupenda que fez no universo.
Evangelho: João (Jo 5, 1-16)
Cura o enfermo da piscina
1Houve uma festa dos judeus, e Jesus foi a Jerusalém. 2Existe em Jerusalém, perto da porta das ovelhas, uma piscina com cinco pórticos, chamada Betesda em hebraico. 3Muitos doentes ficavam ali deitados: cegos, coxos e paralíticos. 4De fato, um anjo descia, de v& em quando, e movimentava a água da piscina, e o primeiro doente que aí entrasse, depois do borbulhar da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse.
5Aí se encontrava um homem, que estava doente havia trinta e oito anos. 6Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: "Queres ficar curado?" 7O doente respondeu: "Senhor, não tenho ninguém que me leve à piscina, quando a água é agitada. Quando estou chegando, outro entra na minha frente". 8Jesus disse: "Levanta-te, pega na tua cama e anda". 9No mesmo instante, o homem ficou curado, pegou na sua cama e começou a andar.
Ora, esse dia era um sábado. 10Por isso, os judeus disseram ao homem que tinha sido curado: "É sábado! Não te é permitido carregar tua cama". 11Ele respondeu-lhes: "Aquele que me curou disse: 'Pega tua cama e anda"'. 12Então lhe perguntaram: "Quem é que te disse: 'Pega tua cama e anda?"' 13O homem que tinha sido curado não sabia quem fora, pois Jesus se tinha afastado da multidão que se encontrava naquele lugar.
14Mais tarde, Jesus encontrou o homem no templo e lhe disse: "Eis que estás curado. Não voltes a pecar, para que não te aconteça coisa pior. 15Então o homem saiu e contou aos judeus que tinha sido Jesus quem o havia curado. 16Por isso, os judeus começaram a perseguir Jesus, porque fazia tais coisas em dia de sábado.” Palavra da Salvação!
Comentário do Evangelho[2]
Vida e morte
O episódio evangélico está perpassado pelo tema da vida e da morte. Aí se fala de doenças e de doentes: uma multidão de enfermos está postada na piscina de Betesda nutrindo no coração a esperança de recobrar a vida. Há entre eles uma verdadeira porfia nesta corrida pela vida, pois quem tocasse primeiro na água borbulhante, seria agraciado com a cura.
Neste contexto, Jesus é presença de vida que passa quase despercebida. Ele transita no meio da multidão abatida pela doença e pela morte. Seu poder vivificador será usado com comedimento e discrição. A vida jorrará não da água da piscina, e sim da força de sua palavra eficaz. Sua pessoa será a fonte da vida.
O pobre paralítico, impossibilitado de mover-se depressa, foi quem experimentou a ação vivificante desta nova fonte, Jesus. E recobrou, para além da vida física, sua vida social e religiosa. Superada a marginalização em que se encontrava, abriu-se para ele uma nova perspectiva de vida.
Entretanto, este cenário de vida foi transtornado pela perspectiva de morte que
despontou no horizonte de Jesus. Os judeus decidiram matar quem dera a vida,
eliminando-a no seu nascedouro. Quem dera a vida corria o risco de ser morto,
pelo fato mesmo de ter-se posto a serviço da vida.
Leituras paralelas recomendadas: Jr 17, 21-27; Mt 7,23; 9,3;
Santa Catarina da Suécia[3]
Catarina foi uma grande mística sueca que nasceu em 1331. Ainda muito jovem casou-se com Edgar von Kyren e o mais notável: embora casados, ambos fizeram voto de castidade. Seu esposo veio a falecer e desde então com sua mãe (santa Brígida) sempre estavam juntas, procurando percorrer a missão que as levariam à santidade. Santa Brígida havia criado um sistema de clausura para mulheres e outro para homens cujas regras eram inspiradas por são Bernardo de Claraval. Catarina portanto viveu nesse mosteiro de Wadstena e após sua morte o papa Inocêncio, reconhecendo sua santidade, transladou suas relíquias para Roma. Mesmo antes de ter sido declarada oficialmente santa pela Igreja, o povo já proclamava sua santidade, fixando sua festa no dia de sua morte, ou seja, 24 de março de 1381.
O verdadeiro silêncio para o ser humano é a busca de Deus. (Catherine de Hueck)