Terça-feira, 23 de novembro de 2010

34º do Tempo Comum (Ano “C”), 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Santos: Anfilóquio de Icônio (bispo), Clemente I (papa, mártir), Clemente de Metz (bispo), Columbano (abade), Felicidade de (mártir), Gregório de Girgenti (bispo), Lucrécia de Mérida (virgem, mártir), Paterniano de Fermo (bispo), Paulino de Wales (monge), Sisínio de Cízico (bispo), Trudo de Herbaye (presbítero), Vulfetrudes de Nivelle (abadessa), Margarida de Savóia (viúva, bem-aventurada), Miguel Agostinho Pro (presbítero, mártir, bem-aventurado).

 

Antífona: O Senhor fala de paz a seu povo e a seus amigos e a todos os que se voltam para ele. (Sl 84,9)

 

Oração: Levantai, ó Deus, o ânimo dos vossos filhos e filhas, para que, aproveitando melhor as vossas graças, obtenham de vossa paternal bondade mais poderosos auxílios. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Leitura: Apocalipse (Ap 14, 14-19)
O triunfo da vida sobre a morte

 

Eu, João, 14na minha visão, vi uma nuvem branca e sentado na nuvem alguém que parecia um "filho de homem". Tinha na cabeça uma coroa de ouro e, nas mãos, uma foice afiada. 15Saiu do Templo outro anjo, gritando em alta voz para aquele que estava sentado na nuvem: "Lança tua foice, e ceifa. Chegou a hora da colheita. A seara da terra está madura!" 16E aquele que estava sentado na nuvem lançou a foice, e a terra foi ceifada.

 

17Então saiu do templo que está no céu mais um anjo. Também ele tinha nas mãos uma foice afiada. 18E saiu, de junto do altar, outro anjo ainda, aquele que tem o poder sobre o fogo. Ele gritou em alta voz para aquele que segurava a foice afiada: "Lança a foice e colhe os cachos da videira da terra, porque as uvas já estão maduras". 19E o anjo lançou a foice afiada na terra, e colheu as uvas da videira da terra. Depois, despejou as uvas no grande lagar do furor de Deus. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

Chegou a hora da colheita

 

O juízo final inserido nesta liturgia celeste é comparado a uma ceifa (cf Jo 4, 13; Mc 4, 29) efetuada pelo Cristo glorioso. É o triunfo da vida sobre a morte, da alegria sobre o sofrimento, já realizado nele e renovando-se agora nos membros de seu corpo. Cristo "virá na glória a julgar os vivos e os mortos". O momento do juízo não é tanto um dia de ira e vingança (é também isso para quem perseverou no mal!), quanto o dia do amor gratuito, o dia da misericórdia infinita a nós concedida por nosso Irmão, amado e esperado; dia de plena e total justiça feita a nós por ele que nos conhece bem por nos ter amado, por ter morrido por nós. Deus não pode destruir a justiça, pois criaria outra injustiça; julgar-nos-á, porém, o Amor e julgar-nos-á sobre o amor. O melhor modo para esperar Cristo juiz é chamá-lo e desejá-lo, como faziam os primeiros cristãos: "Vem, Senhor Jesus” (Maranatizá).  [Missal Cotidiano, Paulinas]

 

 

Salmo Responsorial: 95 (96), 10.11-12.13 (R/.13b) 
O Senhor vem julgar nossa terra

 

10Publicai entre as nações: "Reina o Senhor!" Ele firmou o universo inabalável, e os povos ele julga com justiça.

 

11O céu se rejubile e exulte a terra, aplauda o mar com o que vive em suas águas; 12os campos com seus frutos rejubilem e exultem as florestas e as matas.

 

13Na presença do Senhor, pois ele vem, porque vem para julgar a terra inteira. Governará o mundo todo com justiça, e os povos julgará com lealdade.

 

Evangelho: Lucas (Lc 21, 5-11)
Anúncio da destruição do templo

 

Naquele tempo, 5algumas pessoas comentavam a respeito do Templo que era enfeitado com belas pedras e com ofertas votivas. Jesus disse: 6"Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído". 7Mas eles perguntaram: "Mestre, quando acontecerá isto? E qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer?" 8Jesus respondeu: "Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: 'Sou eu!' E ainda: 'O tempo está próximo'. Não sigais essa gente! 9Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. E preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim". 10E Jesus continuou: "Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro pais. 11Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em muitos lugares; acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos no céu". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 24, 1-2; Mc 13, 1-2

 

 

Comentando o Evangelho

Uma frágil beleza

 

O discurso sobre o fim do mundo revela a fragilidade das realidades humanas. Nem mesmo o Templo, construído para ser a habitação de Deus no meio do povo, estaria à salvo da destruição.


A constatação de Jesus a respeito da destruição do Templo expressa o destino das realidades humanas: “Não ficará pedra sobre pedra”. O fim de tudo é a sua ruína. Experiência dolorosa, que será acompanhada de tentativas de engano: muitos se apresentarão como messias, anunciando a chegada do fim. Guerras e revoluções, terremotos e epidemias, prodígios e sinais no céu revelarão, também, essa chegada. Mas, ao contrário do que diziam os falsos profetas, Jesus afirma que “não será ainda o fim”. O Mestre assegura isso, com a linguagem apocalíptica da época. Não lhe interessa, porém, inculcar em seus ouvintes os sentimentos dos quais esta linguagem estava carregada. Ele quer tão somente conscientizar a comunidade acerca da importância de dedicar-se às coisas impossíveis de serem destruídas: a fé e o amor. Quando tudo tiver chegado ao fim, apenas estas duas realidades subsistirão. Só elas podem oferecer segurança e levar o discípulo a superar o medo terrificante que o confronto com a escatologia provoca. A beleza sólida da fé e do amor permanecerão, mesmo quando tudo o mais se tiver reduzido a escombros. Isto porque são obras de Deus. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano C,  ©Paulinas, 1996]

 

Para Sua Reflexão:

A majestosa construção do templo tinha sido iniciada por Herodes, o Grande, por volta do ano 19 a.C. O anúncio da ruína do templo é ocasião do último discurso de Jesus, onde prediz as tribulações do fim dos tempos e o seu regresso em glória. O discurso dirige-se ao povo no templo ou então aos discípulos no Monte das Oliveiras. Lucas distingue os anúncios do fim do mundo dos acontecimentos que o precedem: perseguição dos discípulos, ruína de Jerusalém, e conclui com exortações à esperança e a vigilância. Os profetas suscitaram grande escândalo, anunciando a ruína do templo, assim como também Jesus. [Bíblia dos Capuchinhos]

 

 

São Clemente I

 

 

 

Clemente foi o quarto papa da Igreja de Roma, ainda no século I. Vivia em Roma e foi contemporâneo de são João Evangelista, são Filipe e são Paulo; de Filipe era um dos colaboradores e do último, um discípulo. Paulo até citou-o em seus escritos. A antiga tradição cristã apresenta-o como filho do senador Faustino, da família Flávia, parente do imperador Domiciano. Mas foi o próprio Clemente que registrou sua história ao assumir o comando da Igreja, sabendo do perigo que o cargo representava para sua vida. Pois era uma época de muitas perseguições aos seguidores de Cristo.


Governou a Igreja por longo período, de 88 a 97, quando levou avante a evangelização firmemente centrada nos princípios da doutrina. Enfrentou as divisões internas que ocorriam. Foi considerado o autor da célebre carta anônima enviada aos coríntios, que não seguiam as orientações de Roma e pretendiam desligar-se do comando único da Igreja. Através da carta, Clemente I animou-os a perseverarem na fé e na caridade ensinada por Cristo, e participarem da união com a Igreja.


Restabeleceu o uso do crisma, seguindo a tradição de são Pedro, e instituiu o uso da expressão "amém" nos ritos religiosos. Com sua atuação séria e exemplar, converteu até Domitila, irmã do imperador Domiciano, também seu parente, fato que ajudou muito para amenizar a sangrenta perseguição aos cristãos. Graças a Domitila, muitos deixaram de sofrer ou, pelo menos, tiveram nela uma fonte de conforto e solidariedade.


Clemente I expandiu muito o cristianismo, assustando e preocupando o então imperador Nerva, que o exilou na Criméia. A essa altura, assumiu, como papa, Evaristo. Enquanto nas terras do exílio, Clemente I encontrou mais milhares de cristãos condenados aos trabalhos forçados nas minas de pedra. Passou a encorajá-los a perseverarem na fé e converteu muitos outros pagãos.


A notícia chegou ao novo imperador Trajano, que, irritado, primeiro ordenou que ele prestasse sacrifício aos deuses. Depois, como recebeu a recusa, mandou jogá-lo no mar Negro com uma âncora amarrada no pescoço. Tudo aconteceu no dia 23 de novembro do ano 101, como consta do Martirológio Romano.


O corpo do santo papa Clemente I, no ano 869, foi levado para Roma pelos irmãos missionários Cirilo e Metódio, também venerados pela Igreja, e entregue ao papa Adriano II. Em seguida, numa comovente solenidade, foi conduzido para o definitivo sepultamento na igreja dedicada a ele. Na cidade de Collelungo, nas ruínas da propriedade de Faustino, seu pai, foi construída uma igreja dedicada a são Clemente I. A sua celebração ocorre no dia da sua morte. [www.paulinas.org.br]

 

 

 

 

Aceitar tudo o que você não pode mudar é o primeiro passo para a ascese. (Dom Walfredo Tepe)