Terça-feira, 22 de junho de 2010

Décima Segunda Semana do Tempo Comum, 3ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia do Orquidófilo e Dia do Migrante

 

Santos: Maria Madalena (libertada dos demônios por Cristo), José da Palestina, Felipe Evans, Platão (Ancyra, atual Ancara na Turquia), Cirilo, Teófilo (mártir), Vandregísilo (abade), Meneleu (monge de Précigné, no Anjou), João Lloyd.

 

Antífona: O Senhor é a força de seu povo, fortaleza e salvação do seu ungido. Salvai, Senhor, vosso povo, abençoai vossa herança e governai para sempre os vossos servos. (Sl 27,8-9)

 

Oração: Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que firmais no vosso amor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Leitura: 2º Livro dos Reis (2Rs 19,9b-11.14-21.31-35a.36)
Ezequiel confia em javé, o único Deus

 

Naqueles dias, 9bSenaquerib, rei da Assíria, enviou de novo mensageiros a Ezequias para dizer-lhe: 10"Não te seduza o teu Deus, em quem confias, pensando: 'Jerusalém não será entregue nas mãos do rei dos assírios'. 11Porque tu mesmo tens ouvido o que os reis da Assíria fizeram a todas as nações e como as devastaram. Só tu te vais salvar?"

 

14Ezequias tomou a carta da mão dos mensageiros e leu-a. Depois subiu ao templo do Senhor, estendeu a carta diante do Senhor 15e, na presença do Senhor, fez a seguinte oração: "Senhor, Deus de Israel, que estás sentado sobre os querubins! Tu és o único Deus de todos os remos da terra. Tu fizeste o céu e a terra. 16Inclina o teu ouvido, Senhor, e ouve. Abre, Senhor, os teus olhos e vê. Ouve todas as palavras de Senaquerib, que mandou emissários para insultar o Deus vivo. 17É verdade, Senhor, que os reis da Assíria devastaram as nações e seus territórios; 18lançaram os seus deuses ao fogo, porque não eram deuses, mas obras das mãos dos homens, de madeira e pedra; por isso os puderam destruir. 19Mas agora, Senhor, nosso Deus, livra-nos de suas mãos, para que todos os remos da terra saibam que só tu, Senhor, és Deus".

 

20Então Isaias, filho de Amós, mandou dizer a Ezequias: "Assim fala o Senhor, Deus de Israel: Ouvi a prece que me dirigiste a respeito de Senaquerib, rei da Assíria. 21Eis o que o Senhor disse dele: 'A virgem filha de Sion despreza-te e zomba de ti. A filha de Jerusalém meneia a cabeça nas tuas costas. 31Pois um resto sairá de Jerusalém, e sobreviventes, do monte Sião. Eis o que fará o zelo do Senhor todo-poderoso'. 32Por isso, assim diz o Senhor acerca do rei da Assíria: 'Ele não entrará nesta cidade, nem lançará nenhuma flecha contra ela, nem a assaltará com escudo, nem a cercará com trincheira alguma. 33Pelo caminho, por onde veio, há de voltar, e não entrará nesta cidade, diz o Senhor. 34Protegerei esta cidade e a salvarei em atenção a mim mesmo e ao meu servo Davi"'. 35aNaquela mesma noite, saiu o anjo do Senhor e exterminou no acampamento assírio cento e oitenta e cinco mil homens. 36Senaquerib, rei da Assíria, levantou acampamento e partiu. Voltou para Nínive e aí permaneceu. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

Protegerei esta cidade e a salvarei

 

A confiança é uma atitude na ordem do dia. Pessoas, instituições, produtos passam por seu crivo. Duros golpes sacodem-na em seus fundamentos. Os fatos da crônica levam-na de contínuo à ribalta. Sofremos profundas crises institucionais. A perda de prestígio e de credibilidade em todos os níveis provoca o desmoronar da confiança em amplas zonas de nossa sociedade e de cada um de nós.

 

A mensagem de Senaquerib deveria ter sido um abalo à confiança em Deus de Ezequias e de seu povo. Provoca, ao contrário, um redobrar de fidelidade. Comparada com nossa crítica situação atual, esta página pode oferecer-nos amplo material de reflexão. Numa época de tantos abalos, como se situa nossa confiança em Deus? Um Deus cuja eterna fidelidade é apresentada ao “resto” do povo, porque só nesse núcleo pode ela encontrar terreno apto a recebê-la e fazê-la frutificar. Esta “ilha de confiança” constitui em nosso mundo, em torno de Jesus em seu perene abandono total ao Pai, uma cabeça de ponte que permite o “desembarque” de Deus em nossa atribulada sociedade. [Cf Comentário Bíblico (Vozes) e Bíblia do Peregrino (Paulus)]

 

 

Salmo: 47(48), 2-3a.3b-4.10-11 (R/.cf 9d)

O Senhor estabelece sua cidade para sempre

 

Grande é o Senhor e muito digno de louvores na cidade onde ele mora; seu monte santo, esta colina encantadora é a alegria do universo.

 

Monte Sião, no extremo norte situado, és a mansão do grande Rei! Deus revelou-se em suas fortes cidadelas um refúgio poderoso.

 

Recordamos, Senhor Deus, vossa bondade em meio ao vosso templo; com vosso nome vai também vosso louvor aos confins de toda a terra.

 

 

Evangelho: Mateus, (Mt 7, 6.12-14)
Entrai pela porta estreita

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 6"Não deis aos cães as coisas santas, nem atireis vossas pérolas aos porcos; para que eles não as pisem com os pés e, voltando-se contra vós, vos despedacem. 12Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles. Nisto consiste a lei e os profetas. 13Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso é o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram por ele! 14Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida! E são poucos os que o encontram". Palavra da Salvação!

 

Leitura paralela: Lc 13,23-24

 

 

 

Comentando o Evangelho

A cautela pastora

 

Soa enigmática a orientação de Jesus aos discípulos: não dar aos cães as coisas sagradas, nem jogar pérolas aos porcos. A que estaria se referindo?

 

As palavras do Mestre exortam a cautela no trabalho pastoral. Era uma forma de precaver os missionários contra a ingenuidade de partilhar a mensagem do Reino com gente despreparada para recebê-la, ou pior ainda, avessa ao Reino e a seus mensageiros. Seria um trabalho inútil, com o risco de provocar um reação violenta.

 

Esta norma pastoral de Jesus pressupõe um mínimo de boa vontade e de abertura por parte de quem é evangelizado. E inútil querer levar alguém a converter-se ao Reino, contra a sua vontade. Será pura perda de tempo! A Palavra só produz frutos no coração de quem a recebe com liberdade e alegria. Seria fazer mau uso dessa Palavra querer forçar alguém a acolhê-la. Jesus entrevê até mesmo um risco para a vida do apóstolo, ao dizer que os porcos poderiam voltar-se contra ele e despedaçá-lo. Não valeria a pena correr tal risco!

 

A experiência missionária de Jesus ofereceu-lhe as bases para chegar a esta conclusão. Ao longo de seu ministério, ele se deparou com pessoas absolutamente refratárias ã sua mensagem, numa evidente atitude hostil. Por isso, não nutria a ilusão de poder convertê-las. As coisas santas e as pérolas teriam destinatários melhores. [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Cães e porcos eram animais desprezíveis ou impuros. Para comer das oferendas ou sacrifícios do culto a pessoa deve estar pura. Não inculca o esoterismo, mas a devida discrição no uso dos tesouros cristãos. Profana-se o santo e os indignos não se beneficiam.   A “regra de outro” conhecida no mundo antigo na sua forma negativa é renovada por Jesus sob dois aspectos (v.12): o discípulo deve tomar a iniciativa de fazer o bem (formulação positiva) sem ter em conta que será retribuído por isso. O tema bíblico dos “dois caminhos” (v.13-14) ilustra a necessidade de escolha com que o ser humano se confronta, ao acolher o Evangelho. A imagem da porta estreita sugere as exigências e os riscos que o seguimento de Jesus comporta. (Bíblias: Peregrino e Capuchinhos)

 

São João Fisher

 

 

 

Aos 14 anos já era o estudante que mais se sobressaia. Aos 20 foi nomeado professor do colégio São Miguel. Doutorou-se na famosa Universidade de Cambridge, e aos 22 anos, obteve a dispensa da falta de idade, e foi ordenado sacerdote. Pouco depois recebeu o nomeação de vice-chanceler ou vice-reitor da grande universidade. Em 1504, foi eleito nosso santo como bispo de Rochester, quando somente tinha 35 anos. E ele, como cumpria sempre com as responsabilidades que lhe confiavam, dedicou-se a este ofício com a todas as forças de sua forte personalidade. Com um entusiasmo não muito frequente em sua época, dedicou-se a visitar todas e cada uma das paróquias para observar se cada um estava cumprindo com seu dever, e animar aos não muito entusiastas.

 

Aos sacerdotes insistia na grave responsabilidade de cumprir com muita exatidão seus deveres sacerdotais. Ia pessoalmente visitar aos mais pobres. Dedicava, além disso, muitas horas ao estudo e a escrever livros. Fizeram-se muito famosos seus discursos fúnebres na morte do rei Henrique VII e no funeral da rainha Margarida. Mesmo sendo bispo e além disso chanceler da universidade, levava uma vida tão austera como a de um monge. Não dormia mais da seis horas. Fazia fortes penitências.

 

Quando Lutero começou a difundir os erros dos protestantes, o bispo Fisher foi eleito para atacar tão fatais erros, e escreveu quatro livros para combater os erros dos luteranos. Em um Sínodo de Inglaterra, o bispo Fisher protestou fortemente contra a mundanismo de alguns eclesiásticos, e a vaidade, daqueles que buscavam altos postos e não a verdadeira santidade.

 

Quando o rei Henrique VIII se dispôs divorciar de sua legítima esposa e casar-se com sua concubina Ana Bolena, o bispo João Fisher foi o primeiro a opor-se. E ainda que muitas altas personagens, por conservar a amizade do rei, declararam que esse divórcio poderia ser feito, João, ainda em perigo de perder suas responsabilidades e ser condenado à morte, declarou publicamente que o matrimônio católico é indissolúvel. O terrível rei Henrique VIII declarou-se então chefe supremo da Igreja na Inglaterra em substituição ao Sumo Pontífice, e todos os que desejavam conservar suas altos postos na governo e na Igreja, o apoiaram. Porém João Fisher declarou que isto era absolutamente errado e em pleno Parlamento exclamou: "Querer substituir ao Papa de Roma pelo rei de Inglaterra, como chefe de nossa religião é como gritar um 'morra' à Igreja Católica". As ameaças dos inimigos começaram a chegar sobre ele. Por duas vezes levaram-no ao presídio. Outra vez trataram de o envenenar. Inventaram sobre ele toda classe de calúnias, e como não o conseguiram intimidar, mandaram-no encerrado na Torre de Londres. Tinha então 66 anos. Estando na prisão, recebeu do sumo Pontífice a nomeação de Cardeal. O ímpio rei exclamou: "Mandaram-lhe o chapéu de Cardeal, porém não poderá colocar, porque eu lhe mandarei cortar a cabeça". E assim foi. Em 17 de junho de 1535 leram-lhe a sentença de morte. O rei Henrique VIII mandava matá-lo para não aceitar o divórcio e para não aceitar que o rei substituísse ao Papa na governo da Igreja Católica. Ao chegar ao local onde lhe iriam cortar a cabeça, o venerável ancião dirige-se à multidão e lhes diz a todos que morrem por defender à Santa Igreja Católica fundada por Jesus Cristo. Recita o "Tedeum" em ação de graças e, morre.

 

 

Dá-me o sentido para o humor. Senhor, para que eu tenha um pouco de

alegria na vida e possa, também transmiti-la aos outros (Santo Tomás Moro)