Terça-feira, 22 de março de 2011

Segunda Semana da Quaresma - 2ª Semana do Saltério (Livro II) - cor Litúrgica Roxa

 

 

Hoje: Dia Mundial da Água

 

Santos: Hegesipo, Afraates, Jorge o Moço (bispo), Celso ou Ceallach (arcebispo), Aiberto, Hermano José (beato), Ursulina (virgem e beata), Guilherme de Scicli (beato), Alexandre Rawlins e Henrique Walpole (beatos e mártires), Eduardo Oldcorne e Ralph Ashley (beatos e mártires), Maria Assunta Pallotta (virgem, beata franciscana da 3ª ordem), João Batista de La Salle

 

Antífona: Iluminai meus olhos Senhor, guardai-me do sono da morte. Que meu inimigo não possa dizer: triunfei sobre ele. (Sl 12, 4-5)

 

Oração do Dia: Guardai, Senhor Deus, a vossa Igreja com a vossa constante proteção e, como a fraqueza humana desfalece sem vosso auxílio, livrai-nos constantemente do mal e conduzi-nos pelos caminhos da salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Isaías (Is 1, 10.16-20)
Aprendei a fazer o bem!

 

10Ouvi a palavra do Senhor, magistrados de Sodoma, prestai ouvidos ao ensinamento do nosso Deus, povo de Gomorra. 16Lavai-vos, purificai-vos. Tirai a maldade de vossas ações de minha frente. Deixai de fazer o mal! 17Aprendei a fazer o bem! Procurai o direito, corrigi o opressor. Julgai a causa do órfão, defendei a viúva.

 

18Vinde, debatamos - diz o Senhor. Ainda que vossos pecados sejam como púrpura, tornar-se-ão brancos como a neve. Se forem vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como lã. 19Se consentirdes em obedecer, comereis as coisas boas da terra. 20Mas se recusardes e vos rebelardes, pela espada sereis devorados, porque a boca do Senhor falou! Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Aprendei a fazer o bem

 

O pecado é fratura, divisão, dilaceramento. Ele pode insinuar-se até em nossa vida de fé e separar a fé da vida. Chega-se a este ponto quando se cede à tentação, continuamente presente na humanidade, de reduzir a fé prevalentemente à sua manifestação, à chamada prática cristã. Reduz-se assim a fé a uma etiqueta superficial, pratica-se uma religião sem fé, intolerável aos olhos de Deus. A reforma litúrgica, empenhada em tornar mais ativa e consciente a participação dos cristãos nas celebrações litúrgicas, torna mais difícil o exercício de um culto considerado como tributo a pagar. A liturgia hoje nos força a ser mais sinceros e autênticos em nossas atitudes religiosas. [Extraído do MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 49(50), 8-9.16bc-17.21 e 23 (R/.23b)

A todos que procedem retamente, eu 

mostrarei a salvação que vem de Deus

 

“Eu não venho censurar teus sacrifícios, pois sempre estão perante mim teus holocaustos; não preciso dos novilhos de tua casa nem dos carneiros que estão nos teus rebanhos.

 

Como ousas a repetir os meus preceitos e trazer minha Aliança em tua boca? Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos e deste as costas às palavras dos meus lábios!

 

Diante disso que fizeste, eu calarei? Acaso pensas que eu sou igual a ti? E disso que te acuso e repreendo e manifesto essas coisas aos teus olhos.

 

Quem me oferece um sacrifício de louvor, este sim é que me honra de verdade. A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus”.

 

Evangelho: Mateus (Mt 23, 1-12)

Um só é vosso mestre e todos vós são irmãos

 

Naquele tempo, 1Jesus falou às multidões e aos seus discípulos e lhes disse: 2"Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. 3Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. 4Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo.

 

5Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros. Eles usam faixas largas, com trechos da Escritura, na testa e nos braços, e põem na roupa longas franjas.

 

6Gostam de lugar de honra nos banquetes e dos primeiros lugares nas sinagogas. 7Gostam de ser cumprimentados nas praças públicas e de serem chamados de Mestre. 8Quanto a vós, nunca vos deixeis chamar de Mestre, pois um só é vosso Mestre e todos vós sois irmãos.

 

9Na terra, não chameis a ninguém de pai, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. 10Não deixeis que vos chamem de guias, pois um só é vosso Guia, Cristo. 11Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. 12Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mc 12,38-40; Lc 11,39-52; 20, 45-47

 

 

Comentário do Evangelho

Cuidado com o exibicionismo

 

Jesus cuidou para que seus discípulos não imitassem os maus costumes dos fariseus. Abusando da boa-fé das pessoas simples, eles as oprimiam. Quando consultados, faziam interpretações rigorosas e exigentes da Lei. No entanto, tudo era diferente quando chegava a vez deles cumprirem essa mesma Lei. Seu agir pautava-se por um dualismo intransigente: severidade para os outros e permissividade para si mesmos.

 

Os fariseus distinguiam-se pelo exibicionismo. Suas roupas eram adornadas por franjas exageradas. Traziam, amarrados na fronte e nos braços, pequenos estojos contendo textos da Lei. Para que todos se dessem conta disto, usavam tiras de couro bem largas para atar esses estojos. Quando chegavam nas sinagogas, faziam questão de ocupar um lugar de destaque. Na rua, gostavam de ser saudados pelos passantes. Na época, essa saudação constava de um ritual bem complicado. Além disso, não abriam mão de serem chamados de "rabinos", para que sua importância ficasse bem evidente.

 

Jesus procurou banir tal comportamento do meio de seus discípulos, ensinando-lhes o caminho do serviço e da humildade. Nada de querer parecer melhor que os outros, querendo assim assumir um lugar que pertence unicamente a Deus e acabando por se tornar um terrível opressor. O discípulo deve ser movido por outros sentimentos! [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Jaldemir Vitório, ©Paulinas]

 

Oração da assembleia: (DEUS CONOSCO)

-Escutemos hoje o que Cristo nos ensina! Para que o evangelho provoque a vida e os sentimentos das pessoas em nosso mundo, e as tornem fiéis ao Reino, supliquemos ao Deus de bondade. Senhor, vinde e salvai-nos!

-O Espírito Santo é quem nos inspira! Para que o Espírito do Senhor sempre nos toque profundamente e assim sejamos santos e santas, supliquemos ao Deus de bondade.

-Perdoar é próprio de quem ama e serve! Para que não hesitemos em perdoar sempre, e assim ajudar as pessoas a retomar o caminho da vida, supliquemos ao Deus de bondade.

-Para que este Dia Mundial da Água nos faça agradecer ao Senhor o bem que ela nos faz, e para que a respeitemos como verdadeira criatura do Senhor supliquemos ao Deus de bondade.

-Intenções próprias da Comunidade!

 

Oração sobre as Oferendas:

Dignai-vos, ó Deus, santificar-nos por este sacramento. Que ele nos cure dos vícios terrenos e nos conduza para os bens celestes. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Narrarei, Senhor, as vossas maravilhas, em vós me alegro e exulto; cantarei o vosso nome, Deus altíssimo! (Sl 9, 2-3)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que a participação na mesa sagrada faça crescer em nós o amor fraterno e nos assegure sempre o vosso auxílio Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: Jesus fez e ensinou, ordenou e deu exemplo. Ele impõe um julgo leve. De fato, existia uma poderosa posição social e religiosa da elite da época regulando a vida cotidiana com pesados fardos! Eles tinham o desejo de glória pública, isto é, gostavam de aparecer. Mestre é o Senhor e agora Jesus. O discípulo de Jesus não deve buscar glória pública; a fé, aliada à humildade do cristão é o foco. A irmandade de todos na comunidade fica fortemente destacada.

 

Santa Leia

 

Santa Leia soube ouvir a Deus: seu amor por Ele era muito amor do que ao apego ao casamento, mesmo que seguro e rico. Quando enviuvou um jovem nobre quis desposá-la, mas ela preferiu unir-se à comunidade que estava sendo formada por santa Marcela - outra viúva - um dos primeiros mosteiros que surgiram sob a orientação de são Jerônimo. Trocou a mansão em que vivia por uma cela, os suntuosos jantares por simples refeições, os lindos vestidos por túnicas feitas de saco, o rosto maquilado e as joias por um cotidiano sem vaidades e orações. Levou uma vida exemplar, humilde e praticou inúmeros atos de caridade com discrição temendo chamar a atenção das pessoas. Passou seus dias em grande alegria. Quando faleceu, são Jerônimo escreveu um discurso em sue louvor.

 

Dia Mundial da Água

 

Nosso planeta tem cerca de dois terços só de água. Pela lógica, parece haver água sobrando para a população, não é? Parece um absurdo falar em crise da água? Vamos aos fatos: 97,5% da água do planeta são água do mar, imprópria para ser bebida ou aproveitada em processos industriais; 1,75% é gelo; 1,24% está em rios subterrâneos, escondidos no interior do planeta. Para o consumo de mais de seis bilhões de pessoas está disponível apenas 0,007% do total de água da Terra.'

 

 

Em defesa da vida no planeta Terra

Dom Dimas Lara Barbosa, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro - RJ

 

Mudanças climáticas e aquecimento global. Essas são as duas colunas que sustentam o debate sobre a "vida no planeta", proposto pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) às comunidades católicas e à sociedade brasileira, por meio da Campanha da Fraternidade, que começa hoje, na Quarta-Feira de Cinzas.

 

Sob esse prisma, todos são convidados a estender seu olhar sobre o planeta Terra e contemplar, para além de sua riqueza e de sua beleza, as ameaças que pairam sobre a vida nele existente sob as mais variadas formas, bem como as causas e os responsáveis pelo iminente risco de sua destruição.

 

Ao apresentar esse tema, a Igreja tem consciência da complexidade que o envolve e que, por isso mesmo, sob vários aspectos ainda exige aprofundamentos e debates.

 

Um fato, no entanto, é incontestável: seja por causas naturais, seja por ação humana, o planeta Terra sofre profundas alterações e vê, como consequência, recair sobre si ameaças nunca antes imagináveis.

 

É fundamental que todos tomem consciência disso e de sua própria responsabilidade em defesa da vida, em suas variadas manifestações, e da criação como um todo.

 

O desenvolvimento a todo custo está, certamente, por trás de muitas ações fatais para o ecossistema.

 

A Igreja não se opõe ao desenvolvimento, desde que respeite a natureza e possibilite a inclusão social também para os pobres e excluídos.

 

Já o papa Bento 16, ao falar na 5ª Conferência Geral dos Bispos da América Latina e Caribe, reunidos em Aparecida, em 2007, lembrava que a subordinação da preservação da natureza ao desenvolvimento econômico provoca "danos à biodiversidade, com esgotamento das reservas de água e de outros recursos naturais, com a contaminação do ar e a mudança climática".

 

Nesse sentido, como não nos impressionar, por exemplo, com as estatísticas que apontam o desmatamento e as queimadas como causa de 50% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil?

 

Nesse processo agressivo, os pobres são os mais vulneráveis. Por não terem outras opções de retirar da terra o próprio sustento, acabam se transferindo em massa para os grandes centros urbanos.

 

As hidrelétricas, especialmente as que estão previstas para a Amazônia, também devem fazer parte de nossas reflexões e preocupações. A necessidade de energia não pode justificar projetos que ignoram o meio ambiente, desalojam povos inteiros, matam culturas.

 

Aqui, vale o alerta do texto-base da Campanha: "A Amazônia, tão valiosa para o país e para a humanidade, parece ser vista como um vazio demográfico e improdutivo que, ao menos, deve produzir energia, mesmo a despeito do alto custo para sua biodiversidade".

 

Se quisermos salvar nosso planeta, precisamos nos lembrar de que "a sustentabilidade passa necessariamente por uma mudança de hábitos nos padrões de consumo, especialmente dos que gastam em demasia". Isso requer uma conversão do coração, apelo permanente da Quaresma, tempo em que é vivida de maneira mais forte a Campanha da Fraternidade.

 

Envoltos pela espiritualidade quaresmal, somos convidados a voltar o olhar para o ato criador. Ao contemplar sua obra, Deus viu que tudo "era muito bom" (cf. Gn 1,31) e confiou a nós, seus filhos e filhas, o cuidado de todas as criaturas.

 

A Campanha da Fraternidade deste ano vem para nos lembrar desse dom e tarefa e nos alerta: "Nossa mãe Terra, Senhor, geme de dor noite e dia. Será de parto essa dor ou simplesmente agonia? Vai depender só de nós!". [CNBB, Artigo publicado no dia 09 de março na Folha de São Paulo]

 

Tu não vais consertar o mundo, mas ofereça a sua contribuição. Cumpre com

 teu dever ainda que não sejas o resultado. (F. Esclarin)

 

Aconteceu no dia 22 de março de 1935 – O primeiro programa regular de televisão no mundo é transmitido através da antena no alto da Torre de Rádio de Berlim;