Terça-feira, 22 de janeiro de 2008
II Semana do Tempo Comum, Ano Par, 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor Verde
Que toda a terra se prostre diante de vós, ó Deus, e cante louvores ao vosso nome, Deus altíssimo! (Sl 65,4)
Santos: Artêmio de Clermont (bispo), Urbano, Prilidiano e Epolônio (mártires de Antioquia), Bertrando de Saint Quentin (abade), Exuperâncio de Cingoli (bispo), Feliciano de Foligno (bispo) e Messalina (virgem), (mártires), Macedônio Critófago (eremita de Antioquia), Mardônio, Musônio, Eugênio e Metélio (mártires de Neocesaréia de Mauritânia), Surano de Sora (abade), Zâmio de Bolonha (bispo), Felix O'Dullany (bispo, bem-aventurado), João Grove (mártir, bem-aventurado), Marcolino de Forli (dominicano, bem-aventurado), São Vicente Pallotti, William da Irlanda (jesuíta, mártir, bem-aventurado)
Oração: Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai com bondade as preces do vosso povo e daí ao nosso tempo a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura:
I Samuel (1 Sm 16. 1-13)
O Senhor escolhe outro rei para Israel
Naqueles dias, 1o Senhor disse a Samuel: "Até quando ficarás chorando por causa de Saul, se eu mesmo o rejeitei para que não reine mais sobre Israel? Enche o chifre de óleo e vem, para que eu te envie à casa de Jessé de Belém, pois escolhi um rei para mim entre os seus filhos".
2Samuel ponderou: "Como posso ir? Se Saul o souber, vai me matar". O Senhor respondeu: "Tomarás contigo uma novilha da manada, e dirás: `Vim para oferecer um sacrifício ao Senhor'. 3Convidarás Jessé para o sacrifício. Eu te mostrarei o que deves fazer, e tu ungirás a quem eu te designar".
4Samuel fez o que o Senhor lhe disse, e foi a Belém. Os anciãos da cidade vieram-lhe ao encontro, e perguntaram: "É de paz a tua vinda?" 5"Sim, é de paz", respondeu Samuel. "Vim para fazer um sacrifício ao Senhor. Purificai-vos e vinde comigo, para que eu ofereça a vítima". Ele purificou então Jessé e seus filhos e convidou-os para o sacrifício.
6Assim que chegaram, Samuel viu a Eliab, e disse consigo: "Certamente é este o ungido do Senhor!" 7Mas o Senhor disse-lhe: "Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração".
8Então Jessé chamou Abinadab e apresentou-o a Samuel, que disse: "Também não é este que o Senhor escolheu". 9Jessé trouxe-lhe depois Sama, e Samuel disse: "A este tampouco o Senhor escolheu".
10Jessé fez vir seus sete filhos à presença de Samuel, mas Samuel disse: "O Senhor não escolheu a nenhum deles". 11E acrescentou: "Estão aqui todos os teus filhos?" Jessé respondeu: "Resta ainda o mais novo, que está apascentando as ovelhas". E Samuel ordenou a Jessé: "Manda buscá-lo, pois não nos sentaremos à mesa, enquanto ele não chegar".
12Jessé mandou buscá-lo. Era ruivo, de belos olhos e de formosa aparência. E o Senhor disse: "Levanta-te, unge-o: é este!" 13Samuel tomou o chifre com óleo e ungiu Davi na presença de seus irmãos. E a partir daquele dia, o espírito do Senhor se apoderou de Davi. A seguir, Samuel se pôs a caminho e voltou para Ramá. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Samuel ungiu Davi na presença de seus irmãos
Os critérios de Deus são freqüentemente diferentes dos critérios dos homens. Os grandes da sociedade encontram em geral o caminho do êxito através de sua habilidade ou do apoio dos poderosos, ou até por meio de intrigas. Deus escolhe com liberdade e não se deixa condicionar pelo risco de que o eleito o exponha a ficar em maus lençóis. Quem é por ele escolhido conserva toda a liberdade de ação e a capacidade de comportar-se até mesmo em desacordo com as intenções de Deus, qualquer que seja sua posição na Igreja. Dai a necessidade de que todo o povo cristão dirija a Deus contínuas preces pela santificação e perseverança daqueles que, na Igreja, desempenham funções de responsabilidade, de modo especial os bispos e sacerdotes. Contudo, eleitos não são apenas esses, mas cada um de nós, consagrados no batismo para parte integrante do povo de Deus. Dai nossa responsabilidade e nossa alegria cheia de gratidão.
Salmo: 88(89), 20.21-22.27-28 (+21a)
Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor
Outrora vós falastes em visões a vossos santos: "Coloquei uma coroa na cabeça de um herói e do meio deste povo escolhi o meu eleito.
Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor, e o ungi, para ser rei, com meu óleo consagrado. Estará sempre com ele minha mão onipotente, e meu braço poderoso há de ser a sua força.
Ele, então, me invocará: `Ó Senhor, vós sois meu Pai, sois meu Deus, sois meu Rochedo onde encontro a salvação!' E por isso farei dele o meu filho primogênito, sobre os reis de toda a terra farei dele o rei altíssimo".
Evangelho: Marcos (Mc 2, 23-28)
23Jesus estava passando por uns campos de trigo, em dia de sábado. Seus discípulos começaram a arrancar espigas, enquanto caminhavam. 24Então os fariseus disseram a Jesus: "Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?"
25Jesus lhes disse: "Por acaso, nunca lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando passaram necessidade e tiveram fome? 26Como ele entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu os pães oferecidos a Deus e os deu também aos seus companheiros? No entanto, só aos sacerdotes é permitido comer esses pães".
27E acrescentou: "O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. 28Portanto, o Filho do Homem é senhor também do sábado". Palavra da Salvação!
Comentário o Evangelho
Agindo com liberdade
A postura de Jesus contrastava com a dos fariseus. Estes, apegados às tradições, suspeitavam dele quando o viam atropelar, com sua liberdade, os costumes dos antigos. Era como se estivesse ferindo a sensibilidade alheia.
O Mestre admirava-se da visão estreita dos fariseus, uma vez que, nas Escrituras, já se encontravam atitudes e gestos semelhantes ao seu. Por isso, agora, recordava-lhes um fato ligado a Davi, quando este, fugindo da perseguição de Saul, foi parar num lugarejo chamado Nobe, junto ao sacerdote Aquimelec (segundo o Evangelho, Abiatar). Davi e os seus companheiros estavam com fome. Nada tendo para lhes oferecer, o sacerdote deu-lhes os pães consagrados, que só aos sacerdotes era permitido consumir. E nem por isso ficou cheio de escrúpulos ou com peso na consciência. Seu gesto foi profundamente humanitário.
Tanto no caso de Davi como no dos discípulos de Jesus, a não-observância da tradição não aconteceu por leviandade. A vida humana estava em perigo. Precisava ser salva, mesmo contrariando as convenções religiosas.
Agindo com liberdade, Jesus ensinava aos discípulos como a religião deveria ser praticada com bom senso. Certas demonstrações de fidelidade às tradições religiosas acabam se tornando um espetáculo de insensatez, quando se chocam com o direito à vida. (O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1997)
São Vicente Pallotti
Vicente Pallotti nasceu em Roma, dia 21 de abril de 1795, numa família de classe média. Com sua mãe aprendeu a amar os irmãos mais pobres, crescendo generoso e bondoso. Enquanto nos estudos mostrava grande esforço e dedicação, nas orações mostrava devoção extremada ao Espírito Santo. Passava as férias no campo, na casa do tio, onde distribuía aos empregados os doces que recebia, gesto que o pai lhe ensinara: nenhum pobre saía de sua mercearia de mãos vazias.
Às vezes sua generosidade preocupava, pois geralmente no inverno,
voltava para casa sem os sapatos e o casaco. Pallotti admirava Francisco de
Assis, pensou em ser capuchinho, mas não foi possível devido sua frágil saúde.
Em 1818, se consagrou sacerdote pela diocese de Roma,onde ocupou cargos
importantes na hierarquia da Igreja. Muito culto obteve o doutorado em
Filosofia e Teologia.
Mas foi a sua atuação em obras sociais e religiosas que lhe trouxe
a santidade. Teve uma vida de profunda espiritualidade, jamais se afastando das
atividades apostólicas. É fruto do seu trabalho, a importância que o Concílio
Vaticano II, cento e trinta anos após sua morte, decretou para o apostolado dos
leigos, dando espaço para o trabalho deles junto às comunidades cristãs.
Necessidade primeira deste novo milênio, onde a proliferação dos pobres e da
miséria, infelizmente se faz cada vez mais presente.
Vicente defendia que todo cristão leigo, através do sacramento do
batismo, tem o legítimo direito assim como a obrigação de trabalhar pela
pregação da fé católica, da mesma forma que os sacerdotes. Esta ação de
apostolado que os novos tempos exigiria de todos os católicos, foi sem dúvida
seu carisma de inspiração visionária . Fundou, em 1835, a Obra do Apostolado
Católico, que envolvia e preparava os leigos para promoverem as suas
associações evangelizadoras e de caridade, orientados pelos religiosos das duas
Congregações criadas por ele para esta finalidade, a dos Padres Palotinos e das
Irmãs Palotinas.
Vicente Pallotti morreu em Roma, no dia 22 de janeiro 1850, aos cinqüenta e
cinco anos de idade. De saúde frágil, doou naquele inverno seu casaco a um pobre,
adquirindo a doença que o vitimou. Assim sendo não pôde ver as duas famílias
religiosas serem aprovadas pelo Vaticano, que devolvia as Regras indicando
sempre algum erro. Com certeza um engano abençoado, pois a continuidade e a
persistência destas Obras trouxeram o novo ânimo que a Igreja necessitava. Em
1904, foram reconhecidas pela Santa Sé, motivando o pedido de sua canonização.
O papa Pio XI o beatificou reconhecendo sua atuação de inspirado e
"verdadeiro operário das missões". Em 1963, as suas idéias e carisma
espiritual foi plenamente reconhecido pelo papa João XXIII que proclamou
Vicente Pallotti, Santo. (www.paulinas.org.br)