Terça-feira, 21 de setembro de 2010

S. Mateus (apóstolo e evangelista), Ofício de Festa,  1ª do Saltério (Livro III), cor vermelha

 

 

Hoje: Dia da Árvore, dia do Rádio e do Radialista, dia do Fazendeiro, dia Nacional de Luta dos Portadores de Deficiência e dia da Jornada Internacional da Paz das Nações Unidas e dia Mundial de Alzheimer.

 

Santos: Efigênia, Mateus (apóstolo e evangelista), Maura de Troyes, Panfílio, Isaac (Chipre), Eusébio (Fenícia), Bem-Aventurado Loourenço Imbert (1839), Jonas, Lulian da Alemanha (Confessor franciscano, 1ª ordem)

 

Antífona: Ide e de todas as nações fazei discípulos, diz o Senhor, batizando-os e ensinando-os a observar todos os mandamentos que vos dei. (Mt 28, 19-20)

 

Oração: Ó Deus, que na vossa inesgotável misericórdia escolhestes o publicano Mateus para torna-lo apóstolo, dai-nos, por sua oração e exemplo, a graça de vos seguir e permanecer sempre convosco. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Efésios (Ef 4, 1-7.11-13)

Cada cristão tem uma vocação específica

 

Irmãos, 1eu, prisioneiro no Senhor, vos exorto a caminhardes de acordo com a vocação que recebestes: 2Com toda a humildade e mansidão, suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor. 3Aplicai-vos a guardar a unidade do espírito pelo vinculo da paz. 4Há um só Corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança à qual fostes chamados. 5Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, 6um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos. 7Cada um de nós recebeu a graça na medida em que Cristo lha deu. 11E foi ele quem instituiu alguns como apóstolos, outros como profetas, outros ainda como evangelistas, outros, enfim, como pastores e mestres. 12Assim, ele capacitou os santos para o ministério para edificar o corpo de Cristo, 13até que cheguemos todos juntos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao estado do homem perfeito e à estatura de Cristo em sua plenitude. Palavra do Senhor!

 

Comentário

Há um só corpo, um só Senhor, uma só fé, um só batismo

 

O importante tema da unidade é aqui sublinhado por Paulo através da humildade, mansidão, generosidade e, sobretudo, da caridade, que fomentam a unidade do espírito pelo vínculo da paz". Esta unidade não exclui a pluralidade e diversidade de funções e também de opiniões. No vasto campo do opinável também o cristão é livre para indagar e propor soluções diferentes. A unidade na fé e na Igreja não impõe nivelamento de opiniões e expressões, porém vivificada pelo espírito de caridade, é sempre respeitosa das idéias e expressões dos que não pensam ou agem como nós. O que deve estar no coração de todo cristão é a unidade em Cristo, que faça de todos nós "um só corpo, um só Espírito", porque "Deus é Pai de todos...". De uma religiosidade individualista somos chamados a nos converter a uma religiosidade eclesial, comunitária. [MISSAL COTIDIANO ©Paulus, 1997]

 

Salmo Responsorial: 18(19A), 2-3.4-5 (R/.5a) 
Seu som ressoa e se espalha em toda terra

 

Os céus proclamam a glória do Senhor, e o firmamento, a obra de suas mãos; o dia ao dia transmite esta mensagem, a noite à noite publica esta noticia.

 

Não são discursos nem frases ou palavras, nem são vozes que possam ser ouvidas; seu som ressoa e se espalha em toda a terra, chega aos confins do universo sua voz.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 9, 9-13)
Defender a justiça e a dignidade humana

 

Naquele tempo, 9Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: "Segue-me". Ele se levantou e seguiu a Jesus. 10Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos. 11Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: "Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?" 12Jesus ouviu a pergunta e respondeu: "Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. 13Aprendei, pois, o que significa: 'Quero misericórdia e não sacrifício'. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores". Palavra da Salvação!

 

 

 Leituras paralelas: Mc 2, 13-17; Lc 5, 27-32

 

 

 

Comentando o Evangelho

Quero misericórdia!


A censura dos fariseus por Jesus se ter sentado à mesa com os cobradores de impostos e os pecadores serviu de ocasião para explicitar um aspecto fundamental de sua ação missionária: no trato com as pessoas, buscava ser o máximo misericordioso, não se deixando levar por preconceitos, nem se desesperando quanto á possibilidade de conversão de seus interlocutores. Exatamente o contrário da atitude dos fariseus!

 

Como a missão de Jesus consistia em colocar-se a serviço dos pecadores, nada mais conveniente do que ser misericordioso para com eles. Sendo o Messias, podia dar-se ao luxo de assumir uma postura de juiz e condená-los desapiedadamente. Ou então, mantendo-se à distância, denunciar-lhes o pecado e tentar arrancá-los do mundo pecaminoso em que viviam. A opção de Jesus vai numa outra direção. Coloca-se no meio daqueles aos quais veio anunciar a salvação, exercendo sua missão mediante a partilha de vida. Este é o canal pelo qual o amor de Deus atinge aqueles que o preconceito religioso relegou à condição de malditos e condenados. Jesus salva pela misericórdia!

 

Sua ação pauta-se por lógica irrefutável: coloca-se ente os pecadores, por ter vindo para eles. Assim como os médicos vão em busca de pessoas doentes, Jesus vai ao encalço de quem, de fato, necessita ser salvo. Portanto, longe de estar agindo de maneira censurável, seu gesto é cheio de sentido divino. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano C, Padre Jaldemir Vitório, sj ©Paulinas, 1997]

 

São Mateus

 

São Mateus foi coletor de impostos, Apóstolo e Evangelista. Mateus deixa o dinheiro para seguir Jesus. O Evangelho a ele atribuído nos fala mais amplamente que os outros três do uso certo do dinheiro: "Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a traça e o caruncho os destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam, mas ajuntai para vós tesouros nos céus." Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.

 

Mateus o rico coletor, respondeu ao chamado de Jesus com entusiasmo. No seu Evangelho ele esconde humildemente este particular, mas a informação foi divulgada por Lucas: Levi preparou ao Mestre uma grande festa na própria casa; numerosa multidão de publicanos e outra gente sentavam-se a mesa com eles. "Depois, no silêncio e com discrição, livrou-se do dinheiro, fazendo o bem. É dele de fato que nos refere a admoestação do Mestre: "Quando deres esmola, não saiba a tua esquerda o que faz a tua direita, para que a tua esmola fique em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará." Quando os outros Evangelistas, Marcos e Lucas falam do episódio do coletor de impostos chamado a seguir Jesus, falam de Levi. Mateus ao contrário prefere denominar-se com o nome mais conhecido de Mateus e usa o apelido de publicano, que sua como usuário ou avarento, "para demonstrar aos leitores - observa São Jerônimo - que ninguém deve desesperar da salvação, se houver conversão para vida melhor."

 

Da atividade de Mateus após o Pentecostes, conhecemos somente seu admirável Evangelho, dirigido particularmente aos judeus e que é caracterizado por cinco grandes discursos de Jesus sobre o reino de Deus. São Mateus foi martirizado na Etiópia, e suas relíquias permanecem e são honradas até hoje em Salerno.

 

Para sua reflexão: Não somente perdoa pecados, mas transforma o pecador: de um explorador, com uma palavra, faz um discípulo. O sistema de arrecadação de impostos, por intermediários a serviço dos romanos ou do governador regional, prestava-se a abusos, favorecia e tornava odiosos esses profissionais; os cobradores pertenciam à categoria formal de “pecadores”. O chamado soberano de Jesus transfere da escravidão do dinheiro à liberdade do seguimento. “Chamado Mateus”: o narrador identifica o apóstolo com Levi. Os fariseus se sentem guardiães da separação que garante a pureza e com ela a santidade ou consagração do povo; entre as separações, a mais importante é entre “justos e pecadores”. À força de observâncias, não entendem a Escritura; consideram-se sãos e santos. Supõem insanável a situação que Jesus veio sanar. Mas o primeiro passo para a cura é reconhecer a doença.  (Bíblia dos Capuchinhos)

 

A alegria é a saúde da alma. (Santo Hilário)