Terça-feira, 20 de julho de 2010

Décima Sexta Semana do Tempo Comum, 2ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia Internacional da Amizade

 

Santos: Elias (profeta), Aurélio (Cartago), Severa, Paulo da Espanha, Margarida (Antioquia), Vulmério, Ansegísio, Paulo (diácono em Córdova e mártir), Bem-Aventurado Leão-Inácio Mengin, Marina, Paulo Denne.

 

Antífona: É Deus quem me ajuda, é o Senhor quem defende a minha vida. Senhor, de todo o coração hei de vos oferecer o sacrifício e dar graças ao vosso nome, porque sois bom. (Sl 53, 6.8)

 

Oração do Dia: Ó Deus, sede generoso para com os vossos filhos e filhas e multiplicai em nós os dons da vossa graça, para que, repletos de fé, esperança e caridade, guardemos fielmente os vossos mandamentos.  Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

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Leitura, Miquéias (Mq 7, 14-15.18-20)
Lançará ao fundo do mar todos os nossos pecados

 

14Apascenta o teu povo com o cajado da autoridade, o rebanho de tua propriedade, os habitantes dispersos pela mata e pelos campos cultivados; que eles desfrutem a terra de Basã e Galaad, como nos velhos tempos. 15E, como foi nos dias em que nos fizeste sair do Egito, faze-nos ver novos prodígios.

 

18Qual Deus existe, como tu, que apagas a iniquidade e esqueces o pecado daqueles que são resto de tua propriedade? Ele não guarda rancor para sempre, o que ama é a misericórdia. 19Voltará a compadecer-se de nós, esquecerá nossas iniquidades e lançará ao fundo do mar todos os nossos pecados. 20Tu manterás fidelidade a Jacó e terás compaixão de Abraão, como juraste a nossos pais, desde tempos remotos. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

Lançará ao fundo do mar todos os nossos pecados

 

Há em Deus um poder bem maior que o de afogar um exército no mar: o poder de aniquilar no coração do homem o inimigo que pode perde-lo, o mal, o pecado. E há um abismo no qual pode ser afogado esse inimigo: a misericórdia do Pai. “Qual o deus como tu... que se compraz em usar de misericórdia?” (v. 18). Dele temos profunda necessidade. O profeta quer suscitar no coração dos filhos de Israel e dispersos a confiança no Deus que os está reunindo após o retorno do exílio. Também para nós, cristãos, o exílio do pecado é coisa passada, desde o momento em que Cristo ressuscitou para nossa ressurreição e vive para nossa vida. É necessário, porém, que também nós, como o antigo podo, digamos a Deus de coração arrependido: “Volta-te e tem piedade de nós!” [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 84(85), 2-4.5-6.7-8 (R/.8a)
Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade

 

Favorecestes, ó Senhor, a vossa terra, libertastes os cativos de Jacó. Perdoastes o pecado ao vosso povo, encobristes toda a falta cometida; retirastes a ameaça que fizestes, acalmastes o furor de vossa ira.

 

Renovai-nos, nosso Deus e Salvador, esquecei a vossa mágoa contra nós! Ficareis eternamente irritado? Guardareis a vossa ira pelos séculos?

 

Não vireis restituir a nossa vida, para que em vós se rejubile o vosso povo? Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade, concedei-nos também vossa salvação!

 

Evangelho: Mateus (Mt 12, 46-50)
Eis minha mãe e meus irmãos

 

Naquele tempo, 46enquanto Jesus estava falando às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. 47Alguém disse a Jesus: "Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo".

 

48Jesus perguntou àquele que tinha falado: "Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?" 49E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: "Eis minha mãe e meus irmãos. 50Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe". Palavra da Salvação!

 

 

Leituras paralelas: Mc 3, 31-35; Lc 8, 19-21

 

 

Comentando o Evangelho

A família de Jesus

 

O Reino de Deus, anunciado por Jesus, estabelece laços profundos entre aqueles que assumem seu projeto de vida. Estes laços fazem dos discípulos do Reino uma grande família, não unida pelos vínculos do sangue e, sim, pela submissão à vontade de Deus. A identidade dessa família se configura por um idêntico modo de proceder, fundado no amor e na prática da justiça. Por esse caminho, os discípulos se reconhecem como irmãos e irmãs, unidos para além de qualquer divergência, cultura ou raça. Essa fraternidade não é mera formalidade. Existe entre eles uma efetiva comunhão de vida. Onde as relações interpessoais não chegam a se expressar desta forma, é sinal de que aí o Reino ainda não aconteceu.


Esta dimensão do Reino foi expressa pelo próprio Jesus. Ele se recusou a privilegiar os laços sanguíneos que o uniam à sua mãe e demais parentes. Esses laços pouco contavam. Doravante, o parentesco com Jesus haveria de se concretizar no cumprimento da vontade do Pai. Quem a cumpre, faz parte da família do Mestre. Quem prefere pautar sua vida por outros parâmetros, não tem parte com ele.


O critério estabelecido por Jesus possibilita a todo discípulo do Reino, em qualquer tempo e lugar, saber-se unido a ele como a um ser querido muito próximo. Por conseguinte, é sempre possível estabelecer laços com ele pela via da afetividade.
[Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: O episódio sobre a família de Jesus aparece no seguimento da controvérsia com os fariseus. À oposição destes, Jesus contrapõe uma nova família, cujos laços de ordem espiritual radicam na vontade do Pai e que, por isso, devem ser postos em primeiro lugar. (Bíblia dos Capuchinhos)

 

Santo Eliseu e Santo Elias

 

 

Santo Eliseu, Profeta (+ Palestina, séc. IX A.C.) Era o discípulo perfeito do Profeta Elias, do qual possuiu, conforme narra a Escritura, o duplo espírito. Ambos mestre e discípulo considerados fundadores da Ordem do Carmo. Antes do desaparecimento de Elias, num turbilhão de fogo, Eliseu pediu-lhe: "Dá-me uma porção dobrada do teu espírito". E o pedido foi ouvido. Eliseu foi sepultado perto de Samaria. É impossível descrever em poucas palavras a personalidade e obra deste grande Profeta. Lendo as poucas páginas bíblicas que nos falam dele: 1 Rs, cap. 17-19,21, e 2 Rs 1-2, podemos tentar descobrir suas características principais. Eis aqui algumas: o homem diante de Deus: aparece com frequência a expressão "o senhor a quem sirvo" ou "perante o qual estou". Elias não compartilha com ninguém seu culto e quer que o povo faça o mesmo. Levado pelo Espírito: vede a resposta tão saborosa de Abdias em 1 Rs 18, 12. Daí procede a força da alma de Elias e de sua liberdade interior. Sua fé sem divisões: quando do sacrifício do Carmelo(1 Rs 18), tenta forçar o povo a escolher entre o Deus vivo, pessoal, que intervém na história, e as forças naturais divinizadas, os baais.

 

 

Um verdadeiro amigo é aquele que tenta compreender aquilo que não somos capazes de explicar. (Rui Pais)