Terça-feira, 20 de abril de 2010

3ª Semana da Páscoa, 2ª do Saltério (Livro II),  cor Litúrgica Branca

 

 

Hoje: Dia do Diplomata

 

Santos: Marcelino de Ambrun (bispo), Marciano (ou Mariano), Caedwalla, Hugo de Anzy (beato), Hildegunda (virgem), Inês de Montepulciano (virgem), Simão de Todi (beato), Tiago Bell (beato, mártir), João Finch (beato, mártir), Roberto Watkinson (beato), Francisco Page (beato, mártir), Antonino, Sulpício, Ângelo de Chiavasso (bem aventurado confessor franciscano da 1ª ordem)

 

Antífona: Louvai o nosso Deus, todos vós que o temeis, pequenos e grandes; pois manifestou-se a salvação, a vitória e o poder do seu Cristo, aleluia! (Ap 19,5; 12,10)

 

Oração: Ó Deus, que abris as portas do reino dos céus aos que renasceram pela água e pelo Espírito Santo, aumentai em vossos filhos e filhas a graça que lhes destes para que, purificados de todo pecado, obtenham os bens que prometestes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Atos (At 7, 51-8,1a)

Estêvão denuncia a falta de fé dos judeus

 

Naqueles dias, Estêvão disse ao povo, aos anciãos e aos doutores da lei: 51"Homens de cabeça dura, insensíveis e incircuncisos de coração e ouvido! Vós sempre resististes ao Espírito Santo e como vossos pais agiram, assim fazeis vós! 52A qual dos profetas vossos pais não perseguiram? Eles mataram aqueles que anunciavam a vinda do justo, do qual, agora, vós vos tomastes traidores e assassinos. 53Vós recebestes a lei, por meio de anjos, e não a observastes!" 54Ao ouvir essas palavras, eles ficaram enfurecidos e rangeram os dentes contra Estêvão. 55Estêvão, cheio do Espírito Santo, olhou para o céu e viu a glória de Deus e Jesus, de pé, à direita de Deus. 56E disse: "Estou vendo o céu aberto e o Filho do homem, de pé, à direita de Deus". 57Mas eles, dando grandes gritos e, tapando os ouvidos, avançaram todos juntos contra Estêvão; 58arrastaram-no para fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem, chamado Saulo. 59Enquanto o apedrejavam, Estêvão clamou dizendo: "Senhor Jesus, acolhe o meu espírito". 60Dobrando os joelhos, gritou com voz forte: "Senhor, não os condenes por este pecado". E, ao dizer isto, morreu. 8,1aSaulo era um dos que aprovavam a execução de Estêvão. Palavra do Senhor!

 

Comentando a Leitura

Senhor Jesus, acolhe o meu Espírito

 

A fala de Estêvão, de que lemos hoje o último trecho, é uma rápida releitura cristã do AT.  Estêvão mostra que a trágica aventura do povo que diz "não" a Deus, e rejeita os mediadores da salvação, está nas últimas. A recusa dos pais com relação a Deus tem sua trágica consumação na atitude do Sinédrio em confronto com o Messias e, agora, com Estêvão, sua testemunha. O povo de Deus de certo modo se trai a si mesmo. Reunido pela ação divina para acolher e dar a salvação em Cristo, rejeita o projeto de Deus, trai a própria missão e torna-se assassino. Mata o autor da vida e afasta-se da vida, da salvação. Agora mata Estêvão.  Estêvão não morre apenas "por Cristo", morre como Cristo, com ele, e tal participação no próprio mistério da paixão de Jesus está na base da fé do mártir. Com essa morte ele afirma, a seu modo, que a morte não foi a última palavra da vida de Jesus. Este não cessa de viver além da morte, como o prova o comportamento de seus fiéis. [Extraído do MISSAL COTIDIANO  ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 30 (31), 3cd-4.6ab e 7b e 8a.17 e 21ab (R/.6a)
Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu Espírito

 

Sede uma rocha protetora para mim, um abrigo bem seguro que me salve! Sim, sois vós a minha rocha e fortaleza; por vossa honra orientai-­me e conduzi-me!  

 

Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito, porque vós me salvareis, ó Deus fiel! Quanto a mim, é ao Senhor que me confio, vosso amor me faz saltar de alegria.  

 

Mostrai serena a vossa face ao vosso servo, e salvai-me pela vossa compaixão! Na proteção de vossa face os defendeis bem longe das intrigas dos mortais.

 

 

Evangelho: João (Jo 6, 30-35)

Meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do céu

 

Naquele tempo, a multidão perguntou a Jesus: 30"Que sinal realizas, para que possamos ver e crer em ti? Que obra fazes? 31Nossos pais comeram o maná no deserto, como está na escritura: 'Pão do céu deu-lhes a comer"'. 32Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade vos digo, não foi Moisés quem vos deu o pão que veio do céu. É meu Pai que vos dão verdadeiro pão do céu. 33Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo". 34Então pediram: "Senhor, dá-nos sempre desse pão". 35Jesus lhes disse: "Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede". Palavra da Salvação!

 

 

Comentário o Evangelho

Que milagres realizas?

 

A questão apresentada a Jesus põe em xeque a idoneidade e a credibilidade de sua missão. Era como se estivessem pedindo suas credenciais. Se não pudesse provar que estava agindo com autoridade, seria um simples impostor.


Servindo-se de uma brecha oferecida por seus interlocutores, o Mestre lhes sugere uma reflexão. Segundo eles, no passado, Moisés havia revelado a veracidade de sua missão ao alimentar a multidão com o maná descido do céu. Também, Jesus deveria fazer algo para provar quem ele era.


A ponderação de Jesus levanta dúvidas sobre uma crença inquestionável: o milagre não fora realizado por Moisés, mas pelo Pai. Este, sim, foi quem alimentou o povo na sua penosa marcha pelo deserto. O Pai estava tomando novamente a mesma providência de alimentar seu povo. Só que, agora, o maná era seu próprio Filho. Por isso, este podia apresentar-se como "o pão da vida", capaz de saciar a fome e a sede de quantos se deixassem atrair por ele.


Por conseguinte, antes de mais nada, era mister perceber o sinal que o Pai estava realizando na pessoa de seu Filho. Qualquer outro milagre seria inútil, se este sinal fundamental não fosse percebido.


A perspicácia teológica dos interlocutores de Jesus estava sendo posta à prova.
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997]

 

São Teodoro

 

O significado de seu nome, "dom de Deus", tem tudo a ver com os talentos especiais que Teodoro demonstrou durante toda a vida. O religioso, nascido na segunda metade do século VI na Galícia, hoje França, desde pequeno demonstrou ter realmente vindo ao mundo para a edificação da Igreja, terminando seus dias como instrumento dos prodígios e graças que brotavam à sua volta.

Diz a tradição que, já aos oito anos, procurava lugares escondidos e solitários para rezar. Depois, quando adolescente, chegou a cavar uma gruta na capela de São Jorge, especialmente para ali entregar-se à oração e a contemplação.


É preciso esclarecer que, além de tudo, seus pais pediram para o filho a proteção de são Jorge desde o instante do seu nascimento, pois sua mãe teve um parto muito difícil. Teodoro foi agradecido ao santo, que tinha como padrinho, pelo resto de seus dias.


Todavia seus pais também não esperavam que ele se dedicasse tanto assim à religião e se preocupavam, pois ele era muito diferente dos outros meninos da sua idade, principalmente por ter cavado "sua" caverna na capela.


Dizem os devotos que o próprio são Jorge apareceu num sonho a sua mãe, para que ficasse tranqüila quanto ao futuro de Teodoro. Logo depois alguns prodígios e graças começaram a acontecer na gruta, pois que, em pouco tempo, todos os dias, grande parte dos moradores locais eram atraídos para lá.


Teodoro ainda não tinha idade para isso, mas o bispo da cidade vizinha de Anastasiópolis assumiu a tutela do rapaz e o ordenou sacerdote. E mal voltou para sua cidade natal, o povo o elegeu bispo. No cargo ele permaneceu por dez anos, quando abandonou tudo e voltou à sua vida solitária de penitência e oração contemplativa.


Novamente as graças passaram a fazer parte do cotidiano da gruta de Teodoro, onde grandes multidões o procuravam. Teodoro ali ficou até o dia 20 de abril de 613, quando morreu. Sua festa é muito celebrada pelos católicos do mundo todo, especialmente na França, Alemanha e entre os cristãos de língua eslava.
[paulinas.org.br]

 

Para sua reflexão: Para crer pedem credenciais, como se o milagre do pão não fosse sinal, e de fato não o entenderam como sinal. O dom do maná ocupa um lugar importante na tradição bíblica, mas o doador não é Moisés. A realidade está aqui: o doador é o Pai, o dom é Jesus, sustento da vida nova. No Pai-nosso se pede “nos daí hoje”. O pedido serve par introduzir a nova  seção, sobre o pão da vida, que é em primeiro plano o ensinamento e no segundo a eucaristia. Jesus é o pão da vida e o alimento sacramental que se compartilha na eucaristia. A Palavra de Jesus é pão da vida que se recebe pela fé.  

 

A ignorância não fica tão distante da verdade quanto o preconceito. (Denis Diderot)