Terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Segunda Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor Verde

 

Que toda a terra se prostre diante de vós, ó Deus, e cante louvores ao vosso nome, Deus altíssimo! (Sl 65,4)

 

Hoje: Dia do Farmacêutico

 

Santos do Dia: Mário (Séc.III, DC, mártir), Júlio, Germânico (156), Bassiano (413 DC, bispo, Itália), Canuto (1086, rei da Dinamarca, mártir), Wulstano (1095 DC, bispo, Inglaterra), Gumersindo (presbítero), Audifaz (mártir), Gerôncio (mártir), Germana (mártir), Pia (mártir)  

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai com bondade as preces do vosso povo e daí ao nosso tempo a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Hebreus (Hb 6, 10-20)
As promessas de Deus sempre se cumprem 

 

Irmãos, 10Deus não é injusto, para esquecer aquilo que estais fazendo e a caridade que demonstrastes em seu nome, servindo e continuando a servir os santos. 11Mas desejamos que cada um de vós mostre até o fim este mesmo empenho pela plena realização da esperança, 12para não serdes lentos à compreensão, mas imitadores daqueles que, pela fé e a perseverança, se tornam herdeiros das promessas. 13Pois quando Deus fez a promessa a Abraão, não havendo alguém maior por quem jurar, jurou por si mesmo, 14dizendo: “Eu te cumularei de bênçãos e te multiplicarei em grande número”. 

 

15E assim, Abraão foi perseverante e alcançou a promessa. 16Os homens juram, de fato, por alguém mais importante, e a garantia do juramento põe fim a qualquer contestação. 17Por isso, querendo Deus mostrar, com mais firmeza, aos herdeiros da promessa, o caráter irrevogável da sua decisão, interveio com um juramento. 18Assim, por meio de dois atos irrevogáveis, nos quais não pode haver mentira por parte de Deus, encontramos profunda consolação, nós que tudo deixamos para conseguir a esperança proposta. 19A esperança, com efeito, é para nós qual âncora da vida, segura e firme, penetrando para além da cortina do santuário, 20aonde Jesus entrou por nós, como precursor, feito sumo sacerdote eterno na ordem de Melquisedec. Palavra do Senhor! 

 

Comentando a I Leitura[1][1]
A esperança, com efeito, é para nós

qual âncora da vida, segura e firme

 

As últimas realidades da morte e do juízo devem ser apresentadas aos cristãos “sob o signo da consolação e da esperança”. Nossas boas obras são de fato pouca coisa diante de Deus, e ele leva em conta isso: Deus não é injusto, não esquece a vossa atividade e o amor que tendes demonstrado para com ele, mediante os serviços prestados aos santos (isto é, aos irmãos na fé). Jesus nos assegura que “um copo d´água dando em seu nome não perderá sua recompensa” (Mc 9, 41). Assim como prometeu a Abraão, Deus continua a prometer a felicidade do seu reino a todos os homens que querem seguir os seus caminhos. Isto significa que o que conta é perseverar até o fim, para sermos “imitadores daqueles que, com a fé e a perseverança, se tornam herdeiros das promessas”.   

 

Cristo, entrando na glória do Pai depois de sua ressurreição, dá valor a toda a nossa vida, fazendo de cada uma de nossas obras como que uma liturgia perene, que nos introduz cada vez mais profundamente no seu mistério e nos prepara para a entrada gloriosa junto ao Pai no fim dos tempos.

 

 

Salmo: 110 (111), 1-2.4-5.9-10c (R/.5b)
O Senhor se lembra sempre da aliança

 

1Eu agradeço a Deus de todo o coração junto com todos os seus justos reunidos! 2Que grandiosas são as obras do Senhor, elas merecem todo o amor e admiração! 

 

4O Senhor bom e clemente nos deixou a lembrança de suas grandes maravilhas. 5Ele dá o alimento aos que o temem e jamais esquecerá sua aliança. 

 

9Enviou libertação para o seu povo, confirmou sua aliança para sempre. Seu nome é santo e é digno de respeito. 10cPermaneça eternamente o seu louvor 

 

 

Evangelho do Dia: Marcos (Mc 2, 23-28)
Jesus revela o valor sagrado do ser humano

 

23Jesus estava passando por uns campos de trigo, em dia de sábado. Seus discípulos começaram a arrancar espigas, enquanto caminhavam. 24Então os fariseus disseram a Jesus: "Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?" 

 

25Jesus lhes disse: "Por acaso, nunca lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando passaram necessidade e tiveram fome? 26Como ele entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu os pães oferecidos a Deus e os deu também aos seus companheiros? No entanto, só aos sacerdotes é permitido comer esses pães". 

 

27E acrescentou: "O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. 28Portanto, o Filho do Homem é senhor também do sábado". Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho[2]

Superando o legalismo 

 

Como no caso do jejum, os judeus também eram exagerados no tocante ao repouso sabático. Por isso, escandalizam-se ao ver os discípulos de Jesus colher espigas de trigo para comer, enquanto atravessam um trigal em dia de sábado. O fanatismo pela observância da Lei impedia-os de fazer qualquer tipo de contemporização. Jesus ia na direção contrária, procurando mostrar-se fiel a Deus por outros caminhos, e ensinando seus discípulos a fazerem o mesmo.


Para o Mestre a finalidade da Lei era propiciar ao ser humano uma autêntica experiência de encontro com a vontade de Deus. Praticar seus preceitos de maneira puramente mecânica seria inútil. Este tipo de fidelidade exterior à vontade divina não era sinal de que a pessoa havia superado a tirania do egoísmo. Jesus pregava uma fidelidade criativa à Lei, de modo que, ao praticá-la, a pessoa pudesse atingir seu objetivo.


O Mestre apresentou dois motivos para justificar a permissão de colher espigas em dia de sábado. Em primeiro lugar, por ter acontecido coisa semelhante com o rei Davi, o qual, num dia de sábado, matou a fome com os pães consagrados que só aos sacerdotes era permitido comer. Além disso, as espigas não eram consagradas como os pães. Em segundo lugar, porque Jesus tinha autoridade, recebida do Pai, para agir como agiu. Se os discípulos estavam comendo para poder continuar a missão, por que censurá-los?

 

 

São Sebastião[3]

 

São Sebastião morreu 50 anos mais tarde, na perseguição de Diocleciano. Sua figura de mártir cravado de flechas  foi imortalizada pelos artistas da Renascença.

 

Sebastião prestou seu serviço militar em Milão e, por sua fidelidade e valor, foi nomeado capitão da primeira coorte da guarda pretoriana, isto é, do próprio imperador. Aproveitava desta sua posição para melhor proteger e confortar os cristãos, quando denunciados ou condenados à morte.

 

Identificado ele mesmo como cristão e denunciado ao imperador Diocleciano, foi detido e forçado a abjurar sua fé. O imperador, que muito estimava Sebastião, recorreu tanto a promessas como a ameaças para conseguir do seu alto oficial que abandonasse a fé. Todas as argumentações e tentativas de Diocleciano esbarraram numa vontade inflexível do militar.

 

Destituído então de sua função de oficial, foi entregue a um pelotão de soldados que o despiram, amarraram a uma árvore, alvejaram-no com flechas e o abandonaram, julgando-o morto. Alta noite, chegou Irene, mulher do mártir Cástulo, ao lugar da execução para retirar o corpo do mártir e dar-lhe a sepultura. Com grande admiração, encontrou-o ainda com vida. Sem demora, tomou providências para que o mártir fosse levado para sua casa onde tratou dele com muito desvelo.

 

Apenas restabelecido, Sebastião, cheio de coragem, procurou o imperador para reprovar sua iniqüidade praticada contra pessoas inocentes como eram os cristãos. Outra vez condenado à morte, veio a falecer entre os tormentos de pauladas e boladas de chumbo. Era o ano de 303.

 

Seu culto é muito antigo e bastante popular (é padroeiro de inúmeras igrejas e capelas esparramadas pelo Brasil, inclusive da cidade do Rio de Janeiro). Os pormenores de seu martírio, porém, só chegaram até nós por uma fonte bastante tardia.

 

Sobre o lugar de sua sepultura foi levantada uma maravilhosa basílica que perpetua sua memória e propõe seu exemplo de herói.

 

O grande bispo de Milão, Santo Ambrósio, em memorável discurso, teceu os melhores elogios a este santo. (www.asj.org.br)

 

Deus não é maior, se o respeitas. Mas tu serás maior, se o servires. (Santo Agostinho)

 



 

[2] EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas

[3] Conti, Servilio (Dom): O SANTO DO DIA. Petrópolis. Editora Vozes: 1997. p.40