Terça-feira, 19 de outubro de 2010

29º do Tempo Comum (Ano “C”), 1ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Santos: Isaac Jogues, João de Brebéuf, René,  Goupil e outros cinco missionários jesuítas (mártires, séc. XVII); Paulo da Cruz (1775, Roma); Ptolomeu e Lúcio (160, Roma); Fredesvita (séc. VIII), Pedro de Alcântara (1562, presbítero franciscano da primeira ordem).

 

Antífona: Clamo por vós, meu Deus, porque me atendestes; inclinai vosso ouvido e escutai-me. Guardai-me como a pupila dos olhos, à sobra das vossas asas abrigai-me. (Sl 16, 6.8)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor e vos servir de todo o coração. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: Efésios (Ef 2, 12-22)
Ele é a nossa paz

 

Irmãos, 12naquele tempo, éreis sem Messias, privados de cidadania em Israel, estranhos às alianças da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo. 13Mas agora, em Jesus Cristo, vós que outrora estáveis longe, vos tomastes próximos, pelo sangue de Cristo. 14Ele, de fato, é a nossa paz: do que era dividido, ele fez uma unidade. Em sua carne ele destruiu o muro de separação: a inimizade. 15Ele aboliu a Lei com seus mandamentos e decretos. Ele quis, assim, a partir do judeu e do pagão, criar em si um só homem novo, estabelecendo a paz. 16Quis reconciliá-los com Deus, ambos em um só corpo, por meio da cruz; assim ele destruiu em si mesmo a inimizade. 17Ele veio anunciar a paz a vós que estáveis longe, e a paz aos que estavam próximos. 18E graças a ele que uns e outros, em um só Espírito, temos acesso junto ao Pai. 19Assim, já não sois mais estrangeiros nem migrantes, mas concidadãos dos santos. Sois da família de Deus. 20Vós fostes integrados no edifício que tem como fundamento os apóstolos e os profetas, e o próprio Jesus, Cristo como pedra principal. 21E nele que toda a construção se ajusta e se eleva para formar um templo santo no Senhor. 22E vós também sois integrados nesta construção, para vos tomardes morada de Deus pelo Espírito. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Do que era dividido Ele fez uma unidade

 

Nota-se logo a diferença entre a atitude do turista e a do habitante que conhece cada ângulo, e para quem cada rosto é familiar. A quem se quisesse passear, na Igreja-comunidade de pessoas com a mentalidade. "desligada" do visitante, Paulo lembra que esta é a família da SS. Trindade. Quem se sente desambientado, julga-se de fora e mantém distância, não é capaz de compreender. Sob o arcabouço das estruturas institucionais, "também nós somos edificados em Cristo para nos tornarmos habitação de Deus no Espírito". É a família das três Pessoas, em que nos sentimos de casa. O tempo passado com Jesus em oração ao Pai, no Espírito, é o tempo verdadeiro, tempo da realidade, em que estamos "em casa". O outro tempo, o das ocupações ordinárias, toma daqui seu sentido. [Missal Cotidiano, Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 84(85), 9ab-10.11-12.13-14 (R/.cf 9) 
O Senhor anunciará a paz para o seu povo

 

9aQuero ouvir o que o Senhor irá falar: 9bé a paz que ele vai anunciar; 10está perto a salvação dos que o temem, e a glória habitará em nossa terra.

 

11A verdade e o amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão; 12da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus.

 

13O Senhor nos dará tudo o que é bom, e a nossa terra nos dará suas colheitas; 14a justiça andará na sua frente e a salvação há de seguir os passos seus.

 

Evangelho: Lucas (Lc 12, 35-38)
Parábolas sobre a vigilância

 

Naquele tempo, disse  Jesus aos seus discípulos: 35Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. 36Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrirem, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater. 37Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade, eu vos digo: Ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar-se à mesa e, passando, os servirá. 38E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão, se assim os encontrar! Palavra da Salvação!

 

Leitura paralela: Mt 24, 42-51

 

 

Comentando o Evangelho

À espera do Senhor

 

A longa espera da segunda vinda do Senhor pode levar o discípulo a esmorecer e a desanimar. Quanto maior a incerteza do dia e da hora, tanto maior a tentação de debandar para o pecado, a idolatria e a impiedade. Perseverar na espera é prova de fidelidade.


Jesus se serve de duas imagens para ilustrar o estado de constante vigilância do discípulo. A primeira é estar com os "rins cingidos com o cinto." Alusão à veste comprida usada pelos orientais, arregaçada e amarrada na cintura, por meio de uma faixa, enquanto se trabalhava ou viajava, para não lhes impedir os movimentos. A segunda é estar com as lâmpadas acesas, sugerindo que a vinda inesperada pode dar-se a qualquer momento, inclusive à noite.

 

Em termos concretos, a vigilância expressa-se na prática incessante da misericórdia e da justiça. O discípulo é incansável no amor. Sua opção mantém-se inalterada, mesmo desconhecendo o dia e a hora do encontro com o Senhor. Esta demora é irrelevante. Antes, quanto mais o Senhor tarda a chegar, tanto mais terá tempo para fazer o bem. A demora, neste caso, é vista pelo prisma positivo: a possibilidade de manifestar sua capacidade de amar, e não pelo prisma negativo, como se tivesse sido vítima do descaso e do abandono do Senhor.


Perseverar no amor é uma autêntica bem-aventurança. Só os verdadeiros discípulos são capazes disso.
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano C, ©Paulinas, 1996]

 

Para sua reflexão: A lâmpada acesa e as roupas presas à cintura, sinal de quem trabalho ou do viajante, são símbolos da vigilância. O israelita se cinge e prende a túnica talar para trabalhar ou caminhar ou para brigar. Estar cingido é estar disponível. As lamparinas indicam que a cena acontece de noite. Lucas não apresenta o patrão como noivo, mas como convidado a um casamento anônimo. A reação do patrão é inverossímil, exorbitante, e nisso está a graça: o patrão age como servo e convida os criados um banquete. É o banquete do céu. Duas vezes chama “felizes” os criados que vigiam. (Bíblia do Peregrino)

 

São Paulo da Cruz

Nascido no norte da Itália, região de Gênova (Piemont). Após ouvir um sermão sobre a paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo aos 19 anos de idade, adotou o nome de Paulo da Cruz e alistou-se imediatamente como voluntário do exército que os venezianos montavam contra os turcos: mas percebendo que aquela expedição somente visava interesses materiais, retirou-se. A partir daí começou também a pregar a devoção aos sofrimentos de Nosso Senhor em Sua Paixão e Morte. Após ser ordenado sacerdote aos 26 anos - recebeu o hábito preto de penitente com os sinais da Paixão de Cristo: um coração com uma Cruz em cima, três pregos e o monograma de Cristo. Convenceu o irmão a juntar- se a ele nesta missão e empunhando uma cruz de madeira em suas missões, granjeou discípulos - dentre os quais o mais ilustre foi são Vicente Maria Strambi - e fundou a Congregação dos Padres Passionistas, cujos membros se obrigam, por um voto especial, a pregar por toda a parte sobre a Paixão de Jesus Cristo. Fez uma Regra bastante rígida e teve que mitigá-la um pouco para obter a aprovação eclesiástica. Faleceu após mais de 40 anos de contínua pregação. Seu nome de batismo era Paulo Francisco Danei. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

A verdade é onipotente, às vezes demorada, mas a sua implantação é certa, é irrevogável. (Ferando Levisky)