Terça-feira, 19 de janeiro de 2010

II Semana do Tempo Comum - Ano “C” (Ímpar) - 2ª Semana do Saltério (Livro III) - Cor Verde

 

Santos do Dia: Mário (Séc.III, DC, mártir), Júlio, Germânico (156), Bassiano (413 DC, bispo, Itália), Canuto (1086, rei da Dinamarca, mártir), Wulstano (1095 DC, bispo, Inglaterra), Gumersindo (presbítero), Audifaz (mártir), Gerôncio (mártir), Germana (mártir), Pia (mártir)  

 

Antífona: Que toda a terra se prostre diante de vós, ó Deus, e cante louvores ao vosso nome. Deus altíssimo! (Sl 65,4)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, que governais o céu e a terra, escutai com bondade as preces do vosso povo e daí ao nosso tempo a vossa paz.  Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: I Samuel (1 Sm 16. 1-13)
O Senhor escolhe outro rei para Israel

 

Naqueles dias, 1o Senhor disse a Samuel: "Até quando ficarás chorando por causa de Saul, se eu mesmo o rejeitei para que não reine mais sobre Israel? Enche o chifre de óleo e vem, para que eu te envie à casa de Jessé de Belém, pois escolhi um rei para mim entre os seus filhos".

 

2Samuel ponderou: "Como posso ir? Se Saul o souber, vai me matar". O Senhor respondeu: "Tomarás contigo uma novilha da manada, e dirás: `Vim para oferecer um sacrifício ao Senhor'. 3Convidarás Jessé para o sacrifício. Eu te mostrarei o que deves fazer, e tu ungirás a quem eu te designar".

 

4Samuel fez o que o Senhor lhe disse, e foi a Belém. Os anciãos da cidade vieram-lhe ao encontro, e perguntaram: "É de paz a tua vinda?" 5"Sim, é de paz", respondeu Samuel. "Vim para fazer um sacrifício ao Senhor. Purificai-vos e vinde comigo, para que eu ofereça a vítima". Ele purificou então Jessé e seus filhos e convidou-os para o sacrifício.

 

6Assim que chegaram, Samuel viu a Eliab, e disse consigo: "Certamente é este o ungido do Senhor!" 7Mas o Senhor disse-lhe: "Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração".

 

8Então Jessé chamou Abinadab e apresentou-o a Samuel, que disse: "Também não é este que o Senhor escolheu". 9Jessé trouxe-lhe depois Sama, e Samuel disse: "A este tampouco o Senhor escolheu".

 

10Jessé fez vir seus sete filhos à presença de Samuel, mas Samuel disse: "O Senhor não escolheu a nenhum deles". 11E acrescentou: "Estão aqui todos os teus filhos?" Jessé respondeu: "Resta ainda o mais novo, que está apascentando as ovelhas". E Samuel ordenou a Jessé: "Manda buscá-lo, pois não nos sentaremos à mesa, enquanto ele não chegar".

 

12Jessé mandou buscá-lo. Era ruivo, de belos olhos e de formosa aparência. E o Senhor disse: "Levanta-te, unge-o: é este!" 13Samuel tomou o chifre com óleo e ungiu Davi na presença de seus irmãos. E a partir daquele dia, o espírito do Senhor se apoderou de Davi. A seguir, Samuel se pôs a caminho e voltou para Ramá. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Samuel ungiu Davi na presença de seus irmãos

 

Os critérios de Deus são freqüentemente diferentes dos critérios dos homens. Os grandes da sociedade encontram em geral o caminho do êxito através de sua habilidade ou do apoio dos poderosos, ou até por meio de intrigas. Deus escolhe com liberdade e não se deixa condicionar pelo risco de que o eleito o exponha a ficar em maus lençóis. Quem é por ele escolhido conserva toda a liberdade de ação e a capacidade de comportar-se até mesmo em desacordo com as intenções de Deus, qualquer que seja sua posição na Igreja. Dai a necessidade de que todo o povo cristão dirija a Deus contínuas preces pela santificação e perseverança daqueles que, na Igreja, desempenham funções de responsabilidade, de modo especial os bispos e sacerdotes. Contudo, eleitos não são apenas esses, mas cada um de nós, consagrados no batismo para parte integrante do povo de Deus. Dai nossa responsabilidade e nossa alegria cheia de gratidão. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

Salmo: 88(89), 20.21-22.27-28 (+21a)

Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor

 

Outrora vós falastes em visões a vossos santos: "Coloquei uma coroa na cabeça de um herói e do meio deste povo escolhi o meu eleito. 

 

Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor, e o ungi, para ser rei, com meu óleo consagrado. Estará sempre com ele minha mão onipotente, e meu braço poderoso há de ser a sua força. 

 

Ele, então, me invocará: `Ó Senhor, vós sois meu Pai, sois meu Deus, sois meu Rochedo onde encontro a salvação!' E por isso farei dele o meu filho primogênito, sobre os reis de toda a terra farei dele o rei altíssimo". 

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 2, 23-28)

Jesus revela o valor sagrado do ser humano

 

23Jesus estava passando por uns campos de trigo, em dia de sábado. Seus discípulos começaram a arrancar espigas, enquanto caminhavam. 24Então os fariseus disseram a Jesus: "Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?"

 

25Jesus lhes disse: "Por acaso, nunca lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando passaram necessidade e tiveram fome? 26Como ele entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu os pães oferecidos a Deus e os deu também aos seus companheiros? No entanto, só aos sacerdotes é permitido comer esses pães".

 

27E acrescentou: "O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. 28Portanto, o Filho do Homem é senhor também do sábado". Palavra da Salvação!

 

 

O ministério de Jesus na Galiléia.  Leitura paralelas: Mt 12, 1-8; Lc 6, 1-

 

 

Comentário o Evangelho

Agindo com liberdade

 

A postura de Jesus contrastava com a dos fariseus. Estes, apegados às tradições, suspeitavam dele quando o viam atropelar, com sua liberdade, os costumes dos antigos. Era como se estivesse ferindo a sensibilidade alheia.

 

O Mestre admirava-se da visão estreita dos fariseus, uma vez que, nas Escrituras, já se encontravam atitudes e gestos semelhantes ao seu. Por isso, agora, recordava-lhes um fato ligado a Davi, quando este, fugindo da perseguição de Saul, foi parar num lugarejo chamado Nobe, junto ao sacerdote Aquimelec (segundo o Evangelho, Abiatar). Davi e os seus companheiros estavam com fome. Nada tendo para lhes oferecer, o sacerdote deu-lhes os pães consagrados, que só aos sacerdotes era permitido consumir. E nem por isso ficou cheio de escrúpulos ou com peso na consciência. Seu gesto foi profundamente humanitário.

 

Tanto no caso de Davi como no dos discípulos de Jesus, a não-observância da tradição não aconteceu por leviandade. A vida humana estava em perigo. Precisava ser salva, mesmo contrariando as convenções religiosas.

 

Agindo com liberdade, Jesus ensinava aos discípulos como a religião deveria ser praticada com bom senso. Certas demonstrações de fidelidade às tradições religiosas acabam se tornando um espetáculo de insensatez, quando se chocam com o direito à vida.  [O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1997]

 

São Mário

 

Mario, Martha, Abacus e Audifax eram uma família persa nobre e rica – marido, esposa e dois filhos- que foram convertidos para a fé cristã e distribuíram seus bens para os pobres.

 

Eles decidiram visitar Roma para venerar os túmulos dos mártires mesmo sabendo que o Imperador Claudius estava perseguindo os cristãos. Claudius ordenou suas legiões para recolher e reunir os cristãos no anfiteatro onde eles eram mortos e seus corpos queimados. Esta família persa recolhia as cinzas e as enterrava. Por isto o Governador Marcus prendeu e torturou toda a família antes de mandar matá-los. Isto ocorreu em 270DC. Durante o martírio, Mario cantava hinos de louvor a Jesus. O procônsul encarregado do martírio mandou esticá-lo na roda, até seus braços serem arrancados do corpo, o que de nada adiantou. Furioso, ordenou que o decapitassem e a seus dois filhos. Assim os três foram mortos decapitados e Martha foi afogada alguns quilômetros de Roma em um local hoje chamado Santa Nynpha. Cristãos reverenciam este local e os corpos desta família com respeito: Eles foram enterrados na Via Cornelia. Treze séculos mais tarde, em 1590, seus corpos foram descobertos e agora suas relíquias estão nas igrejas de Cremona, de Seligenstaedt na Alemanha, e em Roma.  Na arte litúrgica da Igreja este grupo é geralmente mostrado como uma família Persa visitando prisioneiros; ou 2) enterrando mártires cristãos em Roma; ou 3) sendo executados com um machado.

 

A esperança não é um sonho, mas um modo de transformar os sonhos em realidade. (Suenens)

 

A cada minuto que passamos com raiva, perdemos sessenta felizes segundos.

(William Somerset Maugham)