Terça-feira, 18 de maio de 2010

Sétima Semana da Páscoa,  3ª do Saltério (Livro II),  cor Litúrgica Branca

 

Hoje: Dia das Raças Indígenas da América e dia Internacional dos Museus.

 

Santos: Félix (Confessor franciscano da Cantalícia, 1ª Ordem), João I (papa e mártir), Cláudia, Leonardo de Murialdo, Dióscoro, Teódoto, Tecusa e sete bem Aventuradas Virgens, Potamon (Bispo de Heracléia, Mártir), Érico (martirizado na Suécia), Venâncio (mártir), Guilherme de Toulouse (beato).

 

Antífona: Eu sou o primeiro e o último, aquele que vive. Estive morto e eis que estou vivo para sempre, aleluia! (Ap 1, 17-18)

 

Oração: Ó Deus de poder e misericórdia, fazei que o Espírito Santo, vindo habitar em nossos corações, nos torne um templo da sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: Atos (At 20, 17-27)

Tempo de testemunho e de prova

 

Naqueles dias, 17de Mileto, Paulo mandou um recado a Éfeso, convocando os anciãos da Igreja. 18Quando os anciãos chegaram, Paulo disse-lhes: "Vós bem sabeis de que modo me comportei em relação a vós, durante todo o tempo, desde o primeiro dia em que cheguei à Ásia. 19Servi ao Senhor com toda a humildade, com lágrimas e no meio das provações que sofri por causa das ciladas dos judeus. 20Nunca deixei de anunciar aquilo que pudesse ser de proveito para vós, nem de vos ensinar publicamente e também de casa em casa. 21lnsisti, com judeus e gregos, para que se convertessem a Deus e acreditassem em Jesus nosso Senhor. 22E agora, prisioneiro do Espírito, vou para Jerusalém sem saber o que lá me acontecerá.

 

23Sei apenas que, de cidade em cidade, o Espírito Santo me adverte, dizendo que me aguardam cadeias e tribulações. 24Mas, de modo nenhum, considero a minha vida preciosa para mim mesmo, contanto que eu leve a bom termo a minha carreira e realize o serviço que recebi do Senhor Jesus, ou seja, testemunhar o evangelho da graça de Deus. 25Agora, porém, tenho a certeza de que vós não vereis mais o meu rosto, todos vós entre os quais passei anunciando o reino. 26Portanto, hoje dou testemunho diante de todos vós: eu não sou responsável se algum de vós se perder, 27pois não deixei de vos anunciar todo o projeto de Deus a vosso respeito". Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Contanto que eu leve a bom termo a minha carreira 
e realize o serviço que recebi do senhor Jesus

 

O adeus de Paulo aos presbíteros e responsáveis pela Igreja que ele gerou para a fé é como o seu testamento espiritual e pastoral, cheio de ternura e de recomendações, de esperanças e temor. É uma alocução que lembra com fortes paralelismos o Sermão da despedida de Jesus, que se lê no evangelho. Mas não são apenas palavras de desafogo; são também um ensinamento. Na primeira parte se traça a fisionomia do apóstolo ideal, juntamente com as exigências de seu ministério. Não lhe são poupadas provações e tribulações, como o não foram a Jesus, o mestre (Jo 13, 18-27). O ministério apostólico não tem tampouco êxito garantido. Com efeito, Paulo tem o triste (mas realístico) pressentimento de que muitos dos que o ouviram desfalecerão um dia; assim como também entre os discípulos de Jesus houve um traidor, houve um renegado, e todos fugiram no momento da prova... Mas o apóstolo está cheio de humilde confiança, porque tem consciência de haver dado tudo e sabe que o Senhor é justo juiz. [Missal Cotidiano, © Paulus]

 

 

Salmo: 67 (68), 10-11.20-21 (R/.33a)
Reinos da terra, cantai ao Senhor

 

Derramastes lá do alto uma chuva generosa, e vossa terra, vossa herança, já cansada, renovastes; e ali vosso rebanho encontrou sua morada; com carinho preparastes essa terra para o pobre.

 

Bendito seja Deus, bendito seja cada dia, o Deus da nossa salvação, que carrega os nossos fardos! Nosso Deus é um Deus que salva, é um Deus libertador; o Senhor, só ele, nos poderá livrar da morte!

 

Evangelho: João (Jo 17, 1-11a)

Pai, glorifica o teu filho

 

Naquele tempo, 1Jesus ergueu os olhos ao céu e disse: "Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho te glorifique, 2e, porque lhe deste poder sobre todo homem, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe confiaste. 3Ora, a vida eterna é esta: que eles conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo. 4Eu te glorifiquei na terra e levei a termo a obra que me deste para fazer.

 

5E agora, Pai, glorifica-me junto de ti, com a glória que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse. 6Manifestei o teu nome aos homens que tu me deste do meio do mundo. Eram teus, e tu os confiaste a mim, e eles guardaram a tua palavra. 7Agora eles sabem que tudo quanto me deste vem de ti, 8pois dei-lhes as palavras que tu me deste, e eles as acolheram, e reconheceram verdadeiramente que eu saí de ti e acreditaram que tu me enviaste. 9Eu te rogo por eles. Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. 10Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles. 11aJá não estou no mundo, mas eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti". Palavra da Salvação!

 

 

Comentário o Evangelho

Os que me deste!  

 

Jesus estabeleceu uma clara distinção entre o mundo e aqueles que lhe foram dados pelo Pai. Referiu-se apenas a estes, quando se dirigiu ao Pai, dizendo: "Eu rogo por eles; não é pelo mundo que eu rogo, mas por aqueles que me deste, porque são teus".

 

Esta distinção deve ser bem entendida, para não tacharmos Deus de injusto, pensando que já destinou uns para a salvação, e outros para a condenação. Ou que tivesse escolhido um grupo de privilegiados para entregá-los a Jesus, e relegado os demais ao desprezo.

 

Jesus fora enviado para toda a humanidade, sem exclusão de ninguém. Entretanto, assim como a opção pelo pecado depende da liberdade humana, o mesmo se dá com a acolhida da graça. Alguns abriram o coração para a oferta divina, outros, porém, a recusaram, preferindo permanecer nas trevas do pecado. Ninguém está destinado a ser "mundo", mas faz esta escolha por livre vontade. O Pai entrega a Jesus somente aqueles que acolhem livremente a salvação. Quanto ao mundo, sua atitude de fechamento inviabiliza toda e qualquer ação de Jesus em seu favor. O mundo frustra a obra de Deus realizada por Jesus. Quem se torna discípulo, tem a missão de resgatar para o Reino da luz quem vagueia no mundo das trevas. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Eis aqui a oração sacerdotal de Jesus. Por ser uma oração de intercessão de Cristo-mediador e também por conter o oferecimento supremo da sua vida em sacrifício. Corresponde aos sentimentos mais profundos do coração de Cristo, quando chegou a sua hora. É também a síntese mais completa e elevada da cristologia joanina. No centro da estrutura circular do texto está a súplica pela santificação dos discípulos, em ordem ao seu envia ao mundo, preces pela unidade e os temas da reelação e da glória. No capítulo 17 há paralelismo com os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, mão João evita descrever a agonia de Jesus, embora não a ignore. No v. 9, o mundo, aqui no seu aspecto negativo, são as pessoas que recusam Jesus e se fecham a Deus. (Bíblia dos Capuchinhos, Difusora Bíblia)

 

São Félix de Cantalício

 

Filho de humildes camponeses, passou a infância no trabalho árduo do campo. Voltado à mística, à oração, aos 27 anos foi acolhido em um convento de capuchinhos, na qualidade de irmão converso. Enviado a Roma, passou o resto da vida pedindo esmolas para a manutenção de seu convento. A todos os benfeitores, respondia invariavelmente "Deo gratias" (graças a Deus e, por isso, foi apelidado de Frei Deo Gratias. À noite visitava os pobres, os doentes, confortando-os em suas adversidades. Amigo de São Filipe Neri, de São Carlos Borromeu, São Félix foi admirado, e muito, por sua simplicidade de vida.”

 

Não haverá paz entre as nações se não existir paz entre as religiões. (Hans Küng)