Terça-feira, 17 de maio de 2011

Quarta Semana  da Páscoa e 4ª do Saltério (Livro II),  cor Litúrgica Branca

 

Hoje: Dia Mundial das Telecomunicações

 

Santos: Félix (Confessor franciscano da Cantalícia, 1ª Ordem), João I (papa e mártir), Cláudia, Leonardo de Murialdo, Dióscoro, Teódoto, Tecusa e sete bem Aventuradas Virgens, Potamon (Bispo de Heracléia, Mártir), Érico (martirizado na Suécia), Venâncio (mártir), Guilherme de Toulouse (beato).

 

Antífona: Alegremo-nos, exultemos e demos glória a Deus, porque o Senhor todo-poderoso tomou posse do seu reino, aleluia! (Ap 19, 7.6)

 

Oração: Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, celebrando o mistério da ressurreição do Senhor, possamos acolher com alegria a nossa redenção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Atos (At 11, 19-26)     

Os seguidores de Jesus são chamados de “cristãos”

 

Naqueles dias, 19aqueles que se haviam espalhado por causa da perseguição que se seguiu à morte de Estêvão, chegaram à Fenícia, à ilha de Chipre e à cidade de Antioquia, embora não pregassem a palavra a ninguém que não fosse judeu. 20Contudo, alguns deles, habitantes de Chipre e da cidade de Cirene, chegaram a Antioquia e começaram a pregar também aos gregos, anunciando-lhes a boa nova do Senhor Jesus. 21E a mão do Senhor estava com eles. Muitas pessoas acreditaram no evangelho e se converteram ao Senhor.  

 

22A notícia chegou aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém. Então enviaram Barnabé até Antioquia. 23Quando Barnabé chegou e viu a graça que Deus havia concedido, ficou muito alegre e exortou a todos para que permanecessem fiéis ao Senhor, com firmeza de coração. 24É que ele era um homem bom,  cheio do Espírito Santo e de fé. E uma grande multidão aderiu ao Senhor.  

 

25Então Barnabé partiu para Tarso, à procura de Saulo. 26Tendo encontrado Saulo, levou-o a Antioquia. Passaram um ano inteiro trabalhando juntos naquela igreja e instruíram uma numerosa multidão. Em Antioquia os discípulos foram, pela primeira vez, chamados com o nome de cristãos. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

Começaram a pregar também aos gregos 

 

A perseguição que se abate sobre a Igreja de Jerusalém (At 8,1), longe de estancar no nascedouro a experiência cristã, torna-se paradoxalmente (ou providencialmente?) uma das causas de sua difusão e dinamismo missionário. Com efeito, ela obriga a comunidade dos apóstolos a sair dos acanhados limites geográficos e ideológicos do judaísmo. 

 

Em Antioquia, nasce um novo modelo de Igreja. Nova, não só porque inteiramente formada de pagãos convertidos, mas especialmente porque supera um perigo mortal da Igreja de Jerusalém. Esta, fiel às práticas judaicas, corria o risco de esvaziar a novidade da mensagem cristã, tornando-se uma seita judaica. Esta mudança não se efetua com a chancela da oficialidade e o estímulo da hierarquia eclesial, mas como por acaso, por obra de fiéis "da base", que lêem os sinais dos tempos e compreendem, antes dos pastores da Igreja, o impulso do Espírito. De fato, nem sempre é a hierarquia que lê antecipadamente os sinais dos temos; a ela pertence, porém, a tarefa de reconhecer; experimentar; verificar e aprovai; tarefa que não é só fiscalizadora e jurídica, mas sobretudo criadora de caridade e comunhão eclesial, sinal visível de comunhão com Cristo. [Extraído do MISSAL COTIDIANO  ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 86(87), 1-3.4-5.6-7 (R/.Sl 116[117], 1a)

Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes  

 

O Senhor ama a cidade que fundou no monte santo; ama as portas de Sião mais que as casas de Jacó. Dizem coisas gloriosas da cidade do Senhor.  

 

Lembro o Egito e a Babilônia entre os meus veneradores. Na Filistéia ou em Tiro ou no pais da Etiópia, este ou aquele ali nasceu. De Sião, porém, se diz: "Nasceu nela todo homem; Deus é sua segurança".  

 

Deus anota no seu livro, onde inscreve os povos todos: "Foi ali que estes nasceram". E por isso todos juntos a cantar se alegrarão; e, dançando, exclamarão: "Estão em ti as nossas fontes!"  

 

 

Evangelho: João (Jo 10, 22-30)

Eu e o Pai somos Um

 

22Celebrava-se, em Jerusalém, a festa da dedicação do templo. Era inverno. 23Jesus passeava pelo templo, no pórtico de Salomão. 24Os judeus rodeavam-no e disseram: "Até quando nos deixarás em dúvida? Se tu és o messias, dize-nos abertamente". 25Jesus respondeu: "Já vo-lo disse, mas vós não acreditais. As obras que eu faço em nome do meu Pai dão testemunho de mim; 26vós, porém, não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas. 27As  minhas  ovelhas  escutam  a  minha voz, eu as conheço e elas me seguem. 28Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão.  

 

29Meu Pai, que me deu estas ovelhas, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai. 30Eu e o Pai somos um". Palavra da Salvação!

 

 

 

Comentário o Evangelho

Uma incógnita sobre Jesus

 

O modo de proceder de Jesus bem como os seus ensinamentos deixavam desconcertados os seus adversários. Embora realizasse gestos prodigiosos, suficientes para revelar sua plena comunhão com o Pai, e falasse de maneira até então desconhecida, permanecia uma incógnita a seu respeito. Os judeus, que tinham tudo para reconhecê-lo como o Messias, permaneciam na incerteza. Por isso, ficavam à espera de que Jesus lhes “dissesse abertamente” quem ele era.
A postura assumida pelos adversários impedia-os de compreender a verdadeira identidade messiânica de Jesus. Movidos pela suspeita, pela malevolência e pela crítica mordaz, jamais conseguiriam chegar à resposta desejada. Daí a tendência a acusar Jesus de blasfemo e imputar-lhe toda sorte de desvios teológicos e políticos.


Em contraste com os adversários estavam os discípulos. Estes, sim, colocavam-se numa atitude humilde de escuta, atentos às palavras do Mestre, buscando desvendar-lhes seu sentido mais profundo. Dispuseram-se a segui-lo, para serem instruídos não só por suas palavras, mas também por seus gestos concretos de misericórdia, para com os mais necessitados. A comunhão de vida com o Mestre permitia-lhes descobrir sua condição de Messias, o enviado do Pai.
A incógnita sobre Jesus permanece para quem se posiciona diante dele como adversário. Quem se faz discípulo, não tem dificuldade de reconhecê-lo como Messias.
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997]

 

Oração da assembleia (Deus Conosco)

O Senhor ama-nos e está sempre à nossa espera, e, como Deus que é, acolhe-nos em seu amor. Rezemos, pois, com muita confiança. Senhor, bom Pastor, salvai-nos!.

A comunidade cristã fortalece sua fé na prática da caridade! Para que os pobres, os marginalizados, os excluídos e oprimidos tenham apoio dos cristãos, rezemos ao Senhor, nosso Deus.

O cristão, pelo batismo, assume a mesma missão de Jesus! Para que honremos o nome de cristãos e sejamos sal da terra e luz do mundo, rezemos ao Senhor, nosso Deus.

Feliz é quem estende a mão de Cristo, ajudemos principalmente as crianças e jovens abandonados, rezemos ao Senhor, nosso Deus.

(preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Concedei, ó Deus, que sempre nos alegremos por estes mistérios pascais, para que nos renovem constantemente e sejam fonte de eterna alegria. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Era preciso que o Cristo padecesse e ressurgisse dos mortos para entrar na sua glória, aleluia! (Lc 24, 46.26)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ouvi, ó Deus, as nossas preces, para que o intercâmbio de dons entre o céu e a terra, trazendo-nos a redenção, seja um auxílio para a vida presente e nos conquiste a alegria eterna. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: Esta festa recordava a purificação do templo de Jerusalém por Judas Macabeu, depois da derrota dos inimigos de Israel. É preciso escutar o Pastor e nele crer para ter vida eterna. Este é o plano de Deus, e não existe outro caminho de salvação. O Pai e Jesus são um porque sua união é total. (Novo Testamento, Edições de Estudos, Editora Ave-Maria)

 

 

Memória na Oração

 

Dom Genival Saraiva de França, Bispo de Palmares - PE, CNBB

 

Por ocasião de sua Assembleia Geral, a cada ano, a CNBB alimenta em seus momentos orantes a vida e o ministério de seus membros. Faz a oração de ação de graças pela nomeação de novos bispos, a oração de gratidão pelo ministério dos bispos eméritos e a oração em sufrágio dos bispos falecidos, desde a última Assembleia. Considerando a dinâmica da história da Igreja no Brasil, sempre haverá as duas primeiras celebrações, uma vez que, no quadro de 273 Circunscrições Eclesiásticas, há casos de transferência, renúncia e morte; por sua solicitude, a Igreja sempre haverá de colocar à frente das Igrejas Particulares o pastor que esperam, com ansiedade; a terceira celebração – a memória dos bispos falecidos – não está no terreno da certeza, mas no campo da probabilidade. Assim sendo, previsivelmente, essa oração constará dos momentos orantes da Assembleia Geral de cada ano, uma vez que a probabilidade de mortes é muito próxima, num universo de mais de 450 membros.

 

Nesta celebração, fazemos memória de nossos irmãos bispos falecidos, com a oração de fé, esperança e caridade. A morte da maioria aconteceu no contexto natural de envelhecimento e de enfermidade crônica, como no caso de Dom Acácio, de um quadro clínico sem esperança de reversão, como no caso de Dom Reinaldo, e da surpresa de uma enfermidade não diagnosticada em tempo, como no caso de Dom Ricardo. Dessa forma, a CNBB, como instituição, vê a face do fenômeno natural e humano, em seus quadros – início, apogeu e declínio da vida ministerial de seus membros. Ao lembrarmos esses irmãos bispos, colocamo-nos diante da realidade da morte, que não exclui nenhuma criatura, como já ensinava o Eclesiastes: “tanto morre o sábio como o ignorante.” (Ecl 2,16) Em sua sabedoria, afirma, ainda, este autor que há “tempo de nascer e tempo de morrer” (Ecl 3,2) e, ante a leitura que fazia da transitoriedade e vaidade de tudo, entende que “Mais vale (…) o dia da morte, mais que o dia do nascimento.” (Ecl 7,1) Jesus compara a chegada da morte à visita de um ladrão às nossas casas, num momento inesperado: “Ficai certos: se o dono de casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, vigiaria e não deixaria que sua casa fosse arrombada. Por isso, também vós, ficai preparados! Pois na hora em que menos pensais, virá o Filho do Homem.” (Mt 24,43-44) Um provérbio muito antigo confirma essa verdade ensinada pela Sagrada Escritura e assimilada pelo povo: “A hora é incerta, mas a morte é certa.”

 

Sabemos que a morte é um acontecimento natural, porém nunca deixamos de considerá-la um mistério, diante do qual todos se curvam. Num de seus poemas, o literato e poeta pernambucano, Pe. Daniel Lima, já falecido, compara o voo do pássaro ao voo da morte, porém vê a grande diferença: “Até o fim, o pássaro aceitará o desafio e tentará o grande voo num obstinado e louco desígnio de voar sempre e eternamente pássaro. Mas a asa partida deterá para sempre o voo do pássaro. A morte é mais veloz do que sua asa e chega sempre à frente de seu voo.” E acrescenta: “Quando caminhas, vais, sem querer, na sua direção. Inutilmente tentarás fugir ao seu irresistível chamado. Aonde fores, verás que Ela te espera como se dela fosses, todo e sempre, desde o primeiro dia. Em vão, portanto, a Ela te esquivarias, Ela te ama com a mesma ardente paixão com que amas a vida.” A respeito desse amor à vida terrestre que, em certo sentido, conflita com a expectativa da vida eterna, escreve o Papa Bento XVI, na Encíclica “Spe salvi” (Salvos na esperança): “A palavra ‘vida eterna’ procura dar um nome a esta desconhecida realidade conhecida. Necessariamente é uma expressão insuficiente, que cria confusão. Com efeito, ‘eterno’ suscita em nós a ideia do interminável, e isto nos amedronta; ‘vida’, faz-nos pensar na existência por nós conhecida, que amamos e não queremos perder, mas que, frequentemente, nos reserva mais canseiras que satisfações, de tal maneira que se por um lado a desejamos, por outro não a queremos. A única possibilidade que temos é procurar sair, com o pensamento, da temporalidade de que somos prisioneiros e, de alguma forma, conjecturar que a eternidade não seja uma sucessão contínua de dias do calendário, mas algo parecido com o instante repleto de satisfação, onde a totalidade nos abraça e nós abraçamos a totalidade.”

 

Somente em atitude de oração podemos nos situar diante do mistério da morte porque o fazemos com o olhar da Revelação. Por isso, esse mistério será lido, diferentemente, pelos cristãos porque têm esperança, como ensinou São Paulo aos tessalonicenses: “Irmãos, não queremos deixar-vos na ignorância a respeito dos mortos, para que não fiqueis tristes como os outros, que não têm esperança. Com efeito, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos igualmente que Deus, por meio de Jesus, com ele conduzirá os que adormeceram. Eis o que temos a vos dizer, de acordo com a palavra do Senhor: nós, os vivos, os que ficarmos em vida até a vinda do Senhor, não passaremos à frente dos que tiverem morrido. Pois o Senhor mesmo, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, descerá do céu. E então ressuscitarão, em primeiro lugar, os que morreram em Cristo; depois, nós, os vivos, que ainda estivermos em vida, seremos arrebatados, junto com eles, sobre as nuvens, ao encontro do Senhor, nos ares. E, assim, estaremos sempre com o Senhor. Reconfortai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras.” (1Ts 4,13-18)

 

Apesar do conhecimento desse ensinamento paulino, a certeza da morte provoca arrepios até em pessoas de espiritualidade sólida, gera estremecimentos mesmo em pessoas com muita maturidade na fé e encontra resistências também em pessoas de grande saber teológico, quando se dão conta da gravidade do seu estado de saúde. Conhecendo esse estado de espírito, em muitas pessoas, a Igreja pede ao Senhor da vida: “Ajudai os agonizantes a esperarem confiantemente o seu encontro com Cristo, para que se alegrem eternamente na visão da vossa face.”

 

Ao celebrar na oração de fé, esperança e caridade a memória de seus bispos falecidos, a CNBB oferece ao Senhor os frutos do seu generoso pastoreio, colhidos abundantemente em suas respectivas Dioceses, cujo reconhecimento é manifestado pelos fiéis de uma maneira muito tocante; o povo sente muito a morte do bispo de sua Diocese; disso somos testemunhas, nós que estamos hoje ao redor deste Altar, como o foram outros, em anos anteriores. Se o povo sofre com a morte de seu bispo é porque os laços de afinidade com ele e os vínculos de pertença à Igreja diocesana se revelaram muito fortes, durante o exercício de seu ministério servidor. Ao tê-los em sua oração, a CNBB agradece o seu dedicado serviço nas diversas frentes de atividade evangelizadora, no âmbito da própria Conferência, com sua participação nas Assembleias Gerais e em diversos Organismos, e em seus respectivos Regionais, como reconhecem os bispos do seu Conselho Episcopal Regional.

 

Ilumina-nos a Palavra de Deus, proclamada nesta Celebração Eucarística e, assim compreendemos o sentido da vida e a natureza da missão desses nossos irmãos bispos. Como os “Atos dos Apóstolos”, os Atos de Filipe, pregando a Palavra na Samaria, “anunciando o Cristo”, os atos desses bispos tornaram presente a ação missionária da Igreja, em suas respectivas Dioceses. Mesmo encontrando obstáculos no seu anúncio profético, como os Apóstolos, todos responderam, com fidelidade, aos apelos da missão. Também a respeito do fruto de seu ministério, podemos afirmar o que escreve Lucas nos Atos dos Apóstolos: “Era grande a alegria naquela cidade.” (At 8,8) De muitas maneiras, pessoas, grupos e comunidades expressaram muita alegria pela presença e pelo trabalho desses irmãos, ao longo de seu pastoreio. Cada um exerceu o munus de ensinar, santificar e pastorear, durante o tempo de seu ministério, “levando a palavra da Boa Nova” (At 8,4) à “porção do povo de Deus”, que lhe foi confiada, que tem rosto próprio social e pastoralmente. Nessa memória, fortalece-nos a palavra de Jesus no Evangelho: “Todo aquele que o Pai me dá, virá a mim, e quem vem a mim eu não lançarei fora, porque eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas o ressuscite no último dia. Esta é a vontade do meu Pai: quem vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia.” (Jo 6,37-40) Esses nossos irmãos bispos viram Jesus com os olhos da fé, em sua vida e ministério terrestres. Esperamos que, na vida eterna, estejam contemplando Jesus, “tal como ele é.” (1Jo 3,2) Enche-nos de esperança a palavra de Jesus, ao dizer a cada um: “eu o ressuscitarei no último dia.” (Jo, 6,44)

 

A virtude da esperança dá sentido à vida dos cristãos, em sua caminhada na terra, mas, sobretudo, lhes dá a necessária firmeza para superar as dificuldades que se apresentam no seu dia a dia, na busca da salvação que será experimentada, plenamente, na vida eterna. Por experiência, sabem todos que a vida no tempo não responde aos anseios mais profundos do seu ser. Disso tinha plena consciência Santo Agostinho, ao dizer em suas Confissões: “Fizeste-nos para ti e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em ti.”

 

Com certeza, Maria, na sua solicitude intercessora, apresentou cada um desses irmãos bispos a Jesus que o acolheu, dizendo: “Vem participar da alegria do teu Senhor.” (Mt 25,23) Todos dele ouviram essa palavra tranquilizadora: “Vinde benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo!” (Mt 25,34) Caros irmãos bispos, ao celebrarmos a memória dos bispos falecidos entre a última Assembleia Geral, realizada em Brasilia, e esta, a primeira nesta cidade de Aparecida e nesta Basílica de Nossa Senhora Aparecida, vamos recordar o que ensina São Paulo a Timóteo: “Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado quando fizeste a tua bela profissão de fé diante de muitas testemunhas.” (1Tm 6,12) Como é bom, irmãos e irmãs, diante da certeza da morte, contarmos com a segurança do ensinamento de São Paulo. Além dos santos e santas do céu, que vivem uma eternidade feliz, sabemos que também está reservado a todos os homens e mulheres o prêmio da fidelidade e da perseverança: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. Desde agora, está reservado para mim a coroa da justiça que o Senhor, o juiz justo, me dará naquele dia, não somente a mim, mas a todos os que tiverem esperado com amor a sua manifestação.” (2Tm 4,8)

 

A morte sempre deixa cicatrizes na vida das pessoas, em maior ou menor intensidade, conforme o caso. Marcam muito a vida do povo as mortes provocadas por catástrofes naturais, como a que trouxemos para nossa oração na Celebração Eucarística do dia 5 de Maio. Mais dolorosas para as famílias são as mortes de crianças, adolescentes e jovens, antecipadas pela violência social, como ocorreu, em abril, no Bairro do Realengo, no Rio de Janeiro. Na oração, queremos nos unir, solidariamente, a todas as pessoas e famílias que ainda carregam o peso desse sofrimento em sua vida.

 

Como faz hoje a CNBB, ao rezar por seus bispos que cumpriram sua missão na terra, cada um, ao lembrar seus familiares e amigos falecidos, pode dizer, como o citado sacerdote pernambucano, “Levo-os sempre comigo, os mortos que conheci.” Por estar participando da Assembleia da CNBB, permito-me recordar os bispos a que estou ligado, sacramentalmente, por isso, “Levo-os sempre comigo”: Todos, mais do que “mortos que conheci”, são bispos que continuam “sempre comigo” pela graça do Sacramento da Ordem: Dom Edmundo Kunz que me ordenou diácono, em Viamão, em 1964, Dom Manuel Pereira que me ordenou sacerdote, em Campina Grande, em 1965, Dom Luis Fernandes, Dom Ivo Lorscheiter e Dom Acácio Rodrigues Alves que me ordenaram bispo, em Campina Grande, no ano 2000.

 

A melhor forma de fazermos a memória de nossos mortos é tê-los em nossa oração de fé, esperança e caridade, que sempre lhes é útil, como nos ensina a Sagrada Escritura. Como rezamos na oração desta Missa, continuemos pedindo ao Pai: “participem eternamente da ressurreição do vosso Filho aqueles a quem destes a graça da fé.” Essa oração nos conforta, fala mais que a tristeza da separação terrestre e alivia a dor da saudade insistente. Amém.

 

São Pascoal Bailão

 

 

 

Como irmão leigo, foi porteiro, cozinheiro, responsável pelos bens da comunidade e pela distribuição de esmolas. Nascido no Reino de Aragão, era irmão leigo franciscano e se destacou pela humildade, pela obediência e sobretudo pela devoção ao Santíssimo Sacramento, diante do qual permanecia longas horas em adoração. Foi enviado à França para tratar dos interesses da Ordem, na Espanha. Fez a viagem descalço e com o hábito franciscano e sob a ameaça dos calvinistas. Embora iletrado, é considerado um dos primeiros teólogos da Eucaristia. Isto não somente em virtude das disputas com os calvinistas, mas também pelos tratados que escreveu sobre o assunto. A sua espiritualidade tinha um cunho essencialmente eucarístico. Leão XIII proclamou-o patrono dos congressos eucarísticos internacionais.

 

Para o homem de coração puro, tudo se transforma em mensagem divina. (S.João da Cruz)