Terça-feira, 17 de março de 2009
Terceira Semana da Quaresma, Ano Ímpar, 3ª Semana do Saltério, cor Litúrgica Roxa
Eu vos chamo, meu Deus, porque me atendeis; inclinai vosso ouvido e escutai-me.
Guardai-me como a pupila dos olhos, à sombra das vossas asas abrigai-me (Sl 16, 6.8)
Santos do Dia: Patrício (arcebispo), José de Arimatéia, Martires do Templo de Serápis, Agrícola (bispo), Gertrudes de Nivelles (virgem), Paulo de Chipre, João Sarcandro (beato, mártir), Paulo de Constantinopla, Paula Malatesta (Serva de Deus, franciscana da 2ª ordem)
Oração: Ó Deus, que a vossa graça não nos abandone,mas nos faça dedicados ao vosso serviço e aumente sempre em nós os vossos dons. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.
I Leitura: Daniel (Dn 3, 25.34-43)
O povo de Israel se lembra da fidelidade de Deus
Naqueles dias, 25Azarias parou e, de pé, começou a rezar; abrindo a boca no meio do fogo, disse: 34"Oh! não nos desampares nunca, nós te pedimos, por teu nome, não desfaças tua aliança 35nem retires de nós tua benevolência, por Abraão, teu amigo, por lsaac, teu servo, e por Israel, teu santo, 36aos quais prometeste multiplicar a descendência como estrelas do céu e como areia que está na beira do mar; 37Senhor, estamos hoje reduzidos ao menor de todos os povos, somos hoje o mais humilde em toda a terra, por causa de nossos pecados; 38neste tempo estamos sem chefes, sem profetas, sem guia, não há holocausto nem sacrifício, não há oblação nem incenso, não há um lugar para oferecermos em tua presença as primícias, e encontrarmos benevolência; 39mas, de alma contrita e em espírito de humildade, sejamos acolhidos, e como nos holocaustos de carneiros e touros 40e como nos sacrifícios de milhares de cordeiros gordos, assim se efetue hoje nosso sacrifício em tua presença, e tu faças que nós te sigamos até ao fim; não se sentirá frustrado quem põe em ti sua confiança.
41De agora em diante, queremos, de todo o coração, seguir-lhe, temer-te, buscar tua face; 42não nos deixes confundidos, mas trata-nos segundo a tua clemência e segundo a tua imensa misericórdia; 43liberta-nos com o poder de tuas maravilhas e torna teu nome glorificado, Senhor". Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
De alma contrita e em espírito de humildade, sejamos acolhidos
Deus educou progressivamente seu povo para passar dos sacrifícios cruentos e materiais ao sacrifício de oblação espiritual que envolve o oferente. Depois da reação dos profetas, mesmo estéril, o tempo do exílio favorece uma expressão mais marcada dos sentimentos de humildade e de pobreza e a consciência de que o sentimento pessoal constitui o essencial do sacrifício. O sacrifício do Sérvio sofredor torna-se o tipo do sacrifício futuro; a oração do perseguido vale tanto quanto os sacrifícios de cabritos e cordeiros. Cristo insere-se nesta visão. Sua obediência, sua pobreza e total disponibilidade constituem a matéria de seu sacrifício. Por sua vez o sacrifício cristão se insere no sacrifício de Cristo: uma vida de obediência e de amor que adquire seu valor litúrgico por sua associação a Cristo. Um culto que não fosse a expressão de semelhantes “sacrifício espiritual” perderia radicalmente seu sentido
Salmo: 24(25), 4bc-5ab.6-7bc.8-9 (R/.6a)
Recordai, Senhor, a vossa compaixão!
4bMostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, 4ce fazei-me conhecer a vossa estrada! 5aVossa verdade me oriente e me conduza, 5bporque sois o Deus da minha salvação.
6Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e vossa compaixão que são eternas! 7bDe mim lembrai-vos, porque sois misericórdia 7ce sois bondade sem limites, ó Senhor!
8O Senhor é piedade e retidão, e reconduz ao bom caminho os pecadores. 9Ele dirige os humildes na justiça, e aos pobres ele ensina o seu caminho.
Evangelho: Mateus (Mt 18, 21-35)
O perdão deve brotar do fundo do coração
Naquele tempo, 21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: "Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?" 22Jesus respondeu: "Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.”
23Porque o reino dos céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24Quando começou o acerto, trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. 25Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a divida. 26O empregado, porém, caiu aos pés do patrão, e, prostrado, suplicava: 'Dá-me um prazo! E eu te pagarei tudo'. 27Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. 28Ao sair dali, aquele empregado encontrou um dos seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: 'Paga o que me deves'. 29O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: 'Dá-me um prazo! E eu te pagarei'. 30Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia.
31Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: 'Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?' 34O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão". Palavra da Salvação!
Comentário do Evangelho[2]
Dar e receber perdão
Só é capaz de perdoar o próximo quem, de fato, faz a experiência de sentir-se perdoado por Deus. Pelo contrário, quem se mostra inflexível e incapaz de perdoar, dá mostras de não reconhecer o quanto foi perdoado por Deus. A insensibilidade em relação ao dom recebido de Deus torna impossível a concessão de perdão ao próximo. A simples consciência da imensidade do perdão recebido de Deus deveria ser suficiente para motivar as pessoas a perdoar.
A parábola do servo cruel está centrada neste tema. Quando se tratou de ser perdoado pelo rei que lhe havia emprestado uma quantia enorme de dinheiro, e não tinha com que pagar, o servo suplicou-lhe clemência e tempo. Comovido, o rei deixou-o partir, perdoando-lhe toda a dívida. Logo em seguida, porém, ao encontrar um companheiro que lhe devia uma quantia irrisória, foi incapaz de sensibilizar-se quando este lhe pediu tempo e clemência para quitar seu débito. E mandou aprisioná-lo.
O rei ficou indignado. Parecia-lhe evidente que, assim como o servo havia sido objeto de compaixão, tendo recebido o perdão de sua dívida, o mesmo deveria ter feito com seu companheiro. Por conseguinte, a falta de compaixão para com o próximo impede que se faça a experiência da compaixão de Deus. Deus perdoa a quem está disposto a perdoar.
São Patrício [3]
Aos 16 anos de idade foi preso por piratas irlandeses e vendido como escravo na Ilha. Após seis anos, conseguindo escapar, foi recebido pelo seu parente monge, no Mosteiro de Marmontier, centro de difusão da vida monástica na França. Mais tarde partiu para Lerins e acolhido por Germano de Auxerre, partiu com ele para uma missão apostólica na Inglaterra. Sentia vocação para evangelizar os irlandeses. Consagrado Bispo, partiu para a Ilha no ano 432, com a idade aproximada de cinqüenta anos. Sem apoio político, conseguiu a conversão da Irlanda, a primeira terra não romanizada, não incorporada ao cristianismo. A partir de 423, tudo mudou, pela pregação de são Patrício, num prazo tão breve que na sua morte, trinta anos após, sua missão estava praticamente concluída. Ali fundou vários mosteiros, alicerce da evangelização, o qual a Inglaterra e depois os germanos do Norte aderiram construir em seus países: os filhos e filhas dos reis tinham se convertido em monges e virgens consagradas a Cristo e inumeráveis foram os que os seguiram. Essa Ilha se converteu em lugar da difusão missionária de toda Europa setentrional.
Hosana: “salve, nós pedimos”. Foi proclamada pelas multidões que foram ao encontro de Jesus em sua entrada solene em Jerusalém. Era provavelmente usada para indicar o reconhecimento de sua real dignidade messiânica. (Dicionário Bíblico, Paulus, 1983)
O maior defeito de uma pessoa é supor-se sem defeitos. (Frei Neylor J. Tonin)