Terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Sexta Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor Verde

 

Sede o rochedo que me abriga, a casa bem defendida que me salva. Sois minha fortaleza e

minha rocha, para honra do vosso nome, vós me conduzis e alimentais. (Sl 30, 3-4)

 

Santos do Dia: Bento de Cagliari (monge, bispo), Constábile de Cava (abade), Donato, Secundiano, Rômulo e Companheiros (mártires de Porto Gruaro, perto de Veneza), Evermodo de Ratzeburg (monge, bispo), Faustino e Companheiros (prováveis mártires de Roma), Finan de Iona (bispo), Fintano de Clonenagh (abade), Habet-Deus de Luna (bispo, mártir), Lomano de Trim (bispo), Policrônio (bispo, mártir da Babilônia) , Silvino de Auchy (monge, bispo), Teódulo e Juliano de Cesaréia (mártires), Francisco Régis Clet (mártir da China, bem-aventurado), Frowin de Bellevaux (abade, bem-aventurado), Lucas Belludi (franciscano, bem-aventurado), William Richardson (mártir, bem-aventurado)

 

Oração: Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Gênesis (Gn 6, 5-8; 7, 1-5.10)

O Senhor viu que havia crescido a maldade do homem

 

5O Senhor viu que havia crescido a maldade do homem na terra, e como os projetos do seu coração tendiam sempre para o mal. 6Então o Senhor arrependeu-­se de ter feito o homem na terra e ficou com o coração muito magoado, 7e disse: 'Vou exterminar da face da terra o homem que criei; e com ele, os animais, os répteis e até as aves do céu, pois estou arrependido de os ter feito!" 8Mas Noé encontrou graça aos olhos do Senhor.

 

7,1O Senhor disse a Noé: "Entra na arca com toda a tua família, pois tu és o único homem justo que vejo no meio desta geração. 2De todos os animais puros toma sete casais, machos e fêmeas, e dos animais impuros, um casal, macho e fêmea. 3Também das aves do céu tomarás sete casais, machos e fêmeas, para que suas espécies se conservem vivas sobre a face da terra. 4Pois, dentro de sete dias, farei chover sobre a terra, quarenta dias e quarenta noites, e exterminarei da superfície da terra todos os seres vivos que fiz". 5Noé fez tudo o que o Senhor lhe havia ordenado. 10E, passados os sete dias, caíram sobre a terra as águas do dilúvio. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Vou exterminar da face da Terra o homem que criei

 

Desvinculado de Deus e desligado do outro num clima de violência, ameaça e insegurança, o homem se sente perdido, sem proteção. Desesperado, procura a salvação no ambiente do rito e da magia, até confundir completamente o divino com o humano (Gn 6,1-4) e corromper o sentido da vida (Gn 6,5). É a atitude que acabará por ameaçar a própria sobrevivência da humanidade, e que provoca o dilúvio (Gn 6,7). O homem, com uma atitude livre, pode pôr em perigo a ordem e sobrevivência de sua raça.

 

Esta é a visão que a Bíblia nos oferece sobre a invasão do mal no mundo. Este mal entra por meio de uma semente muito pequena, mas dilata-se e cresce até chegar à imensidade dos males que a todos podem atingir; e que são outros tantos apelos de Deus à consciência de cada um de nós: não podemos assumir diante deles uma atitude de passiva resignação, mas somos chamados a agir contra eles ativamente.

 

 

Salmo: 28(29), 1a e 2. 3ac-4 e 9b-10 (R/. 11b)
Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!

 

Filhos de Deus, tributai ao Senhor, tributai-lhe a glória e o poder! Dai-lhe a glória devida ao seu nome; adorai­-o com santo ornamento!

 

Eis a voz do Senhor sobre as águas, sua voz sobre as águas imensas! Eis a voz do Senhor com poder! Eis a voz do Senhor majestosa.

 

Sua voz no trovão reboando! No seu templo os fiéis bradam: "Glória!" É o Senhor que domina os dilúvios, o Senhor reinará para sempre!

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 8, 14-21)

Tomai cuidado com o fermento dos fariseus

 

Naquele tempo, 14os discípulos tinham se esquecido de levar pães. Tinham consigo na barca apenas um pão. 15Então Jesus os advertiu: "Prestai atenção e tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes". 16Os discípulos diziam entre si: "É porque não temos pão".

 

17Mas Jesus percebeu e perguntou-­lhes: "Por que discutis sobre a falta de pão? Ainda não entendeis e nem compreendeis? Vós tendes o coração endurecido? 18Tendo olhos, vós não vedes, e tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais 19de quando reparti cinco pães para cinco mil pessoas? Quantos cestos vós recolhestes cheios de pedaços?" Eles responderam: "Doze". 20Jesus perguntou: "E quando reparti sete pães com quatro mil pessoas, quantos cestos vós recolhestes cheios de pedaços?" Eles responderam: "Sete". 21Jesus disse: "E vós ainda não compreendeis?"  Palavra da Salvação!

 

 

Comentário do Evangelho[2]

Cuidado com a hipocrisia

 

Jesus procurava precaver seus discípulos contra certas posturas farisaicas, indignas de um discípulo do Reino. Algumas correntes do farisaísmo haviam tomado rumos que Jesus desaprovava. Eles eram vitimas do vedetismo, fazendo suas ações para terem o reconhecimento popular. Padeciam também da hipocrisia, pois seu exterior não correspondia ao seu interior. Por isso, eram falsos quando davam demonstração de piedade. Tinham um apego exagerado às Escrituras, que eram interpretadas a seu bel-prazer, mesmo falseando-lhes o sentido. Nutriam profundo desprezo por quem não era "perfeito" como eles, e acabavam formando um grupo hermético de pretensos puros e santos. Os discípulos de Jesus também corriam o risco de serem contaminados por este mau espírito, o fermento dos fariseus. Era preciso estar atento.

 

Outra mentalidade contra a qual era preciso precaver-se foi designada como o fermento de Herodes. Esse rei era conhecido por sua megalomania, crueldade, impiedade, tirania e arrogância. Todas estas são atitudes indignas dos discípulos do Reino, embora estes possam ser tentados a se deixar arrastar por elas.

 

A conduta do discípulo deve estar permeada pelo fermento de Jesus. É olhando para o Mestre que os discípulos saberão como ser fiéis à própria fé.

 

 

 

Sete Santos Fundadores dos Servitas[3]

 

Os Séculos XII e XIII assistiram, na Europa, a uma espécie de perda dos valores cristãos por parte da população católica e de setores religiosos. Isto motivou muitos leigos a se rebelarem. Homens comuns começaram a fundar confrarias de penitência, movimentos que buscavam vivenciar radicalmente o Evangelho, em contrapartida à ganância, ao luxo, aos prazeres fúteis e ao gosto pelo poder que imperavam. Algumas ordens são bem conhecidas: "dos Humilhados", "dos Pobres Normandos", "dos Valdenses", entre outras. Mas, uma delas, a "Ordem dos Servidores de Nossa Senhora", ou Servitas, que nasceu a 15 de agosto de 1233, em Florença, na Itália, estendeu seus conceitos a vários cantos do mundo. Tudo começou com um movimento religioso encabeçado por sete jovens, todos eles nobres e ricos, vindos de famílias aristocráticas e tradicionais daquela cidade. Abandonaram as roupas vistosas, jóias, dinheiro, até os cavalos, para se dedicarem às orações e à assistência aos pobres e doentes, afim de "vivenciar o compromisso cristão da pobreza, humildade e caridade". Eram eles: Bonfílio Monaldi, Bonaiuto Manetti, Manetti del'Antella, Amadio Amidei, Ugoccio Ugoccioni, Sostenio de Sosteni e Aleixo Falconieri. Conta a tradição que, numa de suas reuniões para orações, onde também liam poemas religiosos dedicados à virgem Maria, a imagem da santa, na frente da qual oravam, se mexeu. Segundo contaram depois, a Senhora mostrou-se de luto pela verdadeira guerra civil que tomava Florença. Brigavam pelo poder duas famílias poderosíssimas, os Guelfi e os Ghibelini. A partir desta experiência mística, os jovens se retiraram para a solidão do monte Senário, para organizar e colocar em prática um trabalho pela paz da cidade. A ordem recebeu apoio tanto das autoridades religiosas quanto sociais. Mais tarde, a capelinha inicial usada pelos sete fundadores foi transformada numa grande igreja dedicada a Nossa Senhora e, até hoje, é um dos mais visitados templos marianos de Florença. Com exceção de Aleixo, todos os outros fundadores foram ordenados padres. A atuação da Ordem dos Servitas, ou Servos de Maria, produziu frutos em muitos países, inclusive no Brasil, principalmente em São Paulo, Santa Catarina e Acre onde foram construídos vários conventos. Ainda há uma missão dela em Rio Branco, no Acre. Os "Sete Fundadores" foram canonizados pelo Papa Leão XIII, em 1888.

 

O desejo da eternidade nasce da vontade de Deus. (Paulo de Araújo)

 

 

 



MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997

[2] O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997

[3] www.asj.org.br