Terça-feira, 16 de setembro de 2008

Stos. Cornélio e Cipriano (Papa e Bispo Mártires), Memória, 4ª do Saltério (Livro III), cor Vermelha

 

 

Alegram-se nos céus os santos que a terra seguiram a Cristo. Por seu amor derramaram o próprio sangue; exultarão com ele eternamente.

 

Hoje: Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio

 

Santos: Cornélio,(bispo de Roma), Cipriano (bispo de Cartago), Eufêmia (virgem martirizada em 303 na Calcedônia), Rogério e Abdala (decapitados pelos mulçumanos em 852), Edith, Victor III (1087), Tomás de Foligno (confessor franciscano, ofs)

 

Oração: Ó Deus, que em São Cornélio e São Cipriano destes ao vosso povo pastores dedicados e mártires invencíveis, fortificai, por suas preces, nossa fé e coragem, para que possamos trabalhar incansavelmente pela unidade da Igreja. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Leitura: 1ª Carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 12, 12-14.27-31a)
Aspirai aos dons mais elevados

 

Irmãos, 12como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. 13De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito. 14Com efeito, o corpo não é feito de um membro apenas, mas de muitos membros.


27Vós, todos juntos, sois o corpo de Cristo e, individualmente, sois membros desse corpo. 28E, na Igreja, Deus pôs, em primeiro lugar, os apóstolos; em segundo lugar, os profetas; em terceiro lugar, os que têm o dom e a missão de ensinar; depois, outras pessoas com dons diversos, a saber: dom de milagres, dom de curas, dom para obras de misericórdia, dom de governo e direção, dom de línguas. 29Acaso todos são apóstolos? Todos são profetas? Todos ensinam? Todos realizam milagres? 30Todos têm o dom das curas? Todos falam em línguas? Todos as interpretam? 31aAspirai aos dons mais elevados
. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando 1Cor 11, 17-26.33[1]

Vós, todos juntos, sois o corpo de Cristo

 

Paulo compara os fiéis a um corpo imerso no Espírito e percorrido pelo seu sopro. Isso implica unidade, ou melhor, unidade na diversidade de culturas, sensibilidades, ambientes, nacionalidades. Implica também comunhão visível, porque cada fiel é movido pelo mesmo Espírito. Esta comunhão é comunhão do povo de Deus a caminho, no qual cada um participa na criação comum. Cada um tem seus dons, mas para reparti-los com os demais, Cumpre, então, superar o muro das divisões e da linguagem. Suscitar novas vias de comunicação. Também porque as palavras levam a marca de uma cultura e nunca têm o mesmo sentido. Em particular, a comunhão nos leva a conciliar duas necessidades: o acolhimento a todos, inclusive aos que nos parecem menos motivados; a exigência a todos, inclusive aos que nos parecem menos motivados; a exigência de aproximar os mais empenhados nos caminhos do Senhor e no esforço social. Só vivendo o amor de Cristo ressuscitado, poderemos viver em comunhão.

 

 

Salmo: 99 (100), 2.3.4.5 (+3c) 
Nós somos o seu povo e seu rebanho

 

Aclamai o Senhor, ó terra inteira, servi ao Senhor com alegria, ide a ele cantando jubilosos!


Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, Ele mesmo nos fez, e somos seus, nós somos seu povo e seu rebanho.


Entrai por suas portas dando graças, e em seus átrios com hinos de louvor; dai-lhe graças, seu nome bendizei!


Sim, é bom o Senhor e nosso Deus, sua bondade perdura para sempre, seu amor é fiel eternamente!

 

 

Evangelho: Mateus (Lc 7, 11-17)
Um grande profeta apareceu entre nós

 

Naquele tempo, 11Jesus dirigiu-se a uma cidade chamada Naim. Com ele iam seus discípulos e uma grande multidão. 12Quando chegou à porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único; e sua mãe era viúva. Grande multidão da cidade a acompanhava. 13Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão para com ela e lhe disse: “Não chores!”


14Aproximou-se, tocou o caixão, e os que o carregavam pararam. Então, Jesus disse: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” 15O que estava morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. 16Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: “Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo”.

 

17E a notícia do fato espalhou-se pela Judéia inteira, e por toda a redondeza. Palavra da Salvação!

 

 

Comentando Mateus (Lc 7, 1-10)[2]

O grande profeta


A ressurreição do filho da viúva de Naim revelou a identidade profética de Jesus. Tomados de espanto diante do milagre, os presentes glorificavam a Deus, dizendo: "Um grande profeta surgiu entre nós, e Deus visitou seu povo".


Na tradição religiosa popular, esperava-se a volta do profeta Elias, no final dos tempos. Este fora o grande profeta do passado que combateu, exemplarmente, pela pureza da fé. Entre seus feitos gloriosos está a ressurreição do filho único de uma viúva da cidade de Sarepta. No final de sua vida, o profeta foi elevado aos céus. Por este motivo, acreditava-se que haveria de voltar, quando a História chegasse ao fim.


O milagre de Jesus levou o povo a fazer a ligação entre ele e o profeta Elias. Portanto, o fim estava chegando, e Deus ia manifestando sua misericórdia para com a humanidade.


Contudo, o povo era ainda incapaz de perceber a diferença entre Jesus e Elias. Aquele era o Filho, enviado pelo Pai, com a missão de fazer a misericórdia divina beneficiar toda a humanidade. Não antecipava a vinda de alguém maior. Sua pessoa era a maneira mais plena pela qual o Pai podia manifestar o seu amor e visitar o seu povo. A ressurreição do menino foi o sinal de como a morte e a tristeza estavam sendo superadas por meio da ação do Messias Jesus.

 

Santos Cornélio e Cipriano[3]

 

A liturgia une estes dois santos contemporâneos que morreram mártires no mesmo dia, mas com diferença de cinco anos. Cornélio foi papa nos anos 251-253. Durante seu pontificado surgiu um debate a propósito da conduta a seguir em relação àqueles que haviam negado a fé durante a perseguição. Os partidários de Novaciano acusaram-no de ser muito indulgente para com os que haviam renegado a fé ("lapsos") e separaram-se da Igreja.

 

Por causa dos êxitos obtidos com sua pregação, foi processado e exilado para o lugar hoje chamado Cività-Vecchia, onde morreu. Foi sepultado no cemitério de São Calisto. São Cipriano dirigiu-lhe várias cartas confortando-o.

 

 

São Cipriano

 

Mais numerosas são as notícias deste santo que emerge como uma das figuras mais empolgantes do século III. Pertencia a uma das mais nobres e ricas famílias de Cartago, capital romana na África do Norte. Quando ainda pagão, destacou-se como excelente advogado e mestre de retórica.

 

Sua conversão ao Cristianismo deu-se entre 35 a 40 anos de idade, comovido por observar a constância e serenidade dos mártires nas perseguições. A conversão modificou-o radicalmente. Decidiu praticar, sobretudo, as virtudes da caridade e da castidade. Fez voto de castidade e repartiu quase todos os bens entre os pobres.

 

O impacto social de sua conversão e de sua atitude foi enorme, dada sua fama anterior. Renunciou também a toda sua ciência profana, pois em seus escritos não cita nenhum dos autores pagãos que haviam alimentado seu pensamento até então.

 

Pouco tempo depois, foi ordenado sacerdote por sufrágio do clero e do povo e, ao morrer o bispo de Cartago, foi forçado a suceder-lhe no cargo.

 

Os anos de seu episcopado: 249-258, foram dos mais difíceis para a Igreja africana. Duas perseguições contra os cristãos, a de Décio e Valeriano, marcaram seu começo e seu fim e uma terrível peste grassou pelo norte da África, semeando mortes. Problemas doutrinários, por outro lado, agitavam a Igreja daquela região.

 

Quando em 249 o imperador Décio decretou a perseguição contra a Igreja, muitos católicos selaram a fé com o próprio sangue, outros, porém, fraquejaram. Não tardou que a perseguição chegasse a Cartago. Os pagãos reuniram-se no grande foro e, em altos e apaixonados gritos, exigiam a morte do bispo cristão, Cipriano. Este, em fervorosas orações, procurava conhecer a vontade de Deus. Para poupar o rebanho, embora dessa preferência ao martírio, achou mais acertado seguir o conselho do Evangelho: "Se vos perseguirem numa cidade, procurai outra". Do esconderijo pôde prestar grandes serviços à sua Igreja, exortando, consolando e animando os próprios fiéis.

 

Duas grandes questões disciplinares agitavam a Igreja naquele tempo e que ocasionaram escritos polêmicos: a primeira era a conduta a ser seguida em relação aos que nas ameaças e torturas da perseguição tinham fraquejado, apostatando. Eram chamados os "lapsos". Em Roma, havia surgido uma corrente rigorosa chefiada por Novaciano, que recusava terminantemente a reconciliação dos apóstatas; na África um certo Felicíssimo seguia uma praxe diametralmente oposta. O Papa Cornélio era propenso à demência, depois de salutar penitência. Cipriano teve que reagir contra Felicíssimo, inclinando-se por certo rigorismo, mais tarde mitigado por exigências pastorais.

 

A segunda controvérsia era relativa ao valor do batismo administrado por hereges. O papa, seguindo a tradição, reconhecia válido o batismo dos hereges, contanto que tivessem sido observadas as condições de matéria e forma.

 

Cipriano. que por formação tinha tido poucos contatos com a tradição, seguia uma lógica muito humana: "Não pode dar a fé, quem não a tem". A questão ficou sem solução, devido às dificílimas complicações da perseguição, em vigor.

 

Com a morte de Cipriano, a tradição de Roma tomou pé também na África e assim continuou sempre através dos séculos. No ano 258, a perseguição contra a Igreja recrudesceu: Cipriano foi denunciado, preso e processado. Existem as atas do seu processo e martírio escritas por testemunhas presentes à morte e que são de uma franqueza comovedora. O procônsul o interrogou: "Tu és Tácio Cipriano?" O bispo respondeu: "Sim, sou". "Tu viveste por muito tempo nesta sacrílega idéia e reuniste muitos homens na ímpia conspiração dos cristãos. Tu te fizeste inimigo dos deuses romanos. Por esta razão, com tua morte, serás uma advertência para aqueles que associaste a ti". Dito isso, leu a sentença: "Tácio Cipriano seja degolado a espada". O bispo Cipriano respondeu: "Graças a Deus!" Era o dia 14 de setembro do ano 258.

 

São Cipriano deixou-nos numerosos escritos doutrinais de grande importância. A coleção de suas 81 cartas é obra-prima da literatura latina e constitui preciosa fonte de informação sobre a vida eclesiástica daquele tempo.

 

 

Responder a uma ofensa é nivelar-se com o adversário. (Frei Anselmo Fracasso)

 



[1] MISSAL DOMINICAL, ©Paulus, 1997

[2] Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997

[3] O SANTO DO DIA, Dom Servilio Conti, ©Vozes, 1997