Terça-feira, 16 de agosto de 2011

XX Semana do Tempo Comum, Ano Impar, 4ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Santos: Alsácio, Armel (532, Ilhas Britânicas). Bento José Labre (peregrino mendicante), Bernadete Soubirous (vidente de Lourdes, virgem), Caio e Cremêncio (mártires de Zaragoza), Calisto, Carísio e Companheiros (mártires de Corinto), Contardo de Este (peregrino), Drogo de Sebourg (eremita), Engrácia de Zaragoza (virgem, mártir), Estêvão da Hungria (1038), Frutuoso de Braga (bispo, abade), Lamberto de Zaragoza (mártir) , Magno de Orkney (mártir) , Optato, Lupércio, Sucesso, Marcial, Urbano, Júlio, Quintiliano, Públio, Fronto, Félix, Cecílio, Evêncio, Primitivo, Apodêmio e Saturnino (mártires de Zaragoza), Paterno de Abranches (bispo), Roque (séc XIV), Turíbio de Astorga (bispo), Turíbio de Mans (bispo), Turíbio de Palência (abade), Ursácio (séc. IV, Nicomédia)

 

Antífona: O justo medita a sabedoria e sua palavra ensina a justiça, pois traz no coração a lei de seu Deus. (Sl 36, 30-31)

 

Oração: Ó Deus, preparastes para quem vos ama bens que nossos olhares não podem ver; acendei em nossos corações a chama da caridade para que, amando-vos em tudo e acima de tudo, corramos aos encontro das vossas promessas, que superam todo desejo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Juízes (Jz 6, 11-24a)

Deus chama Gedeão para salvar Israel

 

Naqueles dias, 11veio o anjo do Senhor e sentou-se debaixo de um carvalho que havia em Efra, e pertencia a Joás, da família de Abiezer. Gedeão, seu filho, estava sacudindo e limpando o trigo na eira, para o esconder dos madianitas, 12quando o anjo do Senhor lhe apareceu e disse: "O Senhor está contigo, valente guerreiro!" 13Gedeão respondeu: "Se o Senhor está conosco, peço-te, Senhor, que me digas por que nos aconteceu tudo isto! Onde estão aquelas tuas maravilhas que nossos pais nos contaram, dizendo: 'O Senhor nos tirou do Egito'? Mas agora o Senhor nos abandonou e nos entregou nas mãos dos madianitas". 14Então o Senhor voltou-se para ele e disse: 'Vai, e com essa força que tens livra Israel da mão dos madianitas. Sou eu que te envio". 

 

15Gedeão replicou-lhe: "Dize-me, te peço, meu Senhor, como poderei eu libertar Israel? Minha família é a mais humilde de Manasses', e eu sou o último na casa de meu pai". 16O Senhor lhe respondeu: "Eu estarei contigo, e tu derrotarás os madianitas como se fossem um só homem". 17E Gedeão prosseguiu: "Se achei graça diante de ti, dá-me um sinal de que és tu que falas comigo. 18Não te afastes daqui, até que eu volte, com uma oferenda para te apresentar". E o Senhor respondeu: "Ficarei aqui até voltares". 19Gedeão retirou-se, preparou um cabrito e, com uma medida de farinha, fez pães ázimos. Pôs a carne num cesto e o caldo numa vasilha, levou tudo para debaixo do carvalho e lhe apresentou. 

 

20O anjo do Senhor lhe disse: 'Toma a carne e os pães ázimos, coloca­-os sobre esta pedra e derrama por cima o caldo". E Gedeão assim fez. 21O anjo do Senhor estendeu a ponta da vara que tinha na mão e tocou na carne e nos pães ázimos. Levantou-se então um fogo da pedra e consumiu a carne e os pães. E o anjo do Senhor desapareceu da sua vista. 

 

22Percebendo que era o anjo do Senhor, Gedeão exclamou: "Ai de mim, Senhor Deus, porque vi o anjo do Senhor face a face!" 23Mas o Senhor lhe disse: "A paz esteja contigo, não tenhas medo: não morrerás!" 24aEntão Gedeão construiu ali mesmo um altar ao Senhor e o chamou: "O Senhor é paz". Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Gedeão, vai e livra Israel

 

A vocação de Gedeão dá relevo à iniciativa de Deus; muitas vezes ele escolhe os menos aptos, com uma condição, porém: que tenham confiança nele. Gedeão queixa-se de que Deus não faça como no passado. Como sua queixa é sincera e ele está disponível a Deus, é-lhe conferida a missão de libertar sua tribo. Deus está com ele; com esta garantia saberá agir. Todos os homens aspiram a ser libertados dos males que os cercam. Muitos, contudo, não se reconhecem culpados, não sentem necessidade de Deus, não estão dispostos a incomodar-se para agir bem. Deus, então, não pode intervir. Dirá Jesus: "Não vim chamar os justos, mas os pecadores" (Mc 2,17). Deus faz o que nós não podemos fazer, não porém sem nossa fé e cooperação. E opera conforme os tempos: dá a cada um o auxílio que convém. Se, por vezes, nos desiludimos de Deus, não será por ser morta ou inerte a nossa fé? [Missal Cotidiano, © Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 84 (85), 9.11-12.13-14 (R/.9b) 

O Senhor anunciará a paz para o seu povo

 

Quero ouvir o que o Senhor irá falar: a paz ele vai anunciar; paz para seu povo e seus amigos, para os que voltam ao Senhor seu coração.

 

A verdade e o amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão; da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus.

 

O Senhor nos dará tudo o que é bom, e a nossa terra nos dará suas colheitas; a justiça andará na sua frente e a salvação há de seguir os passos seus.

 

Evangelho: Mateus (Mt 19, 23-30)
Apego às riquezas impedem a salvação

 

Naquele tempo, 23Jesus disse aos discípulos: "Em verdade vos digo, dificilmente um rico entrará no reino dos céus. 24E digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus". 25Ouvindo isso, os discípulos ficaram muito espantados, e perguntaram: "Então, quem pode ser salvo?" 26Jesus olhou para eles e disse: "Para os homens isso é impossível, mas para Deus tudo é possível". 

 

27Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: "Vê! Nós deixamos tudo e te seguimos. O que haveremos de receber?" 28Jesus respondeu: "Em verdade vos digo, quando o mundo for renovado e o Filho do homem se sentar no trono de sua glória, também vós, que me seguistes, havereis de sentar-vos em doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. 29E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, campos, por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna. 30Muitos que agora são os primeiros, serão os últimos. E muitos que agora são os últimos, serão os primeiros". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mc 10, 23-31; Lc 18, 24-30; 1Cor 1, 26.

 

 

 

Comentário o Evangelho

Fé na providência

 

O desafio lançado por Jesus ao jovem rico deixou-o desconcertado. A grande quantidade de bens que possuía dava-lhe segurança. Abrir mão deles pareceu-lhe uma loucura. Como haveria de sobreviver? Por isso, todo perturbado, afastou-se de Jesus deixando de lado a preocupação inicial: o que fazer para obter a vida eterna.


Também os discípulos ficaram transtornados com as palavras do Mestre que acabara de proclamar a impossibilidade de um rico entrar no Reino dos Céus, e fazer parte da comunidade messiânica fundada por ele, cujo rei é Deus. Isto porque dificilmente abririam mão de suas riquezas para se tornarem discípulos de Jesus.


Então, os discípulos raciocinaram assim: se pessoas ricas jamais farão parte do nosso grupo, como haveremos de sobreviver? Estariam fadados à penúria crônica, vindo, até mesmo, a correr risco de vida. Este, pois, pode ser o sentido da pergunta: "Quem, portanto, poderá salvar-se?". Os discípulos se referiam à subsistência material.


Jesus contrapõe o pensamento divino ao pensamento humano. Humanamente falando, só é possível sobreviver pelo acúmulo de bens material, embora resulte em miséria para muitos. Na perspectiva de Deus, o importante é a partilha e a solidariedade. Os que fizeram opção pela pobreza jamais carecerão do necessário para viver. Os discípulos do Reino devem ter fé na Providência. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

 Para sua reflexão: Jesus lembra o obstáculo das riquezas para quem quer alcançar a vida eterna, mas não impõe a pobreza como regra para ser seu discípulo. Ele chama mesmo pessoas de elevada condição social, sem exigir delas o abandono total da sua posição. Quando o “mundo for renovado” no v.28 significa a renovação da humanidade e do universo já iniciada por Cristo, e de que os Apóstolos serão os principais agentes, como alicerce do novo povo, no lugar das doze tribos do Antigo Testamento. Essa renovação é apresentada em forma de julgamento. Será o trunfo da justiça que eles representam, apesar das perseguições. Por fim, Jesus pretende dizer que os critérios de Deus e dos seres humanos são muito diferentes, como acontece nas bem-aventuranças. (cf. comentários da Bíblia dos Capuchinhos)

 

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

Pelos missionários de hoje e de todos os tempos, rezemos. Dai-nos, Senhor, a vossa força.

Pelos que deixam tudo para seguir os passos de Jesus, rezemos.

Pelos que se empenham em promover a paz e a harmonia, rezemos.

Pelos jovens que buscam um sentido para a vida, rezemos.

(preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Acolhei, ó Deus, estas nossas oferendas, pelas quais entramos em comunhão convosco, oferecendo-vos o que nos destes e recebendo-vos em nós. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

No Senhor se encontra toda graça e copioso redenção. (Sl 129,7)

 

Oração Depois da Comunhão:

Unidos a Cristo por este sacramento, nós vos imploramos, ó Deus, que, assemelhando-nos a ele aqui na terra, participemos no céu da sua glória. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Santo Estêvão da Hungria

 

 

 

No final do primeiro milênio, a Europa foi invadida pelos bárbaros nômades vindos da Ásia, que acabaram dominados pelos reis da Alemanha e da França. As tribos magiares, como eram chamadas, se instalaram na região da Panônia, atual Hungria e lá conheceram o cristianismo. A partir deste contato, aos poucos, foram se convertendo e abraçaram a religião católica.


O duque Gesa casando com uma princesa cristã, permitiu que os filhos fossem educados no seguimento de Cristo. O seu primogênito Vaik, que nascera em 969, ao completar dez de idade, foi batizado e recebeu o nome Estevão. Nesta cerimônia, o futuro herdeiro do trono teve a felicidade de ver seu pai, convertido, recebendo o mesmo Sacramento.


Mas o velho rei morreu sem conseguir o que mais desejava, unir seu povo numa única nação cristã. Este mérito ficou para seu filho Estevão I, que passou para a História da Humanidade como um excelente estadista, pois unificou as trinta e nove tribos, até então hostis entre si, fundando o povo húngaro. Ele também consolidou o cristianismo como única religião deste povo e ingressou para o elenco dos "reis apostólicos".


Ele se casou com a piedosa e culta princesa Gisela, irmã do imperador da Baviera, Henrique II, agora todos venerados pela Igreja. Tendo como orientador espiritual e conselheiro o Bispo de Praga, Adalberto, confiou aos monges beneditinos de Cluny a missão de ensinar ao povo a doutrina cristã. Depois conseguiu do Papa Silvestre II a fundação de uma hierarquia autônoma para a Igreja húngara. Para tanto enviou à Roma o monge Astric, que este Papa consagrou Bispo com a função de consagrar outros Bispos húngaros.


Com o auxílio da rainha Gisela, Estevão I fundou muitos mosteiros e espalhou inúmeras igrejas pelas dioceses que foram surgindo. Caridoso e generoso criou hospitais, asilos e creches para a população pobre, atendendo especialmente os abandonados e marginalizados. Humilde, ele fazia questão de tratar pessoalmente dos doentes, tendo adquirido o dom da cura. Corajoso e diplomático, soube consolidar as relações com os países vizinhos, mesmo mantendo vínculos com o imperador de Bizânico, adquirindo também o dom da sabedoria. Assim, transformou a nação próspera e o povo húngaro num dos mais fervorosos seguidores da Igreja Católica.


No dia da Assunção de Maria, em 15 de agosto de 1038, o rei Estevão I morreu. Logo, passou a ser venerado pelo povo húngaro, que fez do seu túmulo local de intensa peregrinação de fieis, que iam agradecer ou pedir sua intercessão para graças e milagres. A fama de sua santidade ganhou força no mundo cristão, sendo incluído no Livro dos Santos em 1083, pelo Papa Gregório VII. A festa de Santo Estevão da Hungria, após reforma do calendário da Igreja de Roma passou as ser celebrada no dia 16 de agosto, um dia após a sua morte. [paulinas.org.br]

 

Operário da vinha do Senhor

Dom Murilo S.R. Krieger, scj, Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil - BA

 

Na próxima quinta-feira, dia 18 de agosto, o Papa Bento XVI chegará a Madri, para presidir a Jornada Mundial da Juventude. Espera-se um milhão e quinhentos mil jovens do mundo todo para esse acontecimento. Os mais de 14 mil jovens brasileiros que lá estarão farão a experiência antecipada pelo Salmista: “Oh! como é bom, como é agradável, os irmãos viverem juntos!” (Sl 133/132,1).

 

Volto ao tempo. Lembro-me do dia 19 de abril de 2005. Na Praça de S. Pedro, no Vaticano, fiéis do mundo inteiro estavam com os olhos fixos na pequena chaminé da Capela Sixtina. Quando apareceu a fumaça branca, todos explodiram num grito de alegria, na certeza de que o mundo tinha um novo papa. Os sinos da Basílica começaram a tocar. Pouco depois, o Cardeal Medina, do Chile, proclamou: “Habemus Papam” (Temos Papa!). Em seguida, anunciou o nome do sucessor de João Paulo II: Cardeal Joseph Ratzinger, que escolheu o nome de Bento XVI. Quando o novo Papa apareceu na sacada da Basílica, com um semblante sereno e tímido, e acenou para a imensa multidão, parecia pedir desculpas por estar ali. Disse, então, suas primeiras palavras como sucessor de Pedro: “Sou um humilde operário da vinha do Senhor!”

 

Nessa sua auto apresentação, estava sintetizado seu programa pastoral. O novo “operário da vinha do Senhor” sabia que não tinha nem o jeito de ser nem a popularidade de seu antecessor, o Papa João Paulo II, que demonstrara imensa capacidade de arrebatar multidões. Aos poucos, porém, Bento XVI passou a conquistar o mundo, justamente por sua simplicidade.

 

Grande teólogo e profundo conhecedor das responsabilidades e dos desafios da Igreja, nosso Papa tem a capacidade de apresentar as riquezas do Evangelho de forma simples e objetiva. Demonstrou isso já em sua primeira encíclica, “Deus caritas est” (Deus é amor). Essa expressão da Primeira Carta de S. João exprime, com singular clareza, o centro da fé cristã. O amor de Deus por nós é questão fundamental para a nossa vida e coloca questões decisivas sobre quem é Deus e quem somos nós.

 

Poucos meses depois de eleito, Bento XVI fez seu primeiro grande teste com os jovens, quando os encontrou em Colônia, na Jornada Mundial da Juventude. Ali, como depois em Sidnei, teve a coragem de lhes apontar elevados e exigentes ideais, na certeza de que só os conquistaria para Jesus Cristo se lhes falasse a verdade: “Os santos são os verdadeiros reformadores do mundo... Só dos santos, só de Deus provém a verdadeira revolução, a mudança decisiva do mundo... Não são as ideologias que salvam o mundo, mas unicamente a volta ao Deus vivo, que é o nosso criador, a garantia de nossa liberdade, a garantia daquilo que é realmente bom e verdadeiro... O que nos pode salvar a não ser o amor?... Não devemos construir para nós um Deus pessoal, um Jesus pessoal; somos chamados a crer e nos prostrar diante daquele Jesus que nos é mostrado pelas Sagradas Escrituras e que na grande procissão dos fiéis chamada Igreja se revela vivo, sempre conosco e, ao mesmo tempo, sempre diante de nós” (20.08.05).

Dia 29 de junho passado, depois de me impor o pálio – colar de lã que lembra o cuidado que o Arcebispo deve ter com as ovelhinhas de Jesus e a unidade que precisa manter com o sucessor de Pedro –, sabendo que eu sou Arcebispo de Salvador, disse-me, entre outras coisas: “Ah! Sucessor do Cardeal Majella e do Cardeal Lucas Neves!”. Julguei o momento adequado para lhe pedir: “Reze por minha Arquidiocese”. Com um sorriso, ele deu uma bênção especial para todo o nosso povo.

 

Nosso projeto de vida deve ser caminhar com a Igreja. Ora, o Bispo de Roma, sucessor de Pedro, tem na Igreja a missão de ser o princípio visível de unidade da fé e da comunhão. Estejamos, pois, atentos aos ensinamentos de Bento XVI na Espanha. Afinal, “a Igreja precisa de homens e mulheres cuja vida seja transformada pelo encontro com Jesus; homens e mulheres capazes de comunicar essa experiência aos outros. A Igreja precisa de santos. Todos somos chamados à santidade, e só os santos podem renovar a humanidade” (Bento XVI, 06.08.06). [Fonte: CNBB]

 

Os pais somente podem dar bons conselho e indicar bons caminhos, mas a formação

final do caráter de uma pessoa está em suas próprias mãos. (Anne Frank)