Terça-feira, 15 de junho de 2010

Décima primeira Semana do Tempo Comum, 3ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

 

Santos: Vito, Germana Cousin, Líbia, Joana Mance, Landelino (ex-bandido do Artois, convertido), Hesíquio (mártir no Danúbio inferior), Dulas (mártir da Ásia Menor), Guido (popular nos países francos e germânicos), Abraão (monge persa)

 

Antífona: Ouvi, Senhor, a voz do meu apelo, tende compaixão de mim e atendei-me; vós sois meu protetor, não me deixeis; não me abandoneis, ó Deus, meu salvador! (Sl 26, 7.9)

 

Oração: Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo e, como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: I Reis (1Rs 21, 17-29)
A misericórdia de Deus vence sempre

 

Após a morte de Nabot, 17a palavra do Senhor foi dirigida a Elias, o tesbita, nestes termos: 18"Levanta-te e desce ao encontro de Acab, rei de Israel, que reina em Samaria. Ele está na vinha de Nabot, aonde desceu para dela tomar posse. 19Isto lhe dirás: 'Assim fala o Senhor: Tu mataste e ainda por cima roubas!' E acrescentarás: 'Assim fala o Senhor: No mesmo lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabot, lamberão também o teu'".

 

20Acab disse a Elias: "Afinal encontraste-me, ó meu inimigo?" Elias respondeu: "Sim, eu te encontrei. Porque te vendeste para fazer o que desagrada ao Senhor, 21farei cair sobre ti a desgraça: varrerei a tua descendência, exterminando todos os homens da casa de Acab, escravos ou livres em Israel. 22Farei com a tua família como fiz com as famílias de Jeroboão, filho de Nabat, e de Baasa, filho de Aias, porque provocaste a minha ira e fizeste Israel pecar. 23Também a respeito de Jezabel o Senhor pronunciou uma sentença: 'Os cães devorarão Jezabel no campo de Jezrael. 24Os da família de Acab que morrerem na cidade, serão devorados pelos cães, e os que morrerem no campo, serão comidos pelas aves do céu"'.

 

25Não houve ninguém que se tenha vendido como Acab, para fazer o que desagrada ao Senhor, porque a isto o incitava sua mulher Jezabel.

 

26Portou-se de modo abominável, seguindo os ídolos dos amorreus que o Senhor tinha expulsado diante dos filhos de Israel. 27Quando Acab ouviu estas palavras, rasgou as vestes, pôs um cilício sobre a pele e jejuou. Dormia envolto num pano de penitência e andava abatido. 28Então a palavra do Senhor foi dirigida a Elias, o tesbita, nestes termos: 29"Viste como Acab se humilhou diante de mim? Já que ele assim procedeu, não o castigarei durante a sua vida, mas nos dias de seu filho enviarei a desgraça sobre a sua família". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a 1ª Leitura

Provocaste a minha ira e fizeste Israel pecar

 

A narração iniciada ontem não se resolve em apressada condenação, no quadro de uma correspondência simplista: crime-castigo, culpa-pena, ofensa-satisfação. Deus crê sempre na capacidade de redenção do homem. Em toda atitude atribuída a Deus pela Escritura há sempre um profundo amor a cada homem, “obra de suas mãos”. Deus não se limita a olhar o homem, trabalha nele. Existe a crônica superficial, registrada por nossos meios de comunicação, e a crônica em profundidade, conhecida em sua totalidade só por Deus. Quando esta brota na superfície, chega a nos surpreender.

 

Deus não se repete nunca, é novidade, vivacidade, porque amor. Olha sempre “com olhos novos” para toda criatura. Chama-nos também a participarmos deste seu olhar. Conservar para cada encontro a limpidez dos olhar, sem preconceitos. Saber renovar-se no amor até nas circunstâncias mais duras. Não por nossa força, mas em humilde adesão ao Único que “nos vê” de verdade. [Missal Cotidiano – Missal da Assembleia Cristã, ©Paulus, 1987]

 

Salmo: 50(51), 3-4.5-6a.11 e 16 (R/. cf. 3a)

Misericórdia, ó Senhor, porque pecamos!

 

Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! Lavai-me todo inteiro do pecado, e apagai completamente a minha culpa!

 

Eu reconheço toda a minha iniqüidade, o meu pecado está sempre à minha frente. Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei, e pratiquei o que é mau aos vossos olhos!

 

Desviai o vosso olhar dos meus pecados e apagai todas as minhas transgressões! Da morte como pena, libertai-me, e minha língua exaltará vossa justiça!

 

Evangelho: Mateus (Mt 5, 43-48)
Amai os vossos inimigos

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 43"Vós ouvistes o que foi dito: 'Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!' 44Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! 45Assim, vos tomareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos. 46Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? 47E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? 48Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito". Palavra da Salvação!

 

Leitura paralela: Lc 6, 27-28.32-36

 

 

Comentando o Evangelho

A perfeição do amor

 

A exigência de amar os inimigos revolucionou a mentalidade dos discípulos do Reino. O AT recomendava agir com deferência em relação aos inimigos, mormente em certas circunstancias especiais. A Lei obrigava a reconduzir o boi do inimigo, caso se tivesse desgarrado da manada. Ao inimigo faminto e sedento, dever-se-ia dar comida e bebida. Ninguém poderia alegrar-se com a queda do inimigo. No entanto, não encontramos ai um ensinamento preciso acerca do amar os inimigos.

 

Jesus deu um passo considerável em relação à tradição judaica. O      amor evangélico supera o nível do puro sentimento ou o da relação de amizade. Amar consiste em estabelecer uma comunhão profunda com o outro, tomar-se seu intercessor junto do Pai - "Orai por aqueles que vos perseguem e caluniam" -, desejar-lhe, ao saudá-lo, um shalom pleno, ou seja, saúde, prosperidade e bem-estar, e implorar para ele as bênçãos divinas - "Bendizei aqueles que vos maldizem".

 

O         amor recusa-se a nutrir desejos de vingança contra o inimigo. Antes, esforça-se continuamente para fazer-lhe o bem.

 

A motivação do amor ao próximo funda-se no modo de agir do Pai. Quando se trata de fazer o bem às pessoas, ele não as divide entre más e boas, justas e injustas, de forma a conceder benefícios a umas e punição a outras.  

A perfeição do amor consiste na imitação do modo divino de agir. Por isso, o ideal do discípulo é ser perfeito como o Pai dos céus. [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: O amor universal é condição para o discípulo se tornar filho do Pai. A nova exigência de que os seguidores de Jesus amem até mesmo aos inimigos, não na natureza humana, mas no exemplo de Deus. É mais fácil amar aos que nos amam e saudar apenas os membros de casa, da família, do nosso ciclo de amizade. Todavia Deus faz o sol nascer sobre os bons e os maus, faz a chuva cair sobre os justos e os injustos. Portanto, os discípulos de Jesus não podem limitar seu amor a seu grupo de afinidades. A perfeição dos discípulos reflete e é medida pela perfeição divina. O amor não tem limites, como não tem limites a perfeição à qual o cristão tem de aspirar. “Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito”. Amar ao inimigo, no mundo contemporâneo, não é fácil, na prática, mas faz parte do desafio do cristão para chegar próximo da perfeição do Pai, caminho da cura, libertação e salvação.

 

São Gregório Barbarigo

 

Proveniente de uma nobre família de Veneza, ficou órfão de mãe aos 4 anos de idade, mas o pai soube educar a seus filhos com suas atitudes exemplares, sendo confidente e conselheiro, recitando diariamente o pequeno ofício de N.Sra, até sua morte em 1687. Em 1643, aos 18 anos de idade tornou-se secretário do embaixador de Veneza na Alemanha até o ano de 1648, quando conheceu se tornou amigo de um Cardeal que seria um dia, papa: Fábio Chigi. Em 1655 tornou-se sacerdote (30 anos de idade). Foi bispo de Bérgamo e depois cardeal e bispo de Pádua. Sobretudo, nesta última cidade, pôde desenvolver plenamente seu trabalho pastoral, fundando escolas e instituições de caridade. Num período de peste fez o máximo na dedicação ao próximo. Seu coração é venerado no seminário diocesano de Pádua. Neste dia, por ordem do Papa João XXIII, de tão feliz memória, veneramos um santo de ciência e sabedoria admiráveis. Ele foi primeiro do Bispo da terra do Papa João XXIII, Bérgamo. Mais tarde, foi transferido para Pádua. Antes de ser padre e bispo, fora diplomata. Depois, cuidou do estudo das línguas orientais no seminário e fundou até uma imprensa poliglota.

 

E mais fácil perdoar um inimigo do que um amigo. (William Blake)