Terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sexta Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 1ª Semana do Saltério, Livro III, cor Verde

 

Hoje: Dia Mundial de Combate a Hanseníase

 

Santos: Ágape de Terni (virgem, mártir), Cláudio de la Colombière (jesuíta), Craton e Companheiros (mártires de Roma), Decoroso de Capua (bispo), Eusébio de Aschia (eremita), Euseus de Serravalle (eremita), Faustino e Jovita (mártires), Fausto de Glanfeuil (monge), Geórgia de Clermont (virgem), José de Antioquia (diácono, mártir), Quinídio de Vaison (bispo), Saturnino, Cástulo, Magno e Lúcio (mártires), Sigfrido de Wexlow (monge, bispo), Tanco de Werden (monge, bispo, mártir), Walfrido della Gheradesca (abade), Winaman, Unaman e Sunaman (monges de Wexlow, mártires), André de Conti (franciscano, bem-aventurado), Ângelo de Borgo San Sepolcro (agostiniano, bem-aventurado), Conrado da Bavária (monge, bem-aventurado) , Júlia de Certaldo (virgem, bem-aventurada)

 

Antífona: Sede o rochedo que me abriga, a casa bem defendida que me salva. Sois minha fortaleza e minha rocha; para honra do vosso nome, vós me conduzis e alimentais. (Sl 30, 3-4)

 

Oração: Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos, por vossa graça, viver de tal modo, que possais habitar em nós. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Gênesis (Gn 6, 5-8; 7, 1-5.10)

O Senhor viu que havia crescido a maldade do homem

 

5O Senhor viu que havia crescido a maldade do homem na terra, e como os projetos do seu coração tendiam sempre para o mal. 6Então o Senhor arrependeu-­se de ter feito o homem na terra e ficou com o coração muito magoado, 7e disse: 'Vou exterminar da face da terra o homem que criei; e com ele, os animais, os répteis e até as aves do céu, pois estou arrependido de os ter feito!" 8Mas Noé encontrou graça aos olhos do Senhor.

 

7,1O Senhor disse a Noé: "Entra na arca com toda a tua família, pois tu és o único homem justo que vejo no meio desta geração. 2De todos os animais puros toma sete casais, machos e fêmeas, e dos animais impuros, um casal, macho e fêmea. 3Também das aves do céu tomarás sete casais, machos e fêmeas, para que suas espécies se conservem vivas sobre a face da terra. 4Pois, dentro de sete dias, farei chover sobre a terra, quarenta dias e quarenta noites, e exterminarei da superfície da terra todos os seres vivos que fiz". 5Noé fez tudo o que o Senhor lhe havia ordenado. 10E, passados os sete dias, caíram sobre a terra as águas do dilúvio. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

 

Vou exterminar da face da Terra o homem que criei

 

Desvinculado de Deus e desligado do outro num clima de violência, ameaça e insegurança, o homem se sente perdido, sem proteção. Desesperado, procura a salvação no ambiente do rito e da magia, até confundir completamente o divino com o humano (Gn 6,1-4) e corromper o sentido da vida (Gn 6,5). É a atitude que acabará por ameaçar a própria sobrevivência da humanidade, e que provoca o dilúvio (Gn 6,7). O homem, com uma atitude livre, pode pôr em perigo a ordem e sobrevivência de sua raça.

 

Esta é a visão que a Bíblia nos oferece sobre a invasão do mal no mundo. Este mal entra por meio de uma semente muito pequena, mas dilata-se e cresce até chegar à imensidade dos males que a todos podem atingir; e que são outros tantos apelos de Deus à consciência de cada um de nós: não podemos assumir diante deles uma atitude de passiva resignação, mas somos chamados a agir contra eles ativamente. [Extraído do COMENTÁRIO BÍBLICO, Vol. III, ©Edições Loyola, 1997]

 

Salmo: 28(29), 1a e 2. 3ac-4 e 9b-10 (R/. 11b)
Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!

 

Filhos de Deus, tributai ao Senhor, tributai-lhe a glória e o poder! Dai-lhe a glória devida ao seu nome; adorai­-o com santo ornamento!

 

Eis a voz do Senhor sobre as águas, sua voz sobre as águas imensas! Eis a voz do Senhor com poder! Eis a voz do Senhor majestosa.

Sua voz no trovão reboando! No seu templo os fiéis bradam: "Glória!" É o Senhor que domina os dilúvios, o Senhor reinará para sempre!

 

 

Evangelho do dia: Marcos (Mc 8, 14-21)

Tendo olhos não vedes, tendo ouvidos, não ouvis
 

Naquele tempo, 14os discípulos tinham se esquecido de levar pães. Tinham consigo na barca apenas um pão. 15Então Jesus os advertiu: "Prestai atenção e tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes". 16Os discípulos diziam entre si: "É porque não temos pão". 17Mas Jesus percebeu e perguntou-lhes: "Por que discutis sobre a falta de pão? Ainda não entendeis e nem compreendeis? Vós tendes o coração endurecido? 18Tendo olhos, vós não vedes, e tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais 19de quando reparti cinco pães para cinco mil pessoas? Quantos cestos vós recolhestes cheios de pedaços?" Eles responderam: "Doze". 20Jesus perguntou: "E quando reparti sete pães com quatro mil pessoas, quantos cestos vós recolhestes cheios de pedaços?" Eles responderam: "Sete". 21Jesus disse: "E vós ainda não compreendeis?" Palavra da Salvação!

 

Leitura paralela: Mt 16, 5-12; Lc 12,1

 

Comentário do Evangelho

O fermento perigoso

 

A contaminação dos discípulos através do fermento dos fariseus e de Herodes consistia numa espécie de materialismo que se apossava deles.

 
Quando os discípulos deixaram tudo para seguir Jesus, optaram por colocar-se nas mãos da Providência. Não lhes tinha sido prometido recompensa de espécie alguma, nem o Mestre lhes havia garantido uma vida cômoda e tranquila. O discipulado basear-se-ia na total confiança em Deus e na recusa de construir a própria segurança com a posse dos bens materiais. Por conseguinte, a pobreza seria um traço característico do projeto de vida dos discípulos. O sinal de que algo estranho estava acontecendo com eles ficou patente quando, em plena travessia do lago, deram-se conta de não terem trazido pão suficiente para todos. E começaram a falar sobre isto, lamentando-se e se autocensurando, pois, ao desembarcarem, não teriam chance de comprar pão necessário para alimentar-se.


Jesus os censurou, chamando-lhes a atenção para o tema da solidariedade e da partilha. Assim como multidões foram alimentadas, por causa da solidariedade de alguém que partilhou seus poucos pães e peixes, o mesmo iria acontecer com eles.


O discípulo deve ser o primeiro a acreditar no milagre da partilha. É esta a maneira como o Pai costuma agir em favor deles. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Pe. Jaldimir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Liturgia Diária (Paulinas e Paulus)

-Rezemos para que o papa seja sempre sinal de fé e unidade para a Igreja. Sede, Senhor, nosso auxílio.

-Rezemos para que todos saibamos administrar os bens que recebemos de Deus.

-Rezemos para que as ondas do mal não se propaguem em nosso meio.

-Rezemos para que todas ás pessoas sejam respeitadas em sua dignidade humana.

-Rezemos para que os movimentos sociais fortaleçam os direitos dos cidadãos.

(preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, que este sacrifício nos purifique e renove e seja fonte de eterna recompensa para os que fazem a vossa vontade. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Deus amou tanto o mundo, que lhe deu o seu Filho único; quem nele crê não perece, mas possui a vida eterna. (Jo 3,16)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que nos fizestes provar as alegrias do céu, dai-nos desejar sempre o alimento que nos traz a verdadeira vida. Por Cristo, nosso Senhor!  

 

Desafios do cristão para este dia

-Ater-se mais à palavra de Deus emanadas através da Bíblia, das Encíclicas, das mensagens do seu pastor local (Bispo...).  Vale refletir sobre Mc 8,18

-Estar atendo aos “sinais dos tempos”, pois, Deus nos fala diariamente e nem sempre o escutamos!

-Tomar cuidado com o fermento dos fariseus e dos “Herodes” do mundo contemporâneo; eles estão muito próximos de nós. Ser firme na fé, é o desafio!

-Não se render à maldade do homem mas à bondade do Senhor. A violência progressiva assusta a todos!

 

São Cláudio de La Cambière 

 

"Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus" Mt 4,4. São Cláudio La Colombière, nasceu na França em 1641, numa família muito religiosa. Após completar os estudos humanísticos o jovem Cláudio decidiu entrar no seminário, e pôde ouvir de sua mãe a profecia: "Meu filho, tu hás de ser um santo religioso". Entrou no noviciado da Companhia de Jesus e em meio a muitas lutas ele conseguiu ser fiel a sua vida religiosa, por isso escreveu no seu diário: "Os planos de Deus nunca se realizam senão à custa de grandes sacrifícios". Lecionou até chegar a ser superior do colégio jesuíta. Passou dezoito meses em Paray-le-Monial, na França, tornando-se o guia espiritual e orientador teológico de Santa Margarida Maria Alacoque, bem conhecida de todos nós, por ter sido a grande incentivadora da devoção ao Coração de Jesus. São Cláudio La Colombière tornou-se ainda pregador, em Londres, nos tempos difíceis da Reforma Anglicana. Acabou sendo expulso, vindo a morrer depois, vítima de tuberculose, em 1682. A contemplação precisa da ação para alimentar-se, assim como a ação se alimenta da contemplação. Morreu com quarenta e um anos depois de caluniado por protestantes poderosos que o santo preso e quase condenado a morte, se não fosse a providente intervenção do rei francês Luís XIV. São Cláudio fora expulso da Inglaterra e faleceu em Paray le Monial, conforme Santa Margarida havia profetizado a seu respeito, pois deste local é que iniciou-se a grande devoção ao Sagrado Coração de Jesus, no qual São Cláudio encontrou repouso eterno.

 

 

Esforço da caridade

 

 

Dom Genival Saraiva, Bispo de Palmares - PE

 

Em razão de sua estreita relação com os cristãos da comunidade de Tessalônica, escreve-lhes São Paulo: “Diante de Deus, nosso Pai, recordamos sem cessar a atuação da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo.” (1Ts 1,3) Paulo constata a prática das virtudes teologais por parte dos tessalonicenses. “É, pois, significativo que ao falar, pela primeira vez, da caridade (ágape: I Tes.1,3) São Paulo a apresente, ao lado da esperança e da fé, e a defina como um trabalho pesado, algo de ‘penoso’ (kopos). É interessante como caracteriza cada uma das virtudes teologais: a atividade (sic) (‘ergon’ = obra, trabalho) da fé. A firmeza (‘hipomonê’ = perseverança e paciência, persistência) da esperança e o ‘esforço’ (‘kopos’ = esforço, pena) da caridade. A caridade supõe um sempre grande esforço.”

 

A palavra do apóstolo Paulo continua sendo lida pela Igreja na mesma perspectiva. Em sua condição de cidadãos da terra – “cuidai das coisas do alto, não do que é da terra” (Cl 3,1) -, em busca da pátria definitiva, os cristãos, com sua vocação de “cidadãos do céu” (Ef 3,20), edificam e testemunham a vida cristã, sustentados por essas virtudes. Em particular, a virtude da caridade é conquistada e praticada com o esforço, o cuidado e a atenção dos cristãos. Portanto, a virtude da caridade é exercitada, intencional e efetivamente, como expressão do amor a Deus e ao próximo; com efeito, por sua origem, a caridade encontra em Deus sua fonte geradora, como ensina o evangelista São João: “Deus é amor”. (1Jo 4,16) Por conseguinte, ela tem uma natureza teologal: “Chamamos teologais às virtudes da fé, esperança e caridade. Teologal vem do grego e significa, duma forma muito simples, que só posso viver essa experiência aprendendo-a em Deus, recebendo-a de Deus. E, recebo-a de Deus porque Deus me torna capaz dela. Recebo-a de Deus porque Deus a partilha comigo.”

 

Em sua Encíclica Deus Caritas est, o Papa Bento XVI ensina qual é a exata dimensão da caridade: “No seu hino à caridade (cf. 1 Cor 13), são Paulo ensina-nos que a caridade é sempre algo mais do que mera atividade: ‘Ainda que distribua todos os meus bens em esmolas e entregue o meu corpo a fim de ser queimado, se não tiver caridade, de nada me aproveita’ (v. 3). Esse hino deve ser a carta magna de todo serviço eclesial; (...) A ação prática resulta insuficiente se não for palpável nela o amor pelo homem, um amor que se nutre do encontro com Cristo. A íntima participação pessoal nas necessidades e no sofrimento do outro torna-se assim um dar-se-lhe a mim mesmo: para que o dom não humilhe o outro, devo não apenas dar-lhe qualquer coisa minha, mas dar-me a mim mesmo, devo estar presente no dom como pessoa”.

   

Muitas pessoas, individual e coletivamente, cultivam práticas de um reconhecido valor humano e de um indiscutível alcance sócio-político, mediante gestos de assistencialismo humanitário, de solidariedade ocasional e de filantropia organizada; além de um grande valor social, essas ações, sem dúvida, têm um toque de Deus. De fato, em todas as civilizações e culturas, ao longo dos tempos, tem se revelado essa forma de serviço e promoção humana, nelas se encontrando, com certeza, as “sementes do Verbo” de que trata o Concílio Vaticano II. Uma dessas formas de serviço e promoção, muito presente na sociedade, é o trabalho voluntário que semeia essas “sementes”, de uma maneira edificante, no mundo globalizado dos necessitados de pão, água, justiça, saúde, paz, solidariedade e fraternidade.

 

A caridade, fruto do esforço consciente dos cristãos, coloca as pessoas que a exercitam nos caminhos de Deus e do próximo. [CNBB]

 

Aconteceu no dia 15 de fevereiro:

1944: Segunda Guerra Mundial: Começa o ataque aliado ao mosteiro de Monte Cassino (Batalha de Monte Cassino)

 

 

Na adversidade lembre-se de que os papagaios de papel sobem contra o vento. (Hamilton Mabie)