Terça-feira, 14 de dezembro de 2010

São João da Cruz, Presbítero e Doutor, Memória, 3ª do Saltério, Livro I, Cor Branca

 

 

Hoje: Dia do Ministério Público e Dia Nacional da Ópera

 

Santos: Esperidião (bispo de Tremithus, Séc. IV), Nicácio (bispo de Reims, e seus companheiros, mártires, 451), Venâncio Fortunato (bispo de Poitiers, 605), Beato Bartolomeu de San Gimignano, 1300), Beato Conrado de Offida, 1306), Beato Boaventura Buonaccorsi, 1315), Beato Nicolau Artista, 1583)

 

Santos: A cruz de nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória: nele está nossa vida e ressurreição; foi ele que nos salvou e libertou. (Gl 6, 14)

 

Oração: Ó Deus, que inspirastes ao presbítero São João da Cruz extraordinário amor pelo Cristo e total desapego de si mesmo, fazei que, imitando sempre o seu exemplo, cheguemos à contemplação da vossa glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Sofonias (Sf 3, 1-2.9-13)
Deus mesmo virá em socorro do povo de Israel

 

Assim fala o Senhor: 1”Ai de ti, rebelde e desonrada, cidade desumana. 2Ela não prestou ouvidos ao apelo, não aceitou a correção; não teve confiança no Senhor, nem se aproximou de seu Deus. 9Darei aos povos, nesse tempo, lábios purificados, para que todos invoquem o nome do Senhor e lhe prestem culto em união de esforços. 10Desde além-rios da Etiópia, os que me adoram, os dispersos do meu povo, me trarão suas oferendas. 11Naquele dia, não terás de envergonhar-te por causa de todas as tuas obras com que prevaricaste contra mim; pois eu afastarei do teu meio teus fanfarrões arrogantes, e não continuarás a fazer de meu santo monte motivo de tuas vanglórias. 12E deixarei entre vós um punhado de homens humildes e pobres". E no nome do Senhor porá sua esperança o resto de Israel. 13Eles não cometerão iniquidades nem falarão mentiras; não se encontrará em sua boca uma língua enganadora; serão apascentados e repousarão, e ninguém os molestará. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

A salvação messiânica é prometida a todos os pobres

 

Só Deus salva. O conhecimento de Deus, a conversão e a fé são um dom de Deus. A própria oração, ato consciente e livre do homem, é uma resposta ao seu convite. Ora, é certo que Deus não nega o seu dom, pois quer que "todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade" (1Tm 2,4). Mas importa que o homem se convença de que a única atitude que convém à sua condição é a do "pobre". Deu quer salvar todos os homens. Não existe povo nem classe privilegiada (v. 9). A Igreja, longe de se sentir em condição de privilégio entre os povos, tem a missão de lhes anunciar o amor salvífico universal do Pai. Anúncio particularmente oportuno em nosso tempo, quando se abre caminho mormente entre os jovens, para o sentido da fraternidade universal. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 33(34), 2-3.6-7.17-18.19 e 23 (R/.7a)

Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido

 

Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem!

 

Contemplai a sua face e alegrai­-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha! Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda angústia.

 

Mas ele volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança. Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta.

 

Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido. Mas o Senhor liberta a vida dos seus servos, e castigado não será quem nele espera.

Evangelho: Mateus (Mt 21, 28-32)

Jesus é o Salvador de toda a humanidade

 

Naquele tempo, disse Jesus aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: 28"Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: 'Filho, vai trabalhar hoje na vinha!' 29O filho respondeu: 'Não quero'. Mas depois mudou de opinião e foi. 30O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: 'Sim, senhor, eu vou'. Mas não foi.

 

31Qual dos dois fez a vontade do pai?" Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: "O primeiro". Então Jesus lhes disse: "Em verdade vos digo, que os publica-nos e as prostitutas vos precedem no reino de Deus. 32Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os publicanos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele". Palavra da Salvação!

 

 

 

Comentário o Evangelho

Um homem e seus dois filhos

 

A parábola evangélica desmascara a liderança religiosa do tempo de Jesus, sempre pronta a criticar e a marginalizar os que eram considerados pecadores. Ela própria, no entanto, era incapaz de se submeter, adequadamente, à vontade de Deus.


A atitude de um homem e de seus dois filhos é a metáfora do relacionamento do povo de Israel com Deus. O homem da parábola representa Deus. Este tem um projeto para seu povo, expresso no Decálogo, pelo qual cada israelita pautaria sua vida. Da obediência à vontade divina resultaria uma sociedade fraterna, sem excluídos, onde os mais fracos e pequeninos seriam mais dignos de apoio e atenção.


A liderança religiosa corresponde ao filho que se predispõe a obedecer às ordens do pai, mas, de fato, se omite. Os mestres da Lei e os fariseus mostravam-se fiéis à vontade de Deus e externamente pareciam se esforçar por cumprir cada preceito da Lei, sem omitir um sequer. Chegavam até a ser minuciosos. Tudo, porém, puro exibicionismo, superficialidade, no intuito de granjear o louvor do povo. Uma piedade sem consistência!


Os pecadores, identificados com os cobradores de impostos e as meretrizes, são representados pelo filho que se recusa a obedecer, mas acaba cumprindo a ordem paterna. Correspondem à categoria de pessoas que, aparentemente afastadas de Deus, no seu dia-a-dia buscam ser solidárias, estando sempre prontas para fazer um gesto de amor, numa expressão de fé em Deus. São estas as pessoas que fazem a vontade de Deus, e não as primeiras. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas]

 

 

 

Oração da Assembleia (Liturgia Diária)

Tornai, Senhor, o mundo justo e humano. Vinde, Senhor Jesus.

Reuni os povos numa só fé e numa só caridade.

Cumulai nossa comunidade com os dons do Espírito.

Mostrai-nos o caminho que devemos seguir.

Fazei justiça aos pobres e aos oprimidos.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Aceitai, ó Deus onipotente, o sacrifício que vos oferecemos na festa de são João da Cruz e fazei-nos imitar em nossa vida os mistérios da paixão do Senhor que vamos celebrar na eucaristia. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Quem quiser ser meu discípulo renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me, diz o Senhor (Mt 16, 24).

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que fizestes de são João da Cruz um apóstolo do mistério da cruz, dai-nos, fortificados por este sacrifício, permanecer unidos ao Cristo e trabalhar na vossa Igreja pela salvação de todos. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

São João da Cruz

 

São João da Cruz é conhecido como doutor místico devido aos seus escritos de alta espiritualidade e ao mesmo tempo é considerado como o grande reformador da Ordem Carmelita.

 

Juan de Yepes, seu nome de batismo, foi mudado para João da Cruz quando tomou o hábito de carmelita. Nasceu na província de Ávila, na Espanha, em 1542. Quando criança, perdeu o pai; e a família sofreu pobreza. Sua mãe, à procura de trabalho para sustentar os filhos, mudou-se para Medina, onde João quis experimentar várias profissões, como empregando-se como ajudante num hospital e tomando lições de gramática à noite, no colégio jesuíta.

 

Com 21 anos entrou na Ordem Carmelita. Foi enviado para a Universidade de Salamanca a fim de cursar filosofia e teologia. Já então João demonstrava especial inclinação para a vida austera, penitenciando-se severamente como meio de ascética espiritual. Nos tempos livres, gostava de visitar os doentes nos hospitais, prestando-lhes serviços de enfermeiro.

 

Com 25 anos foi ordenado padre. A disciplina nos conventos carmelitas não o satisfazia e acalentou o desejo de entrar numa Ordem mais austera, como a dos Trapistas.

 

Providencialmente, neste tempo, encontrou-se com a grande reformadora dos Carmelos Santa Teresa de Ávila que promovia na Espanha a fundação de conventos reformados, dentro da Ordem. Ela, que tinha autorização do superior geral para fundar também conventos reformados masculinos, conseguiu entusiasmar João da Cruz a que, em vez de sair da Ordem, se incumbisse da reforma da disciplina regular. João apresentou este plano a Deus nas orações, aconselhou-se também com seu confessor e chegou à conclusão que, de fato, esta era a vontade de Deus.

 

Na qualidade de mestre dos noviços e depois reitor de uma casa de formação e de estudos, João da Cruz, em pouco tempo, conseguiu pela graça de Deus reformar alguns conventos da Ordem.

 

Reformar é muito mais difícil do que fundar, pois uma obra de reforma esbarra necessariamente contra a suscetibilidade de elementos tradicionais que levam a mal toda modificação. Só Deus conhece os sofrimentos, perseguições, calúnias de que o reformador foi alvo no cumprimento da nobre missão. João não procurava a honra própria; o amor e a glória de Deus eram a única força motriz que o impelia a trabalhar e sofrer. Em sua fé profunda, João abraçou a cruz dos sofrimentos e contrariedades, dos quais fez um itinerário de ascensão mística para Deus. Retido por nove meses na prisão de um dos conventos que se opunham à reforma, João teve a oportunidade de temperar sua alma no seguimento do Senhor crucificado. Fugindo do cárcere, continuou com persistência sua obra renovadora.

 

Eram três as coisas que ele pedia insistentemente a Deus: primeiro, dar-lhe força para trabalhar e sofrer muito; segundo, não o fazer sair deste mundo como superior duma comunidade; e terceiro, deixá-lo morrer desprezado e escarnecido pelos homens. De fato, ele conseguiu estes três objetivos tão contrários à nossa sensibilidade.

 

O desejo de ser desprezado era fruto da meditação constante da sagrada paixão e morte de Jesus Cristo. Em suas pregações João recomendava as devoções ao Salvador crucificado, à Santíssima Trindade, e ao Santíssimo Sacramento. Muitos pecadores não resistiam à eloquência e ao zelo do fervoroso carmelita.

 

João da Cruz foi uma alma profundamente mística. Purificado pelas mortificações e acrisolado pelos sofrimentos, João elevou-se a um altíssimo grau de santidade, gozando, inclusive, de êxtases e visões. Foi escritor fecundo de livros ascéticos e místicos que o colocaram ao lado de Santa Teresa como máximo representante da escola mística espanhola. Seus escritos constituem uma das expressões perenes do pensamento místico universal.

 

João da Cruz ocupa um lugar de honra também entre os poetas do seu tempo; sua poesia lírica é uma das mais expressivas da literatura espanhola. Pouco antes de sua morte, João da Cruz teve mais outros graves dissabores, devido a incompreensões e calúnias: foi exonerado de todos os cargos da comunidade passando os últimos meses na solidão e no abandono. Faleceu após uma penosíssima enfermidade em dezembro de 1591, com 49 anos de idade. O Papa Pio XI lhe conferiu o título de Doutor da Igreja. [O SANTO DO DIA, Dom Servilio Conti, ©Vozes, 1997]

 

 

O amor consiste em despojar-se e desapegar-se, por Deus, de tudo o que não é Ele. (S.João da Cruz)