Terça-feira, 14 de setembro de 2010

Exaltação da Santa Cruz, Ofício Festivo, 4ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Vermelha

 

 

Santos: Rósula, Materno, Noteburga, Crescêncio (jóvem mártir, Roma), Pedro de Tarentaise (1174, monge), Bem-Aventurado Gabriel Taurino Dufresne (1815, martirizado na China), Gabriel Taurin  Dufresse, Louise de Savoy (franciscana, ofs) 

 

Antífona: A cruz de nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória: nele está nossa vida e ressurreição; foi ele que nos salvou e libertou (Gl 6, 14).

 

Oração: Ó Deus, que para salvar a todos dispusestes que o vosso Filho morresse na cruz, a nós, que conhecemos na terra este mistério, dai-nos colher no céu os frutos da redenção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Números (Nm 21, 4b-9)

Ato de fé do povo na presença de Deus em sua vida

 

Naqueles dias, 4bos filhos de Israel partiram do monte Hor, pelo caminho que leva ao mar Vermelho, para contornarem o país de Edom. Durante a viagem o povo começou a impacientar-se, 5e se pôs a falar contra Deus e contra Moisés, dizendo: "Por que nos fizestes sair do Egito para morrermos no deserto? Não há pão, falta água, e já estamos com nojo desse alimento miserável". 6Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas, que os mordiam; e morreu muita gente em Israel. 7O povo foi ter com Moisés e disse: "Pecamos, falando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós as serpentes". Moisés intercedeu pelo povo, 8e o Senhor respondeu: "Faze uma serpente de bronze e coloca-a como sinal sobre uma haste; aquele que for mordido e olhar para ela, viverá". 9Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e colocou-a como sinal sobre uma haste. Quando alguém era mordido por uma serpente, e olhava para a serpente de bronze, ficava curado. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

Aquele que for mordido e olhar para a serpente de bronze viverá

 

Penso no olhar cheio de confiança de quem se voltava para a serpente para obter a cura: aquele olhar era uma vida voltada para a salvação. Penso no olhar de quantos no Calvário, contemplavam Jesus erguido entre o céu e a terra para salvação do mundo; no olhares que diariamente se voltam para o crucifixo. E penso no olhar que Jesus, no Calvário, pousou sobre todos e cada um dos presentes, com que abraçou toda a humanidade e continua hoje a olhar-nos, no desejo de cruzar com o nosso olhar para lhe transfundir riqueza infinita de seu amor. É um olhar rico de todos os matizes que pode assumir a vida no concreto de suas manifestações, e que não pousa em vão sobre aqueles que se voltam para ele na fé e no amor. [MISSAL COTIDIANO,  ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 77 (78), 1-2.34-35.36-37.38 (R/.cf.7c)

Das obras do Senhor, ó meu povo, não te esqueças!

 

Escuta, ó meu povo, a minha Lei, ouve atento as palavras que eu te digo; abrirei a minha boca em parábolas, os mistérios do passado lembrarei.

 

Quando os feria, eles então o procuravam, convertiam-se correndo para ele; recordavam que o Senhor é sua rocha e que Deus, seu Redentor, é o Deus Altíssimo.

 

Mas apenas o honravam com seus lábios e mentiam ao Senhor com suas línguas; seus corações enganadores eram falsos e, infiéis, eles rompiam a aliança.

 

Mas o Senhor, sempre benigno e compassivo, não os matava e perdoava seu pecado; quantas vezes dominou a sua ira e não deu largas à vazão de seu furor.

 

Evangelho, João (Jo 3, 13-17)

O agir divino questiona nossa existência

 

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 13"Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. 14Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, 15para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. 16Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele'. Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho

Da cruz, brota a vida eterna

A crucifixão de Jesus deu à cruz um sentido novo: deixou de evocar a morte, para ser evocação da vida. Não mais seria instrumento de castigo, mas de salvação. Seria motivo de exaltação e não de ignomínia.

 

Esta mudança radical do sentido da cruz deveu-se ao modo como Jesus a viveu. A morte de cruz foi a prova suprema da fidelidade do Filho ao Pai. Nela ficou patente que Deus era o senhor único e exclusivo da vida de Jesus, e que nenhuma criatura fora suficientemente forte para desviá-lo do caminho traçado pelo Pai. Somente neste sentido é possível entender a necessidade da morte de cruz. Seria praticamente impossível ter Jesus encontrado outra forma mais convincente para provar sua fidelidade a Deus. Ele não temeu enfrentar, de cabeça erguida, a infamante morte de cruz, quando estava em jogo a razão de ser de sua existência e de sua vinda ao mundo.

 

Daqui provém o respeito cristão pela cruz e o simbolismo de que é revestida. Ela evoca a fidelidade de Jesus e é apelo à essa mesma fidelidade. É a síntese do amor de Jesus pela humanidade, ao entregar-se para resgatá-la do pecado, e é um convite para o amor. Ela revela o serviço radical e incondicional de Jesus ao Reino, e estimula o cristão a fazer o mesmo. Exaltar a cruz é, pois, optar por trilhar os caminhos de Jesus. [MISSAL COTIDIANO,  ©Paulus, 1997]

 

Para sua reflexão: Filho do Homem tem um sentido glorioso, indicando a origem divina de Jesus, o Filho de Deus preexistente e enviado ao mundo.  “Quem subiu ao céu e depois desceu? Que recolheu o vento no punhado?” (Pr 30, 4) une a subida ao céu e o controle do vendo. Olhando para a serpente de bronze içada num estandarte, os mordidos de serpentes se curavam (Nm 21, 8-9) pela fé. É imagem de Jesus exaltado na cruz. A serpente livrava de uma morte repentina, Jesus crucificado dará a vida eterna.O amor de Cristo não é genérico à criação, mas ao “mundo” dos homens. Entregou (palavra-chave) até as últimas consequências. “O Filho único”. (Cf. Bíblias dos Capuchinhos e do Peregrino)

 

Exaltação da Santa Cruz!

 

A festa litúrgica que se celebra em 14 de Setembro, chama-se a Exaltação da Santa Cruz, e  chamava-se no rito Romano o Triunfo da Santa Cruz. Esta celebração evoca dois fatos históricos:

 

1.    O imperador Constantino mandou construir em Jerusalém uma basílica no Gólgota e outra no Sepulcro do Cristo ressuscitado. A dedicação dessas basílicas realizou-se em 13 de Setembro de 335. No dia seguinte, 14, lembrou ao povo o significado profundo das duas basílicas, mostrando o que restava do lenho da cruz do Salvador. Daqui nasceu a celebração deste acontecimento no dia 14 de Setembro que ainda existia em Roma no século VII.

 

2.    Heráclio venceu os persas em 630, e o imperador arrebatou as relíquias da Cruz, que foram solenemente levadas para Jerusalém.  Desde então a Igreja celebra neste dia 14 de Setembro o dia do Triunfo da Santa Cruz, que é instrumento e sinal da nossa salvação.

 

O uso litúrgico que requer a Cruz próxima do altar  quando  se celebra a Missa, representa uma evocação da figura bíblica da serpente de bronze que Moisés elevou no deserto; contemplando-a, os hebreus, que atravessavam uma crise de fé, voltavam-se para Deus, reconheciam a onipotência divina e, mordidos pelas serpentes, eram curados.

 

Na 1ª  Leitura é lido o texto do livro dos Números que narra esse episódio. Na serpente de bronze temos uma figura da Cruz. Contemplar a Cruz, é reconhecer o poder salvador de Jesus Cristo.

 

A 2ª Leitura lembra-nos que para reconciliar o homem com Deus, Jesus Cristo não hesitou em tomar a condição de "servo sofredor". Ele, que era Deus, vive até ao fim, até à morte, a nossa experiência humana, pelo que, Deus premiou a Sua fidelidade, glorificando-O e constituindo-O Senhor.

 

Pela leitura do Evangelho vemos como Jesus explica a Nicodemos o motivo pelo qual o Filho do homem é elevado, isto é, crucificado: o amor de Deus, que, no Seu Filho, quer a nossa salvação.

 

Invenção da Santa Cruz

 

Associado com Constantino na promoção de objetos sagrados, num lugar de maior importância está sua mãe, Helena, zelosa promotora do Cristianismo.

 

Em 326, já com cerca de 70 anos, foi para Jerusalém. Enquanto esteve em Jerusalém, fundou igrejas em lugares que se presumiam de maior importância, por se relacionarem com a vida de Jesus. Foi ela que, com a ajuda de alguns cristãos, descobriu o lugar que se chamava o Gólgota e a cave onde Jesus tinha sido sepultado. Aí edificaram uma Basílica em 335, da qual há apenas algumas ruínas.  A que hoje existe, a Basílica do Santo Sepulcro, data do século XII. As obras de Helena fizeram de Jerusalém um centro de grandes peregrinações.

 

Segundo uma lenda, Helena teria descoberto dentro da mesma cave algo de mais importante que o lugar da sepultura, a cruz de Jesus.  É por isso que se chama a Invenção ou o encontro da santa cruz. Isso teria sido, segundo a tradição, em 3 de Maio de 326.

 

Segundo uma versão desta história, foram encontradas três cruzes e, para determinar qual seria a verdadeira de Jesus, Helena colocou um corpo morto sobre a primeira e nada aconteceu; colocou-o sobre a segunda e nada aconteceu; colocou-a sobre a terceira e o corpo ganhou vida, pelo que Helena teria concluído que era essa a verdadeira cruz de Jesus. Helena guardou pedaços dessa cruz e alguns cravos. Com intenção de proteger a sua nova cidade - Constantinopla - Constantino, mandou colocar dentro de uma estátua sua, os pedaços da Cruz de Jesus,  e com os cravos mandou preparar as  amarras do seu capacete. Mais 350 relíquias da cruz de Jesus foram enviadas para muitas Igrejas do Império Romano. Como consequência destas tradições cristãs, desenvolveram-se outras que se prolongaram pelos séculos.

 

O sinal da cruz que fazem os cristãos sobre a sua testa é um ato de fé no poder da cruz.  A vitória de Constantino contra Maxêncio sobre a ponte de Milvian, foi atribuída à cruz que na véspera viu Constantino com estas palavras in hoc signo vinces (por este sinal vencerás).

 

Durante muito tempo se celebrou na Igreja a festa da Invenção da Santa Cruz em três de Maio e ao Brasil se chamou a Terra da Vera Cruz, por ter sido avistada em 22 de Abril de 1500 e provavelmente se teriam feito os primeiros desembarques em 3 de Maio, o que mostra que já nessa altura era bem conhecida a festa da Santa Cruz porque já se celebrava em Portugal, ou Invenção da Santa Cruz. Presentemente celebra-se a festa da Exaltação da Santa Cruz em 14 de Setembro. (John Nascimento, Canadá)

 

O sinal da cruz pode ser feito por devotos sobre si mesmos como uma forma de oração ou purificação, e pelo clero sobre os devotos ou sobre objetos como uma forma de bênção. Sacerdotes podem abençoar apenas com a mão direita, mas os bispos podem fazê-lo com as duas mãos ao mesmo tempo. No culto ou missa o sinal da cruz é empregado em momentos específicos: o povo o faz no início da Eucaristia, no Evangelho e na benção final, e o sacerdote oficiante ainda o traça sobre o pão e o vinho no momento da Consagração. Na Confirmação o sinal é traçado com o polegar sobre a fronte do candidato com óleo consagrado. No Rito Tridentino se usa traçar o sinal sobre as espécies muitas vezes. Quando são abençoadas multidões os sacerdotes costumam traçar o sinal três vezes. Nos ritos ortodoxos o sinal é mais largamente empregado. (Wikipédia)

 

Quanto mais abraçamos a Cruz, mais nos aproximamos de Jesus

que está cravado nela. (Charles de Foucauld)