Terça-feira, 14 de junho de 2011

11ª Semana do Tempo Comum, Ano Impar, 3ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Santos: Romualdo (abade), Gervásio (mártir), Juliana Falconieri (Florença, fundadora da Ordem Religiosa dos Servos de Maria), Protásio (mártir), Ursicino (médico de Ravena), Deodato (bispo de Nevers)

 

Antífona: Ouvi, Senhor, a voz do meu apelo: tende compaixão de mim e atendei-me; vós sois meus protetor: não me deixeis; não me abandoneis, ó Deus, meu salvador! (Sl 26, 7.9).

 

Oração: Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo e, como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: II Carta de Paulo aos Coríntios (2Cor 8, 1-9)

Convite à generosidade para com os pobres

 

1Irmãos, queremos levar ao vosso conhecimento a graça de Deus que foi concedida às Igrejas da Macedônia. 2Com efeito, em meio a grandes tribulações que as provaram, a sua extraordinário alegria e extrema pobreza transbordaram em tesouros de liberalidade. 3Eu sou testemunha de que esses irmãos, segundo os seus recursos e mesmo além dos seus recursos, por sua própria iniciativa 4e com muita insistência, nos pediram a graça de participar da coleta em favor dos santos de Jerusalém. 5E, indo além de nossas expectativas, colocaram-se logo à disposição do Senhor e também à nossa, pela vontade de Deus.  

 

6Por isso solicitamos a Tito que, assim como a iniciou, ele leve a bom termo entre vós essa obra de generosidade. 7E como tendes tudo em abundância - fé, eloqüência, ciência, zelo para tudo, e a caridade de que vos demos o exemplo - assim também procurai ser abundantes nesta obra de generosidade. 8Não é uma ordem que estou dando; mas é para testar a sinceridade da vossa caridade que eu lembro a boa vontade de outros. 9Na verdade, conheceis a generosidade de nosso Senhor Jesus Cristo: de rico que era, tornou-se pobre por causa de vós, para que vos tomeis ricos, por sua pobreza. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Jesus Cristo de rico que era, tornou-se pobre por causa de vós

 

Das “coletas” na igreja às grandes campanhas de solidariedade para com as populações que sofrem fome, ou cataclismos, uma longa série de solicitações empenha nossa atenção. A mão que oferece é um gesto, e todo gesto é um sinal. De quê? Um gesto “grande” (quantitativamente) pode ter pequena motivação. E vice-versa.

 

O “tipo” de dom que Paulo nos apresenta é Cristo que se encana. E Cristo não deu, deu-se. Se dentro do nosso dom não estivermos nós próprios, mas apenas algo nosso, não estamos na linha de Cristo. A caridade é a mais alta forma do amor. Fazer de cada dom, mesmo pequeno, um gesto de amor é dar-lhe uma dimensão cristã. A comunhão na caridade é o necessário complemento da comunhão eucarística. Claudel chama a hóstia “branca moeda para a eternidade”. Eucaristia e caridade são as duas faces da mesma moeda. [Missal Cotidiano, © Paulus]

 

Salmo: 145 (146),  2.5-6.7.8-9a (R/1)
Bendize, ó minha alma, ao Senhor!

 

Bendirei ao Senhor toda a vida, cantarei ao meu Deus sem cessar!

 

É feliz todo homem que busca seu auxílio no Deus de Jacó, e que põe no Senhor a esperança. O Senhor fez o céu e a terra, fez o mar e o que neles existe. O Senhor é fiel para sempre.

 

Faz justiça aos que são oprimidos; ele dá alimento aos famintos, é o Senhor quem liberta os cativos.

O Senhor abre os olhos aos cegos, o Senhor faz erguer-se o caído, o Senhor ama aquele que é justo. É o Senhor quem protege o estrangeiro.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 5, 43-48)

Amor aos inimigos

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 43"Vós ouvistes o que foi dito: 'Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!' 44Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! 45Assim, vos tomareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos. 46Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? 47E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem 'a mesma coisa? 48Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito". Palavra da Salvação!

 

Leitura paralela: Lc 6,31-36

 

 

Comentário o Evangelho

Imitadores de Deus


Jesus apresentou aos seus discípulos um ideal de vida elevado. Em seu comportamento e ações, deveriam inspirar-se no modo de ser divino, tornando-se imitadores de Deus. Em cada circunstância, deveriam perguntar-se: como agiria Deus?


Nas situações normais da vida, o mandamento de Jesus pode ser facilmente posto em prática, principalmente quando nos encontramos entre pessoas às quais queremos bem e com as quais o relacionamento é fácil. Tudo muda, quando somos vítimas do ódio e da violência alheia, de forma a recair sobre nós perseguição e calúnia.


Uma ação divina a ser imitada consiste em não fazer acepção de pessoas, uma vez que o Pai as considera em sua globalidade, sem classificá-las de boas ou más, justas ou injustas. Os benefícios divinos são distribuídos igualmente entre todos, embora nem todos saibam reconhecê-los.

 

A condição de filhos do Pai celeste exige dos discípulos do Reino bendizer quem os maldiz, fazer o bem a quem os odeia, rezar por quem os persegue e calunia. Evidentemente, é grande a tentação de pagar com a mesma moeda a maldição, o ódio, a perseguição e a calúnia recebidos. Este modo de agir não comportaria nenhuma novidade, pois é assim que, em geral, as pessoas agem. Mas a imitação do Pai exige que os discípulos trilhem o caminho contrário. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

A fim de que a solidariedade e o amor sincero motivem nossa vida cristão, rezemos. Atendei, Senhor, nossa oração.

A fim de que saibamos dispor de nossos dons e talentos em favor do reino, rezemos.

A fim de que o egoísmo e as inimizades sejam superados pela vivência do amor, rezemos.

A fim de que os serviços de nossas comunidades sejam eficazes e frutuosos, rezemos.

A fim de que os missionários perseverem no anúncio do evangelho, rezemos.

(outras intenções)

 

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, que pelo pão e vinho alimentais a vida dos seres humanos e os renovais pelo sacramento, fazei que jamais falte este sustento ao nosso corpo e à nossa alma. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Antífona da comunhão:

Pai santo, guarda o teu nome os que me deste, para que sejam um como nós, diz o Senhor (Jo 17,11)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, esta comunhão na eucaristia prefigura a união dos fiéis em vosso amor; fazei que realize também a comunhão na vossa Igreja. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: O amor universal é condição para o discípulo se tornar filho do Pai. A nova exigência de que os seguidores de Jesus amem até mesmo aos inimigos, não na natureza humana, mas no exemplo de Deus. É mais fácil amar aos que nos amam e saudar apenas os membros de casa, da família, do nosso ciclo de amizade. Todavia Deus faz o sol nascer sobre os bons e os maus, faz a chuva cair sobre os justos e os injustos. Portanto, os discípulos de Jesus não podem limitar seu amor a seu grupo de afinidades. A perfeição dos discípulos reflete e é medida pela perfeição divina. O amor não tem limites, como não tem limites a perfeição à qual o cristão tem de aspirar. “Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito”. Amar ao inimigo, no mundo contemporâneo, não é fácil, na prática, mas faz parte do desafio do cristão para chegar próximo da perfeição do Pai, caminho da cura, libertação e salvação.

 

 

Santa Iolanda da Polônia

 

Iolanda, ou Helena, como foi chamada depois pelos súditos poloneses, nasceu no ano de 1235, filha de Bela IV, rei da Hungria, que era terciário franciscano, e irmã da bem-aventurada Cunegundes. Além disso, era sobrinha de santa Isabel da Hungria, também da Ordem Terceira. Aliás, a tradição franciscana acompanhou a linhagem desde seus primórdios, pois a família descendia de santa Edwiges, santo Estêvão e são Ladislau.

 

Porém é claro que Iolanda não se tornou santa só porque vinha de toda essa tradição extremamente católica e repleta de santos. Não basta ter o caminho da fé apontado para entrar-se nele. É preciso que todo o ser o aceite e o corpo se disponha a caminhar por uma trilha de entrega total e muito árdua, como ela fez.

 

Iolanda foi educada desde muito pequena pela irmã, Cunegundes, que se casara, então, com um dos reis mais virtuosos da Polônia, Boleslau, o Casto. Por tradição familiar e social da época, Iolanda deveria também se casar com alguém da terra e, anos depois, escolheu outro Boleslau, o duque de Kalisz, conhecido como "o Pio". Foi uma época de muita alegria para o povo polonês, que viu nas duas estrangeiras pessoas profundamente bondosas, cristãs, justas e caridosas. Pena que tenha sido uma época não muito longa, pois alguns anos depois o quarteto foi desmanchado pela fatalidade.

 

Primeiro morreu o rei, ficando Cunegundes viúva. Logo o mesmo aconteceu com Iolanda. Ela já tinha então três filhas, das quais duas se casaram e uma terceira retirou-se para o convento das clarissas de Sandeck, onde já se encontrava Cunegundes. As duas logo seriam seguidas por Iolanda.

 

Muitos anos se passaram e as três damas cristãs continuavam naquele lugar, fazendo do silêncio do claustro o terreno para um fecundo período de meditação e oração. Quando morreu Cunegundes, em 1292, Iolanda deixou aquele mosteiro e foi mais para o Ocidente, ao convento das clarissas de Gniezno, fundado por seu marido. Ali terminou seus dias como superiora, no dia 14 de junho de 1298.

 

Amada pela população, seu culto ganhou força entre os fiéis do Leste europeu e difundiu-se por todo o mundo católico ao longo dos tempos. Seu túmulo tornou-se meta de romeiros, pelos milagres e graças atribuídos à sua intercessão. Em 1827, o papa Urbano VIII autorizou a beatificação e marcou a festa litúrgica para o dia do seu trânsito. [paulinas.org.br]

 

 

 

 

 

Índios e agricultores: uma luz no fundo do túnel?

Dom Redovino Rizzardo, cs, Bispo de Dourados - RS

 

No dia 14 de maio, em visita a Dourados, o Ministro da Agricultura, Wagner Rossi, criticou as demarcações de áreas indígenas no Mato Grosso do Sul: «Medidas desta natureza colocam em risco o direito de propriedade e afrontam a Constituição Federal». Em sua opinião, por serem nômades, os índios Guarani-Kaiowás do Estado têm pouco ou nenhum vínculo com as terras que pretendem ocupar.

 

Em seguida, diante do grande número de acampamentos existentes no Estado, expressou seu pensamento sobre os sem-terra: «Nunca vi nego que invade propriedade alheia produzir um quilo de feijão...».

 

Para concluir, apresentou o exemplo de sua família: «Em 1890, meus avós trocaram a Itália pelo Brasil e não trouxeram em sua bagagem senão um contrato: desmatariam uma área na região de Ribeirão Preto e a entregariam três anos depois, transformada em cafezal. Foi somente após esse árduo trabalho que conseguiram comprar o primeiro pedaço de terra». Nesse ponto, preciso concordar com o Ministro. Eu também sou descendente de imigrantes italianos que chegaram ao Rio Grande do Sul com uma única ferramenta: a boa vontade. Ao alcançar o Estado, receberam do Governo Federal dois ou três alqueires, que pagariam prestando serviços públicos, sobretudo abrindo e conservando estradas nas diversas regiões onde se estabeleceram. Superaram todas as dificuldades e, com seu trabalho, transformaram o Estado numa das regiões mais ricas do Brasil, demonstrando que a escassez de recursos em nada afeta a quem tem boa vontade.

 

Quanto, porém, à situação dos índios do Mato Grosso do Sul, prefiro juntar-me aos demais bispos do Brasil, os quais, nos mesmos dias em que o Ministro Wagner discursava em Dourados, declaravam à sociedade brasileira, reunidos em Aparecida: «O nosso serviço pastoral à vida plena dos povos indígenas exige que anunciemos Jesus Cristo e a Boa Nova do Reino de Deus, denunciemos as situações de pecado, as estruturas de morte, a violência e as injustiças internas e externas e fomentemos o diálogo intercultural, inter-religioso e ecumênico»

 

É a mesma preocupação que, no dia 12 de dezembro de 2009, levou os bispos do Mato Grosso do Sul a publicarem uma “Nota”, onde dizíamos que «não se pode prolongar um estado de coisas que, além de nos humilhar perante a opinião pública mundial, é uma tremenda injustiça que se comete contra uma multidão de brasileiros – e a injustiça sempre gera violência».

 

De vez em quando, porém, surgem lampejos de esperança. Um deles foi a realização, em Dourados, nos dias 25 e 26 de maio, de um seminário promovido pelo Conselho Nacional de Justiça, destinado a ajudar agricultores e indígenas a buscar uma solução justa e definitiva para os conflitos que os mantêm em margens opostas. Entre as pessoas que prestigiaram o evento, estava a Ministra Eliana Calmon, que insistiu no diálogo e na conciliação: «É preciso cooperação entre as partes – indígenas, ruralistas e governo – para se encontrar uma solução sábia e chegar a um denominador comum. Precisamos respeitar a dívida histórica que temos com índios, sem, porém, sacrificar os produtores rurais».

 

É a mesma sugestão que me atrevi a dar ao Presidente Lula em sua visita a Dourados, no dia 24 de agosto de 2010: «A solução só pode ser fruto do diálogo entre as partes e da interferência direta da autoridade civil e judiciária». Para a Ministra Eliana, «as partes precisam aprender a abrir mão dos direitos individuais para encontrar o direito de todos», proposta que o historiador Antônio Brand materializa na «indenização aos proprietários e na assistência técnica e financeira à agricultura familiar indígena».

 

Sintonizam com ele os deputados Laerte Tetila e Pedro Kemp que, nos mesmos dias do seminário de Dourados, encaminharam à Assembleia Legislativa do Estado um projeto de lei criando um fundo para a aquisição de propriedades particulares consideradas terras indígenas. Os problemas dos povos indígenas, porém, não se esgotam na posse da terra. Em alguns municípios, como Bodoquena e Paranhos, ela parece até mesmo sobrar... É todo o sistema de educação e de sustentabilidade que precisa ser reavaliado. Cabe às autoridades políticas e judiciárias o dever de passar das palavras aos fatos, para que as esperanças, que despontam cada vez mais tênues e raras, não acabem sempre em frustração, incentivando a desconfiança, o antagonismo e a violência de ambas as partes.

 

Se amar não nos custa nada, significa que não se ama de verdade. (Santa Gianna Beretta Molta)