Terça-feira, 13 de setembro de 2011

São João Crisóstomo (bispo e doutor), Memória, 3ª do Saltério (Livro III), cor Branca

 

 

Santos: Amadeu de Remiremont (abade), Amadeu de Sens (bispo), Amadeu de Sion (bispo), Emiliano de Valência (bispo), Eulógio de Alexandria (bispo), Filipe de Alexandria (mártir), Ligório de Tours (bispo, mártir, + 371), Macróbio e Juliano (mártires da África), Martinho III de Camaldoli (abade), Maurílio de Angers (bispo), Venério (eremita na Ilha Palmária).

 

Antífona: Velarei sobre as minhas ovelhas, diz o Senhor; chamarei um pastor que as conduza e serei o seu Deus. (Ez 34, 11.23-24)

 

Oração: Ó Deus, força dos que em vós esperam, que fizestes brilhar na vossa Igreja o bispo São João Crisóstomo por admirável eloqüência e grande coragem nas provações, dai-nos seguir os seus ensinamentos, e robustecer-nos com sua invencível fortaleza. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: 1ª Carta a Timóteo (1Tm 3,1-13)
Liberdade para falar da fé em Cristo Jesus

 

Caríssimo: 1Eis uma palavra verdadeira: quem aspira ao episcopado, saiba que está desejando uma função sublime. 2Porque o epíscopo tem o dever de ser irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, modesto, hospitaleiro, capaz de ensinar. 3Não deve ser dado a bebidas nem violento mas condescendente, pacífico, desinteressado. 4Deve saber governar bem sua casa, educar os filhos na obediência e castidade. 5Pois, quem não sabe governar a própria casa, como governará a Igreja de Deus? 6Não pode ser um recém-convertido para não acontecer que, ofuscado pela vaidade, venha a cair na mesma condenação que o demônio. 7Importa também que goze de boa consideração da parte dos de fora para que não se exponha à infâmia e caia nas armadilhas do diabo. 8Do mesmo modo os diáconos devem ser pessoas de respeito, homens de palavra, não inclinados à bebida, nem a lucro vergonhoso. 9Possuam o mistério da fé junto com uma consciência limpa. 10Antes de receber o cargo sejam examinados; se forem considerados dignos, poderão exercer o ministério. 11Também as mulheres devem ser honradas sem difamação mas sóbrias e fiéis em tudo. 12Os diáconos sejam maridos de uma só mulher, e saibam dirigir bem os seus filhos e a sua própria casa. 13Pois os que exercem bem o diaconato, recebem uma posição de estima e muita liberdade para falar da fé em Cristo Jesus.  Palavra do Senhor!

 

Comentando 1Cor 10, 14-22

Felizes os que se dedicam ao Senhor pela vocação e missão

 

Com a multiplicação e desenvolvimento das comunidades, surgem os primeiros esboços de uma organização eclesial. A respeito dos "dirigentes" (em grego = epíscopos) e dos diáconos, cf. nota em Fl 1,1-2. É provável que algumas mulheres tenham ocupado o cargo de diaconisas (cf. Rm 16,1). Aqui não se pensa numa lei do celibato, mas exige-se que os candidatos a cargos eclesiais tenham sólidas qualidades humanas. (Bíblia Sagrada, Edição Pastoral)

 

Trazida para a realidade de hoje, a organização eclesial da Igreja reflete a solidez na sua missão evangelizadora no mundo. O religioso tem a missão de representar o Senhor junto aos demais irmãos. Sendo uma missão séria pela sua natureza, pois tem como objetivo conquistar o irmão para o Reino de Deus, o religioso deve, por excelência, ter uma vida irrepreensível, e verdadeiro testemunho de vida. A sua fidelidade ao Senhor deve ser irrepreensível; enganar Deus é enganar a si próprio e traz o grande pecado não apenas em nível pessoal, mas em nível comunitário, levando os irmãos a caminhos diferentes daqueles preconizados pelo Senhor. Felizes os que se dedicam ao Senhor pela vocação e missão. [E.S.Salvador, ofs]

 

 

Salmo Responsorial: Sl 100 (101),1-2ab. 2cd-3ab. 5.6 (R.2c)
Viverei na pureza do meu coração!

 

1Eu quero cantar o amor e a justiça, cantar os meus hinos a vós, ó Senhor! 2aDesejo trilhar o caminho do bem, 2bmas quando vireis até mim, ó Senhor?

 

2cViverei na pureza do meu coração, 2dno meio de toda a minha família. 3aDiante dos olhos eu nunca terei 3bqualquer coisa má, injustiça ou pecado.

 

5Farei que se cale diante de mim quem é falso e às ocultas difama seu próximo; o coração orgulhoso, o olhar arrogante não vou suportar e não quero nem ver.

 

6Aos fiéis desta terra eu volto meus olhos; que eles estejam bem perto de mim! Aquele que vive fazendo o bem será meu ministro, será meu amigo.

 

Evangelho: Lucas (Lc 7, 11-17)
Um grande profeta apareceu entre nós

 

Naquele tempo, 11Jesus dirigiu-se a uma cidade chamada Naim. Com ele iam seus discípulos e uma grande multidão. 12Quando chegou à porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único; e sua mãe era viúva. Grande multidão da cidade a acompanhava. 13Ao vê-la, o Senhor sentiu compaixão para com ela e lhe disse: “Não chores!”


14Aproximou-se, tocou o caixão, e os que o carregavam pararam. Então, Jesus disse: “Jovem, eu te ordeno, levanta-te!” 15O que estava morto sentou-se e começou a falar. E Jesus o entregou à sua mãe. 16Todos ficaram com muito medo e glorificavam a Deus, dizendo: “Um grande profeta apareceu entre nós e Deus veio visitar o seu povo”.

 

17E a notícia do fato espalhou-se pela Judéia inteira, e por toda a redondeza. Palavra da Salvação!

 

Comentando Mateus (Lc 7, 1-10)

O grande profeta


A ressurreição do filho da viúva de Naim revelou a identidade profética de Jesus. Tomados de espanto diante do milagre, os presentes glorificavam a Deus, dizendo: "Um grande profeta surgiu entre nós, e Deus visitou seu povo".


Na tradição religiosa popular, esperava-se a volta do profeta Elias, no final dos tempos. Este fora o grande profeta do passado que combateu, exemplarmente, pela pureza da fé. Entre seus feitos gloriosos está a ressurreição do filho único de uma viúva da cidade de Sarepta. No final de sua vida, o profeta foi elevado aos céus. Por este motivo, acreditava-se que haveria de voltar, quando a História chegasse ao fim.


O milagre de Jesus levou o povo a fazer a ligação entre ele e o profeta Elias. Portanto, o fim estava chegando, e Deus ia manifestando sua misericórdia para com a humanidade.


Contudo, o povo era ainda incapaz de perceber a diferença entre Jesus e Elias. Aquele era o Filho, enviado pelo Pai, com a missão de fazer a misericórdia divina beneficiar toda a humanidade. Não antecipava a vinda de alguém maior. Sua pessoa era a maneira mais plena pela qual o Pai podia manifestar o seu amor e visitar o seu povo. A ressurreição do menino foi o sinal de como a morte e a tristeza estavam sendo superadas por meio da ação do Messias Jesus.
[Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

Para que bispos, padres e diáconos deem testemunho de fidelidade, rezemos. Senhor, escutai a nossa prece.

Para que marido e mulher saibam se amar mutuamente e honrar uns ao outros, rezemos.

Para que os doentes encontrem acolhida na comunidade e sintam a proteção de Deus, rezemos.

Para que as mães que perdem os filhos experimentem a solidariedade e as consolações divinas, rezemos.

Para que as viúvas pobres sejam assistidas pelas leis civis e pelas ações solidárias das pessoas, rezemos.

(preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, dignai-vos aceitar este sacrifício na festa de são João Crisóstomo para que, seguindo as suas exortações, também nos ofereçamos a vós com alegria. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Não fostes vós que me escolhestes, diz o Senhor. Fui eu que vos escolhi e vos enviei para produzirdes frutos, e o vosso fruto permaneça. (Jo 15,16)

 

Oração Depois da Comunhão:

Concedei, ó Deus de misericórdia, que a comunhão recebida na festa de são João Crisóstomo nos confirme no vosso amor e nos transforme em testemunhas da vossa verdade. Por Cristo, nosso Senhor.

 

São João Crisóstomo

 

João, descendente de família distinta, nasceu em Antioquia da Síria, em 348. O pai, comandante das tropas imperiais no Oriente, morreu cedo, deixando a educação do filho à esposa Antusa, mulher de excelsas virtudes. A fim de dedicar-se completamente à educação do filho, Antusa, viúva aos vinte anos, recusou as segundas núpcias. Providenciou ao filho os melhores professores de filosofia e retórica, entre os quais, Libânio, mestre de grande renome.

 

Aos vinte e dois anos, João queria retirar-se à solidão do deserto, à imitação de muitos eremitas, mas foi demovido pelas lágrimas da mãe que tanto se sacrificara por ele.

 

João tinha alma de monge e, por isso, mais tarde, passaria quatro anos na solidão, dedicando-se exclusivamente às austeras práticas da vida religiosa e aos estudos dos Sagrados Livros. Como a saúde não agüentasse a dureza da vida do deserto, voltou para Antioquia, onde, ordenado sacerdote, iniciou sua notável atividade pastoral como escritor e orador sacro. Escreveu nesse tempo um tratado sobre o sacerdócio, que é um dos mais belos de todos os tempos. Pondo em prática as lições de retórica do grande mestre Libânio, João tornou-se orador de excepcionais qualidades, de tal modo, que mereceu o título de "Boca de Ouro" ("Crisóstomo") que a posteridade lhe deu. [Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Sua fama de santidade e de exímio orador tinha-se espalhado por todo o Oriente. Quando faleceu o patriarca de Constantinopla, o imperador Arcádio chamou Crisóstomo para ocupar-lhe o lugar. Foi preciso toda a autoridade e habilidade do imperador para induzir João a aceitar semelhante oficio. Aquele cargo foi, de fato, sua cruz, seu martírio. Da vida simples e pacata de Antioquia, viu-se João Crisóstomo transportado para a grande metrópole, a cidade do luxo, do mundanismo, das intrigas políticas.

 

Ao assumir o governo da diocese, Crisóstomo procurou conhecer bem o terreno em que pisava. Notou como o clero, em sua maioria, era pouco preparado para sua divina missão; era ambicioso, avarento, politiqueiro. A corte era corrupta e, o que é pior, se intrometia facilmente nos negócios e na vida da Igreja. A vida social era decadente, levada pelo luxo, pelas futilidades, pelas cobiças e prazeres.

 

João começou sua obra de reforma pelo clero e os religiosos exigindo a observância dos cânones eclesiásticos, de acordo com a pobreza e simplicidade evangélica. Em seus arrebatados sermões, começou a verberar o mundanismo, o luxo, a imoralidade da vida social, as intrigas da vida política, as ingerências da corte na organização e disciplina eclesiástica. Sua atitude de pastor zeloso, firme, enérgico era acompanhada de seus exemplos, de austeridade e grande caridade. Mas os atritos provindos com o clero e, sobretudo, com a aristocracia não tardaram e provocaram a crise. A imperatriz Eudóxia, mulher ambiciosa e intolerante, encabeçou um movimento contra o patriarca João Crisóstomo, exigindo o exílio dele, que durou poucos meses, devido à pressão do povo.

 

Mais um ano e deu-se uma segunda deposição do patriarca. Desta vez ficou exilado numa região quase inacessível, a fim de evitar sua marcante influência que podia provocar um levante do povo. Não resistindo aos sofrimentos da longa viagem e aos maus tratos, João veio a falecer em 407, completando dez anos de pontificado e 59 de idade.

 

Crisóstomo é contado entre os maiores Doutores da Igreja. Sua obra escrita consiste, sobretudo, em homilias, sermões e comentários exegéticos às cartas de São Paulo. São de uma beleza e profundidade insuperáveis.

 

Boca de Ouro, Alma de Anjo, Coração de Pai, João foi o tipo acabado de santo e de pastor. Suas últimas palavras ao morrer, após a longa via dolorosa do desterro, foram: "Glória seja dada a Deus em tudo"! [O SANTO DO DIA, Dom Servilio Conti ©Vozes, 1997]

 

 

Sede firmes na fé

Dom Aloísio Roque Oppermann scj, Arcebispo de Uberaba - MG

 

Embora o ato de fé tenha características de racionalidade, não há dúvida de que, por ele, entramos no âmbito do sobrenatural. Vale dizer que a fé nos introduz no mundo do mistério, não muito fácil de ser explicado.  Só um ser racional pode ter fé. Pois envolve uma qualidade divina, que apenas os seres constituídos “imagem e semelhança de Deus”  podem ter: a liberdade. Como explicar esse ato, que está no fundo do coração humano, de confiar, de maneira livre e inabalável, numa pessoa? A fé, antes de ser esforço e busca do ser humano, é dom gratuito, oferta do Grande Ser de toda a criação. Com isso fica claro que a nossa resposta é o ato segundo. Porque o ato primeiro é a graça que nos vem do Ser Amoroso. Crer não é aderir a verdades. É aceitar uma pessoa, Cristo. Por isso, vejam bem, no credo rezamos primeiro “creio no Espírito Santo”, para só depois dizermos que “creio na Igreja Católica”. Assim estamos dizendo que cremos na Igreja, por ser obra Espírito Divino.

 

No ato de acreditar está sempre embutida, com mais força ou menos, a dúvida. Esta é tanto maior quanto menos tivermos a humildade de rezar, e também de estudar. No entanto, além das dúvidas, pode aparecer um problema muito maior, que é o abalo de nossa confiança em Deus. A isso podemos ficar expostos nas grandes tribulações. Numa grande enchente, num cruel terremoto, numa seca interminável, nos horrores da guerra, na miséria extrema, só ainda o coração fiel é capaz de se agarrar ao Senhor e exclamar: “Olha para mim, Senhor”  (Jer 18, 19). Quem não acredita que Deus é capaz de fazer brotar o bem de um grande mal, corre o risco de abandonar a sua fé. Como também podem ocorrer males dentro da comunidade católica: desentendimentos com os líderes religiosos, desavenças dentro da Paróquia, injustiças reais ou imaginárias, desprezo pelos pobres. Aí vem a grande tentação: não crer mais na Igreja Católica, e aderir a outras denominações religiosas (como se nessas não acontecessem problemas). “Sede pacientes na tribulação e perseverantes na oração” (Rom 12, 12). Apesar disso, quantos no Brasil abandonaram a sua fé na Igreja, e buscaram outros grupos de fiéis. Isso nos entristece. [CNBB]

 

É tão absurdo dizer que um cristão não pode ser útil a seu próximo, como

negar ao sol a possibilidade de iluminar. (S. João Crisóstomo)