Terça-feira, 13 de abril de 2010

Segunda Semana da Páscoa e do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

 

Hoje: Dia do Hino Nacional Brasileiro

 

Santos: Justino (mártir), Tibúrcio (mártir), Valério (mártir), Máximo (mártir), Ardalião (mártir), Lamberto de Lião (arcebispo), Bernardo de Tiron (abade), Lanvino (beato), Caradoco, Bénezet, Pedro Gonçalo (Gonçales ou Gonçalves, beato), João (mártir), Antônio (mártir), Eustácio (mártir), Liduína de Schiedam (beata e virgem), Donina, Próculo, Pica (bem aventurada, mãe de São Francisco de Assis)

 

Antífona: Alegremo-nos, exultemos e demos glória a Deus, porque o Senhor todo-poderoso tomou posse de seu reino, aleluia! (Ap 19, 7.6)

 

Oração: Fazei-nos, ó Deus todo-poderoso, proclamar o poder do Cristo ressuscitado, e , tendo recebido as primícias dos seus dons, consigamos possuí-los em plenitude. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: Atos (At 4, 32-37)
Um só coração e uma só alma

 

32A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava como próprias as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum. 33Com grandes sinais de poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. E os fiéis eram estimados por todos. 

 

34Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuíam terras ou casas, vendiam-nas, levavam o dinheiro, 35e o colocavam aos pés dos apóstolos. Depois, era distribuído conforme a necessidade de cada um. 36José, chamado pelos apóstolos de Barnabé, que significa filho da consolação, levita e natural de Chipre, 37possula um campo. Vendeu e foi depositar o dinheiro aos pés dos apóstolos. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a Leitura

Um só coração e uma só alma

 

Lucas nos deu, mais que a fotografia da situação real, o projeto divino, o modelo ideal em que a Igreja se deve mirar e ao qual referir-se de contínuo. A Igreja que nasce da escuta da Palavra é a comunhão, a prece, a catequese apostólica, o partir do pão.

 

Na passagem de hoje, Lucas nos apresenta sobretudo a comunhão fraternal (que vai até a partilha dos bens) e a importância dos apóstolos nessa comunidade: eles é que exercem o ofício da pregação e presidem à atividade caritativa. A Igreja não é uma organização burocrática governada pelo princípio da eficiência, em que vigoram relações meramente funcionais. É uma comum idade de pessoas, que não nasce da carne e do sangue, mas do Espírito, e tende a exprimir-se no sinal da comunhão dos  bens. Realiza-se este sinal de modo diverso segundo os tempos e as vocações; sem este sinal, porém, não existe Igreja. [MISSAL COTIDIANO,  ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 92(93), 1ab.1c-2.5 (R/.1a)

Reina o Senhor, revestiu-se de esplendor

 

Deus é rei e se vestiu de majestade, revestiu-se de poder e de esplendor!

 

Vós firmastes o universo inabalável, vós firmastes vosso trono desde a origem, desde sempre, ó Senhor, vós existis!

 

Verdadeiros são os vossos testemunhos, refulge a santidade em vossa casa, pelos séculos dos séculos, Senhor!

 

 

Evangelho: João (Jo 3, 7b-15)

Conversa de Jesus com Nicodemos

 

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 7b"Vós deveis nascer do alto. 8O vento sopra onde quer e tu podes ouvir o seu ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece a todo aquele que nasceu do Espírito". 9Nicodemos perguntou: "Como é que isso pode acontecer?"

 

10Respondeu-lhe Jesus: “Tu és mestre em Israel, mas não sabes estas coisas? 11Em verdade, em verdade te digo, nós falamos daquilo que sabemos e damos testemunho daquilo que temos visto, mas vós não aceitais o nosso testemunho. 12Se não acreditais, quando vos falo das coisas da terra, como acreditareis se vos falar das coisas do céu? 

 

13E ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do homem. 14Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do homem seja levantado, 15para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna". Palavra da Salvação!

 

 

Comentário o Evangelho

A aventura do Espírito

 

Quem se faz discípulo do Ressuscitado deve dispor-se a viver a aventura do Espírito. Esta exigência está contida na afirmação enigmática de Jesus: “O vento sopra onde quer; você ouve o barulho, porém, não se sabe de onde ele vem nem para onde vai. A mesma coisa acontece com quem nasceu do Espírito”.


Este alerta é fundamental para quem foi iniciado no processo de discipulado. Tornar-se discípulo de Jesus comporta colocar-se à inteira disposição do Espírito. Só assim, irá se precaver contra a tentação de querer aprisionar o Espírito e colocar Deus dentro dos próprios limites humanos. Opção empobrecedora, pois impede o ser humano de deixar desabrochar toda a riqueza de dons que lhe foi confiada por Deus. Fechando-se dentro de seus próprios limites, o discípulo tende a acomodar-se, a não ser criativo, e a contentar-se com o pouco, a deixar-se abater pelas críticas, pelas incompreensões e pelos insucessos.


Soprando onde e como quer, o Espírito proporciona ao discípulo um dinamismo incomum, a ponto de se admirar com os próprios feitos. Embora pequeno e frágil, não temerá realizar grandes empresas. Tornar-se-á forte diante das contrariedades da vida, a ponto de superá-las todas, e destemido em se tratando de dar testemunho do Ressuscitado. Mostrar-se-á, também, possuidor de uma sabedoria, antes desconhecida; e manterá viva a chama da fé e da esperança, quando o fracasso bater à sua porta. Basta deixar-se conduzir pelo Espírito!
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Jesus dirige-se não apenas a Nicodemos, mas a um mundo de muitos Nicodemos, ou seja, de pessoas de cabeça dura. A serpente levantada no deserto refere-se a um incidente bastante confuso citado no livro de NUMEROS (Nm 21,9), quando uma serpente de bronze levantada numa haste foi fonte de salvação. “É preciso que o Filho do Homem seja levantado”. O amor de Deus é princípio é dinâmico para a salvação universal. O Deus de Jesus, o Deus de João, nosso Deus é um Deus motivado por um amor tão grande que enviou seu Filho ao mundo, não para condenar, mas para salvar. O Pai ama Jesus; Jesus ama seus discípulos; os discípulos deverão amar segundo o exemplo de Jesus.

 

 

Santo Aniceto

 

Aniceto nasceu na Síria e foi sucessor do papa são Pio I, em 155, no tempo em que Antonio era o imperador romano. Entretanto, além da perseguição sistemática por parte do Império, o papa Aniceto teve de enfrentar, também, cismas internos que abalaram o cristianismo.


A começar por Valentim, passando por Marcelina, que fundou a seita dos carpocratitas, considerada muito imoral pela Igreja, e chegando a Marcion, um propagador, com dotes de publicitário, que arregimentou muita gente, e muitos outros.


Sem contar a questão da celebração da Páscoa. Todos eles formaram seitas paralelas dentro do catolicismo, dividindo e confundindo os fiéis e até colocando-os contra a autoridade do papa, desrespeitando a Igreja de Roma. Contudo o papa Aniceto tinha um auxiliar excepcional, Policarpo, que depois também se tornou um santo pelo testemunho da fé, e o ajudou a enfrentar todas essas dificuldades. Policarpo exerceu, também, um papel fundamental para que pagãos se convertessem, por testemunhar que a Igreja de Roma era igual à de Jerusalém.


Outro de seus auxiliares foi Hegesipo, que escreveu um livro defendendo o papa Aniceto e provando que ele, sim, seguia a doutrina cristã correta, e não os integrantes das seitas paralelas. Mesmo com tão excelente ajuda, o papa Aniceto teve uma árdua missão durante os quase onze anos de seu pontificado, morrendo no ano 166, quase aniquilado pela luta diária em favor da Igreja.


Embora tenha morrido num período de perseguição aos cristãos, a Igreja não cita a sua morte como a de um mártir. Mas pelo sofrimento que teve ao enfrentar, durante todo o seu governo, os inimigos do cristianismo e da Igreja de Roma, por si só se explica o porquê da reverência a seu nome.


O seu corpo - aliás, foi a primeira vez que ocorreu com um bispo de Roma -, foi sepultado nas escavações que depois se transformaram nas catacumbas de São Calisto, na Itália. [paulinas.org.br]

 

 

Quem souber morrer a tudo terá vida em tudo. (S. João da Cruz)