Terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Primeira Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 1ª Semana do Saltério (Livro III), cor Verde

 

Ergamos os nossos olhos para aquele que tem o céu como trono; a multidão dos anjos o adora, cantando a uma só voz: Eis aquele cujo poder é eterno

 

Santos do Dia: Barbascêmino de Selêucia-Ctesifon (bispo) e Companheiros (mártires), Dácio de Milão (bispo), Félix de Nola (presbítero), Félix de Roma (presbítero), Macrina (viúva, mãe de São Basílio Magno, de São Gregório de Nissa e de São Pedro de Sebaste), Malaquias (profeta bíblico do Antigo Testamento), Sabas de Serbia (monge, bispo), Amadeu de Clermont (monge, bem-aventurado), Odo de Novara (monge, bem-aventurado), Pedro Donders (missionário redentorista, bem-aventurado)

 

Oração: Ó Deus, atendei como pai às preces do vosso povo; dai-nos a compreensão dos nossos deveres e a força de cumpri-los. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Leitura: Hebreus (Hb 2, 5-12)

Que todos os anjos o adorem

 

5Não foi aos anjos que Deus submeteu o mundo futuro, do qual estamos falando. 6A este respeito, porém, houve quem afirmasse: “O que é o homem, para dele te lembrares, ou o filho do homem, para com ele te ocupares?  7Tu o fizeste um pouco menor que os anjos, de glória e honra o coroaste, 8e todas as coisas puseste debaixo de seus pés”. Se Deus lhe submeteu todas as coisas, nada deixou que não lhe fosse submisso. Atualmente, porém, ainda não vemos que tudo lhe esteja submisso.


9Jesus, a quem Deus fez pouco menor do que os anjos, nós o vemos coroado de glória e honra, por ter sofrido a morte. Sim, pela graça de Deus em favor de todos, ele provou a morte. 10Convinha de fato que aquele, por quem e para quem todas as coisas existem, e que desejou conduzir muitos filhos à glória, levasse o iniciador da salvação deles à consumação, por meio de sofrimentos. 11Pois tanto Jesus, o santificador, quanto os santificados, são descendentes do mesmo ancestral; por esta razão, ele não se envergonha de os chamar irmãos, 12dizendo: “Anunciarei o teu nome a meus irmãos; e no meio da assembléia te louvarei”. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Convinha que por meio dos sofrimentos levasse

o iniciador da salvação deles à consumação

 

A grande afirmação desta leitura é o fundamento de nossa fé cristã: Cristo nos é mandado pelo Pai para livre-nos do pecado. Pela graça de Deus, ele experimenta a morte em benefício de todos (V.9). Mas de que modo o faz? Por sua dupla realidade de verdadeiro homem e de verdadeiro Filho de Deus. Como verdadeiro homem, torna-se nosso irmão: “não se envergonha de chamá-los irmãos” (V. 12). Como verdadeiro Filho de Deus, intercede eficazmente junto ao Pai por todos os seus irmãos. Sacerdote separado dentre os homens, realiza um sacrifício de expiação pelos homens.

 

Pelo batismo, nós também começamos a formar parte da família dos filhos de Deus que é a Igreja. Mas a nossa vida de cada dia, o trabalho, o divertimento, o relacionamento com os outros, as opções concretas, em que medida estão impregnadas da convicção de que somos filhos de Deus e irmãos de Cristo?

 

 

 

Salmo: 8, 2a.5.6-7.8-9 (R/.cf 7)

Destes domínio ao vosso filho sobre tudo o que criastes

 

2aÓ Senhor, nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo! 5Perguntamos: “Senhor, que é o homem, para dele assim vos lembrardes e o tratardes com tanto carinho?”


6Pouco abaixo de Deus o fizestes, coroando-o de glória e esplendor; 7vós lhe destes poder sobre tudo, vossas obras aos pés lhe pusestes.


8As ovelhas, os bois, os rebanhos, todo o gado e as feras da mata; 9passarinhos e peixes dos mares, todo ser que se move nas águas.

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 1, 21b-28)

Jesus ensina em Cafarnaum e cura um endemoniado

 

21bEstando com seus discípulos em Cafarnaum, Jesus, num dia de sábado, entrou na sinagoga e começou a ensinar. 22Todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da lei.

 

23Estava então na sinagoga um homem possuído por um espírito mau. Ele gritou: 24"Que queres de nós, Jesus nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o santo de Deus". 25Jesus o intimou: "Cala-te e sai dele!" 26Então o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu. 27E todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: "O que é isto? Um ensinamento novo dado com autoridade: Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!" 28E a fama de Jesus logo se espalhou por toda parte, em toda a região da Galiléia.  Palavra da Salvação!

 

 

 

Comentário do Evangelho[2]

Personalidades incompatíveis

 

A pergunta desesperada do homem possuído por um espírito imundo revela a incompatibilidade radical que existe entre Jesus e tudo quanto lhe é contrário. A frase “Que temos nós contigo, Jesus de Nazaré?” pode ser assim desdobrada: “Que existe em comum entre nós?”; “O que você está querendo fazer conosco?”; “Qual a sua intenção a nosso respeito?”.


Evidentemente, entre Jesus e o espírito imundo nada havia em comum. Um libertava o ser humano, o outro o escravizava. Um recuperava as pessoas para Deus, já o outro as afastava sempre mais do projeto do Pai, numa aberta afronta a ele. Um restaurava no coração humano o sentido da vida fraterna e solidária, o outro, pelo contrário, gerava discórdia e divisão. Um encarnava a novidade da misericórdia de Deus, o outro insistia no caminho inconveniente da soberba. Por isso, a única intenção de Jesus era derrotar este espírito mau.


À ordem do Mestre, ele deixou o possesso, depois de agitá-lo violentamente e fazer grande alarido.


Esta é a imagem do que se passa no coração de cada um de nós: o mau espírito reluta em abandonar o espaço conquistado no nosso interior. Se não nos deixamos ajudar por Jesus, corremos o risco de permanecer escravos desse espírito do mal. O discipulado cristão exige que façamos a experiência de ser libertados pelo Mestre, pois é impossível compatibilizá-lo com as forças do mal que agem dentro de nós.

 

Para sua reflexão pessoal[3]

 

A libertação do endemoniado reflete a firme autoridade de que Jesus recebe de Deus; até o demônio a reconhece.  Para a nossa realidade, participar dos reflexos positivos da autoridade do Messias é seguir a sua Palavra, passando do Evangelho à vida cotidiana, na prática. Não estar atento a autoridade de Cristo, não seguindo os seus ensinamentos, é estar aberto à influência do maligno. Sejamos então eternos aprendizes do nosso Mestre e Salvador.

 

São Pedro Donders[4]

 

Nasceu em Tilburg, Brabante do Norte em 27 de outubro de 1805. Filho de Arnold e de Petronila van den Brekel. Profundamente impressionado pelas lições do apóstolo Paulo (Hb 5,1) ordenou-se sacerdote aos 32 anos de idade em Oogstgeest, deixou sua pátria e trabalhou apostolicamente por quase 45 anos na Guiana Holandesa. Quando o vicariato apostólico da Guiana Holandesa foi confiado aos redentoristas que queriam se ocupar das almas mais abandonadas, são Pedro Donders pediu para ser admitido entre eles, em 27 de junho de 1867. Emitiu os votos perpétuos, tornando assim, definitivamente mais um dos filhos de Santo Afonso. Logo depois retornou para o meio dos leprosos entre os quais trabalhou com a maior dedicação até 1856. Além dos leprosos, ocupou-se dos índios e negros escravos e não escravos. O seu primeiro livro intitulou-se "Novo Apóstolo dos negros, dos índios e dos leprosos" São Pedro Donders naturalmente também se ocupou dos brancos em seus serviços sacerdotais. De 1842 a 1856 trabalhou na capital Paramaribo e de 1883 a 1885 em Corronie, na costa. Morreu em Batávia - na época, colônia dos leprosos no dia 14 de janeiro de 1887, aos 82 anos de idade.

 

O amanhã é conquista de hoje. (Sônia Marina Durão)

 



[1] MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997

[2] O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997

[3] Everaldo Souto Salvador, ofs, Mundo Católico

[4] www.asj.org.br