Terça-feira, 12 de abril de 2011

Quinta Semana da Quaresma - 1ª Semana do Saltério (Livro II) - cor Litúrgica Roxa

 

 

Hoje: Dia do Hino Nacional Brasileiro

 

Santos: Agatônica, Panfílio, Carpo, Agatodoro e Companheiros (mártires), Guinoc da Escócia (bispo), Hermenegildo (rei, mártir), Martinho I (papa, mártir), Márcio (abade), Máximo, Dádio e Quintiliano (três irmãos, mártires da Bulgária), Urso de Ravena (bispo), Eduardo Catherick (mártir, bem-aventurado), Ida de Lovaina (monja, virgem, bem-aventurada), Ida de Bolonha (viúva, bem-aventurada), Tiago de Certaldo (monge, bem-aventurado), João Lockwood (presbítero, mártir, bem-aventurado), Margarida de Città di Castello (virgem, bem-aventurada).

 

Antífona: Espera no Senhor e sê corajoso! Fortifique-se teu coração; espera no Senhor. (Sl 26,4)

 

Oração do Dia: Concedei-nos, ó Deus, perseverar no vosso serviço para que, em nossos dias, cresça em número e santidade o povo que vos serve Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Números (Nm 21, 4-9)

A presença de uma imagem de serpente no templo

 

Naqueles dias, 4os filhos. de Israel partiram do monte Hor, pelo caminho que leva ao mar Vermelho, para contornarem o país de Edom. Durante a viagem, o povo começou a impacientar-se, 5e se pôs a falar contra Deus e contra Moisés, dizendo: "Por que nos fizestes sair do Egito para morrermos no deserto? Não há pão, falta água, e já estamos com nojo desse alimento miserável". 6Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas, que os mordiam; e morreu muita gente em Israel.

 

7O povo foi ter com Moisés e disse: "Pecamos, falando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós as serpentes". Moisés intercedeu pelo povo, 8e o Senhor respondeu: "Faze uma serpente abrasadora e coloca-a como sinal sobre uma haste; aquele que for mordido e olhar para ela viverá". 9Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e colocou-a como sinal sobre uma haste. Quando alguém era mordido por uma serpente, e olhava para a serpente de bronze, ficava curado. Palavra do Senhor!

 

Comentando a Leitura

Aquele que for mordido e olhar para a serpente de bronze viverá

 

Penso no olhar cheio de confiança de quem se voltava para a serpente para obter a cura: aquele olhar era uma vida voltada para a salvação. Penso no olhar de quantos no Calvário contemplavam Jesus erguido entre o céu e a terra pela salvação do mundo; nos olhares que diariamente se voltam para o crucifixo. E penso no olhar que Jesus, no Calvário, pousou sobre todos e cada um dos presentes, com que abraçou toda a humanidade e continua hoje a olhar-nos, no desejo de cruzar com o nosso olhar para lhe transfundir a riqueza infinita de seu amor E um olhar rico de todos os matizes que pode assumir a vida no concreto de suas manifestações, e que não pousa em vão sobre aqueles que se voltam para ele na fé e no amor. [Extraído do MISSAL COTIDIANO,  ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 101 (102), 2-3.16-18.19-21 (R/.15b)

Ouvi, Senhor, e escutai minha oração e cheque até vós o meu clamor

 

Ouvi, Senhor, e escutai minha oração, e chegue até vós o meu clamor! De mim não oculteis a vossa face no dia em que estou angustiado! Inclinai o vosso ouvido para mim, ao invocar-vos atendei-me sem demora!

 

As nações respeitarão o vosso nome, e os reis de toda a terra, a vossa glória; quando o Senhor reconstruir Jerusalém e aparecer com gloriosa majestade, ele ouvirá a oração dos oprimidos e não desprezará a sua prece.

 

Para as futuras gerações se escreva isto, e um povo novo a ser criado louve a Deus. Ele inclinou-se de seu templo nas alturas, e o Senhor olhou a terra do alto céu, para os gemidos dos cativos escutar e da morte libertar os condenados.

 

Evangelho: João (Jo 8, 21-30)

Incredulidade dos ouvintes

 

Naquele tempo disse Jesus aos fariseus: 21"Eu parto e vós me procurareis, mas morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis ir". 22Os judeus comentavam: "Por acaso, vai-se matar? Pois ele diz: 'Para onde eu vou, vós não podeis ir'?" 23Jesus continuou: "Vós sois daqui debaixo, eu sou do alto. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. 24Disse-vos que morrereis nos vossos pecados, porque, se não acreditais que eu sou, morrereis nos vossos pecados". 25Perguntaram-lhe pois: "Quem és tu, então?" Jesus respondeu: "O que vos digo, desde o começo. 26Tenho muitas coisas a dizer a vosso respeito, e a julgar, também. Mas aquele que me enviou é fidedigno, e o que ouvi da parte dele é o que falo para o mundo". 27Eles não compreenderam que lhes estava falando do Pai. 28Por isso, Jesus continuou: "Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que eu sou, e que nada faço por mim mesmo, mas apenas falo aquilo que o Pai me ensinou. 29Aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou sozinho, porque sempre faço o que é de seu agrado". 30Enquanto Jesus assim falava, muitos acreditaram nele.  Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho

Jesus revela sua identidade

 

Os diálogos entre Jesus e seus adversários eram pontilhados de mal-entendidos. As palavras do Mestre eram tomadas numa conotação indevida, acabando por alterar-lhes o sentido. Quando Jesus evocava sua próxima volta para o Pai, eles pensavam em suicídio. O Mestre afirmava que era do Alto e não deste mundo. Seus adversários, no entanto, não percebiam do que se tratava. Sua mente obtusa não lhes permitia captar o sentido de qualquer afirmação de Jesus.

 

Ao falar de si mesmo, como "Eu Sou", Jesus retomava o nome divino revelado a Moisés na teofania da sarça ardente. "Eu sou", dito de Jesus, portanto, colocava-o no mesmo nível da divindade, afirmando sua unidade profunda com Deus tanto no ser quanto no agir.

 

Os adversários do Mestre eram incapazes de dar este salto de qualidade. Seu horizonte teológico era insuficiente para isto. A conjugação do "Eu Sou" vétero-testamentário com a pessoa de Jesus de Nazaré supunha uma abertura de mente impossível de ser encontrada no âmbito do farisaísmo. O monoteísmo monolítico de sua fé não lhes permitia aceitar a pessoa do Messias, sem causar rupturas. Este, porém, ao revelar sua unidade com o Pai, não tinha nenhuma intenção de negar a fé monoteísta de seu povo. Simplesmente, ele sabia que Javé não era um Deus solitário. Junto com ele, estava seu Filho querido. [Evangelho nosso de cada dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

-A fim de que a Igreja, povo de Deus, seja fortalecida nesta caminhada quaresmal, peçamos. Pai do céu, ouvi-nos!

-A fim de que tenhamos entusiasmo para dar continuidade os projetos de Jesus, peçamos.

-A fim de que reconheçamos os sinais de Deus em nossa vida, peçamos.

-A fim de que, nesta Quaresma, busquemos viver a caridade e a conversão, peçamos.

-A fim que as propostas da Campanha da Fraternidade não fiquem esquecidas, peçamos.

-Preces espontâneas

 

Oração sobre as Oferendas:

Nós vos oferecemos, ó Deus, o sacrifício que nos reconcilia convosco, para que perdoeis os nossos pecados e orienteis os corações vacilantes Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Quando eu for exaltado da terra, diz o Senhor, atrairei a mm todas as coisas. (Jo 12, 32)

 

Oração Depois da Comunhão:

Concedei-nos, ó Deus todo-poderoso, que, desejando continuamente os vossos dons, nos aproximemos sempre mais dos bens celestes. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: Qual é a relação de Jesus com o Pai? É algo tão completamente diferente, tão singular, que Deus é seu Pai de uma forma em que Deus não é Pai de nenhum outro ser humano? Essa controvérsia abrange todo o capitulo 8 do Evangelho de João. O lado negativo questiona: se Jesus é o Filho único de Deus, e os que não creem nele são o quê? Os fariseus declaram que Abraão é pai deles e que, por intermédio dele, têm uma relação com Deus. A resposta de Jesus é que, embora sejam descontentes de Abraão, negam, na verdade, a origem de sua família, quando se recusam a fazer o que Abraão fez – crer. Assim voltam-se da verdade na qual deveriam crer para seu oposto, uma mentira engendrada pelo diabo. Muitas vezes a verdade nos passa pelo nosso nariz e não a percebemos! E então ficamos inventando desculpas e evasivas. Só tempos depois é que “cai a ficha”!

 

São Júlio I

O Martirológio Romano enumera nove santos e oito santas com esse nome e quase todos são mártires do primeiro século do cristianismo. Mas, hoje, celebramos Júlio, o primeiro papa a tomar este nome, e que dirigiu a Igreja de 337 a 352.


Júlio era de origem romana, filho de um certo cidadão chamado Rústico. Viveu no período em que a Igreja respirava a liberdade religiosa concedida pelo imperador Constantino, o Magno, em 313. Essa liberdade oferecia ao cristianismo melhores condições de vida e expansão da religião. Por outro lado, surgiram as primeiras heresias: donatismo, puritanismo na moral,e o arianismo, negando a divindade de Cristo.


Com a morte de Constantino, os sucessores, infelizmente, favoreceram os partidários do arianismo. O papa Júlio I tomou a defesa e hospedou o patriarca de Alexandria, Atanásio, o grande doutor da Igreja, batalhador da fé no concílio de Nicéia e principal alvo do ódio dos arianos, que o tinham expulsado da sede patriarcal. O papa Júlio I convocou dois sínodos de bispos em que, com a condenação do semi-arianismo, Atanásio foi reabilitado, recebendo cartas do papa que se felicitava com a Igreja de Alexandria, baluarte da ortodoxia cristã.

 

O papa Júlio I construiu várias igrejas em Roma: a dos Santos Apóstolos, a da Santíssima Maria de Trastévere, e três mandou construir nos cemitérios das vias Flavínia, Aurélia e Portuense, respectivamente as igrejas de São Valentim, de São Calisto e de São Félix. Cuidou da organização eclesiástica e da catequese catecumenal, ou seja, dos adultos e mais velhos


Morreu em 352, após quinze anos de pontificado. Foi sepultado no cemitério de Calepódio, na via Aurélia, numa igreja que ele também havia mandado edificar. Sua veneração começou entre os fiéis a partir do século VII. Suas relíquias, segundo a tradição, foram transladadas para a basílica de São Praxedes a pedido do papa Pascoal I. O seu culto, que já fora autorizado, refloresceu em 1505, quando do seu translado para a basílica da Santíssima Maria de Trastévere, em Roma. [paulinas.org.br]

 

 

Em defesa do Bom Pastor

Dom Aloísio Roque Oppermann scj, Arcebispo de Uberaba - MG

 

Em certa ocasião, um grupo de políticos católicos, na esteira da ideologia de seu partido, me pediu que, na Igreja, parássemos de falar em “pastor”, “rebanho”, “ovelhas”, pois isso se tinha tornado uma conversa desagradável aos ouvidos modernos. Levando em consideração o singular pedido, fiquei analisando por que tal idéia estava despertando neles tanta resistência. Cheguei à conclusão de que se trata de um enorme equívoco. As palavras generosas, brotadas dos lábios de Jesus, foram abordadas em outra chave de leitura, e não no seu sentido original, altamente simpáticas. “Eu sou o bom Pastor e conheço as minhas ovelhas” (Jo 10,11). Qual é o falso pressuposto dessa linda figura do Pastor? Veja a minha leitura.

 

Está suposto – sempre na idéia deles - que essa parábola transmite a idéia de que o povo ficaria reduzido à condição infantil; que esta imagem traria contexto da roça, e nós somos do meio urbano; que a obediência despersonaliza e mata a iniciativa; que o rebanho é levado para um destino bucólico de paz, de estagnação, e não de moderna luta; que essa imagem levaria a não ter iniciativa; ela realçaria demais a dependência do chefe e a identificação com ele; traria uma fatal dependência do grupo, totalmente sem fantasia e sem vontade própria. Mas ao contrário, acho essa figura muito linda e respeitável. Quem procurar entender bem, saberá que a idéia se desenvolve num ambiente sumamente positivo.  Jesus mostrou que a obediência não despersonaliza, mas faz crescer, como Ele fez diante do Pai. “Embora sendo Filho de Deus, aprendeu a ser obediente”  (Hb 5, 8). A parábola ensina que as ovelhas seguem o Bom Pastor. Portanto são livres, e não tangidas contra a vontade. A ovelha é um animal frágil, fácil presa de lobos. O ser humano precisa da proteção de alguém mais forte, que o liberte das garras dos malvados. Jesus é o protótipo da ternura, E tem relações sumamente amistosas para com seus seguidores, e não de domínio.  Ademais, por nada deste mundo vamos deixar de lado essa linda idéia do Pastor, porque ela tem raízes no Primeiro Testamento (veja o Sl 22), e sobretudo no Novo. Prefiro a Bíblia a qualquer eventual cartilha de grupos particulares. Diante da alergia de alguns poucos, vamos abandonar a praxe de 20 séculos de arte, de músicas, pinturas e de rica teologia?

 

 

O governo mais difícil é o governo de si mesmo. (Séneca)

 

Aconteceu no dia 12 de abril de 1890:  Tropas francesas ocupam Roma e devolvem o trono pontifício ao Papa Leão XIII