Terça-feira, 10 de maio de 2011

Terceira Semana da Páscoa, 3ª do Saltério (Livro II),  cor Litúrgica Branca

 

 

Hoje: Dia da Cozinheira, dia da Cavalaria e dia do Campo

 

Santos: Isidoro (lavrador), Solange (Virgem e Mártir), Blanda, Nazário, Damião de Molokai (bem aventurado), Jó (bem aventurado), Aureliano (bispo de Limoges), Cataldo (monge irlandês, Bispo de Taranto), Antonino (Arcebispo de Florença), Calepódio (Mártir), Gordiano, Epímaco (mártir), Álfio e seus Companheiros (mártires), Conleto (ou Conleth, Bispo de Kildare), Beatriz de Este (beata, virgem), João de Ávila, João Wall (Joaquim de Santa Ana, mártir franciscano da 1ª Ordem).

 

Antífona: Louvai o nosso Deus, todos vós que o temeis, pequenos e grandes; pois manifestou-se a salvação, a vitória e o poder do seu Cristo, aleluia! (Ap 19,5; 12,10)

 

Oração: Ó Deus, que abris as portas do reino dos céus aos que renasceram pela água e pelo Espírito Santo, aumentai em vossos filhos e filhas a graça que lhes destes para que, purificados de todo pecado, obtenham os bens que prometestes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Atos (At 7, 51-8,1a)

Estêvão denuncia a falta de fé dos judeus

 

Naqueles dias, Estêvão disse ao povo, aos anciãos e aos doutores da lei: 51"Homens de cabeça dura, insensíveis e incircuncisos de coração e ouvido! Vós sempre resististes ao Espírito Santo e como vossos pais agiram, assim fazeis vós! 52A qual dos profetas vossos pais não perseguiram? Eles mataram aqueles que anunciavam a vinda do justo, do qual, agora, vós vos tomastes traidores e assassinos. 53Vós recebestes a lei, por meio de anjos, e não a observastes!" 54Ao ouvir essas palavras, eles ficaram enfurecidos e rangeram os dentes contra Estêvão. 55Estêvão, cheio do Espírito Santo, olhou para o céu e viu a glória de Deus e Jesus, de pé, à direita de Deus. 56E disse: "Estou vendo o céu aberto e o Filho do homem, de pé, à direita de Deus". 57Mas eles, dando grandes gritos e, tapando os ouvidos, avançaram todos juntos contra Estêvão; 58arrastaram-no para fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem, chamado Saulo. 59Enquanto o apedrejavam, Estêvão clamou dizendo: "Senhor Jesus, acolhe o meu espírito". 60Dobrando os joelhos, gritou com voz forte: "Senhor, não os condenes por este pecado". E, ao dizer isto, morreu. 8,1aSaulo era um dos que aprovavam a execução de Estêvão. Palavra do Senhor!

 

Comentando a Leitura

Senhor Jesus, acolhe o meu Espírito

 

A fala de Estêvão, de que lemos hoje o último trecho, é uma rápida releitura cristã do Antigo Testamento.  Estêvão mostra que a trágica aventura do povo que diz "não" a Deus, e rejeita os mediadores da salvação, está nas últimas. A recusa dos pais com relação a Deus tem sua trágica consumação na atitude do Sinédrio em confronto com o Messias e, agora, com Estêvão, sua testemunha. O povo de Deus de certo modo se trai a si mesmo. Reunido pela ação divina para acolher e dar a salvação em Cristo, rejeita o projeto de Deus, trai a própria missão e torna-se assassino. Mata o autor da vida e afasta-se da vida, da salvação. Agora mata Estêvão.  Estêvão não morre apenas "por Cristo", morre como Cristo, com ele, e tal participação no próprio mistério da paixão de Jesus está na base da fé do mártir. Com essa morte ele afirma, a seu modo, que a morte não foi a última palavra da vida de Jesus. Este não cessa de viver além da morte, como o prova o comportamento de seus fiéis. [Extraído do MISSAL COTIDIANO  ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 30 (31), 3cd-4.6ab e 7b e 8a.17 e 21ab (R/.6a)
Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu Espírito

 

Sede uma rocha protetora para mim, um abrigo bem seguro que me salve! Sim, sois vós a minha rocha e fortaleza; por vossa honra orientai-­me e conduzi-me!  

 

Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito, porque vós me salvareis, ó Deus fiel! Quanto a mim, é ao Senhor que me confio, vosso amor me faz saltar de alegria.  

 

Mostrai serena a vossa face ao vosso servo, e salvai-me pela vossa compaixão! Na proteção de vossa face os defendeis bem longe das intrigas dos mortais.

 

 

Evangelho: João (Jo 6, 30-35)

Meu Pai é que vos dá o verdadeiro pão do céu

 

Naquele tempo, a multidão perguntou a Jesus: 30"Que sinal realizas, para que possamos ver e crer em ti? Que obra fazes? 31Nossos pais comeram o maná no deserto, como está na escritura: 'Pão do céu deu-lhes a comer"'. 32Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade vos digo, não foi Moisés quem vos deu o pão que veio do céu. É meu Pai que vos dão verdadeiro pão do céu. 33Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo". 34Então pediram: "Senhor, dá-nos sempre desse pão". 35Jesus lhes disse: "Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede". Palavra da Salvação!

 

 

Comentário o Evangelho

Que milagres realizas?

 

A questão apresentada a Jesus põe em xeque a idoneidade e a credibilidade de sua missão. Era como se estivessem pedindo suas credenciais. Se não pudesse provar que estava agindo com autoridade, seria um simples impostor.


Servindo-se de uma brecha oferecida por seus interlocutores, o Mestre lhes sugere uma reflexão. Segundo eles, no passado, Moisés havia revelado a veracidade de sua missão ao alimentar a multidão com o maná descido do céu. Também, Jesus deveria fazer algo para provar quem ele era.


A ponderação de Jesus levanta dúvidas sobre uma crença inquestionável: o milagre não fora realizado por Moisés, mas pelo Pai. Este, sim, foi quem alimentou o povo na sua penosa marcha pelo deserto. O Pai estava tomando novamente a mesma providência de alimentar seu povo. Só que, agora, o maná era seu próprio Filho. Por isso, este podia apresentar-se como "o pão da vida", capaz de saciar a fome e a sede de quantos se deixassem atrair por ele.


Por conseguinte, antes de mais nada, era mister perceber o sinal que o Pai estava realizando na pessoa de seu Filho. Qualquer outro milagre seria inútil, se este sinal fundamental não fosse percebido.


A perspicácia teológica dos interlocutores de Jesus estava sendo posta à prova. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997]

 

Santo Antonino de Florença

 

 

 

Nomeado arcebispo de Florença, fugiu para não ter que assumir o cargo, mas foi encontrado e teve por força que aceitá-lo. Revelou-se um grande arcebispo, cheio de zelo e espírito apostólico. Combateu o neopaganismo renascentista e defendeu o Papado no Concílio de Basiléia. Deixou escritos teológicos de valor. Tal era sua fama de santidade no tempo em que vivia que, certa vez, o Papa Nicolau V declarou em público que o julgava tão digno de ser canonizado ainda vivo quanto São Bernardino de Sena, que acabava de ser elevado às honras dos altares. Homem de grande cultura e virtudes exímias: SANTO ANTONINO, que teve sempre enorme aceitação entre o povo. A ele deve-se não apenas a fundação convento de São Marcos, célebre em Florença, como também os preciosismos afrescos de Angélico. São verdadeiros monumentos históricos, marcados por raro valor artístico. O povo costumava chamar o seu arcebispo de "Antonino dos Bons Conselhos". A obra escrita que nos deixou prova suficientemente que o povo tinha razão.

 

Oração da assembleia (Deus Conosco)

Para que a Igreja seja sempre motivada pelo testemunho dos mártires, e fiel cumpridora de sua missão no mundo, rezemos ao bom Deus. Senhor, ouvi-nos!

Para que as crianças e os jovens encontrem nos adultos e na Comunidade o rosto misericordioso de Crist, rezemos ao bom Deus.

Por todos nós, para que nossas palavras e atitudes ajudem as pessoas a descobrir a grandeza que é pertencer ao Reino, rezemos ao bom Deus.

Pelas cozinheiras, para que recebam gratidão e respeito por tão nobre serviço prestado a todos, rezemos ao bom Deus.

(Intenções próprias da comunidade)

 

Oração sobre as Oferendas:

Acolhei, ó Deus, as oferendas da vossa Igreja em festa. Vós, que sois a causa de tão grande júbilo, concedei-lhe também a eterna alegria. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Se morremos com Cristo, cremos que também viveremos com Cristo!

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, olhai com bondade o vosso povo e concedei aos que renovastes pelos vossos sacramentos a graça de chegar um dia à glória da ressurreição da carne. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: Para crer pedem credenciais, como se o milagre do pão não fosse sinal, e de fato não o entenderam como sinal. O dom do maná ocupa um lugar importante na tradição bíblica, mas o doador não é Moisés. A realidade está aqui: o doador é o Pai, o dom é Jesus, sustento da vida nova. No Pai-nosso se pede “nos daí hoje”. O pedido serve par introduzir a nova  seção, sobre o pão da vida, que é em primeiro plano o ensinamento e no segundo a eucaristia. Jesus é o pão da vida e o alimento sacramental que se compartilha na eucaristia. A Palavra de Jesus é pão da vida que se recebe pela fé.  

 

E depois a morte de Cristo...

John Nascimento

1.- O Mistério Pascal é de tal importância na vida litúrgica da Igreja e na vida e atividade apostólica de todos os redimidos pelo Sangue de Cristo, que a sua celebração se prolonga por 50 dias, número cheio de significado, pois exprime também a plenitude da salvação definitivamente alcançada por Jesus Ressuscitado e por Ele oferecida aos homens. Estamos, portanto, ainda plenamente dentro do Tempo Pascal.

 

Neste tempo litúrgico, chamado Tempo Pascal, a Igreja faz-nos saborear toda a riqueza de doutrina e de vida, encerrada no Mistério da Redenção. A partir da Vigília Pascal, até ao Pentecostes, como se todo este tempo fosse "um único grande domingo" (S. Atanásio), a Liturgia revive, "na alegria e na exultação", os diferentes aspectos do único e grande mistério:  "Cristo ressuscitado, nossa salvação". Deste modo, a Páscoa, a Ascensão e o Pentecostes não são acontecimentos distintos, isolados.

 

São três momentos históricos da vida do Ressuscitado, através dos quais se completa e aperfeiçoa o plano divino da Redenção.

 

2.- Este caráter unitário do Tempo Pascal é bem sublinhado pela Liturgia, ao chamar aos Domingos que nele ocorrem, "Domingos de Páscoa" e ao recordar, na Missa vespertina da Vigília de Pentecostes, que o Senhor quis "encerrar a celebração da Páscoa no tempo sagrado de cinqüenta dias". Verdadeira Primavera espiritual, este "tempo sagrado é", por excelência, o tempo da alegria cristã. Essa alegria, que tem a sua expressão no cântico triunfal do Aleluia, com tanta frequência repetido neste tempo litúrgico, nasce da certeza de que Jesus Cristo está vivo e presente no meio de nós, como no-lo indica o círio pascal, que continua a iluminar as nossas assembléias, até ao Pentecostes.

 

3.- O Tempo Pascal é também tempo de esperança. Os cinqüenta dias da celebração pascal são uma celebração antecipada dos bens do Céu, "do tempo da alegria, que virá depois, do tempo do repouso, da felicidade e da vida eterna.  Hoje cantamos o Aleluia pelo caminho; amanhã será o Aleluia na prática" (S. Agostinho).

 

Durante o Tempo Pascal, as Leituras do Antigo Testamento são substituídas pelos Atos dos Apóstolos, em que S. Lucas nos narra a origem do novo Povo de Deus, sob a ação de Jesus Ressuscitado, nos transmite a pregação dos Apóstolos e nos descreve a vida da primeira comunidade cristã, assim como a difusão da fé.

 

Comunidade em que Jesus Cristo Ressuscitado vive e age, na Igreja continua-se, na verdade, a História da Salvação. Nela, os anúncios dos profetas estão em vias de realização.

Quanto à 2ª Leitura, temos, no Ano A, S. Pedro com a sua 1ª Carta, de profundas características Pascais.

 

A proclamação do Mistério Pascal, feita pelo Chefe da Igreja, nos Atos dos Apóstolos(1ª Leitura), prolonga-se assim na 2ª Leitura.

 

Nos Anos B e C, S. João refere-nos o testemunho daquele que “viu com os seus olhos e tocou com as suas mãos o Verbo da Vida” (1 Jo 1,1).

 

A sua 1ª Carta, em que sobressaem os grandes temas do Discípulo amado a saber, a fé em Jesus, a salvação operada pela sua paixão e a lei da caridade, é lida no Ano B.

 

No Ano C, a 2ª Leitura é tirada do misterioso Livro, o Apocalipse, em que S. João, profeticamente, descreve o desenvolvimento triunfal do Povo de Deus, através dos tempos, e a sua vida na glória celeste.

 

Todos os Evangelhos do Tempo Pascal, à exceção de dois, são extraídos igualmente, de S. João. Todas as leituras do Tempo Pascal estão intimamente unidas entre si. Todas falam da fé em Cristo Ressuscitado e da vida da Igreja, reunida pela fé no Senhor Jesus. (Missal Popular).      

 

Afinal, quem é esse Jesus de Nazaré?

Card. Odilo P. Scherer, Arcebispo de São Paulo - SP

 

Com o Domingo de Ramos, iniciamos a Semana Santa, o momento mais denso da Liturgia da Igreja, que culmina com o sagrado Tríduo Pascal de paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. São dias de intensa oração, de práticas de religiosidade e de participação nas celebrações da Igreja.

 

Acompanhamos a última semana da vida terrena de Jesus: sua entrada triunfal em Jerusalém, a última ceia com os amigos apóstolos, a trama da traição de Judas e da prisão no Horto das Oliveiras; a farsa do julgamento perante as autoridades religiosas e civis; a condenação injusta, a crucificação, morte na cruz e sepultura; o túmulo vazio e os encontros do Ressuscitado com os discípulos.

 

Todos esses “passos da paixão” têm grande densidade de significados e convém lermos em nossas casas, com toda a calma, os trechos dos Evangelhos referentes à paixão de Cristo. A própria Liturgia da Igreja o faz no Domingo de Ramos e na Sexta-Feira Santa. Mas também seria bom ler algum livro de explicação da Escritura, ou de teologia, sobre a paixão de Cristo. Talvez gostamos de ver algum filme ou peça teatral, ou lemos algum livro sobre Jesus; isso não é mal, mas é preciso distinguir, pois aí as interpretações geralmente são livres e mesmo fantasiosas, não sendo fiéis aos relatos da Escritura. Nada substitui a leitura dos textos do Novo Testamento, que trazem as primeiras interpretações e testemunhos, que dão a base para a fé da Igreja.

 

Não nos contentemos com qualquer imagem de Jesus Cristo, nem com aquelas que só prometem milagres e não pedem a conversão do coração, ou escondem o caminho da cruz; e são tantas as imagens distorcidas e fantasiadas sobre Jesus, ao longo da História e também hoje. A Igreja, comunidade dos discípulos de Jesus Cristo, sofreu muito no seu início para afirmar e preservar a imagem fidedigna de Jesus Cristo e para transmiti-la, de modo fiel, através dos séculos; nunca assumiu interpretações discordantes com o testemunho dos apóstolos, aqueles que “viram” Jesus, estiveram com ele e o encontraram depois de sua morte e ressurreição - “não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos” (At 4,20).

 

As celebrações da Semana Santa e da Páscoa suscitam algumas perguntas, para as quais devemos buscar respostas sinceras: afinal, quem é Jesus Cristo? Quais foram seus ensinamentos? Por quê foi condenado à morte de cruz? O que dizem os testemunhos do Novo Testamento sobre os fatos recordados na celebração da Páscoa? Que significado têm sua vida, paixão e morte para a humanidade e para cada um de nós? Qual é minha relação pessoal com Jesus Cristo?

 

Recentemente, foi publicada a tradução portuguesa da 2ª. parte do livro do papa Bento XVI – Jesus de Nazaré – que se ocupa, justamente, da entrada de Jesus em Jerusalém até à ressurreição. Seria ótimo ler esse livro no tempo pascal. Uma das preocupações do Papa é a de proporcionar aos leitores o acesso ao “verdadeiro Jesus” e o encontro com ele, como nos é dado a conhecer pela Escritura e pela fé da Igreja.

 

É isso mesmo: o “verdadeiro Jesus” não é aquele que cada um se constrói, conforme suas conveniências, sentimentos ou preconceitos, mas aquele que nos é dado a conhecer por aqueles que estiveram com ele e deixaram isso relatado no Novo Testamento; e também pela fé da comunidade dos fiéis, na Igreja, que persevera “no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações” (cf At 2,42); ali, o próprio Ressuscitado continua presente e se manifesta aos seus, como fez após a ressurreição. [CNBB]

 

Quem tem caridade em seu coração tem sempre alguma coisa para dar aos outros. (Santo Agostinho)