Terça-feira, 10 de março de 2009
Segunda Semana da Quaresma, Ano Ímpar, 2ª Semana do Saltério, cor Litúrgica Roxa
Iluminai meus olhos, Senhor, guardai-me do sono da morte. Que meu inimigo não possa dizer: triunfei sobre ele. (Sl 12, 4-5)
Santos do Dia: Anastácia, a Patriciana (virgem, mártir de Constantinopla), Atala de Bobbio (abade), Caio e Alexandre (mártires de Apamea, na Frígia), Codrato, Dionísio, Cipriano, Aneto, Paulo e Crescente (mártires de Corinto), Doroteu de Paris (abade), Emiliano de Lagny (abade), Himelin de Vissenaeken (presbítero), João de Ogilvie (jesuíta, mártir), Kessog de Lennox (bispo, mártir), Macário de Jerusalém (bispo), Simplício (papa), Vítor (mártir do Norte da África), André de Strumi (abade, bem-aventurado), João de Vallumbrosa (monge, bem-aventurado), Pedro de Geremia (dominicano, bem-aventurado).
Oração: Guardai, Senhor Deus, a vossa Igreja com a vossa constante proteção e, como a fraqueza humana desfalece sem vosso auxílio, livrai-nos constantemente do mal e conduzi-nos pelos caminhos da salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.
Leitura:
Isaías (Is 1, 10.16-20)
Aprendei a fazer o bem!
10Ouvi a palavra do Senhor, magistrados de Sodoma, prestai ouvidos ao ensinamento do nosso Deus, povo de Gomorra. 16Lavai-vos, purificai-vos. Tirai a maldade de vossas ações de minha frente. Deixai de fazer o mal! 17Aprendei a fazer o bem! Procurai o direito, corrigi o opressor. Julgai a causa do órfão, defendei a viúva.
18Vinde, debatamos - diz o Senhor. Ainda que vossos pecados sejam como púrpura, tornar-se-ão brancos como a neve. Se forem vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como lã. 19Se consentirdes em obedecer, comereis as coisas boas da terra. 20Mas se recusardes e vos rebelardes, pela espada sereis devorados, porque a boca do Senhor falou! Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Aprendei a fazer o bem
O pecado é fratura, divisão, dilaceramento. Ele pode insinuar-se até em nossa vida de fé e separar a fé da vida. Chega-se a este ponto quando se cede à tentação, continuamente presente na humanidade, de reduzir a fé prevalentemente à sua manifestação, à chamada prática cristã. Reduz-se assim a fé a uma etiqueta superficial, pratica-se uma religião sem fé, intolerável aos olhos de Deus. A reforma litúrgica, empenhada em tornar mais ativa e consciente a participação dos cristãos nas celebrações litúrgicas, torna mais difícil o exercício de um culto considerado como tributo a pagar. A liturgia hoje nos força a ser mais sinceros e autênticos em nossas atitudes religiosas.
Salmo: 49(50), 8-9.16bc-17.21 e 23 (R/.23b)
A todos que procedem retamente, eu
mostrarei a salvação que vem de Deus
“Eu não venho censurar teus sacrifícios, pois sempre estão perante mim teus holocaustos; não preciso dos novilhos de tua casa nem dos carneiros que estão nos teus rebanhos.
Como ousas a repetir os meus preceitos e trazer minha Aliança em tua boca? Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos e deste as costas às palavras dos meus lábios!
Diante disso que fizeste, eu calarei? Acaso pensas que eu sou igual a ti? E disso que te acuso e repreendo e manifesto essas coisas aos teus olhos.
Quem me oferece um sacrifício de louvor, este sim é que me honra de verdade. A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus”.
Evangelho: Mateus (Mt 23, 1-12)
Um só é vosso mestre e todos vós são irmãos
Naquele tempo, 1Jesus falou às multidões e aos seus discípulos e lhes disse: 2"Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. 3Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. 4Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo.
5Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros. Eles usam faixas largas, com trechos da Escritura, na testa e nos braços, e põem na roupa longas franjas.
6Gostam de lugar de honra nos banquetes e dos primeiros lugares nas sinagogas. 7Gostam de ser cumprimentados nas praças públicas e de serem chamados de Mestre. 8Quanto a vós, nunca vos deixeis chamar de Mestre, pois um só é vosso Mestre e todos vós sois irmãos.
9Na terra, não chameis a ninguém de pai, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. 10Não deixeis que vos chamem de guias, pois um só é vosso Guia, Cristo. 11Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. 12Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado". Palavra da Salvação!
Comentário do Evangelho[2]
Cuidado com o exibicionismo
Jesus cuidou para que seus discípulos não imitassem os maus costumes dos fariseus. Abusando da boa-fé das pessoas simples, eles as oprimiam. Quando consultados, faziam interpretações rigorosas e exigentes da Lei. No entanto, tudo era diferente quando chegava a vez deles cumprirem essa mesma Lei. Seu agir pautava-se por um dualismo intransigente: severidade para os outros e permissividade para si mesmos.
Os fariseus distinguiam-se pelo exibicionismo. Suas roupas eram adornadas por franjas exageradas. Traziam, amarrados na fronte e nos braços, pequenos estojos contendo textos da Lei. Para que todos se dessem conta disto, usavam tiras de couro bem largas para atar esses estojos. Quando chegavam nas sinagogas, faziam questão de ocupar um lugar de destaque. Na rua, gostavam de ser saudados pelos passantes. Na época, essa saudação constava de um ritual bem complicado. Além disso, não abriam mão de serem chamados de "rabinos", para que sua importância ficasse bem evidente.
Jesus procurou banir tal comportamento do meio de seus discípulos, ensinando-lhes o caminho do serviço e da humildade. Nada de querer parecer melhor que os outros, querendo assim assumir um lugar que pertence unicamente a Deus e acabando por se tornar um terrível opressor. O discípulo deve ser movido por outros sentimentos!
São João Ogilvie[3]
Em 1593 converteu-se à religião católica, entrou no Colégio escocês de Douai e, em 1695, foi para Lavaina onde teve como mestre o famoso Cornélio Lápido. Prosseguiu seus estudos em Ratisbona em 1598 e um ano depois foi admitido como noviço no Colégio dos Jesuítas em Brunnmoróvia. Estudou em diversos lugares e ordenou-se sacerdote em Paris. Em 1610, aos 31 anos de idade, pedia muitas vezes para trabalhar na Escócia, sua pátria a qual não via há 22 anos e meio, foi atendido. A situação dos escoceses estava péssima: era considerado como crime assistir a missas e quem as assistisse corria o risco de perder a vida, seus bens e herdeiros, confiscados pelo Estado. João partiu para Edimburgo e ali exerceu um apostolado clandestino até dia 3 de outubro de 1614 quando, no dia seguinte foi preso em Glasgow por ordens do arcebispo protestante João Spattiswood. Ficou durante 4 meses preso num regime desumano, sem poder realizar nem um movimento, preso por correntes. Foi torturado várias vezes, para que apostatasse. Cinco vezes foi chamado diante do juiz em Glasgow e Ediumburgo. Na ultima sessão, em 10 de março de 1615, foi enforcado no centro de Glasgow e canonizado em 1976.
O encontro com Deus não só coloca o ser humano na presença do Absoluto, plenifica-o e transforma a sua vida. (André Ridouard)