Terça-feira, 8 de junho de 2010

Décima Semana do Tempo Comum, 2ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

Santos: Calíopa (virgem, mártir), Círia de Troyes (virgem), Clodulfo de Metz (bispo), Eustadíola de Moyen-Moutier (abadessa), Gildardo de Rouen (bispo), Heráclio de Sens (bispo), Maximino de Aix (bispo), Medardo de Noyon (bispo), Melânia, a mais velha (viúva de Roma), Roberto de Frassinoro (abade), Salustiano da Sardenha (eremita, mártir), Severino de Sanseverino (bispo), Vitorino de Camerino (bispo), William Fitzherbert (bispo de York).

 

Antífona: O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem poderia eu temer? O Senhor é o baluarte de minha vida, perante quem tremerei? Meus opressores e inimigos, são eles que vacilam e sucumbem. (Sl 26, 1-2)

 

Oração: Ó Deus, fonte de todo bem, atendei ao nosso apelo e fazei-nos, por vossa inspiração, pensar o que é certo e realizá-lo com vossa ajuda. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: I Livro dos Reis (1Rs 17, 7-16)
A providência de Deus age em favor de Elias

 

Naqueles dias, 7secou a torrente do lugar onde Elias estava escondido, porque não tinha chovido no país. 8Então a palavra do Senhor foi-lhe dirigida nestes termos: 9"Levanta-te e vai a Sarepta dos sidônios, e fica morando lá, pois ordenei a uma viúva desse lugar que te dê sustento".

 

10Elias pôs-se a caminho e foi para Sarepta. Ao chegar à porta da cidade, viu uma viúva apanhando lenha. Ele chamou-a e disse: "Por favor, traze-me um pouco de água numa vasilha para eu beber". 11Quando ela ia buscar água, Elias gritou-lhe: "Por favor, traze-me também um pedaço de pão em tua mão!" 12Ela respondeu: "Pela vida do Senhor, teu Deus, não tenho pão. Só tenho um punhado de farinha numa vasilha e um pouco de azeite na jarra. Eu estava apanhando dois pedaços de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho, para comermos e depois esperar a morte".

 

13Elias replicou-lhe: "Não te preocupes! Vai e faze como disseste. Mas, primeiro, prepara-me com isso um pãozinho, e traze-o. Depois farás o mesmo para ti e teu filho. 14Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: 'A vasilha de farinha não acabará e a jarra de azeite não diminuirá, até o dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra"'.

 

15A mulher foi e fez como Elias lhe tinha dito. E comeram, ele e ela e sua casa, durante muito tempo. 16A farinha da vasilha não acabou nem diminuiu o óleo da jarra, conforme o que o Senhor tinha dito por intermédio de Elias. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

A farinha da vasilha não acabou conforme o

que o Senhor tinha dito por intermédio de Elias

 

Estamos em atmosfera de fé; se acharmos irrespirável este ar fino, todo o relato se torna absurdo. Exigem-se pulmões sadios para o ar das alturas: quem aí vive tem vida forte. Elias diz de si: "Estou na presença de Deus"; tem ele esta fé, eis por que ousa fazer para a viúva um pedido e uma promessa excessiva. Mas igual fé demonstra a estrangeira, que acredita no Deus de Elias e tem um gesto de caridade. Ela preludia aquela mulher, também de Sarepta, que será louvada por Jesus por causa de sua grande fé (Mt 15,21-28). Contraste estridente: Elias deverá opor-se a Jezabel, que adora Baal (1Rs 18,19) e é acolhido por uma estrangeira, que crê em Javé; a perfídia de Jezabel merecerá uma maldição (1Rs 21,17-24) e a viúva de Sarepta mereceu uma bênção. Esta página fala de universalismo da fé e mostra-nos um contraste: também fora daquele que se chama "povo de Deus" encontram-se fé e caridade autênticas enquanto dentro dele faltam em muitos tais virtudes. [Missal Cotidiano ©Paulus, 1998]

 

 

Salmo: 4, 2-3.4-5.7-8 (R/.7)
Sobre nós fazei brilhar o esplendor da vossa face!

 

Quando eu chamo, respondei-me, ó meu Deus, minha justiça! Vós que soubestes aliviar-me nos momentos de aflição, atendei-me por piedade e escutai minha oração! Filhos dos homens, até quando fechareis o coração? Por que amais a ilusão e procurais a falsidade?

 

Compreendei que nosso Deus faz maravilhas por seu servo, e que o Senhor me ouvirá quando lhe faço a minha prece! Se ficardes revoltados, não pequeis por vossa ira; meditai nos vossos leitos e calai o coração!

 

Muitos há que se perguntam: "Quem nos dá felicidade?" Sobre nós fazei brilhar o esplendor de vossa face! Vós me destes, ó Senhor, mais alegria ao coração, do que a outros na fartura do seu trigo e vinho novo.
 
 

Evangelho: Mateus (Mt 5, 13-16)
Brilhe a todos a vossa luz

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 13"Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. 14Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. 15Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. 16Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mc 4, 21; 9,50; Lc 8, 16; 11,33; 14,34-35

 

 

Comentando o Evangelho

Sal e Luz

 

As parábolas do sal e da luz confrontam os discípulos do Reino com sua responsabilidade perante a realidade humana, apelando para a força transformadora de sua presença no mundo. Na medida em que se revelam servidores, manifestam a profundidade de sua adesão ao projeto de Deus.


A vocação de servidor concretiza-se na ajuda às pessoas a fim de que elas enfrentem as insinuações do maligno que quer corrompê-las pela maldade e pelo egoísmo.


Se, diante da corrupção do mundo, o discípulo permanece impassivo, recusando-se a agir, será como o sal insosso. Logo, tornar-se-á imprestável, e deverá ser jogado fora. A cozinheira não terá por que conservá-lo. Algo semelhante passa-se com o Pai em relação ao discípulo omisso diante da realidade a ser transformada.


Por outro lado, o discípulo mostra-se servidor, quando irradia a luz de Cristo para que seus semelhantes trilhem o caminho da verdade, do amor e da justiça. Sem esta luz, correriam o risco de descambar para a mentira, o egoísmo e a injustiça, com uma conseqüente condenação. No entanto, ele deverá buscar a posição adequada para que seu testemunho de vida abranja o maior número possível de pessoas. Sua luz deve chegar a todos os seres humanos, sem distinção, de modo a fazê-los encontrar o caminho para Deus.
[Evangelho nosso de cada dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997]

 

Para sua reflexão: Como o sal dá sabor aos alimentos e os conserva, assim também os discípulos se devem comportar no meio da humanidade (Mc 9,49); Lc 14,34, Cl 4, 5-6). Da função do sal falam os sacrifícios da Antiga Aliança (Lv 2,13); da sua importância enquanto símbolos de durabilidade falam as “alianças de sal” (Nm 18,19), os pactos perpétuos (2Cr 13,5). A sublinhar a lição, segue-se a imagem da luz. (BIBLIA DOS CAPUCHINHOS, Difusora Biblia)

 

 

Santo Efrém

 

Efrém nasceu em 306 em Nisibina ou em seus arredores (Mesopotâmia), Depois de ter estudado junto ao bispo daquela cidade, Jacob (Jaime) se converteu no animador de uma escola de doutrina, poesia e canto. Refugiou-se em Edesa no ano 367, por causa da ocupação persa de Nisibina, e nela prosseguiu suas atividades de ensinamento, unidas a composição de muitos escritos exegéticos, catequéticos e hinos em siríaco. Sua exuberância poética era tão grande e tal o gosto dos sírios pela poesia, que muitas homilias estão compostas em versos. Recebeu o título de "Profeta dos Sírios" e "Cítara do Espírito Santo" e a tradição se alegrou em engrandecê-lo, ao estilo dos dois primeiros apotegmas, atribuindo-lhe a concessão milagrosa dos carismas da palavra, da sabedoria e também das lágrimas. A respeito dele foi escrito que era tão natural vê-lo chorar como respirar. Levou, desde muito jovem, juntamente com outros, vida comum na castidade, pobreza e penitência e retiro, compatível, não obstante, com o ensinamento e a pregação. Foi ordenado diácono, mas não sabemos exatamente quando. Muitos são os escritos sobre a sua vida, mas lamentavelmente, mistura-se muitos elementos lendários. Várias fontes revelam que se ocupou com grande generosidade a assistência aos enfermos, famintos, dando sepultura aos mortos numa época de grande miséria. Seja verdadeira ou não esta informação, é de grande significado, pois a Tradição queria transmitir dele um perfil completo, não só como grande escritor e compositor de hinos, como também, a imagem de um diácono entregue ao serviço dos mais necessitados. Morreu no ano 373, sendo tão venerado que rapidamente seus hinos e outros escritos foram introduzidos nas celebrações litúrgicas.

 

Ah, o amor.... que nasce não sei onde, vem não sei como

e dói não se por que... (Carlos Drumont de Andrade)