Terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Santo Ambrósio, Bispo e Doutor, Memória, II do Saltério, Livro I, Cor Branca

 

 

Hoje: Dia Nacional do Cirurgião Plástico

 

Santos: Acesima, Leão e Isidoro (mártires), Agáton de Alexandria (mártir), Ambrósio (Bispo de Milão e Doutor da Igreja), Atenodoro da Mesopotâmia (mártir), Burgundófora de Faremouthiers (abadessa), Bute Mac Brónaigh (abadessa), Eutiquiano (papa), Eutrópio de Saintes (abade), Geraldo de Óstia (bispo), Geretrando de Bayeux (bispo), Maria José Rosseló (virgem, fundadora), Martinho de Saujon (abade), Pigimi do Egito (eremita), Policarpo e Teodoro de Antioquia (mártires), Servo de Tuburbo (mártir), Simeão de Vancé (eremita), Ptolomeu de Antinoe (mártir), Humberto de Igny (abade), Urbano de Teano (bispo), Vítor de Piacenza (bispo).

 

Santos: Farei surgir um sacerdote fiel, que agirá segundo o meu coração e a minha vontade, diz o Senhor. (1Sm 2, 35)

 

Oração: Ó Deus, que fizestes o bispo santo Ambrósio doutor da fé católica e exemplo de intrépido pastor, despertai na vossa Igreja homens segundo o vosso coração, que a governem com força e sabedoria. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Isaías (Is 40, 1-11)
Mensagem de consolação aos exilados

 

1Consolai o meu povo, consolai-o! – diz o vosso Deus. 2Falai ao coração de Jerusalém e dizei em alta voz que sua servidão acabou e a expiação de suas culpas foi cumprida; ela recebeu das mãos do Senhor o dobro por todos os seus pecados. 3Grita uma voz: "Preparai no deserto o caminho do Senhor, aplainai na solidão a estrada de nosso Deus. 4Nivelem-se todos os vales, rebaixem-se todos os montes e colinas; endireite-se o que é torto e alisem-se as asperezas: 5a glória do Senhor então se manifestará, e todos os homens verão juntamente o que a boca do Senhor falou". 6Dizia uma voz: "Grita!" E respondi: "O que devo gritar?" A criatura humana é feno, toda a sua glória é como flor do campo; 7seca o feno, murcha a flor ao soprar o Senhor sobre eles. Sim, o povo é feno. 8Seca o feno, murcha a flor, mas a palavra de nosso Deus fica para sempre.

 

9Sobe a um alto monte, tu, que trazes a boa nova a Sião; levanta com força a tua voz, tu, que trazes a boa nova a Jerusalém, ergue a voz, não temas; dize às cidades de Judá: "Eis o vosso Deus, 10eis que o Senhor Deus vem com poder, seu braço tudo domina: eis, com ele, sua conquista, eis à sua frente a vitória. 11Como um pastor, ele apascenta o rebanho, reúne, com a força dos braços, os cordeiros e carrega-os ao colo; ele mesmo tange as ovelhas-mães". Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura
Deus consola o seu povo

 

Descreve o profeta aquele que está para vir e ao mesmo tempo exorta os homens a preparar-lhe o caminho. Não é mais tempo de tristeza e desânimo; mesmo os que perderem a confiança devem crer novamente: o Senhor vem de verdade! Mas têm os homens esta sensação? Num mundo cheio de misérias e maldades a visão de Deus é muitas vezes deformada. Há quem pretenda que Deus intervenha sempre com um toque mágico para sanar as chagas da humanidade; há quem veja nele apenas o juiz inexorável que nos espiona para punir todas as iniquidades. E, no entanto, as palavras de Deus são sobretudo palavras de paz. É um Deus que vem com poder, mas poder que se apresenta sob as imagens mais afáveis e carinhosas, como a do pastor que apascenta o seu rebanho e traz ao ombros os cordeirinhos. Jesus assumirá esta imagem, e toda a sua vida e todos os seus atos revelarão o amor do Pai, a sua verdadeira face. MISSAL COTIDIANO. ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo Responsorial: 95 (96), 1-2.3 e 10ac. 11-12.13 (R/.cf.Is 40, 9-10)
Olhai e vede: o nosso Deus vem com poder!

 

1Cantai ao Senhor Deus um canto novo, cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! 2Cantai e bendizei seu santo nome! Dia após dia anunciai sua salvação.

 

3Manifestai a sua glória entre as nações, e entre os povos do universo seus prodígios! 10aPublicai entre as nações: "Reina o Senhor!" 10ce os povos ele julga com justiça.

 

11O céu se rejubile e exulte a terra, aplauda o mar com o que vive em suas águas; 12os campos com seus frutos rejubilem e exultem as florestas e as matas.

 

13Na presença do Senhor, pois ele vem, porque vem para julgar a terra inteira. Governará o mundo todo com justiça, e os povos julgará com lealdade.

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 18, 12-14)
Deus à procura da ovelha perdida

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 12"Que vos parece? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixa ele as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu? 13Em verdade vos digo, se ele a encontrar, ficará mais feliz com ela, do que com as noventa e nove que não se perderam. 14Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos”. Palavra da Salvação

 

Leituras paralelas: Lc 15, 4-7

 

 

Comentando o Evangelho

Abra o seu coração de deixe Ele encontrá-lo

 

Este texto é visto na segunda semana do Advento e na terça-feira, 19ª semana do tempo comum. A ovelha perdida é símbolo das pessoas que Jesus vem procurar e salvar. São os chamados pequeninos na fé (fracos, pobres e humildes). O profeta Ezequiel já dizia: “eu não sinto prazer na morte de ninguém que morre” (Ez 18,32). A ovelha perdida representava os membros da comunidade com risco de se perderem pela falta de amor e de justiça entre os grandes em relação às pessoas menos importantes. Horrorizados com tantos escândalos e falta de justiça, os pequeninos desistem e vão embora. Jesus deixa a comunidade representada por noventa e nove ovelhas e parte na busca daquela que se perdeu (10%). Ele fica mais alegre ao encontrá-la do que com as noventa e nove, que não foram perdidas. Eis que a vontade do Pai é essa: mandar o seu Filho ao mundo para salvar aos que se perderam na vida aqui em nosso meio.

 

E hoje, quem está perdido: os outros, nós mesmos? Vejamos esta realidade presente:

 

·         Muitos se perdem pelas drogas líticas e ilícitas por pura fraqueza, por falta de base familiar, por falta de emprego, por tantas outras fraquezas latentes;

·         Outros se perdem por falta de diálogo, de amor ao próximo. Buscamos a piedade de Deus, mas não somos piedosos com o outro; guardamos mágoas, temos dificuldades em perdoar;

·         Há um vazio de Deus no coração das pessoas. Muitos perdem o sentido da vida e Deus só é buscado nas dores, nos sofrimentos;

·         Os pequeninos não são apenas os pobres e humildes, se referirmos à periferia, por exemplo. Eles estão nas mansões, nas grandes rodadas sociais, nos círculos acadêmicos, no mundo empresarial e competitivo. Às vezes vivemos apenas de fachada, de aparências, sepulcros caiados. Para usarmos uma expressão brasileira da época: “a ficha não caiu” para muitos ainda, estão perdidos e não sabiam;

·         Os grandes escândalos, os crimes mais horríveis, as grandes injustiças sociais, a grande concentração de renda encima de poucos, tudo parece convergir para que um mundo de perdidos surja cada vez mais.

 

Só a justiça de Deus pode nos fazer enxergar as coisas. O advento nos convida a sairmos dos 10% e voltarmos para a comunidade do Salvador, que veio a mais de dois mil anos atrás e sempre está para vir na sua “data natalícia” para nos salvar. Para sairmos do time dos perdidos precisamos fazer a nossa parte, na busca incessante por Jesus como nosso porto seguro. Abramos o nosso coração e deixemos que Ele nos encontre, caso estejamos fora do caminho da santificação, pois Deus quer que sejamos santos assim como Ambrosio entre tantos! [Everaldo Souto Salvador, ofs]

 

Oração da Assembleia (Liturgia Diária)

·  Para que o papa e o nosso bispo contem com a benção e a proteção de Deus, rezemos: Senhor, atendei nosso prece.

·  Para que as pessoas desanimadas e tristes encontrem ânimo e alento no amor do Pai, rezemos.

·  Para que a Igreja sempre se preocupe com os pobres e abandonados, rezemos.

·  Para que saibamos preparar o coração para acolher o Senhor, rezemos.

·  Para que as famílias superem os conflitos internos mediante o diálogo, rezemos.

·  (outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, ao celebrarmos esta eucaristia, fazei que o Espírito Santo acenda em nós a mesma fé que iluminava santo Ambrósio ao proclamar a vossa glória. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Eu vim para que tenham a vida, e a tenham cada vez mais, diz o Senhor (Jo 10,10)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que nos reconfortastes com este sacramento, fazei-nos progredir pelos ensinamentos de santo Ambrósio, para que, percorrendo corajosamente vossos caminhos, nos preparemos para o eterno convívio. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Santo Ambrósio

Seu espírito era reto, tinha grandes virtudes cívicas e morais dos administradores e magistrados, com grande espírito de doação à causa pública. Seu pai era governador de Gálias e lá ele se formou principalmente na arte da poesia e da retórica. Ambrósio estava preparado para ser um dos diretores do império e aos 30 anos de idade foi nomeado governador das províncias de ligúria e Emília, com sua capital em Milão, sede do imperador. Embora catecúmeno, nada o fazia suspeitar o rumo que haveria de ter sua vida. Certa vez o povo se reuniu na basílica para nomear um bispo para a cidade. Ambrósio, por temer tumultos, compareceu lá pedindo ao povo concórdia e paz. Estava ainda falando quando o povo unanimemente passou a bradar: "Ambrósio, bispo!" Surpreso e atemorizado viu este clamor do povo como vontade divina e a ela se submeteu. Sua influência foi decisiva para devolver a paz à Igreja conturbada pelo arianismo e foi um dos que mais influiu em firmar a aliança Império-Igreja que haveria de dar liberdade à Igreja durante mil e quinhentos anos. De alta espiritualidade, basta considerar as quatro obras que escreveu sobre a virgindade, virtude totalmente ignorada pela moral romana e que supõe uma doação total a Deus de corpo e alma. Ficou conhecido como o "apóstolo da amizade", pelo carinho com que tratava a todos.

 

 

Em Estado de Advento

Cardeal Odilo Pedro Scherer

 

É muito bonito pensar no duplo sentido do Advento. De um lado, é o período litúrgico que prepara as festas do Natal e faz pensar no Mistério da Encarnação do Filho de Deus em nossa natureza humana; veio até nós, solidarizou-se com cada ser humano, deu valor a todos, não esqueceu os últimos e aqueles que, a nossos olhos, parecem menos dignos da condição humana. O Filho de Deus se fez homem para revelar-nos mais claramente a paternidade de Deus e para irmanar a humanidade inteira, como família de Deus.

 

Ainda isso está longe de acontecer na prática, pois a humanidade ainda está fechada, em grande parte, à mensagem do Natal, ou prefere não acolhê-la em sua inteireza. Por isso, o Advento vai continuando a trazer os anúncios proféticos e convidando a acolher a voz e os caminhos de Deus, para que se torne realidade aquilo que Deus promete com sua vinda. Sim, ainda não aconteceu que as armas de guerra se transformassem em instrumentos de trabalho (cf Is 2,4), ou que lobo e cordeiro vivam juntos, sem se machucar; ou que bezerro comesse junto com o leão, sem medo de ser devorado (cf Is 11,6). Mas isso será possível, em dúvida, quando os homens aceitarem os julgamentos de Deus e se deixarem guiar por sua luz (cf Is 2,5). Ainda valem os apelos a acolher a primeira vinda do Filho de Deus e o mundo teria tudo a ganhar com isso!

 

Mas o Advento nos faz olhar também adiante; por isso, a Liturgia nutre em nós o ardente desejo das coisas celestes e nos prepara para irmos ao encontro do Senhor glorioso com nossas “lâmpadas acesas” (cf,. Oração do 1° Domingo do Advento). Recorda-nos que Deus já veio, continuamente vem e ainda virá... E um dia virá de maneira gloriosa, para julgar vivos e mortos, como proclama a fé da Igreja. Já esquecemos que um dia vamos morrer? E quem sabe o dia e a hora? O Advento nos adverte: pode ser a qualquer momento e ninguém vai escapar disso! Um sadio realismo, que nos faz viver alertas, não necessariamente angustiados, mas preocupados em fazer o que é justo, bom, digno, honesto e respeitoso de Deus e dos homens ao longo de toda a vida.

 

Já no primeiro domingo do Advento, São Paulo nos lembrava: “já é hora de acordar! A noite vai adiantada e o dia se aproxima (cf Rm 13, 11-14); por isso, deixemos de lado as obras das trevas, que são todas as obras desonestas e corruptas, e revistamo-nos de Cristo Jesus”. Sim, porque Cristo é a imagem perfeita do “homem novo”, que somos chamados a ser, a seu exemplo. O risco é passar a vida inteira “distraídos”, sem nos preocuparmos com nada e só pensando em desfrutar todo gozo que a vida é capaz de nos proporcionar. Daí o chamado à vigilância, como atitude atenta para não tomar caminhos errados na vida, ou a não tropeçar e cair; ou ainda os encorajamentos a caminhar, a não desanimar, a produzir frutos de obras boas ao longo da vida, sem se cansar. E se tudo isso não bastasse para despertar nossa consciência sobre a seriedade da vida e da necessidade de avaliar a quantas andam as coisas, se estamos, de fato, no caminho bom, ou nos encontramos num atalho que leva para longe de Deus e da grande meta de nossa vida, a Liturgia do Advento nos fala do julgamento de Deus: o Filho de Deus, um dia, virá como Juiz e Senhor da História, revestido de poder e glória, e todos deveremos prestar contas de nossa vida. Quem se opôs a Ele conscientemente nesta vida, terá que se explicar e encontrará dificuldades para ser reconhecido por Ele na hora do julgamento (cf Prefácio do Advento 1A). A árvore que não deu fruto bom será cortada e jogada ao fogo. E, enquanto o trigo será recolhido no celeiro de Deus, o céu, a palha improdutiva será queimada (cf Mt 3,1-12). As palavras de S.João Batista, no 2º Domingo do Advento não deixam dúvidas! Mas não entendamos mal. O Advento não é um tempo de terror; pelo contrário, é marcado pela alegre esperança e a certeza da bondade e da misericórdia de Deus: “Deus tanto amou o mundo, que lhe enviou seu Filho único, para que todo o que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna!” E mais: durante esta vida, Ele nos dá muitas oportunidades para que o possamos reconhecer e acolher: “agora e em todos os tempos ele vem ao nosso encontro, presente em cada pessoa humana, para que o acolhamos na fé e o testemunhemos na caridade, enquanto esperamos a feliz realização de seu reino” (Prefácio 1A).

 

O Advento, portanto, não é um tempo passageiro, mas é uma proposta para ser vivida ao longo de toda a vida. De fato, ele nos fala dos grandes mistérios da existência e joga um facho de luz e esperança sobre a vida; não existimos à toa e sem ter rumo; se para alguns filósofos a vida humana é absurda, por estar cheia de sonhos impossíveis, nós percebemos que não é assim; mas não somos nós a resposta última para os nossos sonhos: é Deus que entra em nossa história e caminha conosco, apontando-nos o rumo certo. De nossa parte, cabe-nos a atitude de escuta atenta e discernimento, para não nos deixarmos enganar nem desviar do caminho; a atitude certa é a abertura e a prontidão para ir ao encontro de Deus, quando ele vier ao nosso encontro. A vida não deve ser passada nas distrações, sem atenção àquilo que é realmente importante e decisivo. De fato. Nós vivemos em contínuo estado de Advento, à espera dos novos céus e da nova terra que Deus prepara para aqueles que o amam. [CNBB]

 

 

Uma coisa falou Deus e muitas são as que foram ouvidas. (Santo Ambrósio)