Terça-feira, 7 de setembro de 2010

23ª Semana do Tempo Comum, Ano Par, 3ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Hoje: Dia da Pátria e da Independência do Brasil (188º ano); Dia do Grito dos Excluídos

 

Santos: Regina de Alésia, Hesíquio (mártir), Clodoaldo, João de Nicomédia, Bem-Aventurado Evécio (Nicomédia), Estêvão Pongracz, Madelberta, Marcos Crisin, Melquior Grodecz, Gentle de Matelica (mártir franciscano, 1ª ordem)

 

Antífona: Vós sois justo, Senhor, e justa é a vossa sentença; tratai o vosso servo segundo a vossa misericórdia. (Sl. 118, 137.124)

 

Oração: Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem em Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: 1ª Carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 6, 1-11)
Recurso aos tribunais pagãos

 

Irmãos, 1quando um de vós tem uma questão com outro, como se atreve a entrar na justiça perante os injustos, em vez de recorrer aos santos? 2Será que ignorais que os santos julgarão o mundo? Ora, se o mundo está sujeito ao vosso julgamento, seríeis acaso indignos de deliberar e julgar sobre questões tão insignificantes? 3Ignorais que julgaremos os anjos? Quanto mais, coisas desta vida! 4No entanto, se tendes dessas questões a resolver, recorreis a juizes que a Igreja não pode recomendar. 5Digo isso, para confusão vossa! Será, então, que ai entre vós não se encontra ninguém sensato e prudente que possa ser juiz entre irmãos? 6Ao invés disso, irmão contra irmão vai a juízo, e isso perante infiéis! 7Aliás, já é uma grande falta haver processos entre vós. Por que não suportais, antes, a injustiça? 8Por que não tolerais, antes, ser prejudicado? Pelo contrário, vós é que cometeis injustiças e fraudes, e isso contra irmãos.

 

9Porventura ignorais que pessoas injustas não terão parte no Reino de Deus? Não vos iludais: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem pederastas, 10nem ladrões, nem avarentos, nem beberrões, nem insolentes, nem salteadores terão parte no Reino de Deus. 11E vós, isto é, alguns de vós, éreis isso! Mas fostes lavados, fostes santificados, fostes justificados pelo nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Irmão contra irmão vai a juízo, e isso perante infiéis!

 

A relação entre as pessoas, e entre as pessoas e as coisas, é profundamente modificada pela perspectiva do Reino. Os valores não são os mesmos, para quem só tem um horizonte terreno e se inspira na lei "natural" ou na ordenação da sociedade civil, e quem - não rejeitando sua adesão e esforço responsável nesta sociedade - percebe sua relatividade. Neste sentido o evangelho já é um julgamento, e seus parâmetros são os da fé e pertencem ao "mistério" que nem a todos é dado compreender. Em certo sentido, é um desastre que as relações (também econômicas) entre os fiéis não sejam definidas segundo a caridade, a nova e única lei de Cristo. Aos tribunais civis, que têm autoridade em vista do bem comum (cf Rm 13, 1-7), escapa necessariamente esta perspectiva de absoluto: justiça e equidade ainda não são a lei do Espírito. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo Responsorial: 149, 1-2.3-4.5-6a e 9b (R/.4a)
O Senhor ama seu povo de verdade

 

1Cantai ao Senhor Deus um canto novo, e o seu louvor na assembleia dos fiéis! 2Alegre-se Israel em quem o fez, e Sião se rejubile no seu rei!

 

3Com danças glorifiquem o seu nome, toquem harpa e tambor em sua honra! 4Porque, de fato, o Senhor ama seu povo e coroa com vitória os seus humildes.

 

5Exultem os fiéis por sua glória, e cantando se levantem de seus leitos, 6acom louvores do Senhor em sua boca. 9bEis a glória para todos os seus santos.

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 6, 12-19)
Eleição dos doze; Jesus e a multidão

 

12Naqueíes dias, Jesus foi à montanha para rezar. E passou a noite toda em oração a Deus. 13Ao amanhecer, chamou seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu o nome de apóstolos: 14Simão, a quem impôs o nome de Pedro, e seu irmão André; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; 15Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelota; 16Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, aquele que se tornou traidor. 17Jesus desceu da montanha com eles e parou num lugar plano. Ali estavam muitos dos seus discípulos e grande multidão de gente de toda a Judéia e de Jerusalém, do litoral de Tiro e Sidônia. 18Vieram para ouvir Jesus e serem curados de suas doenças. E aqueles que estavam atormentados por espíritos maus também foram curados. 19A multidão toda procurava tocar em Jesus, porque uma força saia dele, e curava a todos. Palavra da Salvação!

 

Leituras nos evangelhos sinóticos: Mt 10, 1-4; Mc 3, 13-19; Jo 1,38-51; At 1, 13; Mt 4, 24-25; Mc 3, 7-10

 

 

Comentando o Evangelho

Uma escolha feita com discernimento

 

A escolha dos doze Apóstolos deu-se num processo de oração e de discernimento. Tratava-se de um ato importante no contexto da missão de Jesus. Ele não podia ser movido por critérios que não fossem aqueles do Reino. Teria incorrido em erro se escolhesse somente quem lhe era simpático, quem fosse rico ou de família nobre ou, então, quem lhe pudesse oferecer ajuda financeira.


Só a obediência ao Pai, depois de uma noite passada em oração, explica por que Jesus escolheu um punhado de pessoas humanamente tão pouco qualificadas. E mais: gente que haveria de traí-lo, abandoná-lo, renegá-lo. Entretanto, foi assim que se manifestou a sabedoria divina. A consolidação do Reino, na história humana, haveria de ser obra de Deus. A precariedade de dotes nas pessoas escolhidas para serem instrumento de sua ação demonstrou-o muito bem.


Embora humanamente cheios de limitações, os doze Apóstolos receberam a missão de levar adiante a missão iniciada por Jesus, o enviado do Pai. A ação deles revelou-se grandiosa, porque souberam confiar plenamente em Deus e deixar-se guiar por ele.


O tempo demonstrou o acerto de Jesus na escolha dos doze. Excetuando Judas Iscariotes, que não soube confiar no perdão misericordioso de Jesus, todos os demais apóstolos assumiram com um ardor incrível sua missão de servidores do Reino.
[O Evangelho Nosso de Cada Dial, Jaldemir Vitório, ©Paulinas]

 

Para sua reflexão: A oração do v. 12 manifesta a importância da eleição dos Doze. Os Doze são escolhidos dentre os discípulos e que recebem o nome de Apóstolos. Este título diz que eles são os “enviados” por Jesus e ocorre seis vezes no livro de Lucas. Segundo a Bíblia, receber um nome novo (v.14) significa uma nova missão. A atribuição do nome de Pedro a Simão é referida por todos os Evangelhos, mas em momentos diferentes. João refere o fato logo no primeiro encontro do discípulo com Jesus. Simão deve ter pertencido ao grupo zelotas cujo nacionalismo religioso os opunha, de modo violento, à ocupação dos romanos. Judas, filho de Tiago, corresponde ao de Tadeu. Judeia é o nome que designa toda a Palestina.  (Cf. Bíblia dos Capuchinhos)

 

 

São Tomás de Vilanova

 

 

 

Desde criança manifestava a caridade cristã, partilhando seus pertences com os pobres. Ordenado sacerdote, foi superior dos agostinianos e bispo de Valência. Dedicou-se particularmente a acolher as crianças abandonadas, os inocentes e os recém-nascidos. Era conhecido também como "pai dos pobres". Manifestou dons de cura e procurava ensinar mais pelo exemplo direto do que pela pregação. Soube falar a linguagem dos humildes, apelar aos poderosos, tanto em sua catedral quanto na corte de Carlos V.

 

 

Toda nação se preza não abre mão de três coisas: orgulho nacional, esperança

coletiva e moeda estável. [John Stuart Mill]