Terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Tempo do Natal, Ano “B”, 2ª Semana do Saltério, cor Litúrgica Branca
Bendito o que vem em nome do Senhor: Deus é o Senhor, ele nos ilumina. (Sl 117, 26-27)
Hoje: Dia dos Reis Magos
Santos: Dimas de Connor (bispo), Ermenoldo de Prüfening (abade) , Guerino de Sion (monge, bispo), João de Rivera (bispo), Macra de Rheims (virgem, mártir), Melchior, Gaspar e Baltazar (Reis Magos mencionados no Novo Testamento), Pedro de Cantuária (abade), Pedro Tomás (patriarca latino de Constantinopla, mártir), Rafaela do Sagrado Coração de Jesus (virgem, fundadora), Wiltrude de Bergen (viúva, abadessa), Carlos de Sezze (religioso franciscano, bem-aventurado), Frederico de Saint-Vanne (monge, bem-aventurado), Gertrudes van Oosten (virgem, bem-aventurada).
Oração: Ó Deus, cujo Filho unigênito se manifestou na realidade da nossa carne, concedei que, reconhecendo sua humanidade semelhante a nossa, sejamos interiormente transformados por ele. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura:
I Carta de São João (1Jo 4, 7-10)
As fontes da caridade e da fé
7Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. 8Quem não ama, não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor. 9Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos vida por meio dele. 10Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de reparação pelos nossos pecados. Palavra do Senhor!
Comentando a I Leitura[1]
Deus é amor
O amor do cristão para com os irmãos, que chega ao heroísmo de perdoar e fazer o bem mesmo àqueles que nos fazem mal, a ponto de dar por eles a vida como fez Jesus por nós, não pode provir da natureza humana, repleta de egoísmo, que tende à afirmação do próprio eu e à defesa dos próprios direitos. Tal amor encontra em Deus sua fonte fecunda e inexaurível (versículo 7); compreende a fraqueza da criatura, quer libertar o homem da escravidão do pecado e teve a sua manifestação mais alta na encarnação do Filho e em sua morte na cruz por nós (versículo 9). "Deus demonstra seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós, quando ainda éramos pecadores" (Rm 5,8). Amor pede amor; mas para ser autêntico, mais que uma resposta "vertical" de amor para com Deus, ele nos pede amor para com os irmãos: "Nisto vos reconhecerão por meus discípulos, Se vos amardes uns aos outros (Jo 13,35; cf 1Jo 4,12-20)”.
Salmo: 71(72), 2.3-4ab.7-8 (R/.cf.11)
Os reis de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!
Dai ao rei vossos poderes, Senhor Deus, vossa justiça ao descendente da realeza! Com justiça ele governe o vosso povo, com eqüidade ele julgue os vossos pobres.
Das montanhas venha a paz a todo o povo, e desça das colinas a justiça! Este rei defenderá os que são pobres, os filhos dos humildes salvará.
Nos seus dias a justiça florirá e grande paz, até que a lua perca o brilho! De mar a mar estenderá o seu domínio, e desde o rio até os confins de toda a terra!
Evangelho: Marcos (Mc 6, 34-44)
Primeira multiplicação dos pães
Naquele tempo, 34Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas. 35Quando estava ficando tarde, os discípulos chegaram perto de Jesus e disseram: "Este lugar é deserto e já é tarde. 36Despede o povo, para que possa ir aos campos e povoados vizinhos comprar alguma coisa para comer". 37Mas, Jesus respondeu: "Dai-lhes vós mesmos de comer. Os discípulos perguntaram: "Queres que gastemos duzentos dentários para comprar pão e dar-lhes de comer?" 38Jesus perguntou: "Quantos pães tendes? Ide ver. Eles foram e responderam: "Cinco pães e dois peixes". 39Então Jesus mandou que todos se sentassem na grama verde, formando grupos. 40E todos se sentaram, formando grupos de cem e de cinqüenta pessoas.
41Depois Jesus pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e ia dando aos discípulos, para que os distribuíssem. Dividiu entre todos também os dois peixes. 42Todos comeram, ficaram satisfeitos, 43e recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e também dos peixes. 44O número dos que comeram os pães era de cinco mil homens. Palavra da Salvação!
Contexto: O ministério de Jesus na Galiléia. O evangelho de hoje é sempre válido para a Terça-feira, do Tempo do Natal.
Comentário o Evangelho
É preciso partilhar
À manifestação – Epifania – de Jesus deve corresponder a Epifania dos cristãos. Na medida em que estes assimilam o projeto dele e por ele são transformados, estarão em condições de mostrar para o mundo o rosto de Jesus, por meio de ações concretas.
O
milagre da multiplicação dos pães comporta dois gestos indispensáveis do agir
cristão, que capacitam os discípulos para serem como o Mestre: o gesto da
solidariedade e da partilha.
A
solidariedade perpassa todo o episódio evangélico. Solidariedade de Jesus que
se compadece do povo, que era como ovelha sem pastor; dos discípulos e de Jesus
preocupados com a fome do povo; do menino que possuía cinco pães e dois peixes
e os colocou à disposição de todos; de cada pessoa daquela multidão capaz de
perceber a carência dos outros.
A
partilha decorre da solidariedade. Alguém pôs seu pequeno farnel à disposição
de todos. Então, sob as ordens de Jesus e a intermediação dos apóstolos, os
grupos sentaram-se na relva. Depois, à medida que recebiam pão e peixe, também
os partilhavam com os que estavam ao redor. Desta forma, todos puderam comer
até ficarem saciados. E ainda sobraram doze cestos cheios. Quando existe
partilha, existe abundância!
A
solidariedade e a capacidade de partilhar são os mais convincentes sinais de fé
em Jesus, que os cristãos podem oferecer ao mundo. Uma forma excelente de fazer
a Epifania acontecer na nossa História. (O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir
Vitório. ©Paulinas)
Para sua reflexão pessoal[2]
A caridade no ser humano resulta nas seguintes conseqüências: (1) “encobre uma multidão de pecados”; (2) “causa a iluminação do coração”; (3) “quem permanece na caridade, em Deus permanece e Deus nele”; (4) “o amor de caridade só pode ser alcançado pela graça”; (5) "A caridade de Deus foi derramada nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado". Nisso resulta que a partilha com os mais necessitados (alimentos, agasalhos, resgate da dignidade, a Palavra que converte, etc.) constitui num ato de caridade a ser exercido por todos. Então eis a pergunta da reflexão de hoje: o que tenho feito para exercer o meu dom da caridade com o próximo? Quem ama a Deus, ama ao próximo; a caridade, a partilha são pressupostos fundamentais desse amor!
Os lados, histórico e bíblico, dos magos[3]
Fernando Armellini
Os Magos sempre desfrutaram de muita popularidade; é suficiente, para comprovar isso, notar que 150 anos após o nascimento de Cristo, começa a ser reproduzida a figura deles nos cemitérios cristãos.
Os cristãos nunca se sentiram satisfeitos com as escassas informações encontradas no Evangelho. Faltam muitos detalhes: De onde vinham? Quantos eram? Qual era o nome deles? Qual o meio de transporte que usaram? O que fizeram depois que voltaram à sua terra? Onde estão enterrados?
Para responder a todas estas perguntas, surgiram, ao longo dos tempos, muitas histórias. Foi dito que eram reis, que eram em número de três, que vinham um da África, um da Ásia, um da Europa, e que eram um negro, outro amarelo e outro branco. Guiados pela estrela, se encontraram num mesmo ponto, e depois de percorrerem juntos o último trecho da estrada, chegaram até Belém. Chamavam-se Gaspar, Melquior e Baltazar. Para a viagem serviram-se de camelos e dromedários. Depois de voltarem para casa, após atingir a venerável idade de 120 anos, certo dia, viram novamente a estrela, retomaram a viagem e se reencontraram juntos numa cidade da Anatólia para celebrar a missa de Natal, e no mesmo dia, felizes, morreram.
Suas relíquias deram a volta ao mundo e repousam agora na Catedral de Colônia, na Alemanha.
Muito bem! Mas estas são histórias! Voltemos agora ao texto evangélico e tentemos entender a mensagem que Mateus nos quer passar. Para isto precisamos esclarecer alguns detalhes.
Primeiro, os Magos não eram reis. Com certeza pertenciam àquele grupo de pessoas, muito comuns na antiguidade, que sabiam interpretar os sonhos, prever o futuro observando o curso dos astros ou observando o vôo dos pássaros, e sabiam ler a vontade de Deus através dos acontecimentos comuns ou extraordinários da vida.
Não deve causar espanto, portanto, quando se afirma que os Magos conseguiram interpretar, como uma mensagem do céu, o aparecimento de uma estrela.
Com relação à estrela: nos tempos antigos acreditava-se que, quando nascia uma pessoa destinada a uma grande missão, aparecia ao mesmo tempo uma estrela no céu.
Mas, enfim, os Magos viram de fato um cometa? Muitos astrônomos consumiram boa parte de suas pesquisas e estudos para verificar se, há dois mil anos atrás, apareceu no céu um cometa. Poderiam ter empregado melhor o seu tempo em qualquer outro rumo, pois a estrela que os Magos viram não era um astro material, mas a estrela da qual fala a Escritura.
Vamos aos fatos. Se lermos os caps. 22-24 do Livro dos Números, encontramos a surpreendente história de Balaão e da sua jumenta falante. Balaão era um adivinho, um mago do Oriente, exatamente como aqueles dos quais nos fala o evangelho de hoje.
Certo dia, ele, sem querer, fez uma profecia importante. Disse:
"Eu o vejo, mas não é um acontecimento que virá dentro em breve; eu o sinto, mas não está perto: uma estrela desponta da estirpe de Jacó, um reino, nascido de Israel, se levanta... Alguém sai de Jacó e dominará os seus inimigos" (Nm 24, 17.19).
Assim falava, cerca de 1.200 anos antes do nascimento de Jesus, Balaão, "o homem do olhar penetrante" (Nm 24,3).
Desde então, os "israelitas começaram a aguardar com ansiedade o despontar desta estrela que não é senão o próprio Messias".
Estas idéias eram muito familiares para Mateus e para seus leitores. Apresentando-nos os Magos do Oriente que vêem a estrela, o evangelista simplesmente nos quer dizer que finalmente chegou o esperado Libertador da estirpe de Jacó. É aquele Jesus que os Magos reconheceram e adoraram. E ele a estrela.
Tentemos agora relacionar o Evangelho de hoje com a primeira leitura. O profeta dizia que, quando em Jerusalém tivesse brilhado a luz do Senhor, todas as nações se teriam posto a caminho em direção à cidade santa, levando seus dons. Mateus interpreta o episódio dos Magos como sendo a realização desta profecia: guiados pela luz do Messias, os povos pagãos (representados pelos Magos) se dirigem para Jerusalém, para levar os seus dons: ouro, incenso e mirra.
Da mesma forma, a história da caravana de animais não foi inventada à toa; a primeira leitura já nos fala de "um tropel de camelos e dromedários", vindos do Oriente (Is 60, 6).
Mas então, seremos obrigados a tirar dos nossos presépios e apagar a imagem do cometa? Não! Vamos continuar contemplando esta estrela, vamos apontá-la para nossas crianças, mas ensinemos a elas que a estrela não é um astro do céu, mas é Jesus, é ele a luz que ilumina todos os homens.
Os Magos representam os homens do mundo inteiro que se deixam guiar pela mensagem de paz e de amor de Cristo.
Eles são a imagem da Igreja, formada por povos de todas as etnias, tribos, línguas, nações. Entrar para a Igreja não quer dizer renunciar à própria identidade, não quer dizer submeter-se a uma injusta e falsa uniformidade. Todas as pessoas e todos os povos devem manter as próprias características culturais, que até enriquecem a Igreja universal. Ninguém é tão rico que não precise de nada e nem tão pobre que não tenha nada para dar.
Nos dias de hoje, como nos tempos de Jesus, diante da estrela as pessoas assumem posturas diferentes. Há as que, como os Magos, se ajoelham (v. 11), reconhecem nele a luz do mundo e se submetem; há outras que permanecem indiferentes e outras, enfim, que tentam apagar esta luz. Todos viram a mesma realidade: um menino recém-nascido, mas as opções foram e são diferentes. Quem está em condições de reconhecê-lo? Os que se deixam iluminar pela Escritura que nos fala dele.
A alma é toda de ouro pela caridade, toda de mirra pela mortificaão
e toda de incenso pela oração. (São Francisco Sales)