Terça-feira, 5 de abril de 2011

Quarta Semana da Quaresma - 4ª Semana do Saltério (Livro II) - cor Litúrgica Roxa

 

 

Santos: Vicente Ferrer, Derfel Gadarn, Etelburga de Lyminge (matrona), Geraldo de Sauve-Majeure (abade), Alberto de Montecorvino (bispo), Juliana de Monte Cornillon (virgem e beata), Crescência de Kaufbeuren (virgem e beata franciscana da 3ª ordem), Catarina Tomás, Zeno, João de Penna (bem aventurado, confessor franciscano da 1ª ordem)

 

Antífona: Vós, que tendes sede, vinde às águas; vós, que não tendes com que pagar, vinde e bebei com alegria. (Is 55,1)

 

Oração: Ó Deus, que a fiel observância dos exercícios quaresmais prepare o coração dos vossos filhos e filhas para acolher com amor o mistério pascal e anunciar ao mundo a salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Ezequiel (Ez 47, 1-9.12)

O manancial do templo

 

Naqueles dias, 1o anjo fez-me voltar até a entrada do templo e eis que sala água da sua parte subterrânea na direção leste, porque o templo estava voltado para o oriente; a água corria do lado direito do templo, a sul do altar. 2Ele fez-me sair pela porta que dá para o norte, e fez-me dar uma volta por fora, até à porta que dá para o leste, onde eu vi a água jorrando do lado direito. 3Quando o homem saiu na direção leste, tendo uma corda de medir na mão, mediu quinhentos metros e fez-me atravessar a água: ela chegava-me aos tornozelos. 4Mediu outros quinhentos metros e fez-me atravessar a água: ela chegava-me aos joelhos. 5Mediu mais quinhentos metros e me fez atravessar a água: ela chegava-me à cintura. Mediu mais quinhentos metros, e era um rio que eu não podia atravessar. Porque as águas haviam crescido tanto, que se tornaram um rio impossível de atravessar, a não ser a nado. 6Ele me disse: "viste, filho do homem?"

 

Depois fez-me caminhar de volta pela margem do rio. 7Voltando, eu vi junto à margem muitas árvores, de um e de outro lado do rio. 8Então ele me disse: "Estas águas correm para a região oriental, descem para o vale do Jordão, desembocam nas águas salgadas do mar, e elas se tornarão saudáveis. 9Onde o rio chegar, todos os animais que ali se movem poderão viver. Haverá peixes em quantidade, pois ali desembocam as águas que trazem saúde; e haverá vida onde chegar o rio. 12Nas margens junto ao rio, de ambos os lados, crescerá toda espécie de árvores frutíferas; suas folhas não murcharão e seus frutos jamais se acabarão: cada mês darão novos frutos, pois as águas que banham as árvores saem do santuário. Seus frutos servirão de alimento e suas folhas serão remédio". Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Vi sair água do lado direito do templo

 

O futuro radioso que espera o povo eleito tem sua raiz na renovação espiritual, em sua santidade, da qual o templo (e o culto) será a fonte inexaurível: a água que corre do lado direito do templo torna-se um rio. Na mente de Ezequiel esta imagem se cobre de várias realidades. É uma recordação: o paraíso terrestre de Gn 2; é uma realidade geográfica: o curso do Cedron e as várias fontes que trarão maior fertilidade a toda a região; é um projeto real: o de Ezequias com instalações hidráulicas, semelhantes às obras de irrigação de Babilônia; é utopia: o sonho nunca se realizará na realidade geográfica. Mas a visão é sobretudo simbólica: uma prosperidade de ordem espiritual dada à terra por favor de Javé a seu povo. Essa graça será dada na pessoa de Cristo, encarnado para nossa salvação: "Se alguém tem sede, venha a mim e beba; rios de água viva jorrarão do seio daquele que crê em mim" (Jo 7,37-38). A Eucaristia é a fonte que assegura à Igreja a exuberância de vida. Não foi sem motivo que o Vaticano II colocou na base da renovação da Igreja a renovação da liturgia, que tem na Eucaristia sua fonte. [MISSAL COTIDIANO. ©Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 45 (46), 2-3.5-6.8-9 (R/.8)

Conosco está o Senhor do universo! O nosso refúgio é o Deus de Jacó.

 

O Senhor para nós é refúgio e vigor, sempre pronto, mostrou-se um socorro na angústia; assim não tememos, se a terra estremece, se os montes desabam, caindo nos mares.

 

Os braços de um rio vêm trazer alegria à cidade de Deus, à morada do altíssimo. Quem a pode abalar? Deus está no seu meio! Já bem antes da aurora, ele vem ajudá-la.

 

Conosco está o Senhor do universo! O nosso refúgio é o Deus de Jacó! vinde ver, contemplai os prodígios de Deus e a obra estupenda que fez no universo.

 

 

Evangelho: João (Jo 5, 1-16)

Cura o enfermo da piscina

 

1Houve uma festa dos judeus, e Jesus foi a Jerusalém. 2Existe em Jerusalém, perto da porta das ovelhas, uma piscina com cinco pórticos, chamada Betesda em hebraico. 3Muitos doentes ficavam ali deitados: cegos, coxos e paralíticos. 4De fato, um anjo descia, de vez em quando, e movimentava a água da piscina, e o primeiro doente que aí entrasse, depois do borbulhar da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse. 

 

5Aí se encontrava um homem, que estava doente havia trinta e oito anos. 6Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: "Queres ficar curado?" 7O doente respondeu: "Senhor, não tenho ninguém que me leve à piscina, quando a água é agitada. Quando estou chegando, outro entra na minha frente". 8Jesus disse: "Levanta-te, pega na tua cama e anda". 9No mesmo instante, o homem ficou curado, pegou na sua cama e começou a andar. 

 

Ora, esse dia era um sábado. 10Por isso, os judeus disseram ao homem que tinha sido curado: "É sábado! Não te é permitido carregar tua cama". 11Ele respondeu-lhes: "Aquele que me curou disse: 'Pega tua cama e anda"'. 12Então lhe perguntaram: "Quem é que te disse: 'Pega tua cama e anda?"' 13O homem que tinha sido curado não sabia quem fora, pois Jesus se tinha afastado da multidão que se encontrava naquele lugar. 

 

14Mais tarde, Jesus encontrou o homem no templo e lhe disse: "Eis que estás curado. Não voltes a pecar, para que não te aconteça coisa pior. 15Então o homem saiu e contou aos judeus que tinha sido Jesus quem o havia curado. 16Por isso, os judeus começaram a perseguir Jesus, porque fazia tais coisas em dia de sábado.” Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 9,1-8; Mc 2,1-12; Lc 5, 17-26)

 

 

Comentário do Evangelho

Vida e morte

 

O episódio evangélico está perpassado pelo tema da vida e da morte. Aí se fala de doenças e de doentes: uma multidão de enfermos está postada na piscina de Betesda nutrindo no coração a esperança de recobrar a vida. Há entre eles uma verdadeira porfia nesta corrida pela vida, pois quem tocasse primeiro na água borbulhante, seria agraciado com a cura.

 

Neste contexto, Jesus é presença de vida que passa quase despercebida. Ele transita no meio da multidão abatida pela doença e pela morte. Seu poder vivificador será usado com comedimento e discrição. A vida jorrará não da água da piscina, e sim da força de sua palavra eficaz. Sua pessoa será a fonte da vida.

 

O pobre paralítico, impossibilitado de mover-se depressa, foi quem experimentou a ação vivificante desta nova fonte, Jesus. E recobrou, para além da vida física, sua vida social e religiosa. Superada a marginalização em que se encontrava, abriu-se para ele uma nova perspectiva de vida.


Entretanto, este cenário de vida foi transtornado pela perspectiva de morte que despontou no horizonte de Jesus. Os judeus decidiram matar quem dera a vida, eliminando-a no seu nascedouro. Quem dera a vida corria o risco de ser morto, pelo fato mesmo de ter-se posto a serviço da vida.
[O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Jaldemir Vitório, ©Paulinas]

 

 

Preces da assembleia (LITURGIA DIÁRIA)

-Guiai, Senhor, os líderes da Igreja, para que sejam fiéis à missão recebida. Ouvi-nos, Senhor.

-Amparai os que vivem à margem da sociedade.

-Fazei que as famílias vivam na solidariedade, guiadas pelo amor entre seus membros.

-Protegei as pessoas que evangelizam em locais de miséria e de conflitos.

-Iluminai os dirigentes de nosso país, para que exerçam suas funções com responsabilidade e ética.

-Preces espontâneas

 

Oração sobre as Oferendas:

Nós vos oferecemos, ó Deus, os dons que nos destes para que estes sinais que manifestam vossa solicitude para conosco nesta vida sejam remédio para a vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

O Senhor é meu pastor, nada me falta; em verdes pastagens me faz repousar. Ele me leva até águas tranquilas e refaz as minhas forças. (Sl 22, 1-2)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus de bondade, purificai-nos e renovai-nos pelo sacramento que recebemos, de modo que sejamos auxiliados hoje e por toda a nossa vida. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Para sua reflexão: O doente é um paralítico ou aleijado crônico, impedido fisicamente e não muito desembaraçado mentalmente, pois sofre de notável falta de iniciativa. O lugar é uma piscina dividida ao meio, de modo que se formam cinco séries de pórticos, que acolhem numerosos e variados doentes (cf. Is 35, 5-6).  Às suas águas se atribuía poder terapêutico variado, que atraía doentes de diversas procedências. Só os primeiros que chegavam se aproveitavam dela. Jesus toma a iniciativa pois curar é sua missão.O doente não fica sabendo quem o curou naquela hora. Para os judeus Jesus teria infringido o descanso sabático, um preceito sagrado. Jesus encontra o homem curado no templo e vincula a doença ao pecado o que implica a cura do espírito.

 

São Vicente Ferrer

 

São Vicente Ferrer tornou-se sacerdote na época mais difícil da história da Igreja: em 1378 quando houve o grande cisma que perdurou até 1417, dividindo os cristãos em duas obediências: a Roma e a Avignon. Pregava a unidade da Igreja e um milagre aconteceu: enquanto falava em sua língua materna, muitos que não eram do país ouviram-- no em sua própria língua. Sua voz era vigorosa e pregava tão bem que multidões ajuntavam-se para ouvi-lo nas praças, pois a Igreja não os comportava. Fustigava os costumes, ameaçava, e chegava a ser violento em suas palavras na tentativa desesperadora de evangelizar. Dois anos antes de morrer, teve o consolo de ver a Igreja novamente unida: em 1417. Realmente, Deus chama os homens certos para os momentos críticos do povo e da Igreja. Recomposta a unidade da Igreja no concílio de Constância, viajou para a França na tentativa de por fim à guerra dos Cem anos.

 

Ainda hoje na Espanha é costume dizer "Beba a água do Mestre Vicente!" - quando se deseja incutir o silêncio. Este fora um conselho que são Vicente Ferrer dera a uma mulher que sofria com o humor alterado com seu marido, quase sempre a brigar com ela. E qual foi o conselho que o santo lhe deu? "Minha senhora, quando seu esposo chegar do trabalho, encha a boca de água e permaneça assim o maior número de minutos que puder. Assim não lhe será difícil não responder aos insultos dele". São Vicente Ferrer foi chamado de "o anjo do Apocalipse" pois em suas pregações quase sempre falava dos flagelos e tribulações pelas quais haveria de passar a humanidade.

 

 

Itinerário quaresmal

Dom Genival Saraiva, Bispo de Palmares - PE

 

O período da Quaresma é vivido na Igreja Católica da Quarta feira de Cinzas até a manhã da Quinta Feira Santa, dado que o  “Tríduo Pascal começa com a Missa Vespertina de Quinta-Feira Santa, tem o seu momento mais alto na Vigília Pascal e termina com as Vésperas do Domingo da Ressurreição.” Na verdade, este período litúrgico já está dentro do chamado “Ciclo da Páscoa”, como preparação dos fiéis para a celebração da Páscoa do Senhor. Na mensagem divulgada para a Quaresma de 2011, o Papa Bento XVI fala do “itinerário quaresmal” que leva os fiéis à Páscoa da Ressurreição. Itinerário tem sua raiz na palavra latina “iter” que significa “caminho”, “viagem”, “passagem”, “marcha”. Nessa expressão está a ideia de ser a Quaresma um período que mobiliza os cristãos, pondo-os em ação e mudança; consequentemente, o tempo quaresmal desinstala os fiéis de sua comodidade, indiferença, apatia, omissão, diante de seus deveres para com Deus e de suas obrigações familiares e sociais. Trata-se, claramente, do caminho espiritual, moral, ético e social a ser percorrido pelos cristãos. Para seguirem esse caminho, as pessoas impõem-se exigências que vão da conversão, na sua expressão mais radical, até o nível mais elevado do aperfeiçoamento humano e, nesse seu esforço, contam com a graça de Deus.

 

O itinerário quaresmal, a que se refere o Papa, segue a Liturgia do Ano A. “O primeiro domingo do itinerário quaresmal evidencia a nossa condição dos homens nesta terra. O combate vitorioso contra as tentações, que dá início à missão de Jesus, é um convite a tomar consciência da própria fragilidade para acolher a Graça que liberta do pecado e infunde nova força em Cristo, caminho, verdade e vida”. No segundo domingo, ao proclamar o texto da Transfiguração do Senhor, no Evangelho de Mateus, a Igreja “põe diante dos nossos olhos a glória de Cristo, que antecipa a ressurreição e que anuncia a divinização do homem. (...) É o convite a distanciar-se dos boatos da vida quotidiana para se imergir na presença de Deus: Ele quer transmitir-nos, todos os dias, uma Palavra que penetra nas profundezas do nosso espírito, onde discerne o bem e o mal (cf. Hb 4, 12) e reforça a vontade de seguir o Senhor.” Na liturgia do terceiro domingo, “O pedido de Jesus à Samaritana: ‘Dá-Me de beber’(Jo 4, 7) (...) exprime a paixão de Deus por todos os homens e quer suscitar no nosso coração o desejo do dom da ‘água a jorrar para a vida eterna’ (...) Só esta água pode extinguir a nossa sede do bem, da verdade e da beleza! Só esta água, que nos foi doada pelo Filho, irriga os desertos da alma inquieta e insatisfeita, ‘enquanto não repousar em Deus’ segundo as célebres palavras de Santo Agostinho.” Na celebração do quarto domingo, o Evangelho do “cego de nascença” apresenta Jesus que “quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n’Ele o nosso único Salvador. Ele ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como ‘filho da luz’.” No quinto domingo, o Evangelho da ressurreição de Lázaro, segundo as palavras do Papa, coloca as pessoas “diante do último mistério da nossa existência: ‘Eu sou a ressurreição e a vida... Crês tu isto?’ (...) A fé na ressurreição dos mortos e a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro da nossa existência: Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e esta verdade doa a dimensão autêntica e definitiva à história dos homens, à sua existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à política, à economia. Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem futuro, sem esperança.”

 

O itinerário quaresmal deve ser trilhado pelos cristãos, segundo essa proposta celebrativa e catequética da Igreja, para seu proveito pessoal e seu testemunho comunitário.

 

Você ama a vida? Então não desperdice o tempo, pois é a matéria de que a vida é feita. (Benjamin Franklin)

 

Aconteceu no dia 5 de abril de 1794:  Morte do advogado e revolucionário francês George Jacques Danton 1794