Terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Quarta Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 4ª Semana do Saltério (Livro III), cor Verde

 

Salvai-nos, Senhor nosso Deus, reuni vossos filhos dispersos pelo mundo par que

celebremos o vosso santo nome e nos gloriemos em vosso louvor (Sl 105,47)

 

Santos do Dia: Brás, Aquilino de Milão (mártir), Báculo de Sorrento (bispo), Cesário de Angoulême (diácono), Constâncio (primeiro bispo de Perúgia) e Companheiros (mártires), Flora de Kildare (virgem), Papias e Mauro (soldados, mártires de Roma), Sabiniano de Troyes (mártir), Sharbel e Bebaia (casal de irmãos, mártires de Edessa), Sulpício Severo (bispo de Bourges), Trifina da Bretanha (viúva), Valério de Trèves (bispo).

 

Oração: Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo o coração e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Hebreus (Hb 12, 1-4)

Não vos deixeis abater pelo desânimo

 

Irmãos, 1rodeados como estamos por tamanha multidão de testemunhas, deixemos de lado o que nos pesa e o pecado que nos envolve. Empenhemo-nos com perseverança no combate que nos é proposto, 2com os olhos fixos em Jesus, que em nós começa e completa a obra da fé. Em vista da alegria que lhe foi proposta, suportou a cruz, não se importando com a infâmia, e assentou-se à direita do trono de Deus. 3Pensai pois naquele que enfrentou uma tal oposição por parte dos pecadores, para que não vos deixeis abater pelo desânimo. 4Vós ainda não resististes até ao sangue na vossa luta contra o pecado. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura[1]

Empenhemo-nos com perseverança

 

Jesus é o aperfeiçoador da fé, porque nele se torna realidade aquilo que cremos e esperamos. Ele conclui a peregrinação-de-retorno de seu povo para Deus e recebeu a glória (v.2). Não sozinho, porém, mas como cabeça e guia (autor), exemplo perfeito da obediência a Deus e na glorificação. Junto com ele estão os mártires e santos de todos os tempos: testemunhas de Cristo diante do mundo, demonstraram, com sua vida e morte a solidez da realidade sagrada em que acreditavam; testemunhas agora de nosso combate (cf 1Cor 4, 9: “Fomo dados em espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens”), como antigos campeões já premiados pela vitória, encorajamo-nos com o exemplo deles. A oração eucarística recorda “aqueles que em todos os tempos vos foram agradáveis”, “nossos intercessores junto de vós”. Em comunhão conosco, ainda peregrinos, constituem parte da grande assembléia dos que foram salvos (cf Salmo) e que anunciam as maravilhas do Senhor.

 

 

Salmo: 21 (22), 26b-27.28 e 30.31-32 (R/.cf.27b)
Todos aqueles que vos buscam, hão de louvar-vos, ó Senhor

 

26bSois meu louvor em meio à grande assembléia; cumpro meus votos ante aqueles que vos temem! 27Vossos pobres vão comer e saciar-se, e os que procuram o Senhor o louvarão; “seus corações tenham a vida para sempre!”


28Lembrem-se disso os confins de toda a terra, para que voltem ao Senhor e se convertam, e se prostrem, adorando, diante dele todos os povos e as famílias das nações. 30Somente a ele adorarão os poderosos, e os que voltam para o pó o louvarão.

 

Para ele há de viver a minha alma; 31toda a minha descendência há de servi-lo; às futuras gerações anunciará 32o poder e a justiça do Senhor; ao povo novo que há de vir, ela dirá: “Eis a obra que o Senhor realizou!”

 

 

Evangelho do Dia: Marcos (Mc 5, 21-43)

Não tenhais medo, basta ter fé!

 

Naquele tempo, 21Jesus atravessou de novo, numa barca, para a outra margem. Uma numerosa multidão se reuniu junto dele, e Jesus ficou na praia. 22Aproximou-se, então, um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Quando viu Jesus, caiu a seus pés, 23e pediu com insistência: “Minha filhinha está nas últimas. Vem e põe as mãos sobre ela, para que ela sare e viva!” 24Jesus então o acompanhou. Uma numerosa multidão o seguia e o comprimia.


25Ora, achava-se ali uma mulher que, há doze anos, estava com uma hemorragia; 26 tinha sofrido nas mãos de muitos médicos, gastou tudo o que possuía, e, em vez de melhorar, piorava cada vez mais. 27Tendo ouvido falar de Jesus, aproximou-se dele por detrás, no meio da multidão, e tocou na sua roupa. 28Ela pensava: “Se eu ao menos tocar na roupa dele, ficarei curada”. 29A hemorragia parou imediatamente, e a mulher sentiu dentro de si que estava curada da doença. 30Jesus logo percebeu que uma força tinha saído dele. E, voltando-se no meio da multidão, perguntou: “Quem tocou na minha roupa?” 31Os discípulos disseram: “Estás vendo a multidão que te comprime e ainda perguntas: ‘Quem me tocou?’” 32Ele, porém, olhava ao redor para ver quem havia feito aquilo. 33A mulher, cheia de medo e tremendo, percebendo o que lhe havia acontecido, veio e caiu aos pés de Jesus, e contou-lhe toda a verdade. 34Ele lhe disse: “Filha, a tua fé te curou. Vai em paz e fica curada dessa doença”.


35Ele estava ainda falando, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, e disseram a Jairo: “Tua filha morreu. Por que ainda incomodar o mestre?” 36Jesus ouviu a notícia e disse ao chefe da sinagoga: “Não tenhas medo. Basta ter fé!” 37E não deixou que ninguém o acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e seu irmão João. 38Quando chegaram à casa do chefe da sinagoga, Jesus viu a confusão e como estavam chorando e gritando. 39Então, ele entrou e disse: “Por que essa confusão e esse choro? A criança não morreu, mas está dormindo”. 40Começaram então a caçoar dele. Mas, ele mandou que todos saíssem, menos o pai e a mãe da menina, e os três discípulos que o acompanhavam. Depois entraram no quarto onde estava a criança. 41Jesus pegou na mão da menina e disse: “Talitá cum” – que quer dizer: “Menina, levanta-te!” 42Ela levantou-se imediatamente e começou a andar, pois tinha doze anos. E todos ficaram admirados. 43Ele recomendou com insistência que ninguém ficasse sabendo daquilo. E mandou dar de comer à menina. Palavra da Salvação!

 

Comentário do Evangelho[2]

Menina, levanta-te!

 

O duplo milagre de Jesus, beneficiando a duas mulheres, ilustra o interesse dele por esta categoria social vítima da marginalização, na sociedade de seu tempo. A ordem dada à menina – “Levanta-te!” – foi prenúncio do que ele desejava ver acontecer com todas as mulheres: livrar-se da exclusão a que estavam  relegadas.


Tal exclusão não dependia da situação econômica. A mulher, vítima de hemorragia por doze anos, tinha posses. Por isso, pôde gastar uma fortuna com médicos, os quais foram incapazes de curá-la. Pelo contrário, faziam-na piorar ainda mais. Também a menina ressuscitada não era pobre. Seu pai, Jairo, era chefe da sinagoga local. Sem dúvida, gozava de prestígio na cidade. A grande quantidade de carpideiras pagas para prantear a defunta aos berros, é indício de que o pai da menina tinha dinheiro para isso. Portanto, as beneficiárias de Jesus não foram duas pobrezinhas. Não importa! As mulheres ricas também eram necessitadas da ajuda Jesus.


Ambas as mulheres fizeram o gesto físico de levantar-se. A hemorroíssa, tendo-se lançado aos pés de Jesus, recebeu a ordem de ir em paz, uma vez livre da doença importuna. Quanto à menina, o Mestre tomou-a pela mão, ordenando-lhe que se levantasse. E ela se pôs em pé e caminhou.


Estes gestos exteriores apontavam para uma cura muito mais radical que estava acontecendo na vida delas: o Mestre conseguiu que recuperassem sua dignidade de mulher.

 

 

São Brás[3]

 

A liturgia admite, hoje, uma cerimônia insólita: o sacerdote cruza duas velas, aproxima-as ao pescoço dos fiéis, invocando a proteção de São Brás com estas palavras: "Pelas orações e méritos de São Brás bispo e mártir, Deus te livre do mal da garganta e de qualquer outro mal".

 

Com esta cerimônia a Igreja acata uma piedosa tradição segundo a qual, este santo, ao ser levado ao martírio, lhe foi apresentado pela mãe desesperada um menino sufocado por uma espinha de peixe entalada na garganta, e Brás o sarou milagrosamente.

 

A existência deste santo, nascido na Armênia, Turquia, no meado do século III, seu pontificado em Sebaste, seu glorioso martírio, sua fama de santidade e poder taumatúrgico, emergem como fatos históricos, embora mesclados com elementos lendários.

 

Brás exercia a profissão de médico e, através da medicina, procurava zelar também pela vida espiritual dos seus pacientes. Suas virtudes colocaram-no em tanta evidência na comunidade cristã que ao morrer o bispo de Sebaste foi eleito seu sucessor.

 

Brás tinha praticamente vivido sua existência num clima de perseguição religiosa, e como pastor da Igreja procurou exortar seus fieis a perseverança, dando o bom exemplo de firmeza na fé. Muitos oram os mártires da Igreja de Sebaste ao tempo do imperador Licínio; entre eles Eustácio Carcério e os 40 soldados expostos nus sobre um tanque gelado. Brás, acolhendo o conselho de Cristo "se vos perseguem num lugar, fugi para outro", retirou-se a um lugar solitário de onde podia continuar a velar por sua grei e orientá-la. Contudo seu esconderijo oi descoberto e aos soldados que o prendiam disse Brás: "Sede benditos, vós me trazeis uma boa-nova: que Jesus Cristo quer que o meu corpo seja imolado como hóstia de louvor". Foi processado, condenado, submetido a cruéis torturas, pendurado e descarnado com dentes de ferro, e, por fim, degolado. Isto se deu por volta de 316.

 

O culto de veneração a São Brás estendeu-se rapidamente pelo Oriente e Ocidente, invocado, sobretudo, como protetor contra as doenças da garganta.

 

Bênção da garganta

 

Por intercessão de São Brás, bispo e mártir, Deus te livre do mal da garganta e de qualquer outra doença. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

 

 

Crê nos que buscam a verdade. Duvida dos que a encontraram. (Andre Gide)

 

 



[1] Extraído do COMENTÁRIO BÍBLICO, Vol. III, p-297, ©Edições Loyola, 1997

[2] O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997

[3] O SANTO DO DIA, Dom Servilio Conti, © Vozes, 1997