Terça-feira, 2 de novembro de 2010

Dia de Finados, 3ª Semana do Saltério (Livro III), Cor Litúrgica Roxa ou Preta

 

 

Hoje: Dia de Finados

 

Santos: Acindino, Elpifédoro, Pegásio e Companheiros (mártires da Pérsia), Ambrósio de Agaune (abade), Amigo de Rambara (monge), Eustóquia de Tarso (virgem, mártir), João Bodey (1583, mártir), Jorando de Kergrist (eremita), Jorge de Viena (bispo), Justo de Trieste (mártir), Marciano de Chalcis (387, eremita) , Teódoto de Laodicéia (bispo), Vulgânio de Lens (eremita), João Bodey (mártir, bem-aventurado), Margarida de Lorena (duquesa d’Alençon, clarissa, bem-aventurada), Pápis, Tomás de Walden (carmelita, bem-aventurado), Tobias, Vitorino (303, bispo de Petávia, mártir), Tomás de Walden (1430, Beato)

 

Antífona: Como Jesus morreu e ressuscitou, Deus ressuscitará os que nele morreram. E, como todos morrem em Adão, todos em Cristo terão a vida. (1Ts 4, 14; 1Cor 15,22)

 

Oração: Ó Deus, escutai com bondade as nossas preces e aumentai a nossa fé no Cristo ressuscitado, para que seja mais viva a nossa esperança na ressurreição dos vossos filhos e filhas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Jó (Jó 19, 1.23-27a)

Jó nos ensina que o Senhor é seu defensor

 

1Jó tomou a palavra e disse: 23"Gostaria que minhas palavras fossem escritas e gravadas numa inscrição 24com ponteiro de ferro e com chumbo, cravadas na rocha para sempre!

 

25Eu sei que o meu redentor está vivo e que, por último, se levantará sobre o pó; 26e depois que tiverem destruído esta minha pele, na minha carne, verei a Deus. 27aEu mesmo o verei, meus olhos o contemplarão, e não os olhos de outros". Palavra do Senhor!

 

 

Salmo: 26, 1.4.7 e 8b e 9a.13-14 
O Senhor é minha luz e salvação

 

1O Senhor é minha luz e salvação;  de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei?

 

4Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isto que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu templo.

 

7Ó Senhor, ouvi a voz do meu apelo, atendei por compaixão! 8bE vossa face que eu procuro. 9aNão afasteis em vossa ira o vosso servo, sois vós o meu auxílio!

 

13Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. 14Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor!

 

 

II Leitura: Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 5, 5-11)
Justificados pelo sangue de Cristo, seremos salvo por Ele

 

Irmãos: 5A esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. 6Com efeito, quando éramos ainda fracos, Cristo morreu pelos ímpios, no tempo marcado. 7Dificilmente alguém morrerá por um justo; por uma pessoa muito boa, talvez alguém se anime morrer. 8Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. 9Muito mais agora, que já estamos justificados pelo sangue de Cristo, seremos salvos da ira por ele. 10Quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com ele pela morte do seu Filho; quanto mais agora, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida! 11Ainda mais: Nós nos gloriamos em Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo. É por ele que, já desde o tempo presente, recebemos a reconciliação. Palavra do Senhor!

 

 

Evangelho, João (Jo 6, 37-40)

Quem crê no Filho terá a vida eterna

 

Naquele tempo, disse Jesus às multidões: 37”Todos os que o Pai me confia virão a mim, e quando vierem, não os afastarei. 38Pois eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade  daquele que me enviou 39E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. 40Pois esta é a vontade do meu Pai: que toda pessoa que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia”.  Palavra da Salvação!

 

 

Contexto: A Páscoa do pão da vida.  O ultimo dia é o dia do juízo final (11,24; 12,48). A vontade

do Pai é a salvação de todos os homens. A salvação não está completa sem a ressurreição.

O evangelho de hoje é válido para o dia de Finados, Primeira Missa.

 

 

 

Comentário o Evangelho

A espera prudente

Para o discípulo, não importa a hora da chegada do Senhor. Importa, sim, estar pronto para recebê-lo, quando ele chegar. O fato de Jesus tardar gera diferentes tipos de comportamentos por parte dos discípulos. Dois deles são ilustrados pela parábola das dez virgens.


As cinco virgens prudentes representam os discípulos que não esperam o Senhor, de braços cruzados. Essa espera não os aliena de suas responsabilidades concretas: lutar por um mundo que corresponda aos anseios do Senhor. São cristãos engajados na luta pela justiça, na defesa dos direitos dos fracos e oprimidos, na busca de um testemunho autêntico de fé, num mundo marcado pela injustiça e pela impiedade. E este empenho efetivo, a longo prazo, mantém suas lâmpadas acesas.


As cinco virgens imprudentes retratam os discípulos que esperam o Senhor numa contemplação inativa. Preocupam-se em fazer o que agrada a Deus, porém excluindo o próximo do âmbito de seus interesses. A oração não os motiva a fazer nada de concreto em benefício dos outros. Seu amor a Deus não se expressa em forma de amor ao próximo. Esta atitude, a longo prazo, se mostrará insuficiente para manter suas lâmpadas acesas.


É preciso cuidar para que esta constatação não seja feita tarde demais. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

 

Comemoração dos fiéis falecidos

 

 

A comemoração dos fiéis falecidos,a 2 de novembro, teve origem no mosteiro beneditino de Cluny. O papa Bento XV, no tempo da primeira guerra mundial, concedeu a todos os sacerdotes a faculdade de celebrar "três missas" neste dia.

 

"Nos ritos fúnebres para seus filhos, celebra a Igreja com fé o Mistério pascal, na firme esperança de que os que se tornaram, pelo batismo, membros de Cristo morto e ressuscitado, passem com ele através da morte à vida. É necessário, porém, que sua alma seja purificada, antes de ser recebida no céu com os santos e os eleitos, enquanto o corpo espera a bem-aventurada esperança da vinda de Cristo e a ressurreição dos mortos".

 

Em nossa vida nunca temos o suficiente; vivemos voltados para um contínuo "amanhã", do qual esperamos sempre “mais": mais amor, mais felicidade, mais bem-estar. Vivemos impelidos pela esperança. Mas no fundo dessa nossa dinâmica de vida e esperança se oculta, sempre à espreita, o pensamento da morte; um pensamento ao qual não nos habituamos e que quereríamos expulsar. No entanto, a morte é a companheira de toda nossa existência; despedidas e doenças, dores e desilusões são dela sinais a nos advertir.

 

A morte, um mistério

 

A morte permanece para o homem um mistério profundo. Mistério cercado de respeito também pelos que não creem. Ser cristão muda alguma coisa no modo de considerar e enfrentar a morte? Qual a atitude do cristão diante da pergunta sobre o sentido último da existência humana, que a morte nos põe continuamente? A resposta se encontra na profundeza da nossa fé. Para o cristão, a morte não é o resultado de uma luta trágica que se deva afrontar com frieza e cinismo. A morte do cristão segue as pegadas da morte de Cristo: um cálice amargo, porque fruto do pecado, a beber até o fim, porque é a vontade do Pai, que nos espera de braços abertos do outro lado do limiar; morte que é uma vitória com aparência de derrota; morte que é essencialmente não-morte: vida, glória, ressurreição. Como se dará tudo isso precisamente não podemos saber; não cabe ao homem medir a imensidade do dom e das promessas de Deus. A despedida dos fiéis é acompanhada da celebração eucarística, memória da morte de Jesus na cruz e penhor da sua ressurreição. O prefácio tem um tom de humana suavidade e divina certeza: "Nele refulge para nós a esperança da feliz ressurreição. E aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola. Ó Pai, para os que creem em vós, a vida não é tirada, mas transformada, e desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível".

 

Face a face com Cristo

 

A morte do cristão não é um momento no fim do seu caminho terreno, um ponto isolado do resto da vida. A vida terrena é preparação para a do céu, nela estamos como criancinhas no seio materno: nossa vida na terra é um período de formação, de luta, de primeiras opções. Ao morrer, o homem se encontrará diante de tudo o que constituiu o objeto das suas aspirações mais profundas: encontrar-se-á diante de Cristo e será a opção definitiva, construída por todas as opções parciais desta terra.

 

Cristo espera eternamente com os braços abertos; o homem que optou contra Cristo, será queimado eternamente por aquele mesmo amor que repeliu. O homem que se decide por Cristo encontrará no mesmo amor a plena e infinita alegria.

 

"Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno"

 

Podemos fazer alguma coisa pelos mortos? Eles não estão longe de nós; pertencem todos - os mortos no abraço de Deus - à comunidade dos homens e à comunidade da Igreja.

 

A oração pelos defuntos é uma tradição da Igreja. De fato, subsiste no homem, também quando morre em estado de graça, muita imperfeição, muita coisa a ser mudada, purificada do antigo egoísmo! Tudo isto acontece na morte. Morrer significa morrer também ao mal. É o batismo de morte com Cristo, no qual encontra acabamento o batismo de água. Esta morte vista pelo outro lado - assim crê a Igreja - pode ser uma purificação, a definitiva e total volta à luz de Deus. Quanto tempo durará? Isto está fora do nosso tempo. Não podemos determinar tempo nem lugar. Mas, partindo do nosso ponto de vista humano, há um tempo durante o qual consideramos alguém como "morto" e o ajudamos com nossa oração. De quantos meses ou anos se trata, ninguém pode dizê-lo. [MISSAL DOMINICAL, © Paulus, 1995]

 

Onde você vê a morte, alguém vê o fim e o outro

vê o começo de uma nova etapa. (Fernando Pessoa)