Terça-feira, 2 de setembro de 2008

22ª Semana do Tempo Comum, Ano Par, 2ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Tende compaixão de mim, Senhor, clamo por vós o dia inteiro; Senhor, sois bom e

clemente, cheio de misericórdia para aqueles que vos invocam.

 

Santos: Agrícola de Avinhão (bispo), Ambrósio Agostinho Chevreux (Bem-Aventurado, 1792, Paris, mártir), Antonino (Séc IV, mártir, Apaméia, Síria), Antonino de Pamia (mártir), Brocardo do Monte Carmelo (carmelita), Carlos de la Calmette (conde de Valfons), Castor de Apt (bispo), Diomedes, Juliano, Filipe, Eutiquiano, Leônidas, Filadelfo e Pentágape (mártires), Elpídio de Lião (bispo), Elpídio da Capadócia (abade), Evódio, Hermógenes e Calista (mártires de Siracusa), Guilherme (1070 d.C., bispo), Hieu de Tadcaster (virgem), João Maria du Lau (arcebispo de Arles, mártir), Justo de Lião (bispo), Lolano da Escócia (bispo),Luís Barreau de la Touche (monge), Máxima de Roma (mártir), Nonoso de Monte Sorate (abade), Valentino de Estrasburgo (bispo), William de Roskilde (bispo), Zeno (ou Zenão, Nicomédia, mártir), Concórdio e Teodoro (mártires de Nicomédia).

 

Oração: Deus do universo, fonte de todo bem, derramai em nossos corações o vosso amor e estreitai os laços que nos unem convosco para alimentar em nós o que é bom e guardar com solicitude o que nos destes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: 1ª Carta de Paulo aos Coríntios (1Cor 2, 10b-16)
Ser cristão é deixar-se conduzir pelo espírito de Deus

 

Irmãos, 10bo Espírito esquadrinha tudo, mesmo as profundezas de Deus. 11Quem dentre os homens conhece o que se passa no homem senão o espírito do homem que está nele? Assim também, ninguém conhece o que existe em Deus, a não ser o Espírito de Deus. 12Nós não recebemos o espírito do mundo, mas recebemos o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos os dons da graça que Deus nos concedeu. 13Desses dons também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com a sabedoria aprendida do Espírito: assim, ajustamos uma linguagem espiritual às realidades espirituais.

 

14O homem psíquico - o que fica no nível de suas capacidades naturais - não aceita o que é do Espírito de Deus, pois isso lhe parece uma insensatez. Ele não é capaz de conhecer o que vem do Espírito, porque tudo isso só pode ser julgado com a ajuda do mesmo Espírito. 15Ao contrário, o homem espiritual - enriquecido com o dom do Espírito - julga tudo, mas ele mesmo não é julgado por ninguém. 16Com efeito, quem conheceu o pensamento do Senhor, de maneira a poder aconselhá-lo? Nós, porém, temos o pensamento de Cristo. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

O homem psíquico não é capaz de

conhecer o que vem do espírito

 

Paulo opõe aqui o homem que s efunda unicamente nas próprias forças – ou seja puramente intelectuais – ao homem “espiritual” que tem em si a habitação de Deus. Ninguém pode conhecer a Deus e seu mistério de salvação, se não tiver o “Espírito de Deus” (v.11). Com efeito, só o Espírito  “perscruta todas as coisas, até as profundezas de Deus” (V. 10). O Espírito de Deus nos permite ainda como luz de Deus sondas as coisas humanas e terrenas, os acontecimentos de cada dia, ver-lhes o sentido profundo.

 

A fé é mais importante que a biologia, mas importante que a inteligência, embora não desdenhe a inteligência. A fé ajuda-nos a explorara as dimensões da história; dimensão de profundidade, ajudando-nos a nos elevar até à única fonte, Cristo ressuscitado; dimensão da largura, ajudando-nos a inscrever o evangelho na história dos homens; dimensão de altura, revelando-nos nos outros as capacidades criadoras escondidas, para juntos conhecermos o amor de Cristo (cf Ef 3, 18s).

 

 

 

Salmo: 144 (145), 8-9.10-11.12-13ab.13cd-14 (R/.17a)
É justo o Senhor em seus caminhos

 

Misericórdia e piedade é o Senhor, ele é amor, é paciência, é compaixão. O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura.

 

Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!

 

Para espalhar vossos prodígios entre os homens e o fulgor de vosso reino esplendoroso. O vosso reino é um reino para sempre, vosso poder, de geração em geração.

 

O Senhor é amor fiel em sua palavra, é santidade em toda obra que ele faz. Ele sustenta todo aquele que vacila e levanta todo aquele que tombou.

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 4, 31-37)
 Eis a ação de Jesus em Cafarnaum

 

Naquele tempo, 31Jesus desceu a Cafarnaum, cidade da Galiléia, e aí ensinava-os aos sábados. 32As pessoas ficavam admiradas com o seu ensinamento, porque Jesus falava com autoridade. 33Na sinagoga, havia um homem possuído pelo espírito de um demônio impuro, que gritou em alta voz: 34"O que queres de nós, Jesus nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o santo de Deus!" 35Jesus o ameaçou, dizendo: "Cala-te e sai dele!" Então o demônio lançou o homem no chão, saiu dele e não lhe fez mal nenhum. 36O espanto se apossou de todos e eles comentavam entre si: "Que palavra é essa? Ele manda nos espíritos impuros, com autoridade e poder, e eles saem". 37E a fama de Jesus se espalhava em todos os lugares da redondeza. Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho[2]

Dois projetos incompatíveis

 

O empenho libertador de Jesus encontrou adversários ferrenhos, que agiam em sentido contrário. A possessão demoníaca era símbolo de um projeto incompatível com o de Jesus. Os demônios tinham-lhe aversão. Sua simples presença era suficiente para arruiná-los. O Mestre tornava-os incapazes de oprimir os seres humanos. Não lhes permitia exercer sua ação maligna sobre as pessoas. Antes, arrancava-as de suas mãos, devolvendo-lhes a liberdade e a capacidade de decidir-se pela razão iluminada por Deus.


A ação do mau espírito não se limita a determinados espaços, considerados profanos. Até mesmo numa assembléia litúrgica, como acontecia na sinagoga de Cafarnaum, encontra-se gente que não é movida pelo espírito de Deus. A simples presença física, num espaço tido como sagrado, não é suficiente para tornar a pessoa imune à ação do espírito inimigo de Jesus. O demônio lança seus tentáculos também aí.


A única maneira de o discípulo do Reino manter-se imune das investidas do demônio consiste em tomar Jesus como centro sua vida. Não mediante uma referência puramente teórica e abstrata, e sim, conformando-se com o projeto de vida do Mestre. Onde impera o amor e a prática da justiça – parâmetro da vida do discípulo –, não existe campo de ação para o mau espírito.

 

Nossa Senhora da Penha[3]

 

 

"A cidade do Rio de Janeiro tem um Santuário dedicado a Ela. E assim diz: "Colocada à entrada da cidade, com o sorriso de Mãe aos que aqui chegam, o Santuário de Nossa Senhora da Penha é, por excelência o trono que Maria, Mãe de Jesus, escolheu, para ser o centro de sua devoção entre nós ".

 

No início do século XVII o Capitão Baltazar de Abreu Cardoso ia subindo a um lugar elevado e rochoso, para ver sua grande fazenda, quando de repente lhe apareceu uma grande serpente prestes a atacá-lo. Petrificado pelo susto e incapaz de defender-se, irrompeu a invocação: "Minha Nossa Senhora Valei-me!!!". Neste exato momento surgiu um lagarto, o qual sabemos ser inimigo das cobras e travou-se uma luta mortífera com a serpente, enquanto Baltazar fugia dali. Em reconhecimento por tão importante gesto maternal, Baltazar construiu uma pequena ermida, colocando ali uma imagem de Nossa Senhora, a quem chamou de Nossa Senhora da Penha por se encontrar no alto do Penhasco.

 

A devoção a Nossa Senhora se foi espalhando e cada vez mais aumentava o número dos fiéis que visitavam a imagem ali colocada: uns para agradecer e outros para pedir proteção e intercessão. Foi então criada a Irmandade de Nossa Senhora da Penha, sendo ampliada no ano de 1728. Também foi construído um campanário onde vemos dois pequenos sinos. No ano de 1870, foi demolida a ermida e construído em seu lugar, um novo templo: uma igreja com uma torre e novos sinos. Quando em 1900 foi submetida a nova reforma foram construídas as duas torres que hoje encontramos com mais sinos. Testemunhos: A Escadaria Em 1817 um piedoso casal estava a subir no penhasco para uma visita à Imagem, quando a esposa (Maria Barbosa) comentou com o marido que iria Lhe pedir para que Deus lhe concedesse um filho, visto que já estavam casados há alguns anos e não conseguiam ter filhos. Dona Maria Barbosa pediu, confiou e prometeu que, se tivesse um filho mandaria esculpir no duro granito do penhasco uma escadaria para facilitar o acesso dos devotos de Nossa Srª da Penha ao Santuário. No ano seguinte o casal era presenteado com um lindo filho e no ano de 1819 a escadaria estava feita conforme a temos hoje. São 382 degraus, mais ainda do que os números dos dias do ano.

 

Ainda hoje acorrem a este Santuário milhares de Romeiros vindos de todo o Brasil e até mesmo do exterior, para trazer-lhe os seus agradecimentos por graças alcançadas, ou pedir sua intercessão. À medida que vamos subindo a colina sagrada, sentimos que o ambiente se torna mais místico. Muitas pessoas vão subindo e rezando a oração do Terço. Em 15 de Junho de 1935 o Papa Pio XI decretou que a Basílica de Nossa Srª da Penha fosse agregada a Sacrossanta e Patriarcal Basílica de Santa Maria Maior de Roma, Dia 15 de Setembro de 1996, o Cardeal D. Jaime de Barros Câmara, então Arcebispo do Rio de Janeiro, elevou o templo de Nossa Senhora da Penha à categoria de Santuário Perpétuo. Em dia 31 de Maio de 1981, D. Eugênio de Araújo Sales, atendendo aos desejos do santo Papa João Paulo II, elevou o Santuário de Nossa Senhora da Penha à categoria de Santuário Mariano.

 

A solidão une, o isolamento separa... (Maria de Lourdes Sávio)

 

 



[1] Missal Cotidiano, ©Paulus, 1997

[2] Evangelho Nosso de Cada Dia, Pe. Jaldemir Vitório, ©Paulinas, 1997

[3] www.asj.org.br