Terça-feira, 2 de agosto de 2011

18ª Semana do Tempo Comum, Ano Impar, 2ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

Santos: Santo Eusébio de Vercelli (Bispo), São Pedro Julião Eymard (Presbítero), Basílio, o Bem-aventurado (mártir), Boetário de Chartres (bispo), Estêvão I (papa, mártir), Eteldrita de Croyland (virgem), Máximo de Pádua (bispo), Pedro de Osma (monge, bispo), Plegmundo de Cantuária (monge, bispo), Rutílio da África (mártir), Teódota e seus três filhos: Evódio, Hermógenes e Calista (mártires), Tomás Hales de Dover (monge, mártir).

 

Antífona: Meu Deus, vinde libertar-me, apressai-vos, Senhor, em socorrer-me. Vós sois o meu socorro e o meu libertador; Senhor, na tardeis mais. (Sl 69, 2.6)

 

Oração: Deus de poder e misericórdia, que tornastes são João Maria Vianney um pároco  admirável por sua solicitude pastoral, dai-nos, por sua intercessão e exemplo, conquistar no amor de Cristo os irmãos e irmãs para vós e alcançar com eles a glória eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Número (Nm 12, 1-13)

O ciúme e a inveja são condenados por Deus 

 

Naqueles dias, 1Maria e Aarão criticaram Moisés por causa de sua mulher etíope. 2E disseram: "Acaso o Senhor falou só através de Moisés? Não falou, também, por meio de nós?" E o Senhor ouviu isto. 3Moisés era um homem muito humilde, mais do que qualquer outro sobre a terra. 4Então o Senhor disse a Moisés, Aarão e Maria: "Ide todos os três à Tenda da Reunião". E eles foram. 5O Senhor desceu na coluna de nuvem, parou à entrada da Tenda, e chamou Aarão e Maria. Quando se aproximaram, ele lhes disse: 6"Escutai minhas palavras! Se houver entre vós um profeta do Senhor, eu me revelarei a ele em visões e falarei com ele em sonhos. 7O mesmo, porém, não acontece com o meu servo Moisés, que é o mais fiel em toda a minha casa! 8Porque a ele eu falo face a face; é às claras, e não por figuras, que ele vê o Senhor! Como, pois, vos atreveis a rebaixar o meu servo Moisés?" 9E, indignado contra eles, o Senhor retirou-se. 10A nuvem que estava sobre a tenda afastou-se, e no mesmo instante, Maria se achou coberta de lepra, branca como a neve. Quando Aarão olhou para ela e a viu toda coberta de lepra, 11disse a Moisés: "Rogo-te, meu Senhor! Não nos faças pagar pelo pecado que tivemos a insensatez de cometer. 12Que Maria não fique como morta, como um aborto que é lançado fora do ventre de sua mãe, já com metade da carne consumida pela lepra". 13Então Moisés clamou ao Senhor, dizendo: "Ó Deus, eu te suplico, dá-lhe a cura!"  Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Vós atreveis a rebaixar o meu servo Moisés? 

 

Outra provação a que é submetido Moisés: ciúme e inveja dos familiares. Deus concede carismas só a ele? Porventura não falou também por meio deles?... Deus intervém para defendê-lo: Sim, também por meio deles, mas que diferença entre eles e Moisés! Aos profetas (era-o de fato Ma­ria: Ex 1 5,20s) Deus fala em visão, em sonhos; Moisés, porém, é o "confidente" de Deus, mora em sua casa, Deus lhe fala na intimidade, de tu para tu; é contemplativo e místico, posto a par do mistério de Deus (versículos: 6-8; cf Ex 33,11); por isso, é grave culpa contestar a autoridade que recebeu de Deus. Também nisso, Moisés é figura de Cristo, contestado pelos fariseus: estes dirão saber que Deus falou a Moisés, mas ignorar donde é Jesus. Ele rebaterá, afirmando que, contestando-o de olhos abertos, permanecem em pecado (Jo 9,28s.40s). Também hoje não raramente as contestações são fruto de inveja, ciúme, mau espírito. Vem ao caso a advertência de Gamaliel: "Não vos aconteça estardes a combater contra Deus" (At 5,39) [Comentário Bíblico, © Edições Loyola, 1999]

 

Salmo: 50(51), 3-4.5-6a.6bc-7.12-13 (R/.cf.3a)
Misericórdia, ó Senhor, porque pecamos! 

 

Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! Lavai-me todo inteiro do pecado, e apagai completamente a minha culpa!  

 

Eu reconheço toda a minha iniquidade, o meu pecado está sempre à minha frente. Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei, e pratiquei o que é mau aos vossos olhos!  

 

Mostrais assim quanto sois justo na sentença, e quanto é reto o julgamento que fazeis. Vede, Senhor, que eu nasci na iniquidade e pecador já minha mãe me concebeu.  

 

Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 14, 22-36)
Homem fraco na fé, por que duvidaste?

 

Depois que a multidão comera até saciar-se, 22Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. 23Depois de despedi-las, Jesus subiu ao monte, para orar a sós. A noite chegou, e Jesus continuava ali, sozinho. 24A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário. 25Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. 26Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados e disseram: "É um fantasma". E gritaram de medo. 27Jesus, porém, logo lhes disse: "Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!" 28Então Pedro lhe disse: "Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água". 29E Jesus respondeu: "Vem!" Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: "Senhor, salva-me!" 31Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: "Homem fraco na fé, por que duvidaste?" 32Assim que subiram na barca, o vento se acalmou. 33Os que estavam na barca, prostraram-se diante dele, dizendo: "Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!"

 

34Após a travessia, desembarcaram em Genesaré. 35Os habitantes daquele lugar reconheceram Jesus e espalharam a notícia por toda a região. Então levaram a ele todos os doentes; 36e pediam que pudessem, ao menos, tocar a barra de sua veste. E todos os que a tocaram, ficaram curados. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mc 6, 45-52; Jo 6, 16-21

 

 

 

Comentário o Evangelho

Por que duvidaste?

 

A censura de Jesus a Pedro por ter duvidado estende-se também aos demais discípulos. Afinal, a fé pequena do líder expressava a situação do grupo inteiro. Como Pedro, os demais ainda não tinham chegado a consagrar-se inteiramente a Jesus, depositando nele uma confiança inabalável, mormente nos momentos de dificuldade. Daí o risco de serem tragados pelas ondas das perseguições e das adversidades.


O simples fato de conviver com o Mestre era insuficiente para fazer a fé penetrar no coração dos discípulos. A adesão efetiva exigia muito mais. Não bastava deixar-se encantar pela sublimidade de seus ensinamentos nem se empolgar diante da grandiosidade de seus milagres. Era necessário deixar-se transformar por suas palavras, e descobrir, para além dos milagres, a identidade messiânica de Jesus e buscar imitar seu modo de proceder. Só assim a fé se torna consistente, capaz de superar as provações.

 

Por outro lado, a censura de Jesus é um alerta para os líderes da comunidade. Também eles poderiam padecer de uma fé inconsistente, a ponto de correr o risco de sucumbir nos momentos de provação. Sendo severos com quem dava os primeiros passos da fé, deveriam ter suficiente humildade para reconhecer sua própria condição. Afinal, também eles poderiam vir a fracassar no seu testemunho de fé. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

Para sua reflexão: Na escuridão da noite, na agitação de um mar turbulento, Jesus aparece a seus discípulos. Podemos chamar isso de cristofania e compará-lo com os relatos da transfiguração e da páscoa. Jesus domina os elementos (Sl 77,20), infunde paz e confiança com sua presença, com sua palavra com o contato da sua mão.  A quarta vigília ou turno de guarda é a última, próxima ao amanhecer. “Caminha sobre o dorso do mar” (Jó 9,8). O fantasma era uma aparição noturna, como a de Elifaz (Jó 4, 12-16). Jesus se identifica, mas a fórmula “Sou eu” desperta sem querer ressonâncias do nome divino. Quando Jesus se identifica, Pedro o reconhece; solicita seus chamados e o segue com audácia confiante; titubeia e falha no perigo, mas é salvo por Jesus. Figura exemplar para a Igreja. A imagem da “barca da Igreja se tornará corrente e tradicional”. (Bíblia do Peregrino)

 

Oração da assembleia (Liturgia Diária)

Das críticas e julgamentos injustos. Livrai-nos, Senhor.

Da falta de abertura ao novo que vem de Deus.

Dos perigos, do ciúme e da inveja.

Do ódio, do ciúme e da inveja.

Da cegueira de coração e da maledicência.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Dignai-vos, ó Deus, santificar estas oferendas e, aceitando este sacrifício espiritual, fazei de nós uma oferenda eterna para vós. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Vós nos destes, Senhor, o pão do céu, que contém todo sabor e satisfaz todo o paladar. (Sb 16, 20)

 

Oração Depois da Comunhão:

Acompanhai, ó Deus, com proteção constante os que renovastes com o pão do céu, e, como não cessais de alimentá-los, tornai-os dignos da salvação eterna. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Santo Eusébio de Vercelli

 

Eusébio nasceu na ilha da Sardenha, no ano 283. Depois da morte do seu pai, em testemunho da fé em Cristo, durante a perseguição do imperador Diocleciano, sua mãe levou-o para completar os estudos eclesiásticos em Roma. Assim, muito jovem, Eusébio entrou para o clero, sendo ordenado sacerdote. Aos poucos, foi ganhando a admiração do povo cristão e do papa Júlio I, que o consagrou bispo da diocese de Vercelli em 345.

 

Nessa condição, participou do Concílio de Milão em 355, no qual os bispos adeptos da doutrina ariana tentaram forçá-lo a votar pela condenação do bispo de Alexandria, santo Atanásio. Eusébio, além de discordar do arianismo considerou a votação uma covardia, pois Atanásio, sempre um fiel guardião da verdadeira doutrina católica, estava ausente e não podia defender-se. Como ficou contra a condenação, ele e outros bispos foram condenados ao exílio na Palestina.

 

Porém isso não o livrou da perseguição dos hereges arianos, que infestavam a cidade. Ao contrário, sofreu muito nas mãos deles. Como não mudava de posição e enfrentava os desafetos com resignação e humildade, acabou preso, tendo sido cortada qualquer forma de comunicação sua com os demais católicos. Na prisão, sofreu ainda vários castigos físicos. Contam os escritos que passou, também, por um terrível suplício psicológico.

 

Quando o povo cristão tomou conhecimento do fato, ergueu-se a seu favor. Foram tantos e tão veementes os protestos que os hereges permitiram sua libertação. Contudo o exílio continuou e ele foi mandado para a Capadócia, na Turquia e, de lá, para o deserto de Tebaida, no Egito, onde foi obrigado a permanecer até a morte do então imperador Constantino, a quem sucedeu Juliano, o Apóstata, que deu a liberdade a todos os bispos presos e permitiu que retomassem as suas dioceses.

 

Depois do exílio de seis anos, Eusébio foi o primeiro a participar do Concílio de Alexandria, organizado pelo amigo, santo Atanásio. Só então passou a evangelizar, dirigindo-se, primeiro, a Antioquia e, depois, à Ilíria, onde os arianos, com sua doutrina, continuavam confundindo o povo católico. Batalhou muito combatendo todos eles.

 

Mais tarde, foi para a Itália, sendo recepcionado com verdadeira aclamação popular. Em seguida, na companhia de santo Hilário, bispo de Poitiers, iniciou um exaustivo trabalho pela unificação da Igreja católica na Gália, atual França. Somente quando os objetivos estavam em vias de serem alcançados é que ele voltou à sua diocese em Vercelli, onde faleceu no dia 1o. de agosto de 371.

 

Apesar de ser considerado mártir pela Igreja, na verdade santo Eusébio de Vercelli não morreu em testemunho da fé, como havia ocorrido com seu pai. Mas foram tantos os seus sofrimentos no trabalho de difusão e defesa do cristianismo, passando por exílios e torturas, que recebeu esse título da Igreja, cujo mérito jamais foi contestado. Com a reforma do calendário litúrgico de Roma, de 1969, sua festa foi marcada para o dia 2 de agosto. Nesta data, as suas relíquias são veneradas na catedral de Vercelli, onde foram sepultadas e permanecem até os nossos dias. [www.paulinas.org.br]

 

 

Leigos (as): Discípulos(as) Missionários(as)

Dom José Luiz Bertanha, Bispo de Registro - SP

 

“Os cristãos Leigos são homens e mulheres da Igreja no coração do mundo, homens e mulheres do mundo no coração da Igreja” DA 210.

 

João Paulo II dizia-nos “a Evangelização do Continente não pode realizar-se hoje sem a colaboração dos fiéis leigos” (EAM 44).

 

Celebraremos em todas as comunidades, agosto como mês da vocações. A 1ª.´semana dedicada à vocação sacerdotal, a 2ª. à família, a 3ª. aos religiosos(as), a 4ª. semana  aos cristãos Leigos e Leigas. Será um momento especial de ação de graças por muito trabalho realizado e proposta   a todos para que sejam discípulos missionários.

 

O Documento de Aparecida retoma e reafirma as posições do Concílio Vaticano II de que os Leigos são membros efetivos do Povo de Deus e são Igreja. Duas são as dimensões da vocação laical. Primeiramente, os Leigos são chamados a exercerem diversas ações na comunidade eclesial e em diferentes formas de apostolado. Devem dar seu testemunho de vida e assumir diversos ministérios e serviços na evangelização, na catequese, na animação de comunidades, na liturgia, dentre outros (Cf. DA 211). A outra dimensão é a de atuar no mundo, “a vinha do Senhor”, com a tarefa de ser fermento, sal e luz seja pelo testemunho seja pela ação transformadora na construção da sociedade justa e solidária, conforme os critérios evangélicos. Essa missão específica deve ser vivenciada pelos leigos na política, na realidade social, na economia, nos meios de comunicação, nos sindicatos, no mundo do trabalho urbano e rural, na cultura, na família e em tantas outras realidades. (Cf EN 70 e DA 210).

 

Para realizar sua missão com competência e responsabilidade, os leigos “necessitam de sólida formação doutrinal, pastoral, espiritual e adequado acompanhamento para darem testemunho de Jesus Cristo e dos valores do Reino na vida social, econômica, política e cultural” (DA 212).

 

O protagonismo dos leigos está presente na caminhada da Igreja através de todos os seus fiéis e de suas lideranças que promovem e levam à frente a tarefa da evangelização sempre em união com seus pastores.

 

Para contribuir nesse processo a CNBB possui uma Comissão Episcopal para o Laicato que tem como função, na Igreja do Brasil, de promover a vocação e missão, formação e espiritualidade dos leigos, bem como sua organização e atuação, na Igreja e na sociedade. Fazem parte da Comissão Episcopal do Laicato os Setores Leigos, Juventude, CEBs, CNLB(Conselho Nacional dos leigos do Brasil) e todos os movimentos eclesiais. A Comissão tem relação de comunhão com o CNLB - Conselho Nacional do Laicato do Brasil e com os Movimentos e Associações Laicais. O CNLB congrega os Conselhos Regionais, movimentos, associações laicais, pastorais e outros organismos de leigos. Os CNLBs Regionais e diocesanos são importantes, pois articulam os leigos em toda a tarefa da evangelização. São expressões vivas e dinâmicas da presença e da força dos leigos nas comunidades.

 

Ao celebrar as vocações dos Cristãos Leigos e Leigas queremos expressar nossa mais profunda gratidão, por tantos homens e mulheres que, vivendo sua fé, testemunham seu amor a Jesus Cristo e a Igreja, na dedicação de seu tempo a serviço dos demais irmãos. Deus abençoe tantas iniciativas de transformação social e presença evangelizadora nas comunidades, paróquias, dioceses e na sociedade. O documento de Aparecida ao apresentar a vocação dos leigos (no.210), afirma “os fiéis leigos e leigas, discípulos e missionários, são luz do mundo”. Sim, discípulos missionários. Sempre aprendendo como discípulos e missionários porque comunicando o amor de Deus aos irmãos para construir juntos um mundo mais justo e fraterno.

 

Vamos agradecer a Deus a tantos leigos e leigas, catequistas, dizimistas, lideranças que estão em nossas pastorais, nos organismos, nos movimentos, nas CEBs, nas pastorais da juventude e nos movimentos juvenis construindo o Reino de Deus e buscando uma nova sociedade. Sempre precisamos de “muitos Leigos e Leigas no coração do mundo e muitas Leigas e Leigos no coração da Igreja”. [CNBB]

 

 

 

Peso por peso, prefiro o meu que, pelo menos, me leva a algum lugar. (Paulo Leminski)