Terça-feira, 1º de fevereiro de 2011

Quarta Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 4ª Semana do Saltério, Livro III, cor Verde

 

Hoje: Dia do Publicitário

 

Santos: Artêmio de Clermont (bispo), Urbano, Prilidiano e Epolônio (mártires de Antioquia), Bertrando de Saint Quentin (abade), Exuperâncio de Cingoli (bispo), Feliciano de Foligno (bispo) e Messalina (virgem), (mártires), Macedônio Critófago (eremita de Antioquia), Mardônio, Musônio, Eugênio e Metélio (mártires de Neocesaréia de Mauritânia), Surano de Sora (abade), Zâmio de Bolonha (bispo), Felix O'Dullany (bispo, bem-aventurado), João Grove (mártir, bem-aventurado), Marcolino de Forli (dominicano, bem-aventurado), São Vicente Pallotti, William da Irlanda (jesuíta, mártir, bem-aventurado)

 

Antífona: Salvai-nos, Senhor nosso Deus, reuni vossos filhos dispersos pelo mundo, para que celebremos o vosso santo nome e nos gloriemos em vosso louvor. (Sl 105, 47)

 

Oração: Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo o coração, e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Hebreus (Hb 12, 1-4)

Não vos deixeis abater pelo desânimo

 

Irmãos, 1rodeados como estamos por tamanha multidão de testemunhas, deixemos de lado o que nos pesa e o pecado que nos envolve. Empenhemo-nos com perseverança no combate que nos é proposto, 2com os olhos fixos em Jesus, que em nós começa e completa a obra da fé. Em vista da alegria que lhe foi proposta, suportou a cruz, não se importando com a infâmia, e assentou-se à direita do trono de Deus. 3Pensai pois naquele que enfrentou uma tal oposição por parte dos pecadores, para que não vos deixeis abater pelo desânimo. 4Vós ainda não resististes até ao sangue na vossa luta contra o pecado. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Empenhemo-nos com perseverança

 

Jesus é o aperfeiçoador da fé, porque nele se torna realidade aquilo que cremos e esperamos. Ele conclui a peregrinação de retorno de seu povo para Deus e recebeu a glória (v.2). Não sozinho, porém, mas como cabeça e guia (autor), exemplo perfeito da obediência a Deus e na glorificação. Junto com ele estão os mártires e santos de todos os tempos: testemunhas de Cristo diante do mundo, demonstraram, com sua vida e morte a solidez da realidade sagrada em que acreditavam; testemunhas agora de nosso combate (cf 1Cor 4, 9: “Fomo dados em espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens”), como antigos campeões já premiados pela vitória, encorajamo-nos com o exemplo deles. A oração eucarística recorda “aqueles que em todos os tempos vos foram agradáveis”, “nossos intercessores junto de vós”. Em comunhão conosco, ainda peregrinos, constituem parte da grande assembleia dos que foram salvos (cf Salmo) e que anunciam as maravilhas do Senhor. [COMENTÁRIO BÍBLICO, Vol. III, ©Edições Loyola, 1997]

 

 

Salmo: 21 (22), 26b-27.28 e 30.31-32 (R/.cf.27b)
Todos aqueles que vos buscam, hão de louvar-vos, ó Senhor

 

26bSois meu louvor em meio à grande assembleia; cumpro meus votos ante aqueles que vos temem! 27Vossos pobres vão comer e saciar-se, e os que procuram o Senhor o louvarão; “seus corações tenham a vida para sempre!”


28Lembrem-se disso os confins de toda a terra, para que voltem ao Senhor e se convertam, e se prostrem, adorando, diante dele todos os povos e as famílias das nações. 30Somente a ele adorarão os poderosos, e os que voltam para o pó o louvarão.

 

Para ele há de viver a minha alma; 31toda a minha descendência há de servi-lo; às futuras gerações anunciará 32o poder e a justiça do Senhor; ao povo novo que há de vir, ela dirá: “Eis a obra que o Senhor realizou!”

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 5, 21-43)

Menina, levanta-te!

 

Naquele tempo, 21Jesus atravessou de novo, numa barca, para a outra margem. Uma numerosa multidão se reuniu junto dele, e Jesus ficou na praia. 22Aproximou-se, então, um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo. Quando viu Jesus, caiu a seus pés, 23e pediu com insistência: “Minha filhinha está nas últimas. Vem e põe as mãos sobre ela, para que ela sare e viva!” 24Jesus então o acompanhou. Uma numerosa multidão o seguia e o comprimia.


25Ora, achava-se ali uma mulher que, há doze anos, estava com uma hemorragia; 26 tinha sofrido nas mãos de muitos médicos, gastou tudo o que possuía, e, em vez de melhorar, piorava cada vez mais. 27Tendo ouvido falar de Jesus, aproximou-se dele por detrás, no meio da multidão, e tocou na sua roupa. 28Ela pensava: “Se eu ao menos tocar na roupa dele, ficarei curada”. 29A hemorragia parou imediatamente, e a mulher sentiu dentro de si que estava curada da doença. 30Jesus logo percebeu que uma força tinha saído dele. E, voltando-se no meio da multidão, perguntou: “Quem tocou na minha roupa?” 31Os discípulos disseram: “Estás vendo a multidão que te comprime e ainda perguntas: ‘Quem me tocou?’” 32Ele, porém, olhava ao redor para ver quem havia feito aquilo. 33A mulher, cheia de medo e tremendo, percebendo o que lhe havia acontecido, veio e caiu aos pés de Jesus, e contou-lhe toda a verdade. 34Ele lhe disse: “Filha, a tua fé te curou. Vai em paz e fica curada dessa doença”.


35Ele estava ainda falando, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, e disseram a Jairo: “Tua filha morreu. Por que ainda incomodar o mestre?” 36Jesus ouviu a notícia e disse ao chefe da sinagoga: “Não tenhas medo. Basta ter fé!” 37E não deixou que ninguém o acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e seu irmão João. 38Quando chegaram à casa do chefe da sinagoga, Jesus viu a confusão e como estavam chorando e gritando. 39Então, ele entrou e disse: “Por que essa confusão e esse choro? A criança não morreu, mas está dormindo”. 40Começaram então a caçoar dele.

 

Mas, ele mandou que todos saíssem, menos o pai e a mãe da menina, e os três discípulos que o acompanhavam. Depois entraram no quarto onde estava a criança. 41Jesus pegou na mão da menina e disse: “Talitá cum” – que quer dizer: “Menina, levanta-te!” 42Ela levantou-se imediatamente e começou a andar, pois tinha doze anos. E todos ficaram admirados. 43Ele recomendou com insistência que ninguém ficasse sabendo daquilo. E mandou dar de comer à menina. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas recomendadas: Mt 9,18-26; Lc 8,40-56

 

Comentário do Evangelho

Menina, levanta-te!

 

O duplo milagre de Jesus, beneficiando a duas mulheres, ilustra o interesse dele por esta categoria social vítima da marginalização, na sociedade de seu tempo. A ordem dada à menina – “Levanta-te!” – foi prenúncio do que ele desejava ver acontecer com todas as mulheres: livrar-se da exclusão a que estavam relegadas.


Tal exclusão não dependia da situação econômica. A mulher, vítima de hemorragia por doze anos, tinha posses. Por isso, pôde gastar uma fortuna com médicos, os quais foram incapazes de curá-la. Pelo contrário, faziam-na piorar ainda mais. Também a menina ressuscitada não era pobre. Seu pai, Jairo, era chefe da sinagoga local. Sem dúvida, gozava de prestígio na cidade. A grande quantidade de carpideiras pagas para prantear a defunta aos berros, é indício de que o pai da menina tinha dinheiro para isso. Portanto, as beneficiárias de Jesus não foram duas pobrezinhas. Não importa! As mulheres ricas também eram necessitadas da ajuda Jesus.


Ambas as mulheres fizeram o gesto físico de levantar-se. A hemorroíssa, tendo-se lançado aos pés de Jesus, recebeu a ordem de ir em paz, uma vez livre da doença importuna. Quanto à menina, o Mestre tomou-a pela mão, ordenando-lhe que se levantasse. E ela se pôs em pé e caminhou.
Estes gestos exteriores apontavam para uma cura muito mais radical que estava acontecendo na vida delas: o Mestre conseguiu que recuperassem sua dignidade de mulher
. [O EVANGELHO DO DIA, Ano “A”. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1997]

 

Liturgia Diária (Paulinas e Paulus)

-Para que a Igreja seja fiel em sua missão evangelizadora e não esmoreça na fé, rezemos. Ouvi, Senhor, nosso pedido.

-Para que os doentes e desanimados sejam auxiliados em suas necessidades, rezemos.

-Para que os missionários perseverem na fé e na prática da justiça, rezemos.

-Para que a mensagem de salvação de Jesus seja aceita por todos os povos, rezemos.

-Para que neste mês saibamos superar com confiança os problemas cotidianos, rezemos.

(preces espontâneas)

 

Oração sobre as Oferendas:

Para vos servir, ó Deus, depositamos nossas oferendas em vosso altar; acolhei-as com bondade, a fim de que se tornem o sacramento da nossa salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Mostrai serena a vossa face ao vosso servo e salvai-me pela vossa compaixão! (Sl 30,17-18)

 

Oração Depois da Comunhão:

Renovados pelo sacramento da nossa redenção, nós vos pedimos, ó Deus, que este alimento da salvação eterna nos faça progredir na verdadeira fé. Por Cristo, nosso Senhor!  

 

Santa Veridiana

Santa Veridiana de Castelfiorentino (Castelo de Florença) nasceu em 1182. É, portanto, contemporânea de São Francisco de Assis que, segundo a tradição, a visitou em 1221 admitindo-a na Ordem Terceira. Era descendente da nobre família Attavanti, então em decadência, mas que gozava ainda de um grande prestígio. Um parente muito rico quis que Veridiana fosse administradora de seus bens. Ela, porém, só podia exercer esse cargo se lhe proporcionassem maior possibilidade de praticar a caridade. Por vezes, a Providência Divina ajudou-a com milagres. Conta-se que certo dia seu tio, após haver acumulado grande quantidade de víveres, os vendeu por alto preço. Quando o comprador chegou o celeiro estava sem nada. Veridiana tudo havia dado aos pobres. No dia seguinte, miraculosamente, o celeiro foi encontrado de novo repleto. Veridiana em peregrinação ao túmulo de São Tiago de Compostela. Compostela e Roma eram as grandes metas dos peregrinos após a perda da Terra Santa. De volta a Castelfiorentino sentiu maior desejo de solidão e penitência. Seus conterrâneos para a manterem próxima deles, edificaram-lhe uma cela, perto de oratório de Santo António, onde a santa ficou a habitar durante 34 anos. Por uma janelinha assistia à missa, falava com as visitas e recebia o escasso alimento de modo a não morrer de fome. Conta-se que sua santa morte, a 01 de Fevereiro de 1242, foi anunciada pelo repicar improviso e simultâneo dos sinos de Castelfiorentino sem que ninguém os tivesse tocado. O culto de Santa Veridiana representada com os hábitos da congregação Vallombrosana, foi aprovado por Clemente VII no ano de 1533 e ainda é muito popular na Toscana.

 

 

Ser feliz assim mesmo

 

 

Dom Aloísio Roque Oppermann, Arcebispo de Uberaba (MG)

 

A Filosofia helênica não abria muito espaço para o corpo humano. O que para eles valia mesmo, era o espírito, a alma. Por mais nobre que esta fosse, devia viver dentro do corpo, como num cárcere. Isso de precisar comer, cuidar dos dentes, dormir, transpirar, era situação indigna para a alma. São Paulo ficava abismado com o Verbo Eterno, a perfeição total que, para salvar-nos, se fez um de nós. “Humilhou-se a si mesmo, apresentando-se como simples homem”  (Fil 2, 8). A maior humilhação, no entanto, é precisar morrer, e deixar todas as obras inacabadas. Jesus revelou uma verdade consoladora, para quem sofre com as limitações humanas. É a feliz ressurreição, pela qual até o corpo é transformado para uma outra dimensão. Terminam assim as suas notórias imperfeições.

 

Mais angustiante do que essa situação é ser portador, além do mais,  de necessidades especiais. Padecer até o fundo com a ausência total da visão, da audição, ou dos movimentos, pode levar a pessoa a se considerar inferiorizada diante dos semelhantes. Não me refiro aqui a deficiências corrigíveis, como uma ferida. Mas sim, a problemas insanáveis. Tal estado físico pode levar as pessoas às mais variadas reações. Pode alguém se revoltar contra Deus, atribuindo-lhe injustiça. Realmente, o sofrimento entra numa zona de nebulosa da nossa inteligência, por sermos incapazes de  entender o seu sentido. A não ser em Jesus Cristo. Como também pode alguém se colocar na lista dos coitadinhos, numa auto-compreensão de conformismo paralisante. Ter compaixão de si mesmo é uma atitude  totalmente inibidora, e que pode ser muito prejudicial para a saúde psíquica. Mas pode também haver quem assuma a sua situação, sem revoltas, e com muito realismo.  Aceita-se tudo assim como é. O copo pequeno ou o copo grande, quando cheios de água, representam a perfeição que pode caber na vida de quem tem o corpo perfeito, ou com deficiências. É evidente que a felicidade, para ser possível, também deve vir da colaboração dos membros da comunidade. Isso, felizmente, está muito bem expresso nas Paraolimpíadas, onde os portadores de necessidades especiais acreditam em si, ajudados pelos outros. Também as APAES são uma expressão da felicidade possível que se oferece às crianças. [CNBB]

 

Aconteceu no dia 1º de fevereiro:

1742: Nascimento de Inácio José de Alvarenga Peixoto (poeta brasileiro)

 

 

Fazemos nossa vida boa ou má de acordo com o nosso modo de pensar, sentir e agir. (Frei Anselmo Fracasso)