Sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Terceira Semana do Tempo Comum, Ano Ímpar, 3ª Semana do Saltério (Livro III), cor Verde

 

Cantai ao Senhor um canto novo, cantai ao Senhor, ó terra inteira; esplendor, majestade e beleza brilham no seu templo santo. (Sl 95, 1.6)

 

Hoje: Dia Nacional dos Quadrinhos e dia da Saudade

 

Santos do Dia: Aquilino de Milão (mártir), Báculo de Sorrento (bispo), Cesário de Angoulême (diácono), Constâncio (primeiro bispo de Perúgia) e Companheiros (mártires), Flora de Kildare (virgem), Papias e Mauro (soldados, mártires de Roma), Sabiniano de Troyes (mártir), Sharbel e Bebaia (casal de irmãos, mártires de Edessa), Sulpício Severo (bispo de Bourges), Trifina da Bretanha (viúva), Valério de Trèves (bispo).

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosso Filho, frutificar em boas obras. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: Hebreus (Hb 10, 32-39)

E o justo viverá por sua fidelidade

 

Irmãos, 32lembrai-vos dos primeiros dias, quando, apenas iluminados, suportastes longas e dolorosas lutas. 33Às vezes, éreis apresentados como espetáculo, debaixo de injúrias e tribulações; outras vezes, vos tornáveis solidários dos que assim eram tratados. 34Com efeito, participastes dos sofrimentos dos prisioneiros e aceitastes com alegria o confisco dos vossos bens, na certeza de possuir uma riqueza melhor e mais durável.


35Não abandoneis, pois, a vossa coragem, que merece grande recompensa. 36De fato, precisais de perseverança para cumprir a vontade de Deus e alcançar o que ele prometeu. 37Porque ainda “bem pouco tempo, e aquele que deve vir, virá e não tardará. 38O meu justo viverá por causa de sua fidelidade, mas, se esmorecer, não encontrarei mais satisfação nele”. 39Nós não somos desertores, para a perdição. Somos homens da fé, para a salvação da alma. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura[1]

Suportastes longas e dolorosas lutas

 

Crer é sempre sair dos projetos próprios e aceitar deixar-se conduzir por Deus, aonde nos queira levar. É uma aventura que se aceita livremente, associando-se à caravana do povo de Deus. Freqüentes vezes isto implica em corte violento de hábitos, amizades, atividades antigas; muitas vezes comporta perseguição, latente ou explícita, ou insulto e ridículo.

 

A todos se dirige a advertência sobre a fidelidade e a perseverança: quão admirável é a coragem de romper com certas coisas que ficaram para trás! Mas também é indispensável não voltar atrás. Podemos estar entre aqueles que retrocedem, não com uma apostasia explícita, mas perdendo terreno dia após dia, desvirtuando com pequenas manifestações de egoísmo as grandes opções, fazendo calar a consciência por meio de argumentos sutis, tornando-nos medíocres pela rotina, aviltando-nos por um resignação cética e conformista. Reforcemos nossa fé e esperança com as palavras do profeta (v.37) e de Jesus: “Um pouco de tempo e já não me vereis, mas um pouco de tempo e me vereis... Chorareis e vós lamentareis, mas o mundo se alegrará... Também vós agora estais tristes; mas eu vos verei de novo e vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará vossa alegria” (Jo 16, 16.20.22)

 

 

Salmo: 36 (37), 3-4.5-6.23-24.39-40 (R/.39a)
A salvação de quem é justo, vem de Deus!

 

3Confia no Senhor e faze o bem, e sobre a terra habitarás em segurança. 4Coloca no Senhor tua alegria, e ele dará o que pedir teu coração.


5Deixa aos cuidados do Senhor o teu destino; confia nele, e com certeza ele agirá. 6Fará brilhar tua inocência como a luz, e o teu direito, como o sol do meio-dia.


23É o Senhor quem firma os passos dos mortais e dirige o caminhar dos que lhe agradam; 24mesmo se caem, não irão ficar prostrados, pois é o Senhor quem os sustenta pela mão.

 
39A salvação dos piedosos vem de Deus; ele os protege nos momentos de aflição. 40O Senhor lhes dá ajuda e os liberta, defende-os e protege-os contra os ímpios, e os guarda porque nele confiaram.

 

 

Evangelho do Dia: Marcos (Mc 4, 26-34)

A semente esconde a força da vida

 

Naquele tempo, 26Jesus disse à multidão: “O reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. 27Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. 28A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. 29Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou”.


30E Jesus continuou: “Com que mais poderemos comparar o reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? 31O reino de Deus é como um grão de mostarda que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. 32Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”. 33Jesus anunciava a palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. 34E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo. Palavra da Salvação!

 

 

Comentário do Evangelho[2]

Escondimento e eficácia

 

Quando Jesus proclamava o Reino de Deus, seus ouvintes eram tentados a ligar esse Reino a feitos grandiosos. A opressão a que estavam submetidos, havia séculos, fizeram-nos alimentar um anseio de libertação urgente. A pregação de Jesus veio de encontro a este anseio. O povo queria ver a libertação acontecer por meio de fatos concretos. O primeiro deles seria o fim da dominação romana e do sistema de privilégios acobertado por ela. Aguardavam, pois, a implantação de uma sociedade sem excluídos.


Jesus, porém, dava mostras de não estar interessado em se envolver numa briga com os romanos. Contentava-se em conclamar o povo para a fraternidade, promovendo uma batalha sem tréguas contra toda forma de egoísmo. Além disso, ao curar as doenças do povo e exorcizar os possessos buscava tirar as pessoas da marginalização, religiosa e social, a que estavam relegadas, recuperando-as para a plena participação.


A parábola do grão que cresce fora do controle do agricultor chama a atenção para a eficácia do Reino que age de maneira escondida nos meandros da história humana. Desta forma, Jesus questionava seus ouvintes, desafiando-os a terem uma sensibilidade mais apurada para o que estava acontecendo. Estando bem atentos, haveriam de se dar conta de que a opressão estava sendo minada em seus alicerces, e que o tão sonhado mundo novo da fraternidade já havia despontado.

 

 

Santa Jacinta de Mariscotti[3]

Jacinta, de nobre família romana, nasceu perto de Viterbo, em 1585. tendo professado ainda muito jovem entre as Irmãs da Ordem Franciscana Secular, descuidou-se por algum tempo do cumprimento de suas obrigações. Na convalescença de uma doença grave, caiu em si e abandonou de vez todas vaidades do mundo. E castigando desde então seu corpo com aspérrima penitência, entregou-se inteiramente a obras de caridade, merecendo que Deus a ornasse de dons celestes. Morreu em Viterbo, no ano de 1640. Ela era da ordem terceira franciscana, que hoje é conhecida pela Ordem Franciscana Secular, o braço leigo do franciscanismo.

 

 

Amor e ausência são os pais da saudade. (Francisco Manuel de Mello)

 



[1] Extraído do COMENTÁRIO BÍBLICO, Vol. III, p-297, ©Edições Loyola, 1997

[2] O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano A,  ©Paulinas, 1997

[3] http://www.carissimus.com