Sexta-feira, 29 de outubro de 2010

30º do Tempo Comum (Ano “C”), 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia Nacional do Livro e dia Mundial de Combate à Psoríase

 

Santos: Abraão de Rostov, Narciso de Jerusalém (212, bispo), Colmano, Zenóbio (séc. IV, médico na Antioquia, Síria), Jacinto, Feliciano, Lúcio, Teudério (575), Ermelinda, Germano.

 

Antífona: Exulte o coração dos que buscam a Deus. Sim, buscai o Senhor e sua força, procurai sem cessar a sua face. (Sl 104, 3-4)

 

Oração: Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

Carta de São Paulo aos Filipenses (Fl 1, 1-11)
Graça e paz a vós da parte de Deus nosso Pai

 

1Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, com os seus bispos e diáconos: 2graça e paz a vós da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. 3Dou graças ao meu Deus, todas as vezes que me lembro de vós. 4Sempre em todas as minhas orações rezo por vós, com alegria, 5por causa da vossa comunhão conosco na divulgação do evangelho, desde o primeiro dia até agora. 6Tenho certeza de que aquele que começou em vós uma boa obra há de levá-la à perfeição até o dia de Cristo Jesus. 7E justo que eu pense assim a respeito de vós todos, pois a todos trago no coração, porque, tanto na minha prisão como na defesa e confirmação do Evangelho, participais na graça que me foi dada. 8Deus é testemunha de que tenho saudade de todos vós, com a ternura de Cristo Jesus. 9E isto eu peço a Deus: que o vosso amor cresça sempre mais, em todo o conhecimento e experiência, 10para discernirdes o que é o melhor. E assim ficareis puros e sem defeito para o dia de Cristo, 11cheios do fruto da justiça que nos vem por Jesus Cristo, para a glória e o louvor de Deus. Palavra do Senhor!

 

 

 

Comentando a I Leitura

Que começou em vós uma boa obra, há de levá-la à perfeição 

 

Paulo encerra sua saudação aos filipenses fazendo-lhes voto de uma caridade inteligente. A nós também convém rogar ao Senhor que nossas esperanças agucem sempre mais nossa capacidade de colher o melhor em cada situação concreta. A caridade exige "antenas", sensibilidade, antes que ideias e organização. Para sintonizar com Deus e o próximo, devemos saber mover-nos por nós mesmos. O contemplativo que olha para Deus vê melhor que os demais as necessidades do irmão. O místico é também aquele que mais tem os pés na terra em seu relacionamento com os outros homens. Santa Teresa ensina com sua solicitude. Deus não nos pede excessos, mas que façamos o bem. A troca de experiências na reflexão e na prece faz amadurecer nosso discernimento. [Missal Cotidiano, Paulus 1997]

 

 

Salmo Responsorial: 110 (111), 1-2.3-4.5-6 (R/.2a)  
Grandiosas são as obras do Senhor!

 

1Eu agradeço a Deus de todo o coração junto com todos os seus justos reunidos! 2Que grandiosas são as obras do Senhor, elas merecem todo o amor e admiração!

 

3Que beleza e esplendor são os seus feitos! Sua justiça permanece eternamente! 4O Senhor bom e clemente nos deixou a lembrança de suas grandes maravilhas.

 

5Ele dá o alimento aos que o temem e jamais esquecerá sua Aliança. 6Ao seu povo manifesta seu poder, dando a ele a herança das nações.

 

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 14, 1-6)
A lei permite curar em dia de sábado, ou não?

1Aconteceu que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus. E eles o observavam. 2Diante de Jesus, havia um hidrópico. 3Tomando a palavra, Jesus falou aos mestres da Lei e aos fariseus: "A Lei permite curar em dia de sábado, ou não?" 4Mas eles ficaram em silêncio. Então Jesus tomou o homem pela mão, curou-o e despediu-o. 5Depois lhes disse: "Se algum de vós tem um filho ou um boi que caiu num poço, não o tira logo, mesmo em dia de sábado"? 6E eles não foram capazes de responder a isso. Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho

O amor pelos sofredores

 

Ao se deparar com um ser humano sofredor, Jesus deixava de lado os casuísmos legais e se antecipava para curá-lo. Até mesmo a Lei do repouso sabático era olvidada. Ele não se perguntava se era, ou não, sábado, quando tomava a decisão de curar alguém. Pouco lhe importava saber se era permitido ou proibido curar naquele dia. Seu único propósito era socorrer quem estava atribulado pelos sofrimentos e aliviá-lo.


É preciso entender em que se fundamenta a liberdade de Jesus diante da tradição religiosa. No caso do repouso sabático, ele o entende na perspectiva da intenção original de Deus, quando o instituiu. O Deuteronômio relaciona esse repouso com a escravidão egípcia: “Lembra-te (Israel) de tua escravidão no Egito, donde o Senhor te libertou, com mão forte e braço estendido. Por isso, o Senhor manda-te guardar o sábado.” Descansar no sábado era, pois, uma forma de preservar a dignidade humana contra o aviltamento da opressão e da escravidão. Era a celebração da libertação, obra da misericórdia divina.


Para Jesus, a cura do hidrópico encaixava-se perfeitamente bem no contexto do sábado. Aquele infeliz estava sendo libertado, pela bondade de Deus, de uma situação de escravidão, recuperando sua dignidade menosprezada.


Se fariseus e mestres da Lei ficaram chocados com a ação de Jesus, o Pai, sem dúvida alguma, a tinha como um gesto muito acertado. [O EVANGELHO NOSSO DE CADA DIA, Ano C,  ©Paulinas, 1996]

 

Para sua reflexão: O convite a um banquete no sábado oferece ocasião para vários ensinamentos reunidos. Imaginemos que Jesus, segundo o costume, leu e comentou numa sinagoga e, ao terminar, um dos chefes o convida à ceia solene do sábado. Outros colegas fariseus participam da ceia. Jesus não recusa esses convites nem desperdiça tais ocasiões, mesmo sabendo que o vigiam. Lucas reúne quatro peças numa espécie de simpósio ao estilo grego. O banquete oferece a ocasião e o tema central, que se desenvolve com variedade de aspectos e interlocutores. Nesse banquete se prefigura a refeição eucarística e se anuncia o banquete celeste. Os fariseus convidados o vigiam para avaliá-lo como o critério das observâncias. (Bíblia do Peregrino)

 

São Caetano Errico

 

 

 

A cidade de Secondigliano, grande e populosa, do norte de Nápoles, Itália, é mais conhecida como uma região de mafiosos do que de santos.


Os problemas dos seus habitantes são inúmeros, entre os quais estão as facções da máfia, a corrupção social e política que, somados, desestruturam o sistema de serviços e a consciência, propiciando a formação de gangues de todos os tipos de tráficos. Mas ela também tem boas obras. Como a de padre Caetano Errico, que fundou, em 1833, a Congregação dos "Missionários dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria".


A estátua de padre Caetano é bem visível de qualquer ângulo da cidade. Com a mão direita, ele abençoa; com a esquerda, empunha o crucifixo. A sua figura é imponente, não apenas pela beleza plástica da escultura. Ele era, realmente, um homem grande, alto e bem forte, um gigante na santidade e na figura humana.


Em 1791, essa cidade era pequena, uma planície com muito ar puro e úmido no final da tarde, chamada de Casale Régio da Cidade de Nápoles. Foi nesse ano que Caetano Errico nasceu, no dia 19 de outubro, o segundo dos nove filhos de Pasqual, modesto fabricante de macarrão, e de Maria. Quando mostrou vocação para a vida religiosa, logo obteve apoio da família. Aos dezesseis anos, ingressou no seminário e, em 1815, recebeu a ordenação sacerdotal.


Desde então, seu apostolado foi todo feito na igreja paroquial de São Cosme e São Damião, da sua cidade natal.


Em 1818, durante a pregação, teve inspiração divina para fundar uma congregação religiosa. Iniciou, imediatamente, pela construção de uma igreja dedicada a Nossa Senhora das Dores. Entre inúmeras dificuldades, a igreja foi erguida e abençoada doze anos depois, em 1830. Mas teve de esperar outros cinco anos para adquirir a imagem de madeira de Nossa Senhora das Dores e colocá-la no altar, onde permanece até hoje.


Além do trabalho pastoral da igreja, agora Caetano se ocupava com a construção da Casa para abrigar a nova congregação de padres. Decidiu que seria dedicada em honra dos Sagrados Corações de Jesus e Maria. E nela empenhou toda a sua vida, que durou sessenta e nove anos de idade. Morreu em 29 de outubro de 1860.


Padre Caetano Errico foi homem de oração, de penitência, dedicava muito tempo ao atendimento das confissões e auxiliava materialmente, com suas obras, os marginalizados e pobres de toda a cidade e redondeza. Hoje, essa herança é distribuída através dos padres Missionários dos Sagrados Corações. Mas a memória e veneração a padre Caetano está muito presente e ainda é muito forte na população.


O culto e as graças atribuídas à sua santidade começaram quando ele ainda estava no seu leito de morte. Tanto que no interior da Casa-mãe da Congregação foi preciso instalar um museu para abrigar as doações dos elementos testemunhais dos devotos, que lembram as graças alcançadas. E é curioso como o povo não permite que a imagem do fundador seja retirada do altar, onde foi colocada, para a sua simples apresentação, quando chegou. Era para ficar no museu, mas todos a querem ver ali, ao lado de Nossa Senhora das Dores.


O papa João Paulo II proclamou bem-aventurado Caetano Errico em 2002, e designou o dia de sua morte para a homenagem litúrgica.
[paulinas.org.br]

 

Uma boa leitura dispensa com grandes vantagens a companhia

de pessoas frívolas. (Marquês de Maricá)