Sexta-feira, 28 de maio de 2010

Oitava Semana do Tempo Comum, 4ª do Saltério (Livro III),  cor Litúrgica Verde

 

 

Santos: Bernardo de Novara, Emílio, Margarida Pole, Crescêncio, Dioscórido, Paulo, Germano (abade e bispo de Paris), Guilherme de Gellone, Págio (bispo de Florença), Bernardo de Montjoux (padroeiro dos montanheses e dos alpinistas), Agostinho (Arcebispo de Cantuária), Senador (Bispo de Milão), Justo (Bispo de Urgel), Inácio (Bispo de Rostov), Margarida (Beata, viúva e mártir), Maria Bartoloméia de Florença (Beata, virgem), Gerardo de Villamagna (beato, confessor franciscano, 3ª Ordem).

 

Oração: Nós vos pedimos, ó Deus, que o vosso Espírito nos transforme com a força dos seus dons, dando-nos um coração capaz de agradar-vos e de aceitar a vossa vontade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Antífona: O Senhor se tornou o meu apoio, libertou-me da angústia e me salvou porque me ama. (Sl 17, 19-20)

 

Oração: Fazei, ó Deus, que os acontecimentos deste mundo decorram na paz que desejais e vossa Igreja vos possa servir, alegre e tranqüila. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Leitura: I Pedro (1Pd 4, 7-13)
Vivei com inteligência e vigiai

 

Caríssimos, 7o fim de todas as coisas está próximo. Vivei com inteligência e vigiai, dados à oração. 8Sobretudo, cultivai o amor mútuo, com todo o ardor, porque o amor cobre uma multidão de pecados. 9Sede hospitaleiros uns com os outros, sem reclamações. 10Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um ponha à disposição dos outros o dom que recebeu. 11Se alguém tem o dom de falar, proceda como com palavras de Deus. Se alguém tem o dom do serviço, exerça-o como capacidade proporcionada por Deus, a fim de que, em todas as coisas, Deus seja glorificado, em virtude de Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o poder, pelos séculos dos séculos. Amém.

 

12Caríssimos, não estranheis o fogo da provação que se alastra entre vós, como se algo de estranho vos estivesse acontecendo. 13Alegrai-vos por participar dos sofrimentos de Cristo, para que possais também exultar de alegria na revelação da sua glória. Palavra do Senhor!

 

Comentando a I Leitura

Sede bons administradores da multiforme graça de Deus

 

Sóbrios, vigilantes, ativos, alegres de participar nos sofrimentos de Cristo, tais devem ser os discípulos na hora da provação, que vem em todos os tempos, hoje como ontem. Não perturbados, inconstantes, inertes, desanimados, murmuradores, mas edificadores da Igreja, cada um segundo seus dons: “Da aceitação destes carismas, até dos mais simples, nasce em favor de cada um dos fiéis o direito e o dever de exercê-los para o bem dos homens e da edificação da Igreja, dentro da Igreja e do mundo, na liberdade do Espírito Santo, que sopra onde quer, e ao mesmo tempo na comunhão com os irmãos em Cristo, sobretudo com seus pastores, a quem cabe julgar a autenticidade e uso dos carismas dentro da ordem, não certo para extinguirem o Espírito, mas para provarem tudo e reterem o que é bom. [MISSAL COTIDIANO, ©Paulus, 1997] 

 

 

Salmo: 95 (96), 10.11-12.13 (R/.13b)

O Senhor vem julga nossa terra

 

Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!” Ele firmou o universo inabalável, e os povos ele julga com justiça.

 

O céu se rejubile e exulte a terra, aplauda o mar com o que vive em suas águas; os campos com seus frutos rejubilem e exultem as florestas e as matas.

 

Na presença do Senhor, pois ele vem, porque vem para julgar a terra inteira. Governará o mundo todo com justiça, e os povos julgará com lealdade.

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 11, 11-26)

Minha casa será chamada casa de oração

 

Tendo sido aclamado pela multidão, 11Jesus entrou, no templo, em Jerusalém, e observou tudo. Mas, como já era tarde, saiu para Betânia com os doze. 12No dia seguinte, quando saiam de Betânia, Jesus teve. fome. 13De longe, ele viu uma figueira coberta de folhas e foi até lá ver se encontrava algum fruto. Quando chegou per­to, encontrou somente folhas, pois não era tempo de figos. 14Entáo Jesus disse à figueira: "Que ninguém mais coma de teus frutos". E os discípulos escutaram o que ele disse.

 

15Chegaram a Jerusalém. Jesus entrou no templo e começou a expulsar os que vendiam e os que compravam no templo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. 16Ele não deixava ninguém carregar nada através do templo. 17E ensinava o povo, dizendo: "Não está escrito: 'Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos'? No entanto, vós fizestes dela uma toca de ladrões". 18Os sumos sacerdotes e os mestres da lei ouviram isso e começaram a procurar uma manei­ra de o matar. Mas tinham medo de Jesus, porque a multidão estava maravilhada como ensinamento dele.

 

19Ao entardecer; Jesus e os discípulos saíram da cidade. 20Na manhã seguinte, quando passavam, Jesus e os discípulos viram que a figueira tinha secado até a raiz. 21Pedro lembrou-se e disse a Jesus: "Olha, mestre, a figueira que amaldiçoaste secou". 22Jesus lhes disse: "Tende fé em Deus. 23Em verdade vos digo, se alguém disser a esta montanha: 'Levanta-te e atira4e no mar', e não duvidar no seu coração, mas acre­ditar que isso vai acontecer; assim acontecerá. 24Por isso vos digo, tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o recebestes, e assim será. 25Quando estiverdes rezando, per­doai tudo o que tiverdes contra alguém, 26para que vosso Pai que está nos céus também perdoe os vossos pecados". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mt 21, 18-19; Mt 21, 12-17; Lc 19, 45-46

 

 

Comentário o Evangelho

O templo profanado

 

O comércio no templo deu margem para que a corrupção tomasse conta dele. Jesus interpretou o fato como uma forma de profanação, embora a classe sacerdotal e o pessoal ligado ao culto fossem coniventes com a situação implantada. Criou-se um perigoso conluio entre religião e comércio, a ponto de se operar uma sacralização deste em desprestígio daquela. Os comerciantes, é óbvio, ambicionavam o lucro, esquecendo-se de que sua presença no lugar sagrado só de­veria visar a facilitação da vida dos peregrinos. A casa de Deus transformou-se num pólo de exploração. De outra par­te, o comércio acentuava ainda mais a distinção entre ricos e pobres. Os primeiros possuíam dinheiro suficiente para comprar animais de grande porte para oferecer em sacrifício, e trocavam grandes somas de dinheiro com os cambistas. Quanto aos pobres, pouco tinham para adquirir o suficiente para a própria oferta.

 

Sendo assim, os verdadeiros fundamentos da religião acabavam sendo olvidados. Antes de mais nada, a vida de oração baseada numa fé sólida, que dá ao orante a certeza de ser atendido. A fé abre o coração para Deus, impedindo a pessoa de confiar na posse dos bens. Pelo contrário, perdão e a reconciliação deixavam de fazer parte das disposições de quem se aproximava de Deus, no templo convertido em um antro de ladrões. O ambiente dispersivo impedia que o peregrino se conscientizasse do dever de buscar a comunhão com o próximo, antes de voltar-se para Deus. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

Para sua reflexão: Na tradição bíblica, a figueira simboliza o povo de Deus. Ao chegar a Jerusalém, Jesus encontra uma sociedade que, tendo as folhas da Palavra de Deus, não quer produzir frutos, porque não acredita que a “estação” do reino já está no meio deles. Uma sociedade assim está condenada à esterilidade. Ela estende-se ao templo, que aparece belo e majestoso, mas igualmente sem frutos. O templo perdeu sua identidade como casa de oração universal, e se transformou em um covil de ladrões que equivale a um depósito de bens adquiridos de maneira injusta. A figueira estéril secou. Jesus dá três chaves para que as comunidades cristãs não caiam na esterilidade nem na secura: a fé sem limites, a oração confiante e o perdão que fomenta a comunhão fraterna (Novo Testamento, Edição de Estudos, Ave-Maria)

 

São Germano de Paris

 

 

 

 

São Germano viveu no século VI. Morreu em Paris no dia 28 de maio de 576. O início de sua vida foi atribulado. Sua mãe tentou abortá-lo. Uma tia quis envenená-lo, mas os planos frustraram-se. Isto graças à criada que se equivocou. Em vez de dar a Germano o copo de vinho envenenado, deu-o a Estratídio, seu primo e filho da mandante. Em 531, foi ordenado sacerdote e, mais tarde, tornou-se abade do mosteiro de São Sinforiano de Autun. Em consequência de sua austeridade, os monges destituíram-no do cargo. Em 555 foi eleito bispo de Paris. Fortunato, bispo de Poitiers, contemporâneo seu, descreve o seu amor incondicional pelos pobres: A voz de todo povo, reunindo-se numa só, nem assim exprimiria qual pródigo era ele em esmolas: frequentemente, contentando-se com uma túnica, cobria com o resto das vestes um pobre nu, assim que, enquanto o pobre se sentia quente, o bem-aventurado padecia frio. Ninguém pode dizer em quantos lugares e em que quantidade libertou cativos... Quando nada lhe restava, permanecia sentado, triste e inquieto, com fisionomia mais grave e conversação mais severa...

 

Ser habitado pelo Espírito representa estar imbuído de uma força que nos move inteiramente e que nos leva a ultrapassar nossos próprios limites. (Frei Nilo Agostini)